MidiÁsia entrevista Thiago Nojiri, tradutor de mangás da editora NewPop

O universo dos mangás e animês é riquíssimo e muito presente no consumo brasileiro de cultura pop. São décadas de circulação, formal e informal, desses produtos no país e de uma influência cultural que resiste aos fortes influxos pop de diferentes nações. Contudo, não há como compreender as lógicas desse consumo no Brasil sem mergulhar no cenário que dá conta dessa circulação. A publicação de mangás e light novels em português-brasileiro é essencial para que a cultura japonesa, em suas variadas vertentes, consiga alcançar diferentes públicos e dialogar diretamente com os consumidores locais. Para isso, entrevistamos Thiago Nojiri, tradutor de japonês-português brasileiro desde 2012, que começou sua carreira na editora JBC e há três anos trabalha na NewPop. Ele é responsável pelas traduções de “Devilman”, “Re:Zero novel”, “Given”, entre outras obras. Thiago, então, conversa com o MidiÁsia em um esforço de apresentar detalhes da estrutura desse mercado no Brasil, como as lógicas de tradução do japonês funcionam, quais são as tendências da cultura pop japonesa e como esse consumo ajuda a entender as mudanças no cenário global.

Thiago Nojiri (@nojiri_s) | Twitter
O tradutor Thiago Nojiri. Foto: acervo pessoal.

Atualmente você é tradutor de mangás e light novels da Editora New Pop, como foi o seu processo de entrada nesse mercado?

Thiago Nojiri (TN): Na verdade, não foi exatamente “planejado”, eu meio que acabei unindo o útil ao agradável. Lá pelo meu terceiro ano da faculdade de Direito, eu estava completamente desiludido com a prática jurídica e não queria trabalhar com isso de jeito nenhum, somado à crise do começo dos anos 20 (hahaha!). Então, comecei a buscar alternativas pra coisas que eu pudesse fazer da vida, foi quando uma amiga disse que eu deveria fazer o exame de proficiência da língua japonesa (JLPT), que é uma prova aplicada pelo próprio governo japonês para estrangeiros, em que emitem um certificado do seu nível de proficiência no idioma japonês. Com esse certificado, achei que o meu leque de opções iria se expandir, nem que fosse pra trabalhar numa empresa japonesa como… advogado. Enfim, com o certificado em mãos, pensei no que me daria prazer de fazer (já que a vida jurídica não me daria), e a primeira coisa que pensei foi justamente nos mangás, algo que eu sempre amei desde criancinha (como todo bom garoto japonês) e que sabia que existia um mercado forte voltado pra isso aqui no Brasil. Lembro de ter ido a uma banca, visto o Death Note da JBC e no mesmo dia eu já tinha mandado e-mail pra eles. Em um primeiro momento, a pessoa responsável só respondeu dizendo que não estavam procurando colaboradores, mas alguns meses depois, fui contratado. Isso foi em 2012 e até hoje essa é a minha carreira, agora na Editora NewPop.

Em entrevista para o Anime Station da Rádio Geek, Thiago Nojiri fala um pouco mais sobre o início da sua carreira como tradutor e outros assunto relacionados.

O processo de tradução cultural é essencial para a tradução de textos, como ela se realiza no caso entre Japão e Brasil, dois países tão distantes cultural e geograficamente? O que é importante nesse aspecto para um tradutor de japonês-português?  

TN: O mundo consome animês e mangás formal e informalmente há muito mais tempo do que qualquer produto de outra cultura pop asiática. Convivemos com a cultura pop japonesa desde os anos 1960, quando o Japão teve grande destaque nessa área, mas outros produtos asiáticos eram raríssimos por aqui. Séries japonesas como Ultraman, National Kid e Jaspion e, posteriormente, Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, ficaram em destaque não só no Brasil, mas no mundo inteiro. O mundo foi consolidando e aceitando que aquilo apresentado era Japão, então não havia preocupação com tradução cultural naquela época. Essa questão é algo recente, porque cada vez mais não só os produtos asiáticos, mas tudo que não é eurocentrista ou parte do imperialismo americano, tá passando a ganhar mais destaque. Então começamos a discutir tradução cultural muito depois do que já tinha sido construído pelo mundo dos animês e mangás.

