Temporada Instituições (2013.2)

São muitos os elementos que contribuem para o sucesso da ficção seriada televisiva: uma boa trama, capaz de prender o espectador, personagens interessantes, que capturem a adesão emocional dos espectadores, uma trama envolvente e bem roteirizada, diálogos argutos… Mas isto não basta. Para funcionar, a trama tem que ser ambientada em um cenário crível, que ofereça um pano de fundo coerente, com base na qual podemos entender melhor os personagens, tendo em vista suas características psicológicas e aquelas derivadas da sua condição social, bem como as ações que movimentam a trama. Um dos recursos utilizados a este respeito é o apelo a instituições ficcionais como referencial da narrativa. Se os personagens são as peças, e a narrativa descreve seus movimentos, as instituições oferecem tanto o tabuleiro quanto as regras com base nas quais as peças se movem.

Do ponto de vista do público imediato a que se dirige a ficção seriada televisiva, as instituições ficcionais oferecem uma base de reconhecimento e familiaridade. Contudo, isto não é igualmente verdadeiro para todos os públicos. Quando consideradas da perspectiva de outros públicos, culturalmente distantes da audiência original, as instituições ficcionais se apresentam de outra maneira, como a porta de entrada para uma aventura em um mundo em boa medida exótico. É este o caso da produção televisiva dos países do Extremo Oriente, percebida sob a ótica dos espectadores brasileiros. Longe de “naturais”, elas oferecem a oportunidade de uma aventura antropológica, de desvendar aspectos particulares de uma outra cultura. Em particular, o Asian Club explora nesta temporada as possibilidades que três tipos de instituições apresentam para a ficção seriada televisiva dentro de uma perspectiva antropológica: as artes marciais, a polícia e a escola.

Cada uma dessas instituições, em suas especificidades, mobiliza um conjunto de personagens – ninjas e samurais; policiais, psicopatas, criminosos e vítimas; professores e alunos… – tramas – a luta pela honra e um estilo de luta/combate supremo; a busca ou identificação prévia de possíveis criminosos/psicopatas; a batalha pelo sucesso, aceitação e reconhecimento social – e se estrutura a partir de lógicas temporais próprias, em alguns casos ditadas por um regime bastante particular – salvar uma vila, se manter fiel aos amigos, servir à sociedade, ou contestar o sistema no qual está inserido – e em outras pelas rotinas institucionais – as missões e batalhas de um espadachim, os prazos de julgamento/sentença dos criminosos, as atividades (extra) escolares como as aulas, clubes, bandas etc.

Tomados em conjunto, estes elementos criam cenários próprios que antecipam inúmeras possibilidades, a serem preenchidas criativamente pela narrativa da televisão seriada que, sobretudo, revela-se de maneira bastante particular na ficção televisiva dos países do Leste Asiático.

– Sessões/Produções exibidas por encontro:

Escola: The Queen’s Classroom vs Shut up Flower Boy

Artes Marciais: Naruto Shippuden vs Katanagatari

Policial: Psycho -Pass vs Black & White