Hanteo Chart lança relatório global de maiores vendas do K-POP em 2021

Crédito: HYBE, KQ Entertainment, SM Entertainment, Starship Entertainment.

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Hanteo Chart, que contabiliza vendas de álbuns e músicas na Coreia do Sul, publicou o Relatório Hanteo Global K-pop: Resumo Semestral de 2021. Os dados utilizados foram referentes aos coletados entre 1º de janeiro a 20 de junho, usando a autenticação global do Hanteo Chart para álbuns físicos.

Os álbuns de artistas de K-pop vem com um cartão de autenticação Hanteo Chart que tem um código QR e código de barras, que o comprador pode usar para autenticar sua compra do álbum por meio do aplicativo Whosfan.

No primeiro semestre de 2021, a região com o maior número de autenticações foram os Estados Unidos, onde ocorreram 19,97% de todas as autenticações de álbuns. A Malásia ficou em segundo lugar, respondendo por 17,65% das autenticações deste ano até agora, seguida pela China, Filipinas, Tailândia, França, Cingapura, Rússia, Japão e Indonésia.

Quanto à faixa etária, a maioria das autenticações de álbuns (58,66%) foram feitas por fãs na casa dos 20 anos. Fãs adolescentes foram responsáveis ​​por 30,61% de todas as autenticações de álbuns, enquanto fãs na casa dos trinta responderam por 10,28%.

BTS registrou o maior número de autenticações de álbuns na primeira metade de 2021, e seu álbum mais autenticado foi BE. Notavelmente, BE (Deluxe Edition) – a versão original do álbum que foi lançado em novembro de 2020 – obteve mais autenticações do que BE (Essential Edition), que foi lançado em fevereiro deste ano. A região que autenticou a maioria dos álbuns BTS foram os Estados Unidos (onde ocorreram 33,52% de todas as autenticações BTS), seguidos pelas Filipinas (17,80%) e pela Malásia (17,01%).

ATEEZ ficou em segundo lugar, respondendo por 9,94% de todos os álbuns autenticados na primeira metade de 2021. O álbum mais autenticado do grupo foi ZERO: FEVER Part.2, e as regiões que mais autenticaram a maioria dos álbuns ATEEZ foram os Estados Unidos (36,30%), França (9,67%) e Malásia (8,04%).

Em terceiro ficou o NCT DREAM. O álbum mais autenticado do grupo foi Hot Sauce e as regiões que mais autenticaram os álbuns do NCT DREAM foram Malásia (47,60 por cento), Tailândia (21,02 por cento) e Filipinas (6,33%).

A classificação da Hanteo Chart dos 50 melhores artistas “por Índice Global” é a seguinte:

  1. BTS
  2. ATEEZ
  3. NCT DREAM
  4. MONSTA X
  5. TREASURE
  6. TXT
  7. Stray Kids
  8. Dreamcatcher
  9. ENHYPEN
  10. Wonho
  11. ONEUS
  12. Super Junior
  13. EXO
  14. NCT
  15. CIX
  16. BLACKPINK
  17. IU
  18. VICTON
  19. CRAVITY
  20. TWICE
  21. ASTRO
  22. ITZY
  23. BLACKPINK’s Rosé
  24. NCT 127
  25. THE BOYZ
  26. SEVENTEEN
  27. EXO’s Baekhyun
  28. MAMAMOO
  29. PENTAGON
  30. SHINee
  31. WOODZ (Cho Seung Youn)
  32. GOT7
  33. (G)I-DLE
  34. AB6IX
  35. IZ*ONE
  36. WayV
  37. VERIVERY
  38. P1Harmony
  39. B.I
  40. ONF
  41. MAMAMOO’s Wheein
  42. DAY6
  43. MCND
  44. Golden Child
  45. Weeekly
  46. Red Velvet’s Wendy
  47. PURPLE KISS
  48. LOONA
  49. WJSN THE BLACK
  50. WJSN

MV do Coldplay com dançarinos coreanos tem quase 12 milhões de visualizações

Crédito: Warden Times – Ethan Newmyer, Maria Alvarez.