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Clássico da televisão japonesa, Jaspion fez história também na televisão brasileira. Crédito: Divulgação.

Os produtos que tiveram alcance global são naturalmente menos carregados de traços culturais japoneses. Os grandes sucessos dos mangás e animês no mundo são bem universais. A cultura pop japonesa é uma plataforma midiática que, apesar de bastante única e bastante “japonesa”, traz pouco da carga cultural japonesa em si. Acredito que o processo de criação tecnicamente falando e toda a questão envolvendo a parte objetiva é sim muito japonesa. Mas, quando a gente tenta discutir dentro da cultura pop japonesa o que tem de japonês ali, acho que é tudo um pouco mais brando. Os próprios japoneses gostam de separar o que é cultura tradicional e o que é cultura pop. O taiko, culinária, danças, teatro, enfim, essas coisas são muito japonesas. Em contraste a isso, temos a cultura moderna que já é naturalmente bem menos carregada culturalmente e a gente só percebe traços culturais em momentos pontuais e talvez na forma como ela se produz, mas não nas histórias em si. Podemos perceber nos grandes sucessos, como em Cavaleiros do Zodíaco, que não tem nada a ver com o Japão; Ultraman e Godzilla, que de cultura japonesa mesmo não tem quase nada, só trocaram Nova Iorque por Tóquio.

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Imagem promocional do animê Cavaleiros do Zodíaco. Crédito: Divulgação.

O próprio material que eu trabalho, que são os mangás, já são bem menos carregados culturalmente, então eu não saberia responder de forma completa essa pergunta porque faço muito pouco nesse respeito. Não é um desafio pra mim. Acho que a tradução cultural é sim essencial, mas acho também que os leitores não ligam muito pra essas coisas. Não é algo que precisamos preservar porque, de novo, é uma cultura pop, tem o objetivo de entreter e não exatamente respeitar a cultura japonesa. Eu acho mais interessante o leitor brasileiro entender de primeira o que está acontecendo na cena do que ficar pensando: “Ah, então quer dizer que no Japão eles pensam assim?”. Não acho que essa seja a abordagem a ser feita. O que é muito diferente da literatura clássica, que é algo que eu não faço, não traduzo livros clássicos, como Akutagawa e Osamu Dazai, que já são consagrados, fazem parte do hall de livros didáticos que todo japonês estuda, porque aí sim eu acho que a abordagem do tradutor tem que ser muito diferente.

Livros do Osamu Dazai publicados no Brasil. Crédito: sites das editoras Cavalo de Ferro e Liberdade.

Quais preconcepções você tinha do mercado de produtos culturais japoneses no Brasil, que hoje você percebe de forma diferente? E, hoje, quais você considera que são os grandes desafios da sua carreira?

TN: Curiosamente, as preconcepções que eu tinha são basicamente as mesmas do que é a realidade. Qualquer um que entrar para o mercado de produtos culturais japoneses vai ver que é exatamente como achou que fosse, não há muitas surpresas. Talvez por ser um mercado de nicho (e aqui falo de produtos japoneses no geral), não deve ter tanta complexidade. Mas, se é pra citar uma coisa, lá vai: achei que teriam muito mais nipo-brasileiros envolvidos neste tipo de trabalho, o que não é verdade, somos uma minoria muito minoria. E isso também não foi uma “surpresa”, porque sei como é a educação de um lar japonês (que vê trabalhar com produto cultural um fracasso ante outras profissões mais “sérias”), mas realmente achava que tivessem mais pessoas. Sobre os desafios da minha carreira, sendo bem franco, não acho que haja muita coisa que esteja ao meu alcance. Os desafios, pra mim, são mais “preocupações”, porque acho que o Japão como soft power já perdeu completamente aquilo que um dia teve e vem numa decrescente desde os anos 2010, no mundo todo. Isso leva a ter cada vez menos fãs e, consequentemente, menos dinheiro envolvido. De novo, não falo somente de mangás e animês, mas o país Japão como um todo já deixou de ser moda há muito tempo e vivemos do que restou de uma glória passada.

