Fundador da SM fala sobre shows online, robôs e avatares no futuro do K-POP

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Lee Soo Man, o produtor-chefe e fundador de uma das maiores agências de música da Coreia do Sul, a SM Entertainment, mencionou o potencial de shows online, robôs e avatares no futuro para a indústria de K-pop em um evento recente. A empresa, que gerencia grandes grupos de K-pop SHINeeEXO e NCT, foi uma das primeiras na indústria musical a realizar um concerto online este ano, pois a pandemia do Coronavírus levou o governo a ordenar o distanciamento social e efetivamente bloqueou os shows tradicionais.

Após o show Beyond Live do grupo SuperM em abril, a SM se uniu à JYP Entertainment para lançar uma empresa conjunta especializada em formatos de performance online com o uso de tecnologias como realidade aumentada (AR), permitindo que os artistas e público interajam em tempo real.

Lee Soo-man, fundador da SM Entertainment. Crédito: SM Entertainment.

“Vai além de simplesmente transmitir performances offline na internet. Em vez disso, pode ser visto como uma nova forma de show otimizado on-line, permitindo interações em tempo real com os espectadores, possibilitada com a mais recente tecnologia AR e um sistema de conexão de vídeo de vários pontos”, disse Lee durante seu discurso no Fórum Mundial da Indústria Cultural que foi transmitido online. O chefe da SM disse que o formato virtual permitiu que músicos e empresas de música ultrapassassem os limites espaciais e de tempo que vinham com os concertos tradicionais.

“Durante os shows offline, devido ao acesso limitado aos equipamentos de palco e às restrições espaciais e físicas que o palco tem, a atmosfera de palco não pode ser alterada instantaneamente. No ‘Beyond Live’, tais limitações não existem, e é possível dirigir o palco livremente”, disse ele.

“Mesmo que esteja sendo realizada online, em vez de se sentirem separados, eles sentem a mesma união que fazem offline”, disse Lee, mencionando como centenas de telas mostrando fãs de todo o mundo permitem que fãs de todo o mundo aproveitem o show juntos. O show do SuperM, por exemplo, foi realizado às 15h aqui (o que não é um horário habitual para um show), para que os fãs em Los Angeles pudessem se juntar às 23h e aqueles em Paris pudessem assistir às 8h.

O guru do entretenimento, por sua vez, projetou a indústria do entretenimento para crescer ainda mais em tempos de pandemia, à medida que as pessoas ficam em casa durante o distanciamento social e passam mais tempo ouvindo música e assistindo vídeos. Para atender a essa demanda, Lee disse que áreas aparentemente rebuscadas como nanotecnologia, biotecnologia e inteligência artificial podem ser a próxima grande tendência para a indústria.

Ele apresentou o próximo grupo feminino da agência, “æspa”, a quem explicou trabalhos sobre uma combinação de músicos da vida real e artistas virtuais, ou “avatares”, dos artistas. “Este grupo é o que eu sonhei enquanto projeta um mundo futuro centrado em celebridades e avatares, transcendendo fronteiras entre o mundo real e virtual”, disse Lee Soo Man.

Foi apresentado um vídeo com a integrante Karina conversando, dançando e até realizando uma sessão no Instagram Live com o seu avatar æ-Karina. “O futuro que eu imagino será definido por um mundo de celebridades e robôs. Com a pandemia global, o mundo inteiro está praticando o distanciamento social. À medida que as pessoas passam mais tempo em casa, seu interesse e necessidades por celebridades e entretenimento estão crescendo ainda mais”, disse Lee.

Governo coreano lança “On: Hallyu Festival”, evento online que terá shows de K-POP e duração de 1 semana

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Um evento com duração de uma semana com o objetivo de promover a indústria cultural sul-coreana será realizado online este mês em meio ao novo coronavírus, anunciou o Ministério da Cultura, Esporte e Turismo do país. O “ON: Hallyu Festival” acontecerá de 16 a 23 de novembro, com encontros sobre negócios, sessões ao vivo de comércio e vendas e shows online.

O evento de uma semana terminará com um show online com as estrelas do K-pop SuperMMONSTA X e ITZY, assim como a cantora e compositora indonésia Raisa e o boy group tailandês Trinity. Como parte do evento, o Ministério disse que venderá produtos de 12 empresas da indústria de beleza e moda sul-coreana por meio de “comércio ao vivo” – sessões de vendas em tempo real. Uma sala será montada nas instalações da convenção COEX no sul de Seul para 79 empresas se encontrarem com compradores em potencial de 200 países em reuniões online.

Pôster do evento: Crédito: Ministry of Culture, Sports and Tourism.

A sessão será transmitida ao vivo para cerca de 230 países através do VLive, de acordo com o ministério. Eventos semelhantes também acontecerão nos centros de negócios da Agência de Conteúdo Criativo da Coreia, em Jacarta e Pequim. “Este evento proporcionará conforto às pessoas em todo o mundo que estão exaustos com o COVID-19, ao mesmo tempo que proporcionará oportunidades úteis para as empresas locais através do poder de Hallyu”, disse o Ministro da Cultura, Park Yang-woo. Mais detalhes sobre o evento estão disponíveis no site do evento.

Coreia estuda serviço militar diferenciado para celebridades proeminentes do K-POP

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O governo está trabalhando em um plano para permitir que celebridades da cultura pop que tenham contribuído para melhorar a imagem do país adiem o serviço militar obrigatório. O plano surgiu em meio a discussões sobre se os integrantes do grupo de K-pop BTS deveriam receber favores como isenção ou adiamento do serviço militar em reconhecimento à sua contribuição para a imagem nacional da Coreia do Sul.

No entanto, o assunto virou polêmica entre políticos e também cidadãos coreanos, assim como internacionalmente. Entre opiniões a favor e contra a isenção, ainda há aqueles que acreditam em uma alternativa entre os dois extremos. Noh Woong Rae, membro da Assembleia Nacional, se posicionou a favor da isenção. “Nem todo mundo precisa empunhar um rifle para servir ao seu próprio país”. Ele também enfatizou que o BTS continuar o que está fazendo é de melhor interesse do país.