Via Koreapost

Um videoclipe da banda de rock britânica Coldplay com dançarinos coreanos exibindo-se pelas ruas de Seul está ganhando popularidade no YouTube. O videoclipe oficial da última canção do grupo, “Higher Power”, atraiu 11,8 milhões de visualizações em 30 de junho.

Uma edição de dança do vídeo lançado em 21 de junho alcançou 1,2 milhão de visualizações em 30 de junho. O vídeo apresenta imagens nos principais locais da capital coreana, incluindo uma faixa de pedestres em Jongno, Clock Alley no bairro de Yeji-dong e os becos da Universidade Hansung.

Os dançarinos da Ambiguous Dance Company no vídeo vestem roupas tradicionais coloridas e mostram seus movimentos únicos contra o pano de fundo das ruas de Seul. Fundada em 2011, a empresa é um grupo artístico liderado pelo diretor Kim Bo Ram. A equipe ganhou atenção dentro e fora da Coreia no ano passado por meio da série de vídeos “Feel the Rhythm of Korea”, em colaboração com a banda local de pop alternativo Leenalchi. A série apresentou movimentos de dança emocionantes e individuais em seis cidades – Seul, Busan, Jeonju, província de Jeollabuk-do, Andong, província de Gyeongsangbuk-do, Mokpo, província de Jeollanam-do e Gangneung, província de Gangwon-do – e atraiu 600 milhões de visualizações.

JYP lançará oficialmente novo grupo feminino em fevereiro de 2022

Crédito: divulgação.

Via Soompi

Em 8 de julho à meia-noite, horário da Coreia, a JYP Entertainment lançou um teaser misterioso de algo intitulado “Blind Package”. Depois de criar um burburinho na internet com especulações, a agência anunciou oficialmente neste dia 9 de julho sobre o que era o teaser: um novo grupo de garotas.

De acordo com a JYP Entertainment, o próximo grupo será lançado em fevereiro de 2022 – tornando-se o primeiro novo grupo feminino de JYP em três anos desde a estreia de ITZY em fevereiro de 2019. O novo grupo será administrado pela Divisão 4 da JYP Entertainment, liderada por Lee Ji Young, a primeira diretora executiva da empresa.

Enquanto isso, “Blind Package” é descrito como um pacote de edição limitada que inclui o single de estreia do próximo grupo. O pacote, que só estará disponível para pré-venda por 10 dias, de 16 a 25 de julho, incluirá um CD de edição limitada, álbum de fotos, cartão de foto, pôster, cartão de membro premium, Polaroid aleatório e muito mais.

Disputa das empresas de K-POP para espaços dedicados aos fãs

Crédito: Bandwagon Asia.

Via Koreapost

Com o crescimento dos fãs de K-pop, as principais agências estão inaugurando espaços especialmente dedicados aos fãs. Isso é um marco, já que há pouco tempo atrás as empresas operavam, no máximo, lojas temporárias ou exposições de K-pop. Isso mostra que os fãs são uma peça chave para o crescimento dos negócios. Em maio desse ano, a Hybe Corporation, empresa por trás do BTS e Seventeen  inaugurou a Hybe Insight em sua sede, no centro de Seul.

O espaço de 4.700 m² de dois andares, no subsolo da Hybe é um “museu de música” para os fãs, de acordo com a empresa. O local foi decorado em um conceito futurista que permite que os fãs vejam os momentos dos bastidores e conheçam melhor seus artistas por meio de vídeos, e souvenires de turnês de shows.

Além de oferecer visitas guiadas para os visitantes, o espaço também tem um tour de áudio pré-gravado, apresentando alguns dos músicos da Hybe. “Hybe Insight é um museu onde visitantes podem saber sobre o que a Hybe, artistas e os fãs fizeram juntos”, disse a empresa na abertura do local. “Será um espaço especial para que artistas e fãs possam interagir por meio da música e expandir suas experiências musicais”.

Sede da hybe, onde foi inaugurado o hybe insight, um espaço dedicado aos fãs. Crédito: página do facebook do we believe in bts.