NewPOP Day 2018 | Todos os lançamentos e novidades da editora! - Suco de  Mangá
Captura do evento NewPop Day de 2018. Foto: SucoDeManga.

Como é realizado o processo atual de compra de direitos e publicação de uma obra japonesa, mangá ou light novel, aqui no Brasil? Ele mudou muito nos últimos anos?

TN: Não posso entrar em muitos detalhes, mas de forma resumida: a) existem agências intermediadoras especializadas nisso, são empresas que fazem a conexão da editora brasileira com a editora japonesa; b) nós, das editoras brasileiras, quando vemos um título que nos interessa, entramos em contato com essa agência intermediadora; c) a agência, então, repassa o nosso interesse para a editora japonesa que publica o título e, a partir daí, iniciamos a negociação; d) este processo, em si, não mudou muito nos últimos anos, porém, obviamente, a tecnologia nos trouxe muito mais facilidades.

Você morou no Japão por grande parte da sua infância, acredita que essa experiência modifica a forma como você traduz esses textos e até mesmo como você os entende e interpreta?

TN: Com certeza a minha vivência no Japão faz com que eu perceba e interprete os textos de forma diferente. Isso é algo que até preciso me policiar muito, sobre até que ponto eu estou entendendo uma coisa e conseguindo transmitir aquilo de forma que um brasileiro que nunca esteve no Japão possa entender de forma similar ou pelo menos que a tradução não fique algo muito centrado apenas no meu entendimento. Porque tenho sim consciência que percebo algumas coisas que a grande maioria não percebe e isso fica muito mais evidente em temas polêmicos que vêm ganhando destaque nos últimos anos, como sobre as problemáticas envolvendo a forma como se faz mangá. Percebo que enxergo esse assunto muito mais do ponto de vista de um japonês médio do que um brasileiro médio e isso é algo que preciso me policiar bastante.

Alguns títulos de mangás da editora NewPop. Crédito: site NewPop.

Consideraria essencial a um tradutor desse tipo de conteúdo a vivência aprofundada na cultura com a qual deseja trabalhar?

TN: Não, essencial não é. Acho que ajuda bastante o próprio tradutor, não falo nem do resultado, porque acredito que existem excelentes tradutores que nunca tiveram a oportunidade de viver no Japão e tá tudo certo. Ajuda mais o tradutor em momento pontuais para fazer a tradução fluir melhor, não ficar emperrado em certas partes ou não precisar fazer algumas pesquisas. Então, acho que é mais nesse sentido. Não é uma vivência super necessária se você quer aprender japonês e virar tradutor. Porém, o que eu quero deixar muito claro é que a tradução não pode ser feita por alguém que só sabe o japonês. Não raras foram as vezes que vi pessoas que tinham um bom nível de japonês, mas ainda muito longe do aceitável para fazer tradução de mangás em específico, ou mesmo livros, porque é necessário um nível muito próximo do nativo para entender nuances que são próprias do momento em que o mangá foi feito. Mangás e animês são muito mais reflexos do momento em que foram criados, então, envolvem muitas gírias, modos de falar e costumes específicos do contexto no qual foram desenvolvidos. E você tem que saber como perceber e entender esses detalhes, que não estão em livros didáticos de cursos de japonês. Então, isso sim é muito mais importante do que ter vivido no Japão, estar antenado ao que é essa cultura popular como um todo, não só mangás e animês, mas a cultura popular japonesa no geral, e principalmente como os jovens, a mídia e a política japonesas se comportam no período em que a obra foi escrita. Isso é muito mais importante.

newpop day 2018
Thiago Nojiri palestra no NewPop Day 2018. Foto: SucoDeManga.

Quais são as diferenças em questão de narrativa entre mangás e light novels? Você acredita que uma entrega ao leitor uma experiência mais imersiva e completa do que a outra? Para você, enquanto tradutor, qual dos dois formatos é o mais interessante de se trabalhar?