Crédito: Pure Break.

Enquanto isso, o ministro da Defesa, Suh Wook, afirmou que uma isenção não está sendo considerada para o grupo, embora um adiamento possa ser uma opção. Em um relatório de auditoria parlamentar, o Military Manpower Administration disse que está pressionando para revisar a lei do serviço militar para permitir que os artistas da cultura popular atrasem seu alistamento se houver recomendação do ministro da cultura. Segundo argumentos, as celebridades do pop estariam em seu auge de atividades na carreira durante a faixa etária obrigatória para o alistamento. 

Até muito recentemente esta isenção era impensada. Até G-Dragon, do grupo BIGBANG, considerado uma personalidade de grande influência na Coreia, cumpriu seu periodo de serviço militar. Crédito: Korea Herald.

Pela lei, isenções ou adiamentos do serviço militar são concedidos a atletas, bailarinos e músicos clássicos premiados por seus papéis na elevação da reputação do país no exterior. Até hoje, nenhuma celebridade pop proeminente recebeu tais favores.

“A revisão visa reforçar a imagem nacional garantindo a cultura popular e as atividades artísticas”, afirmou a agência de recursos humanos no relatório. Enquanto discussões sobre a questão ainda ocorrem, os integrantes do BTS continuam a afirmar que irão cumprir com os deveres militares de seu país. Aqueles que forem isentos do serviço ativo, o que requer vida comunal e treinamento em bases militares, ainda são obrigados a cumprir cerca de quatro semanas de treinamento básico e 544 horas obrigatórias de serviço comunitário durante o mandato de 24 meses, enquanto continuam com sua vida diária.  

CEO da Big Hit Entertainment será o 14º acionista mais rico da Coreia

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O CEO da Big Hit Entertainment, Bang Si-hyuk, a força criativa por trás dos astros do K-pop BTS, se tornará o 14º acionista mais rico da Coreia do Sul após a (IPO-Initial Public offer – oferta pública inicial, em português) de sua empresa em meados de outubro.

A empresa abriu inscrições para investidores de varejo na segunda e terça-feira a um preço de IPO de 135.000 wons (cerca de US$115 dólares). Bang Si-hyuk detém 12.377.337 ações, ou uma participação de 36,6% avaliada em cerca de 1,67 trilhão de wons com base no preço do IPO, na Big Hit Entertainment, de acordo com a agência e dados do setor financeiro.

Crédito: Variety.

O IPO, marcado para 15 de outubro, elevará imediatamente Bang ao posto de 14º acionista mais rico da Coreia do Sul. A Big Hit Entertainment foi considerada uma das três grandes negociações de IPO deste ano na Coreia do Sul, junto com a empresa biofarmacêutica blue chip SK Biopharmaceuticals e a gigante de jogos para celular Kakao Games.

Se a Big Hit fechar com o preço mais alto permitido em seu dia de estreia, a participação acionária da Bang subirá para 4,34 trilhões de wons, disseram analistas. Isso fará de Bang o 5º acionista mais rico da Coreia do Sul, a substituir o presidente do Hyundai Motor Group, Chung Mong-koo. O evento IPO também deve impulsionar os ativos de cada membro do BTS.

Crédito: Variety.

No início de agosto, o septeto recebeu um total de 478.695 ações, igualmente divididas em sete. O valor das ações de cada membro do BTS pode chegar a 24 bilhões de won no primeiro dia de listagem.

Com base no preço da oferta, a Big Hit Entertainment tem previsão de arrecadar 962,6 bilhões de won por meio do IPO planejado, com seu valor de mercado estimado em quase 4,8 trilhões de won. No ano passado, as vendas anuais da agência quase dobraram para 587,2 bilhões de wons, com um lucro operacional de 98,7 bilhões de wons.

BTS faz discurso emocionante em cerimônia do dia da juventude

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Os integrantes do grupo de super estrelas globais BTS fizeram no último dia 19 um poderoso discurso motivacional para os jovens sul-coreanos, compartilhando histórias sinceras de suas lutas internas no caminho para tornarem-se um dos artistas musicais mais populares da história.

O discurso, feito em turnos por todos os sete integrantes do grupo, foi realizado na cerimônia inaugural do Dia da Juventude no país, no gabinete presidencial de Cheong Wa Dae. O BTS fez história no mês passado ao tornar-se o primeiro artista sul-coreano a alcançar o primeiro lugar na parada de singles da Billboard Hot 100 com “Dynamite”.

“Por volta de 2018, lembro-me de que todos os integrantes se sentiram perdidos depois de experimentar um sucesso esmagador e imerecido. Mesmo que nosso caminho seja sempre repleto de flores e frutas, não podemos ter certeza se será assim para sempre”, disse o líder do BTS, RM, explicando os altos e baixos da carreira do grupo ao longo dos anos.

Apesar de estar no topo, RM disse estar bem ciente de que as coisas sempre podem “piorar novamente quando a próxima tempestade vier”. O cantor-rapper enfatizou como os integrantes do BTS se voltavam uns para os outros em tempos de incertezas – mesmo quando as coisas pareciam estar funcionando bem do lado de fora.

Crédito: The Korean Herald.

“No final dessa incerteza e depressão, nós sete começamos a nos encher de sonhos e confiança, como se fôssemos meninos de novo.” “E então veio agosto de 2020. Alcançamos o primeiro lugar na parada da Billboard. Depois, outro primeiro. Esses foram os elogios que recebemos quando nos levantamos. Todos choramos lágrimas de agradecimento.”

RM agradeceu aos companheiros de grupo e também falou aos fãs que, segundo o cantor, seguraram o grupo “diante do desespero e da rendição”. Os integrantes também compartilharam algumas emoções que experimentaram durante o início de suas carreiras, destacando como, apesar do grupo desfrutar do estrelato global, eles vieram de um começo bastante conturbado e humilde.