Uma semana antes, a YG Entertainment – uma das melhores empresas de k-pop, que gerencia o Blackpink e Treasure – também abriu um espaço para fãs próximo ao novo prédio da YG, no oeste de Seul. Chamada de “The SameE”, o prédio tem espaço para eventos e exposições, uma cafeteria e uma loja de souvenir para os visitantes. A YG disse que o nome veio da ideia de que artistas e fãs podem ficar simultaneamente no mesmo espaço, e o projeto foi baseado no conceito de que os fãs são os principais motivos de sucesso dos artistas.

Relembrando de como os fãs esperavam ansiosos para ver suas estrelas favoritas do lado de fora da sede da empresa, a YG disse, “Os fãs não precisam mais suportar o calor e o frio ao ar livre, agora eles podem desfrutar de várias atividades indoor“. A empresa disse que vai usar o local para lançar projetos para enfatizar que “os artistas existem graças aos fãs, e que eles são os principais motivos dos artistas estarem ali“.

Conceito futurista, onde os fãs podem sentir seus artistas próximos. Crédito: allkpop.

Esses espaços são os recentes esforços das empresas para se conectar com os fãs de K-pop em todo o mundo, pois eles se transformaram em uma força que alimenta a indústria multibilionária. Essas empresas de K-pop já implementaram comunidades virtuais para os fãs que querem interagir com os artistas e também com outros fãs. A Hybe administra a plataforma Weverse, que é uma comunidade online de fãs e oferece conteúdo exclusivo de seus artistas e também de artistas de outras agências, como a CLSunmi e Gracie Abrams.

Dados da indústria mostram que as vendas dessas atividades, no primeiro semestre de 2020, representaram 47,8% de toda a receita da Big Hit, antigo nome da Hybe, enquanto que em 2018, representavam 31,2%. Estimativas mostram que há mais de 100 milhões de fãs de K-pop em todo o mundo. Em setembro de 2020, o numero de membros de fã-clubes chegou a 104.770, considerando membros de 109 países e sem contar a Coreia do Sul, de acordo com a Korea Foundation, uma organização de diplomacia pública de Seul.

Pesquisadoras do MidiÁsia participam do evento “Hallyu: o K-Pop como diplomacia cultural”

Crédito: Revista Superinteressante.

No dia 28 de junho, segunda-feira, às 18h, as pesquisadoras do Grupo de Pesquisa em Mídia e Cultura Asiática Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (MidiÁsia-UFF) Daniela Mazur, doutoranda em comunicação pela UFF, Krystal Urbano, doutora em comunicação pela UFF, e Mayara Araujo, doutoranda em comunicação pela UFF, participam do evento “Hallyu: o K-Pop como diplomacia cultural”. A iniciativa faz parte da programação da I Semana Cultural de Relações Internacionais, que acontecerá entre os dias 28/06 e 01/07, no canal do Youtube do Centro Acadêmico Sérgio Vieira de Mello da UFF.

Crédito: divulgação CASVIM.

Segundo divulgado, a proposta central da Semana é discutir a influência internacional da cultura e de que forma ela pode se tornar instrumento de poder ou de identidade. Para realizar a sua inscrição, acesse o site da CASVIM.

MidiÁsia entrevista Tássia Assis, escritora brasileira especializada em K-pop

Por Daniela Mazur

Já não é mais uma novidade o fato da Onda Coreana ser um fenômeno da atualidade. Contudo, essa concretização e reconhecimento da cultura pop sul-coreana na arena global demanda não só o aprofundamento no que entendemos sobre o fenômeno, mas também uma cobertura da imprensa mais próxima e específica dessa indústria e seus artistas. Todos os anos novos grupo de K-pop são lançados no mercado, assim como novas músicas, álbuns e projetos de artistas veteranos e novatos são compartilhados com o grande público. Segundo os dados de 2020 da Korea Foundation, já são mais de 100 milhões de fãs da Hallyu no mundo, presentes em 109 países. São esses e tantos outros que consomem a infinidade de produtos que a indústria do K-pop planeja, arquiteta, prepara e vende para os mercados local, regional e global. A imprensa tem papel essencial para que esses artistas cheguem a novos públicos e também dialoguem de forma mais direta com seus fãs de diferentes nacionalidades. Jornalistas e escritores de veículos internacionais noticiam, resenham e entrevistam esses que movimentam e são a cara do K-pop para o mundo. E entre eles está a brasileira radicada em Portugal, Tássia Assis.