TN: Para trabalhar o mais interessante é o mangá, não tem nem comparação! Trabalhar com light novel é muito cansativo, é um formato de livro, por isso cansa mais. Isso sou eu, se existe algum tradutor por aí que prefere light novel, entra em contato porque estamos precisando! Na minha opinião, mangá é muito mais divertido e acredito que seja mais imersivo também. Mas isso vai muito do perfil do leitor, não sei dizer ao certo qual dos dois entrega uma experiência mais imersiva e completa, já que, da mesma forma que existem leitores que preferem histórias em quadrinho, há outros que preferem livros. Tem quem ache mais agradável ler HQ, tem quem ache mais imersivo e completo só ler Tolkien (autor de “Senhor dos Anéis”, “O Hobbit”, entre outros). Isso tudo depende do leitor. E tem uma coisa que quero deixar claro para não causar confusão: as light novels, apesar de serem livros, não podem ser encaradas da mesma forma como o Tolkien, por exemplo, ou outros grandes livros da cultura pop mundial, já que são coisas bem diferentes.

Alguns títulos de light novels da editora NewPop. Crédito: site da NewPop.

Light novel é muito próximo de um script de filme. O narrador ambienta o local, mas a maior parte da light novel acaba sendo diálogo, é como se um mangá tivesse sido transformado em livro. Como se a light novel fosse um script para o mangá, então é uma leitura muito mais ágil nesse sentido. Claro que vai de editor e autor, então tem de todo tipo, há light novels muito completas. Não são uma “sub-leitura”, são apenas uma modalidade única que existe e atende um certo tipo de leitor. Se a pergunta fosse sobre as diferenças entre light novels e livros, teriam mais diferenças a serem citadas do que entre light novels e mangás. Light novels são muito mais próximas da experiência de assistir um desenho, filme ou série, se distanciando da experiência de ler um livro. Até por isso acho que as light novels são tão interessantes, já que são uma forma que os japoneses encontraram de incentivar a leitura, o que acho sinceramente ótimo. O que acabou caindo muito no gosto dos japoneses: lá as light novels são sucesso absoluto! Em questões narrativa, é tudo a mesma coisa, light novels e mangás são realmente muito parecidos, a única diferença mesmo são os desenhos, porque, enquanto os mangás podem se dar ao luxo de não terem um narrador explicando o que está acontecendo nas cenas, as light novels precisam de um narrador explicando como é a cena, como a personagem tá vestida, qual é a cor de um objeto específico…

Crédito: site da NewPop.

Aqui no Brasil as demandas do público leitor de mangás seguem as tendências dos animes? Você encontra alguma correlação entre essas demandas e as atualizações dos catálogos de plataformas de streaming, como a Crunchyroll e a Netflix?

TN: Com certeza absoluta, não há sombra de dúvidas. O animê é o que dita a tendência e ponto, ele é o referencial mais importante para o mercado de mangás. Chega a ser engraçado como no resto do mundo acontece o processo inverso do Japão: enquanto no Japão o produto “original” é o mangá, e dependendo do sucesso do mangá faz-se uma adaptação em animê, o mundo todo vê o mangá como um “bônus” do animê. Tanto que, se você parar para reparar, os nomes de eventos otaku no Brasil são todos com o “anime” no nome, e não “mangá”. A gente fala que vai em “evento de animê”, e não em “evento de mangá”.

Existem gêneros de mangá que tem mais destaque no circuito brasileiro? Na sua opinião, quais são as tendências para o futuro desse mercado?

TN: A tendência é, sempre foi e sempre será: shounen de luta. E isso não é uma tendência brasileira ou mundial, é japonesa. No Japão é o que mais se produz, mais ganha visibilidade e mais dá lucro. Então é natural que todo o resto siga os mesmos passos. Acho muito difícil que isso vá mudar num futuro a médio ou longo prazo.

Arquivos A situação dos mangás da Shounen Jump - Quadro X Quadro
Capa de uma das edições da Weekly Shonen Jump, revista japonesa especializada no gênero shounen. Crédito: ShonenJump.