“Partimos com nada além da música como nosso sonho, mas não sabíamos para onde estávamos indo, se estávamos subindo ou descendo, ou quando fazíamos uma pausa após ficarmos cansados, se na esquina havia um paraíso ou uma armadilha. Foi assim que começamos “, disse J-Hope.

J-Hope também explicou a carga emocional que o grupo experimentou depois de estourar. “Mas assim que fomos inundados com amor e atenção além de nossas expectativas, nossas sombras se tornaram mais longas e pesadas.” O cantor disse que os integrantes começaram a se perguntar: “Quem somos nós? Que amor é esse que estamos recebendo?”

Suga também falou sobre como o grupo de azarões de antigamente continuou “às vezes imprudente e obstinado” em meio ao seu desejo de sucesso. “Não sabíamos o que fazer (nos primeiros tempos), mas continuávamos a dizer-nos com algum desespero que isso também passaria, que estes (momentos difíceis) se tornariam boas recordações.”

Jimin também compartilhou um pouco da frustração que o BTS experimentou anteriormente, de como o grupo se sentiu “preso no lugar” por um longo tempo, apesar de trabalhar duro e correr sem parar. O cantor lembrou como palavras de encorajamento de pessoas próximas se tornaram um “farol” para o grupo perdido e sem rumo.

O Presidente Moon Jae-in também dicursou na ocasião. Crédito: The Korea Herald.

V explicou como os integrantes do BTS, como indivíduos, tentaram se libertar do “atoleiro emocional” que se seguiu ao sucesso global. “Ser honesto comigo mesmo. Sentir cada emoção e deixa-las sair”, V lembrou-se de dizer a si mesmo durante os momentos de dúvida e insegurança. “Se você está enfrentando dificuldades em sua vida ao se preparar para o futuro, espero que extraia alguma força de nossa história do ano de 2020”, disse RM.

O último discurso do gigante global do K-pop compartilhou um tema semelhante ao discurso que o grupo fez na 73ª sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York em setembro de 2018. O BTS também entregou uma mensagem semelhante em seu discurso de abertura durante a inauguração do evento online “Dear Class of 2020” organizado pelo YouTube em junho.

O governo designou o terceiro sábado de setembro de cada ano como Dia da Juventude, de acordo com uma lei para Jovens Adultos promulgada no mês passado. Durante o evento, o BTS presenteou o presidente Moon Jae-in com uma caixa de cor roxa como um “Presente para o ano de 2039” que será armazenada no Museu Nacional de História Contemporânea da Coreia em Seul, como uma cápsula do tempo. A caixa será aberta no evento da 20ª Jornada da Juventude em 2039.

Artistas de K-pop continuam encontrando seus fãs online

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Enquanto a pandemia continua a persistir, artistas de K-pop estão cada vez mais encontrando e se comunicando com seus fãs de forma online. Mais recentemente, o boy group Seventeen organizou seu 4º fanmeeting anual “Seventeen in Carat Land” no final de agosto por meio da plataforma Weverse.

Foram 4 horas de show, que ofereceram uma grande variedade de entretenimentos, desde performances das músicas mais icônicas do grupo até apresentações nas quais os integrantes fingiam ser apresentadores ou atletas competindo em um evento de esporte. A pré-filmagem dos MVs e fotos mostravam os integrantes em pijamas, deitados no sofá e comendo snacks, como um sinal de solidariedade por seus fãs, que estavam majoritariamente assistindo de suas casas.

Crédito: Korea Herald.

Os integrantes também apareceram sentados em um estádio vazio durante o encontro, dizendo aos fãs que tinham esperanças de se encontrarem lá com eles em breve. “Nós deveríamos estar nos encontrando em breve, mas tivemos que esperar, então está sendo ainda mais divertido ver vocês, CARATS, hoje”, disse Hoshi. “Enquanto não estivermos no mesmo espaço físico, foi muito significante para mim, porque pude ler seus comentários e ver suas reações individualmente”. “Dessa forma, todos puderam sentar na frente, enquanto vestiam pijamas e comiam o que quer que fosse e na posição mais confortável”, adicionou Woozi.

Crédito: Korea Herald.

“Independente do que acontecer, estaremos sempre juntos. Lendo os comentários, eu tive essa incrível sensação de que estávamos dançando juntos”, disse Junhui. O encontro com os fãs foi transmitido para 120 países e proporcionou uma apresentação com multicâmeras que possibilitou que os espectadores acessassem 14 câmeras em ângulos diferentes — uma capturava o grupo todo e as outras 13 davam closes que mostravam cada integrante.

Outros grupos e artistas do K-pop, como Mamamoo, Kang Daniel, Chungha, IZ*ONE e Weki Weki também fizeram recentemente encontros online. Integrantes do boy group 2PM fizeram uma transmissão online com os fãs no sábado (5), enquanto o Pentagon teve seu terceiro encontro online com os fãs no “PENTAG-ON AIR”.

MidiÁsia entrevista Douglas Passos, produtor do Hallyu Rio, maior evento de cultura sul-coreana no RJ

Por Daniela Mazur

Sem dúvidas, o Rio de Janeiro é um polo cultural brasileiro de grande reconhecimento, mas quando o assunto é cultura pop sul-coreana, o estado ainda está se estruturando para ser um espaço pulsante desse consumo. A Hallyu, ou Onda Coreana, possui uma grande comunidade de fãs cariocas, que se organiza em favor de se expandir e atrair eventos culturais e shows de K-pop para a cidade, mas sem grandes apoios institucionais. Apesar disso, nos últimos anos festas noturnas, exposições, competições de covers e eventos especializados na Hallyu começaram a se destacar por aqui, assim como surgiram cursos de coreano especializados em diferentes partes do estado, tamanha a demanda dos fãs. O coordenador do curso Escola de Coreano e produtor de eventos Douglas Passos está envolvido diretamente no processo de ascensão carioca dessa cena cultural e é o grande responsável pelo maior evento de cultura sul-coreana no estado, o Hallyu Rio, e da comunidade Meet Kpop Rio. Com a quarta edição do Hallyu Rio marcada para ainda este ano, desta vez em formato online por causa da pandemia de COVID-19, Douglas conversa com o MidiÁsia sobre a construção da cena K-popper no Rio de Janeiro, as dificuldades de legitimação da cultura pop sul-coreana no estado e a importância de pensar o consumo brasileiro da Hallyu para além de São Paulo, que é atualmente o grande epicentro dessa experiência cultural no país.