Tássia é escritora freelancer especializada em abordar o K-pop nos seus textos. Ela escreve em inglês para grandes veículos da imprensa internacional, especialmente aqueles baseados nos Estados Unidos, como MTV, GRAMMYs e Teen Vogue. No currículo estão entrevistas com artistas de grande porte do K-pop: SuperM, TWICE, NCT Dream, Taemin, Baekhyun, Chung Ha, Golden Child e Pentagon são alguns dos nomes, além de resenhas e matérias sobre o universo do K-pop em geral. Tássia acabou, então, se tornando uma ponte entre o universo da cultura pop sul-coreana e o Brasil. Conversamos com a escritora, que nos explicou um pouco sobre como é o processo profissional de diálogo com os artistas, o papel da imprensa nessa mediação, o lugar do K-pop no mercado global e também a importância de termos uma voz brasileira e potente cobrindo o cenário da Hallyu (Onda Coreana), que está sempre em constante expansão.

Você é uma jovem escritora freelancer brasileira vivendo em Portugal e seu trabalho já chegou a um estágio de reconhecimento internacional bastante relevante, com destaque para veículos como TeenVogue, GRAMMYs, MTV News, CLASH Magazine e Seoulbeats. Como foi o seu processo de iniciação e estabelecimento como uma escritora de nicho musical? E porque resolveu se especializar em cobrir o universo do K-pop?

Tássia Assis (TA): Obrigada pelas palavras! Foi um processo que aconteceu meio que naturalmente. Não digo que não teve planejamento, porque teve, mas não foi algo com o qual eu sonhava. Na verdade, eu sequer imaginava que era possível. Não sabia mesmo que dava para fazer o que eu faço atualmente. Eu sempre escrevia bastante, mas nunca tinha pensado em trabalhar na área ­— tanto é que me formei em design, e não em jornalismo ou algo do tipo. Mas quando eu descobri o K-pop, descobri também um universo que me instigava a escrever de uma forma que eu nunca tinha sentido antes. Então eu comecei como a maioria dos fãs, escrevendo em blog pessoal, que depois evoluiu para uma newsletter, até eu descobrir que ser escritora freelancer era algo que existia e que eu poderia experimentar. Felizmente, os editores maravilhosos com quem eu trabalho até hoje aceitam meus pitches (propostas de trabalho) e, por conta disso, posso compartilhar meu trabalho com o mundo. Em resumo, decidi escrever porque acho que é o que eu sei fazer de melhor, e decidi cobrir o K-pop porque é que eu amo. Simples assim.

Tássia Assis e NCT 127 em 2019. Crédito: Instagram pessoal da entrevistada.

Quais foram e são as demandas, preparos e requisitos para essa especialização, uma vez que se trata da cobertura de um cenário cultural que se estrutura para além das lógicas ocidentais ao mesmo tempo em que participa do mercado global da música?

TA: Acredito que ler e se informar é a base para tudo, então diria que esse é o passo mais essencial quando você vai produzir qualquer tipo de conteúdo. Tento sempre estar atualizada não só nos lançamentos musicais, mas também no contexto cultural, pesquisando sobre pontos de vista diferentes, e aprendendo com a comunidade de fãs e profissionais da área. Acho também importante saber separar o lado fã do lado profissional. Existem certas regras e códigos éticos e morais que devem ser respeitados nessa profissão. Ser fã é um momento de descontração, mas escrever para veículos que serão lidos por milhares de pessoas é um trabalho que deve ser levado a sério. É muita responsabilidade.

Como foram as suas primeiras entrevistas com artistas sul-coreanos? Quais foram as dificuldades para conquistar esse espaço de diálogo especialmente nesse início de carreira?