O consumo de cultura pop japonesa no Brasil acontece há décadas, mas é confinado ao conceito de nicho e abarca um universo cultural ainda considerado como “exótico” no nosso país. Você acredita que o contato brasileiro, mesmo nichado, com esses produtos culturais ajudou na construção de pontes culturais mais concretas e menos estereotipadas sobre o Japão e o Leste Asiático como um todo?

TN: Sim e não. Eu particularmente – e deixo bem claro que estou falando apenas por mim, Thiago – acho que ajudou só um pouco. Acredito que esse consumo deu suporte ao que já existe, que é a imigração japonesa no Brasil. As principais pontes, conexões e base para essa relação entre Brasil e Japão, e para que o Japão caísse no imaginário brasileiro, foram muito mais influenciados pelas famílias japonesas que vieram ao Brasil do que por algum produto cultural, especialmente os da cultura pop. A cultura pop deu suporte ao que já existia, que é as famílias japonesas divulgando a cultura, tanto que se você for em eventos de cultura tradicional japonesa, como é o Festival do Japão, ou em eventos organizados por associações de províncias, como é o Festival da Estrela, Tanabata, a presença de nikkeis, descendentes de japoneses, é ainda muito grande. E a cultura pop fez com que as pessoas que são totalmente de fora dessa vivência passassem a fazer a conexão do que viam no pop japonês também na cultura tradicional, enxergando que é tudo Japão. Então, por exemplo, aquela pessoa que nunca se interessou por shamisen (instrumento musical de cordas japonês), não vai se importar de assistir uma apresentação desse instrumento, já que ouviu algo parecido em uma música de videogame ou desenho japonês.

Minha Experiência Lésbica com a Solidão é bem mais do que imaginamos
Um quadrinho da obra Minha Experiência Lésbica com a Solidão, de Kabi Nagata, traduzido para o português brasileiro por Thiago Nojiri e lançado pela NewPop.

A cultura pop serviu para expandir um pouco mais uma ponte que já existia, que era inevitavelmente exotizada. Enquanto as comunidades nipo-brasileiras tentavam se firmar no Brasil, elas foram vistas como totalmente exóticas. Acredito, então, que a cultura pop conseguiu dar uma pequena rompida nisso, transformando um pouco essa percepção. Com certeza foi muito mais fácil da cultura japonesa entrar para o imaginário brasileiro graças a alguns desses destaques da cultura pop. Então, a construção de pontes culturais concretas acho que é muito mais um mérito das próprias famílias japonesas, a cultura pop teve pouca influência nesse sentido, mas com certeza ajudou. E acredito, curiosamente, vendo pelo menos os outros países do Leste Asiático, que os nipo-brasileiros e o Japão como um todo sofrem menos exotização do que os países vizinhos. Não sei se é porque estamos no Brasil há muito tempo e isso ajuda bastante, já estamos na quinta, sexta geração de famílias, que essas questões são um pouco diferentes, mas, sem dúvidas, é um assunto mais delicado.

O mercado editorial como um todo está sofrendo recessão no Brasil nas últimas duas décadas. Como está o nicho dos mangás e light novels japonesas em frente a essa situação? O público otaku continua consumindo como a dez anos atrás?

Não posso responder em detalhes, mas digo que: a) estamos lidando bem com a recessão; b) o consumo está mais diversificado.

Para finalizar, poderia nos indicar obras, traduzidas por você ou não, que considera essenciais aos leitores do MidiÁsia interessados por essas produções?

Na minha humilde opinião, não existem “obras essenciais” pra nada. Leia ou veja o que achou interessante e tá tudo certo. Dito isso, considerando o teor da entrevista, faço duas recomendações: “Zero Eterno” e “Thermae Romae”; acho que são mangás que conversam bastante com o perfil de quem gosta de se aprofundar mais na cultura japonesa. E, se sobrar um tempo, gostaria que lessem “Minha Experiência Lésbica com a Solidão” também.

Obras recomendadas por Thiago, que são encontradas em português nos sites de vendas das respectivas editoras. Crédito: sites da JBC e NewPop.