O entrevistado Douglas Passos. Fonte: Acervo pessoal.

Como foi o seu processo pessoal de conhecer e compreender a Hallyu? Em que momento percebeu que este setor de consumo cultural precisava de atenção profissional e começou a organizar seus próprios eventos relacionados?

Douglas Passos (DP): Entrei no mundo da Hallyu como fã, então, quando me percebi assim, quis buscar locais e formas de me conectar mais com essa cultura, conhecer pessoas, enfim, saber mais sobre esse entretenimento. O meio principal da época era a internet, especialmente grupos de Facebook, que foi por onde eu conheci esse mundo. Contudo, faltavam espaços físicos ou eventos onde a gente pudesse ir aqui no Rio, que é onde eu cresci e moro. Então, nesse momento em que eu percebi que não haviam locais suficientes ou até mesmo agradáveis para podermos ir, resolvi reunir alguns amigos que conheci pela internet, que compartilhavam comigo dos mesmos gostos. A ideia surgiu de uma página que promovia encontros de fãs de K-pop, mas no Rio de Janeiro não havia nenhuma comoção para realiza-lo, então eu me voluntariei a juntar essas pessoas. Convoquei amigos, que convocaram outros, e, com a ajuda dessa página, a gente divulgou o evento do Rio de Janeiro. Assim, realizamos o primeiro encontro K-pop do Rio, do qual eu fui o organizador. Nesse primeiro momento, então, foi uma questão muito pessoal, eu queria esse espaço e por ele não existir, resolvi participar e ajudar de alguma forma a fazer isso acontecer. Desde o primeiro evento percebi que tinha um público bem consistente interessado no assunto no Rio de Janeiro e que eu poderia repetir a dose, uma vez que a primeira tinha sido um sucesso.

Encontro na Quinta da Boa Vista em 2015 realizado pelo Meet Kpop, grupo de encontro de k-poppers organizado pelo Douglas. Crédito: Amanda Cotrim e página Meet Kpop.

Esse primeiro encontro, em 2013, reuniu em torno de 50 pessoas, que foi o maior até então. As pessoas se juntaram para socializar, ouvir música, conversar sobre K-pop, mas em um espaço público. Essas 50 pessoas falaram com outras, que se mostraram também interessadas, foi assim que percebi a demanda grande que tínhamos por aqui. Fãs do Rio de Janeiro que queriam e procuravam espaços de convivência, mas faltava uma liderança para organizar esses eventos. Com isso, um mês depois, realizamos o segundo encontro que teve o dobro de pessoas. Foi dessa forma que percebi que esse público estava crescendo e esses fãs se encontravam em locais diferentes no Rio, em grupos menores e isolados, demandando um espaço único para socializar e alimentar essa comunidade para que ela pudesse crescer, porque o potencial já existia para isso.

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Palco do Hallyu Rio 2018 com os participantes do concursos cover de dança e canto. Fonte: Sou Méier.

Como você enxerga o consumo da Hallyu no Rio de Janeiro em comparação ao resto do Brasil?

DP: Eu vejo que o Rio de Janeiro é um estado que cresceu muito em relação a isso e o principal fator de crescimento foram os próprios fãs, fomentando eventos, atividades, comunidades na internet. O Rio nunca teve muitas organizações oficiais viradas para a cultura da Coreia do Sul, até mesmo para o entretenimento em geral, foram poucas as vezes que tivemos alguma ajuda de centros culturais, da embaixada ou de outra instituição do tipo. Sempre foi um estado meio invisível em relação a isso, então o consumo da Hallyu foi crescendo graças a própria comunidade, muito foi feito dentro da lógica fã-para-fã. Esse é um fato interessante porque mostra a dedicação dessas pessoas, que, mesmo sem um espaço oficial ou contato com a comunidade coreana aqui do Rio de Janeiro para trocar informações em geral, os fãs se esforçam em buscar outras fontes através de pesquisas. A comunidade carioca de K-poppers é parecida com as de outros estados, como Fortaleza, Espírito Santo e Curitiba, que possuem grandes comunidades de fãs de K-pop, mas não têm muito respaldo oficial para esse consumo, diferente de São Paulo, que sempre teve apoio intenso do Centro Cultural Coreano e outras entidades culturais do tipo.

Apresentação cover no Hallyu Rio 2019. Crédito: Bruno Antonucci.

Em meio a sua vivência da cena, como o Rio de Janeiro se estruturou como um espaço focal da experiência brasileira da Onda Coreana? Entre erros e acertos, podemos considerar o Rio um campo em ascensão para a Coreia do Sul em termos culturais?

DP: A Onda Coreana cresceu no Rio de Janeiro a partir do fã-para-fã, onde muitos deles procuraram fomentar, divulgar e atrair novos fãs para a comunidade, tanto em espaços públicos, quanto na própria internet, esta última especialmente com sites e grupos virados apenas para o Rio de Janeiro. E, de dez anos pra cá, que foi quando a Onda realmente se expandiu, diversos shows de K-pop, atividades coreanas e eventos foram realizados no estado, porque os fãs conseguiram mostrar o grande potencial e número de interessados que existe aqui. Muitas das vezes de forma não-oficial, se utilizando apenas de páginas na internet ou de pequenas pesquisas locais, especialmente com votos e concursos para criar esse burburinho. Os primeiros shows realizados aqui no estado provaram o interesse do público, já que, mesmo quando eram apresentações de grupos muito pouco conhecidos no K-pop (alguns destes que às vezes não tinham grande reconhecimento nem mesmo na Coreia do Sul),realizavam apresentações aqui no Rio com um público bem bacana. É um esforço direto da comunidade carioca para esquentar esse circuito.