TA: Como minha formação não é em jornalismo, essas primeiras entrevistas foram bastante na cara e na coragem. Eu nunca tinha entrevistado alguém de verdade na vida, muito menos uma celebridade, mas foi uma experiência que me senti bastante preparada para fazer desde a primeira vez — provavelmente porque era algo que eu queria muito. Foi um caminho trilhado à pura tentativa e erro. Eu não tive mentor ou ajuda específica além do Google, fui abrindo as portas e me conectando com as pessoas por conta própria. O mais difícil até hoje é conseguir um veículo que publique o seu texto, alinhar as expectativas deles com as das companhias de K-pop e, então, acertar no timing de tudo. São vários pequenos detalhes que dependem um do outro, e você, como freelancer, é quem vai conectando as peças. Mas, depois de passar por todas essas dificuldades, conversar com o idol é quase natural.

Print da entrevista com o cantor Taemin. Crédito: Instagram pessoal da entrevistada.

De que forma você normalmente conduz, se inspira e se prepara para as suas entrevistas? Você passa por um processo de recorte e seleção de temas dependendo dos interesses do veículo e do artista, ou você também se baseia no contexto industrial do momento para pensar a sua abordagem?

TA: Tudo isso e mais um pouco! Eu começo a pensar na história que o artigo vai contar assim que entro em contato com os editores, pois é através dessa ideia inicial que eles decidem se querem publicar ou não (isso quando não acontecem problemas de dinheiro ou tempo, o que acontece bastante). Quando confirmo a publicação e a entrevista, eu mergulho no conteúdo, tento ler e assistir tudo que posso sobre o artista (ou pelo menos tudo desde o último comeback [quando um grupo lança uma nova música ou álbum]) para elaborar as perguntas e a direção geral do artigo. O contexto industrial às vezes não cabe por restrições das empresas de K-pop, que vetam muitos assuntos que eles consideram “controversos”. Porém, sempre que possível, tento inserir informações importantes de alguma forma e, assim, criar um equilíbrio entre a história do artista naquele momento e o que isso significa para o mundo em geral.

Quais foram os momentos mais marcantes da sua carreira como escritora especializada na cobertura do K-pop até hoje? Existiram trocas com esses artistas que te fizeram aprofundar ou até mesmo repensar seus próprios entendimentos sobre a Hallyu e os elementos e agentes relacionados a ela?

TA: Difícil escolher! Todas as entrevistas foram e são muito marcantes para mim, muitas estão no território surreal da vida! Cada pessoa que eu entrevisto tem uma cor muito própria e me ensina algo novo. Às vezes é um entendimento muito sutil, muito pessoal, sobre mim ou sobre o mundo, mas sempre aprendo algo. Às vezes a gente pensa “ah, mas esse artista/grupo não tem nada demais”, só que isso muda quando você conversa e pensa sobre tudo o que existe por trás das aparências. Essas experiências me fazem refletir sobre o meu papel como escritora, e sobre a responsabilidade que eu tenho por ser o meio através do qual a audiência vai enxergá-los. É uma posição que eu me sinto constantemente agradecida e honrada de ter. Eu guardo um carinho especial pela minha entrevista com o Baekhyun por ter acontecido em um momento muito importante para mim e para ele também. Se não me engano, foi a única entrevista escrita para veículo internacional que ele deu na época. E em termos de entender a Hallyu, o Taemin, o Woodz e a Sorn me surpreenderam com a visão que têm sobre o próprio trabalho. Eles sabem exatamente o que estão fazendo, para onde querem ir, o que querem expressar. É incrível quando o artista possui essa liberdade de se articular e dividir um pouco do mundo deles com a gente.

Print da capa da entrevista com o cantor Baekhyun. Crédito: Instagram pessoal da entrevistada.

Hoje em dia vemos um número relevante de jornalistas e escritores especializados em cultura pop sul-coreana nos grandes veículos internacionais, especialmente aqueles sediados nos Estados Unidos. Quando você começou a enxergar o K-pop e a Hallyu sendo levados a sério pela cobertura da imprensa além-Ásia, especialmente a ocidental?