Público do Hallyu Rio 2019 durante uma atividade sobre dramas sul-coreanos. Crédito: Bruno Antonucci.

A cada atividade, a cada show, a cada recorde de público em eventos que era batido, os produtores de evento, tanto da Coreia quanto de outros estados brasileiros, começaram a ficar mais atentos ao Rio. Até mesmo o Centro Cultural Coreano no Brasil e a própria Embaixada da Coreia começaram a reconhecer o Rio de Janeiro como um estado em potencial para eventos culturais sul-coreanos. Contudo, ainda estamos em um processo de ascensão, eu diria que o Rio de Janeiro ainda não é um polo para quem ama cultura coreana, a gente ainda não tem atividades consolidadas a esse ponto. Obviamente, hoje temos muito mais eventos do que tínhamos antes, mas eu acredito que ainda não sejam o suficiente em comparação a extensão da cultura sul-coreana em si.

Apresentação de cover de canto. Crédito: Bruno Antonucci.

Acho que ainda faltam espaços ligados a isso, talvez um calendário mais organizado de eventos oficiais, não que os que já acontecem não possam ser considerados oficiais, porém é necessário algo mais estruturado na cultura. O Rio de Janeiro possui apenas um evento voltado totalmente para a cultura sul-coreana, que é o Hallyu Rio. Podemos também ver o aumento de cursos de coreano na cidade e no estado como um todo, coisa que a alguns anos atrás nem existia. Então, em resumo, acredito que o Rio de Janeiro já tem alguns espaços para o consumo da cultura coreana, mas ainda precisa melhorar. E, como produtor de evento, não tenho dúvidas que, para esse tipo de evento, o Rio de Janeiro é um lugar que vale a pena ser explorado.

O Meet Kpop Rio virou um espaço online reconhecido na cena carioca de cultura pop sul-coreana, como foi a concepção e desenvolvimento desse projeto?

DP: O Meet Kpop Rio nasceu com o objetivo de juntar pessoas com um mesmo interesse e cresceu graças aos fãs. Eu sempre fui muito fã e dessa forma tentei me conectar com outros fãs, algo natural, além disso foi graças ao K-pop que descobri minha vocação profissional que é a de trabalhar com cultura, pessoas e eventos, o que ajudou nesse processo. Então, o Meet Kpop surgiu dessa união de interesses. Aproveitamos das trocas com os fãs e nos focamos em aumentar essa comunidade aqui no Rio de Janeiro, assim o Meet Kpop se formou,como um espaço online de troca com os fãs cariocas e também um lugar para organização de eventos físicos virados para essas mesmas pessoas. Hoje são mais de 14 mil fãs na página, além de grupos no Facebook.

FlashMob Viva Coreia realizado pela Meet Kpop RJ em parceria com o Centro Cultural Coreano para as Olimpíadas Rio 2016. Crédito: Meet Kpop.

Quais são as demandas, obstáculos e recompensas de produzir um evento que tenta dar conta de tantas vertentes da cultura pop sul-coreana, especialmente sendo o único de grande porte no Rio de Janeiro? Como se configura o público que participa do Hallyu Rio?

DP: Pra começar, aqui no Rio de Janeiro nós temos poucos lugares oficiais para pesquisar informações sobre a Coreia do Sul. Então, fazer um evento sobre a cultura sul-coreana sem ter nunca ido até o país ou até mesmo sem ser um coreano-brasileiro, como é o meu caso, foi uma tarefa bem difícil. Elaborar um evento sobre uma cultura que não é a nossa demandou muita responsabilidade, por isso convidamos pessoas que tinham grande conhecimento a respeito da cultura sul-coreana e fizemos muitas pesquisas, tanto através de trocas em reuniões, quanto através de contatos com o Centro Cultural Coreano e a Embaixada da Coreia, até mesmo para confirmar informações a fim de não pisarmos em falso. Sempre tivemos essa grande preocupação, mesmo em meio a dificuldade de conseguir informações concretas. E, sendo o único evento sobre cultura sul-coreana no Rio de Janeiro, o público sempre nos confirma o grande interesse existente em nosso estado na Onda Coreana e na cultura da Coreia do Sul. Então, pra gente é um prazer pesquisar e disponibilizar a essas pessoas mais conhecimentos sobre uma cultura que os fãs amam tanto.

Apresentação de Taekwondo pelo Grupo Crescer no Hallyu Rio. Crédito: Bruno Antonucci.

O público do Hallyu Rio muitas da vezes nunca vivenciou a cultura sul-coreana para além do entretenimento, já que, aqui no Brasil, para você experienciar uma parte da Coreia do Sul você precisa ir até São Paulo, onde há restaurantes e centros culturais, ou, para quem pode, ir para a própria Coreia. Por isso, o público do evento é carente e sedento por esses conteúdos. Então, a gente (eu, Monica Velozo e Sergio Menezes, criadores e produtores do evento) tenta trazer um pedacinho da Coreia do Sul especialmente através das vertentes que temos menos contato aqui no estado, como as roupas tradicionais (hanboks) e a culinária, já que aqui no Rio temos poucos restaurantes de comida coreana, até hoje são apenas dois e ficam localizados em locais distante e de acesso restrito para boa parte desse público.  

O Hallyu Rio já estaria em sua quarta edição presencial este ano se não tivesse acontecido a pandemia de COVID-19. Desde 2015, quando aconteceu o primeiro evento, quanto e como o evento e seu público mudaram? Existem também mudanças no reconhecimento e credibilidade do Hallyu Rio no cenário cultural do Rio de Janeiro?

DP: De 2015 a 2020 mudou bastante coisa. Aqui no Rio sempre tivemos uma grande dificuldade de encontrar espaços para eventos, especialmente os de K-pop, porque é comum as casas de show pedirem informações sobre o conteúdo do evento e a gente depende que eles confiem no potencial do evento dar certo. Além da questão da precificação, já que, quanto mais duvidoso o público de um evento é, mais caro pode ser o aluguel daquele espaço. Então, de 2015 pra cá, a gente conseguiu provar a força da Onda Coreana no Rio e do próprio evento Hallyu Rio, como o público é forte e crescente, então isso repercutiu junto às casas de show, facilitando que conseguíssemos espaços para a realização desses eventos. Tanto que, hoje, nós realizamos o Hallyu Rio em um dos maiores espaços culturais do Rio de Janeiro, que é o Imperator, uma casa completa em relação a espetáculos e isso foi graças ao portfólio do Hallyu Rio, que comprova grande crescimento de público. Nossa primeira edição contou com público de 500 pessoas, já a última, realizada em 2019, contou com mil. Nosso público dobrou, então precisamos de um espaço duas vezes maior para comportar todos esses fãs.

Covers e produção do Hallyu Rio 2019. Crédito: Bruno Antonucci.

E o público do evento muda sempre, é bastante cíclico, seguem as tendências do K-pop. Normalmente os fãs começam interessados apenas nos K-dramas e no K-pop, depois passam por um processo de amadurecimento para a expansão de seus interesses para todo o universo cultural da Coreia do Sul. Então, é comum um K-popper começar interessado apenas na música, mas com o aumento no interesse cultural, começar a assistir os programas televisivos, estudar o idioma, provar a culinária do país. Então, o Hallyu Rio acaba abraçando interessados na Onda Coreana que estão em diferentes estágios: desde os que estão aficionados apenas no K-pop, quanto aqueles que já estão mergulhados em todo o contexto da cultura sul-coreana que recebemos aqui no Brasil. Há muitas pessoas também que vão ao evento com o objetivo de aprender sobre como fazer intercâmbio estudantil na Coreia ou até mesmo como conseguir entrar no mercado de trabalho do país. Como o Hallyu Rio é um evento anual, a gente percebe como de um ano para o outro as tendências de interesse vão mudando e como a Onda Coreana está sempre conquistando novos adeptos, porque o público se renova, com novos rostos participando em cada edição.

Sobre a credibilidade do evento no cenário cultural do Rio de Janeiro, hoje é inegável o fato que os produtores de evento e as próprias casas de show já têm consciência da força do K-pop no nosso estado e em todo o país. Festas noturnas, por exemplo, atualmente buscam DJs especializados em música pop sul-coreana, porque sabem que existe essa demanda muito forte do público jovem. Sem dúvidas, o reconhecimento dessa cena e da força da Hallyu é bem expressiva e bem vista hoje em dia.  

Espaço no evento Hallyu Rio para provar a vestimenta tradicional coreana, o hanbok. Crédito: Bruno Antonucci.

Os concursos de cover de dança e canto são expoentes entre os fãs de K-pop no Rio de Janeiro, como se estrutura esse recorte de fãs por aqui? Os covers continuam sendo a grande base dos eventos de K-pop?

DP: O K-pop continua sendo a grande força da Onda Coreana e essa vertente carrega muita coisa com ela, como o estilo e as coreografias. Os fãs tentam interagir com o K-pop de todas as forças possíveis e a dança é a que mais os conecta com essa música. Além disso é uma arte, atraindo até mesmo pessoas de fora do fandom, que se atraem pela qualidade dessas coreografias e expressões. O que acaba, é claro, sendo um chamariz para a Onda Coreana. Os covers agregam muitos fãs brasileiros e até por isso que os concursos de cover nos eventos sobre cultura sul-coreana aqui no Rio acabam sendo pontos altos e importantes para o público.  

Você é coordenador da Escola de Coreano, como você tem percebido a demanda pelo idioma sul-coreano no estado?

DP: O interesse desses alunos começa normalmente pelo consumo de K-pop e K-dramas e a partir disso surge o interesse em estudar o idioma. A faixa etária abrange desde os mais jovens, com 13 anos, até os mais velhos, que na terceira idade se interessam nos dramas coreanos e querem aprender esse novo idioma. Em geral, os alunos mais jovens querem aprender o coreano para expandir seus conhecimentos para poder consumir melhor a Hallyu, até mesmo para tentar fazer um intercâmbio na Coreia do Sul ou tentar trabalhar em uma empresa sul-coreana no Brasil. A Onda Coreana intensificou o interesse pelo idioma no estado, sem dúvidas.

Os eventos de K-pop nos últimos anos têm se distanciado dos bairros da Zona Sul e se aproximado especialmente da Baixada Fluminense, Zona Norte e São Gonçalo. Como você enxerga esse deslocamento e o próprio consumo da Hallyu nesses espaços? Você acredita que o subúrbio é um espaço plural que abraçou o K-pop aqui no estado?

DP: Esse distanciamento da Zona Sul tem acontecido aqui no Rio de Janeiro de forma natural, uma vez que os eventos vão ao encontro dos fãs e suas demandas. Antes os eventos eram realizados em bairros mais “reconhecidos” no Rio de Janeiro, como os da Zona Sul, por uma simples falta de pesquisa sobre onde a maioria desses fãs se encontravam aqui na cidade. Então, com o levantamento desse público, percebemos que ele se encontrava no subúrbio do que na Zona Sul. Por esse motivo, os eventos começaram a se enraizar nesses espaços, que claramente abraçaram o K-pop no Rio de Janeiro.

Você acredita que o consumo carioca da cultura pop sul-coreana esteja se desligando dos espaços da cultura pop japonesa, como, por exemplo, os eventos de anime?