TA: Acredito que houve mesmo um boom após a performance do BTS no American Music Awards (AMAs) em 2017, isso é inegável. Muitos veículos finalmente reconheceram o poder do K-pop depois dessa apresentação, e muitas pessoas também entraram em contato com a cultura sul-coreana através do fenômeno que o BTS é. Porém, a mídia internacional e ocidental já cobria o K-pop há anos, antes mesmo até de eu saber do que se tratava. Era mais difícil, menos reconhecido, mas sempre existiu. E sobre levar a Hallyu a sério… Até hoje encontramos problemas com isso, então continua a ser um esforço para combater a desinformação.

As barreiras linguísticas são um fator relevante na abordagem do K-pop pela mídia internacional. Como você lida com essa questão central, que é a idiomática, na comunicação com os artistas e suas empresas?

TA: Essa realmente é uma das questões mais complexas de navegar. Começando pelo fato de o inglês não ser a minha língua nativa — e nem a da maioria dos idols (ídolos da música pop sul-coreana). Apesar dos managers (empresários), tradutores, e PRs (profissional de relações públicas) falarem inglês e a comunicação ser perfeita na maioria dos casos, tem sempre alguma nuance que pode se perder nessa troca. Eu estou estudando coreano (ainda começando) e espero conseguir quebrar um pouco dessa barreira um dia. Mas, de fato, nós como escritores dependemos muito de um bom tradutor. Um profissional que seja sensível e capaz de transmitir os detalhes de ambos os lados. Certamente há ocasiões em que isso funciona melhor do que em outras, mas é um trabalho bem difícil e que admiro muito.

Print da capa da entrevista com o grupo TWICE. Crédito: Instagram pessoal da entrevistada.

Atualmente, quais os maiores problemas que você enxerga na cobertura internacional do K-pop? E, de forma mais específica, existem questões que você percebe especialmente na imprensa brasileira quanto a isso?

TA: Acho que a desinformação e o preconceito são os maiores problemas, em qualquer lugar do mundo. Muito sensacionalismo também. Todo mundo quer cobrir o K-pop porque traz cliques, mas quase ninguém quer tratar os fãs e os artistas com o respeito e a seriedade que eles merecem. Sem falar no tal “lado obscuro do K-pop”, como se qualquer outra indústria também não tivesse problemas iguais ou até piores. Uma questão que percebo mais na imprensa brasileira, porém, é o fato de o brasileiro não ter tanto entusiasmo pela leitura como tem por assistir vídeos. No Brasil, o conteúdo sobre K-pop é muito dominado pelo YouTube, Instagram Reels e TikTok. Uma entrevista escrita com um idol em um veículo brasileiro raramente recebe muita atenção, enquanto nos países de língua inglesa o interesse e a valorização são bem maiores.

Você acredita que o seu ponto de vista brasileiro, mediado também pela atual residência em Lisboa, traz uma perspectiva diferenciada para as suas peças textuais? Especialmente no caso da Hallyu, existem obstáculos e/ou privilégios de falar sobre esse assunto para um público ocidental a partir da perspectiva brasileira?

TA: Acredito que sim. Por ser brasileira, meu entendimento do mundo é muito diferente de uma pessoa americana, por exemplo. Há uma tendência em veículos de língua inglesa a analisar o mundo sob a ótica única e exclusiva deles, o que faz sentido, mas para todos nós que não nascemos lá (e principalmente quando somos de algum país de fora do eixo considerado como o “primeiro mundo”), esse ângulo é bem aparente. Acho que ser brasileira me faz ter mais facilidade para entender que o mundo é muito maior do que a minha cultura e os problemas dela. E morar em Lisboa me faz ter mais empatia com o sentimento de ser “estrangeira”. Embora eu não destoe fisicamente e fale a mesma língua, eu sou brasileira. Nunca serei portuguesa e nunca serei percebida totalmente como uma. Acho que essa posição me traz um pouco mais de compreensão pelas dificuldades que os artistas sul-coreanos passam quando vistos pelo resto do mundo.