DP: O grande divisor de águas para o desligamento mais concreto entre os consumos cariocas de cultura pop sul-coreana e o de japonesa foi exatamente a criação do Hallyu Rio. Antes dele não existia nenhum grande evento de cultura pop sul-coreana que não fosse interligado à cultura pop japonesa, porque antes existia uma descrença dos produtores, e até mesmo do público, se um evento só de cultura pop sul-coreana se sustentaria aqui no Rio de Janeiro. O Hallyu Rio, então, veio para comprovar esse potencial e consolidou essa divisão. É claro que ainda existem vários outros eventos pelo estado que continuam mesclando esses dois universos, especialmente eventos de anime que possuem espaços especiais para a Hallyu, já que os produtores desses eventos percebem o potencial lucrativo dessa fusão. Contudo, hoje, os kpoppers cariocas não são mais dependentes desses espaços, já que o Hallyu Rio, o Meet Kpop e outros eventos de cultura sul-coreana são realizados periodicamente por aqui.

Quais serão os próximos passos para que a cena do K-pop no Rio de Janeiro possa se aproximar desse epicentro cultural no país, que é o estado de São Paulo? Existe diferença de apoios da embaixada e consulado da Coreia do Sul no Brasil em relação aos eventos de cultura sul-coreana no Rio de Janeiro em relação a outros estados?

DP: A diferença é enorme. Desde a primeira edição do Hallyu Rio, em 2015, que a gente busca contato e apoio com centros culturais do governo da Coreia aqui no Brasil, mas ainda é um processo muito difícil. Sem um órgão oficial da Coreia do Sul no Rio de Janeiro, fica difícil provar a eles a força do público carioca. É claro que já realizamos diferentes eventos ligados à Embaixada e ao Centro Cultural Coreano aqui, mas ainda não temos uma intermediação mais fixa para esses assuntos. Acredito que o Rio de Janeiro tem grande potencial de sediar espaços oficiais de cultura sul-coreana, assim como eventos de grande porte, o que falta é atenção desses órgãos. A verdade é que todos os outros estados, excetuando apenas São Paulo, passam pelos mesmos problemas que a gente. A cidade paulista recebe a grande parte e atenção desses eventos oficiais por causa da concentração de coreanos-brasileiros no estado e dos próprios espaços culturais especializados em Coreia do Sul, assim como Brasília, que também tem destaque, uma vez que a embaixada da Coreia do Sul se encontra lá. Os outros estados, como o Rio de Janeiro, ficam à mercê dos produtores locais, que dependem de conquistar reconhecimento a fim de serem ouvidos por essas organizações coreanas aqui no país. Então, os próximos passos estão em fortalecer a comunidade carioca para apresentar ao resto do país o potencial do Rio de Janeiro como um polo de consumo da Hallyu, só assim a gente poderá criar um espaço deslocado de São Paulo.

Encontro Kpop realizado pelo Meet Kpop e pelo Shopping Nova América em 2019. Crédito: Meet Kpop.

Apesar da Covid-19, Big Hit Entertainment apresenta aumento de lucros

Via Koreapost

Big Hit Entertainment, empresa do gigante do K-pop, BTS, anunciou em 11/08 que a receita de vendas do primeiro semestre de 2020 atingiu um recorde de 298 bilhões de won ($244 milhões de dólares) devido à venda de álbuns e shows online. Na conferência semestral que foi transmitida no YouTube, a empresa também afirmou que o lucro operacional durante o período de janeiro a junho foi estimado em 49,7 bilhões de won.

Ainda segundo a Big Hit, os números foram sujeitos a uma examinação oficial antes da confirmação. O evento aconteceu cerca de uma semana após a aprovação preliminar da empresa pela Korea Exchange, operadora da bolsa de valores da Coreia do Sul.

Conferência semestral transmitida pelo YouTube. Crédito: Big Hit Entertainment.

Em relação ao ano anterior, estimativas de vendas e lucro operacional representaram aumentos de 46,9% e 27,1%, respectivamente. Apesar do cancelamento da turnê mundial do BTS e de outras atividades devido ao COVID-19, Big Hit afirmou que conseguiu atingir recorde de vendas de álbuns digitais e físicos, além do show online pago do BTS, realizado em junho.

Graças às aquisições das agências de K-pop Pledis e Source Music, dos 100 melhores álbuns do Gaon chart operado pela Associação de Conteúdo de Música da Coreia, cerca de 40% de todos os álbuns vendidos durante o período fazem parte da “Big Hit Labels”. Entre os artistas estão BTSSeventeen, NU’ESTGFriend e TXT. Na conferência também foi anunciado que o BTS realizará uma série de shows, intitulados “BTS Map Of The Soul ON:E”, por meio de eventos presenciais e transmitidos virtualmente em outubro.

Covers de K-pop com soul e jazz que irão te surpreender

Tradução Koreapost – Fonte original Soompi

Por Seheee

Embora seja sempre emocionante quando um artista lança uma nova música original, às vezes ouvir a versão de um cantor da faixa de sucesso de outra pessoa é muito bom. Ultimamente, tenho me encontrado apreciando especialmente covers que adicionam um toque jazzístico ao mesmo tempo em que injetam uma dose saudável de emoção por toda parte. Esses covers não apenas dão um sabor novo e delicioso a canções já maravilhosas, mas também são ótimas para relaxar no final do dia. Continue lendo para ver alguns covers de K-pop jazzificados que espero que impressionem você tanto quanto a mim.

A propósito, embora a maioria dos covers abaixo seja de cantores profissionais dos quais você provavelmente já ouviu falar, não pude deixar de também incluir um punhado de capas notáveis ​​de não celebridades.

BLACKPINK – “DDU-DU DDU-DU” (COVER POR KWON JIN-AH)

Kwon Jin-ah fez um trabalho fenomenal de transformar “DDU-DU DDU-DU” em sua própria música, porém, levando as coisas em uma direção completamente diferente da original. E nem me fale sobre suas notas agudas indutoras de frio no final.

ZICO -“ANY SONG” (COVER POR MODERN TIMES)

A versão original de “Any Song” é ótima, mas essa versão da bossa nova pode ser ainda melhor. Simplesmente não dá para parar de escutar a voz maravilhosa do cantor. A instrumentação também é adorável. Além disso, se você gosta deste cover, então você absolutamente deve ouvir algumas das outros covers dos Modern Times, que são todas igualmente agradáveis ​​e jazzísticas.

BTS -“BLACK SWAN” (COVER POR BUDY)

Este é um bop jazzístico. Embora o rearranjo ainda seja claramente “Black Swan” em seu núcleo, as vibrações são muito diferentes. Enquanto a versão original é perfeitamente complementada pelos movimentos de dança afiados do BTS no MV, a versão jazz soul de BUDY seria melhor acompanhada por uma taça de vinho ou uísque.

G-DRAGON -“THAT XX”(COVER POR JEA DO BROWN EYED GIRLS)

Há algo sobre a versão do JeA dessa faixa que a torna diferente. Muito diferente. Quero dizer, como alguém pode ouvir seus vocais poderosos, cheios de alma e não sentir algo? É como mágica para os ouvidos.

CRUSH-“SOFÁ” (COVER POR JI JIN-SEOK)

A voz de Ji Jin-seok sempre emociona, mas seu cover de “Sofa” é particularmente comovente. Além dos vocais incríveis, há também algo sobre as adições de jazz à instrumentação, como a linha de baixo quente e o som suave de pincéis na bateria, que faz com que essa música já tocante pareça ainda mais emocionante.

WANNA ONE –“ENERGETIC” (COVER POR PAUL KIM)

Como uma grande fã da música original, assim como Hui de PENTAGON (que co-compôs “Energetic”), não tinha certeza se esta versão corresponderia às minhas expectativas. Afinal, embora não haja como negar que ele é um grande cantor, Paul Kim é mais conhecido por cantar baladas românticas, não canções de ídolo cheias de energia. Paul Kim acertou em cheio aqui, porém, com sua versão funky que parece familiar, mas fresca.

WJSN –“SAVE ME, SAVE YOU” (COVER POR SE-RA RYU)

Sua voz agradável e seu sorriso brilhante são tão doces quanto podem ser. O novo arranjo no estilo swing também é muito divertido e leve, dando a “Save Me, Save You” um pouco mais de brilho do que originalmente.

BUSKER BUSKER -“CHERRY BLOSSOM ENDING” (COVER DE SHIN YU-MI E CHO EUN-HWA)

Até agora não sabíamos que precisávamos de uma versão jazz desta lendária música de primavera. A linha do piano é tão suave, fazendo com que esta capa soe um pouco mais leve e alegre do que a original. Depois, há a vocalista, que realmente mostra suas habilidades na segunda metade – particularmente quando ela faz uso de suas técnicas de canto (scatters), nos quais ela transita perfeitamente para o refrão.

EXO –“TEMPO” (COVER BY OFF DUTY)

Se você já desejou uma versão de canção de ninar de “Tempo”, então você está com sorte porque aqui está. Individualmente, as vozes dos cantores são agradáveis ​​ao ouvido, mas juntas elas realmente brilham ao criar uma versão mais suave e levemente jazzística da faixa original. Definitivamente é possível sentir alguns arrepios se formando quando eles começarem a antar juntos na segunda parte.

CRUSH –“FALL” (COVER POR JI-HOON OF KNK)

Embora esta capa não mude o instrumental original em nada, achei que merecia ser incluída aqui – como uma espécie de menção honrosa – porque é tão calma e descolada ao mesmo tempo. Além disso, o tom suave e gentil de Ji-hoon dá a “Fall” uma vibe ligeiramente diferente do original. Atrevo-me a dizer, esta versão soa um pouco mais romântica e doce do que a de Crush.

BLACKPINK – “PLAYING WITH FIRE” (COVER POR A.C.E & AG BAND)

Não vou mentir, gosto mais dessa versão do que da original. É claro que os meninos estão se sentindo aqui, e tudo, desde seus vocais até suas expressões e gestos, está certo. Sem sombra para BLACKPINK, é claro, mas cara, A.C.E faz “Playing With Fire” parecer que poderia ser sua própria música e não apenas um cover.

HEIZE -“JENGA” (COVER POR CLASSY DOMINANTE)

Qualquer música do Heize pode ser tocada em um estilo jazz e soar fantástica, então não é nenhuma surpresa que esta versão jazz de “Jenga” seja muito agradável. Os solos de piano e guitarra que levam à repetição final do refrão são adoráveis. E embora eu não tenha ficado tão impressionado com o vocalista inicialmente, quanto mais eu ouço esse cover, mais eu aprecio seu tom e acho que ele é um ajuste perfeito para essa interpretação, afinal.

BTS – “BLOOD SWEAT & TEARS” (COVER POR YOUNG-JI DO BUBBLE SISTERS)

Apesar de (ou talvez por causa de) ter ouvido “Blood Sweat & Tears” literalmente centenas de vezes, nunca poderia ter imaginado que soasse tão incrivelmente emocionante e rico. Young Ji pode muito bem ter criado uma música totalmente nova com esta versão, que continuamente aumenta do início ao fim, apresentando os vocais poderosos e inspiradores de Young-ji ao longo do caminho.

MidiÁsia participa de debate sobre K-POP no Távola Podcast (Spotify)

Semana passada, o Távola Podcast realizou uma publicação no Spotify sobre o engajamento político que os fãs de K-POP têm demonstrado nos últimos tempos e que tem chamado atenção da mídia mundial. Para tanto, a pesquisadora do MidiÁsia Krystal Urbano foi convidada para o debate junto com a Kpoper Kimberly Mello.

Urbano é especialista em estudos asiáticos e da cultura pop e tem estudos sobre o fandom do K-POP, que para além de um estilo musical, vem tornando-se algo maior como um modo de vida. Távola Podcast é uma produção da TVL&Co e tem edição de Sérgio Pinheiro (MS Produção Sonora). Seu objetivo é encurtar a distância entre a Cultura Geek e a pesquisa acadêmica. Toda semana um episódio novo sobre temas importantes para a atualidade repleto de referências de obras clássicas da cultura pop. Para ouvir o podcast na íntegra, acesse o link abaixo.