Print da capa da entrevista com o grupo SuperM. Crédito: Instagram pessoal da entrevistada.

Você acabou se tornando uma ponte entre os fãs brasileiros e os artistas do K-pop. Como você lida e entende esse lugar de mediação entre o Brasil e a Coreia do Sul através das suas entrevistas com esses agentes da indústria da Hallyu?

TA: Me sinto honrada em ser considerada uma ponte, apesar de não me achar nada disso. Eu diria que sou bem anônima, na realidade. As vezes vejo brasileiros que leem meu trabalho, curtem, compartilham, mas nunca se dão conta de que eu sou brasileira também, é uma sensação engraçada. Porém, para os brasileiros que de fato me conhecem e apoiam meu trabalho, eu agradeço muito. É um privilégio enorme poder fazer o que amo e poder de alguma forma conectar o meu país com o K-pop. Poder dizer “uma brasileira fez isso” é reconfortante, ainda mais na situação em que estamos, onde o Brasil nos traz tanta decepção. Espero que o meu trabalho seja reconfortante e encorajador para os brasileiros.

Para finalizar, existem escritores, fontes e canais que você gostaria de recomendar aos leitores do MidiÁsia para que possam estender de forma mais responsável o entendimento sobre o K-pop?

TA: Pergunta difícil porque tem tanta gente incrível e eu não quero esquecer ninguém! Acho que um bom começo são os episódios do podcast K-papo com a Babi Dewet e a Érica Imenes no Spotify. Tem também o trabalho de Gus Balducci (Revistas Capricho e Elle), Gio Orlando (Portal R7), Louise Queiroga (Jornais Extra e O Globo), Fefo Caires (canal de Youtube), e muitos outros. Além do próprio site do MidiÁsia e pesquisadores nas redes sociais (inclusive você, Dani!). Em inglês, a CedarBough Saeji  no Twitter tem muito conhecimento sobre a Coreia do Sul como um todo, além de divulgar várias palestras, aulas e textos essenciais. Gosto muito da cobertura da Teen Vogue sobre K-pop e como eles exploram diversos aspectos do fandom sempre com muito cuidado. E para quem quiser mais, é só dar uma olhada no meu Twitter porque eu tento sempre divulgar trabalhos legais e pessoas que admiro.

Tássia e o grupo NCT 127 em 2019 Crédito: Instagram pessoal da entrevistada.

BTS é indicado em 4 categorias no Billboard Music Awards 2021

BTS. Crédito: https://www.purebreak.com.br/

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O BTS conquistou indicações em quatro categorias – o maior número para as superestrelas do K-pop – no próximo Billboard Music Awards 2021 marcado para este mês. Os sete integrantes foram nomeados nas categorias Melhor Duo / Grupo, Melhor Artista de Vendas de Músicas, Melhor Artista Social e Música Mais Vendida do ano no BBMAs, programado para ocorrer em 23 de maio (horário dos EUA), de acordo com a Billboard.

É o maior número de nomeações para o BTS desde que o grupo foi nomeado pela primeira vez a Melhor Artista Social em 2017. Este ano, o grupo recebeu sua primeira indicação para Canção Mais Vendida e Melhor Artista de Vendas de Músicas. Para a música mais vendida, o megahit do BTS “Dynamite” competirá com “I Hope” de Gabby Barrett com Charlie Puth, “WAP” de Cardi B com Megan Thee Stallion, “Savage” de Megan Thee Stallion e “Blinding Lights” de The Weeknd.

“Dynamite”, uma faixa animada de disco-pop lançada em agosto, é uma das canções mais históricas do grupo. Tornou-se a primeira música de um artista pop coreano a chegar ao topo da Billboard Hot 100 e reinou no primeiro lugar por três semanas. Ela também rendeu ao BTS sua primeira indicação ao Grammy. O BTS vai competir com Justin Bieber, Megan Thee Stallion, Morgan Wallen e The Weeknd na categoria Melhor Artista de Vendas de Músicas.

O BTS também está de olho em sua quinta vitória consecutiva na cateagoria Melhor Artista Social. O grupo foi indicado junto com outros artistas de K-pop BLACKPINK, Seventeen, bem como Ariana Grande e SB19 nesta categoria que é votada pelos fãs. O grupo, entretanto, ganhou sua terceira indicação consecutiva para Top Duo / Grupo, na qual competirá com AC / DC, AJR, Dan + Shay e Maroon 5. BTS venceu a categoria na premiação de 2019.

O BBMAs deste ano – baseado em paradas compiladas entre 21 de março de 2020 e 3 de abril deste ano – irá ao ar pela NBC no Microsoft Theatre em Los Angeles. A curiosidade é se BTS fará sua primeira apresentação do single “Butter” na premiação. O segundo single em inglês do grupo será lançado em 21 de maio.

Estrelas do K-POP lançam campanha Kstars4climate para alertar sobre o perigo das mudanças climáticas

Via Koreapost

As estrelas populares do K-pop deram as mãos em uma campanha para enfatizar os perigos da mudança climática e pedir uma ação mais ousada no desafio que define a época, marcando o 41º Dia da Terra na quinta-feira (22/04). Cerca de 31 membros de sete grupos de K-pop incluindo Oh My Girl, BTOB, Day6 e The Boyz compartilharam seus pensamentos sobre as mudanças climáticas e encorajaram seus milhares de fãs ao redor do mundo a participarem da ação climática.

No primeiro vídeo, divulgado quinta-feira no site oficial da campanha, os ídolos definem as mudanças climáticas em uma frase e explicam o que isso significa para eles em suas próprias palavras. Mais três vídeos serão lançados até o final de junho. “É uma grande honra para mim fazer parte, na verdade,” Seo Eun Kwang do BTOB disse, descrevendo as mudanças climáticas como “lição de casa para todos nós” que não pode ser adiada. “Estou muito interessado nas questões ambientais. Espero que enfrentemos as mudanças climáticas juntos. ”

Hyojung, do grupo feminino Oh My Girl, disse que a mudança climática é “uma questão a se pensar para ser feliz”. “Acredito que nossas pequenas ações pelo meio ambiente podem levar a uma mudança significativa. Espero que mais e mais pessoas se importem com a mudança climática, que precisa de esforços globais para ser combatida ”.

Astros do K-pop posam para uma foto com camisetas explicando o que a mudança climática significa para eles. /Climate Media Hub. Crédito: KoreaHerald

Patrocinada pela Embaixada Britânica na Coreia e pelo Climate Media Hub, a campanha – chamada Kstars4climate – é a primeira desse tipo entre os grupos K-pop, que visam aumentar a conscientização sobre as mudanças climáticas. Espera-se que a campanha das estrelas do K-pop inspire milhões de pessoas a agir sobre a mudança climática devido à imensa popularidade do K-pop. Existem cerca de 1.835 fãs-clubes de K-pop em 98 países, abrangendo cerca de 100 milhões de integrantes em 2020.

Eles são os últimos selecionados a uma lista de sensações do K-pop que levantaram sua voz pela ação climática. Outros incluem Blackpink, defensoras oficiais da Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP26), e Red Velvet, embaixadoras do International Day of Clean Air for Blue Skies (Dia Internacional do Ar Limpo por Céus Azuis) da ONU. Atendendo aos apelos de suas estrelas favoritas, fãs de K-pop de todo o mundo criaram sua própria plataforma –Kpop4Planet – para apoiar o movimento global por justiça climática.

O ímpeto para a ação climática parece estar crescendo em todo o mundo, com a pandemia de coronavírus em curso, desencadeando uma busca profunda nas relações humanas com a natureza e outras espécies. Este ano também é marcado por eventos significativos para lidar com a emergência climática – desde a cúpula do P4G em Seul até a COP26 da ONU em Glasgow.

É ótimo ver vozes coreanas mais influentes como essas falando pela ação climática”, disse Simon Smith, o embaixador britânico em Seul. “A crise climática é o maior desafio que enfrentamos, mas está ao nosso alcance enfrentá-lo. Todos nós precisamos agir agora para proteger nosso planeta para as gerações futuras”. Vídeos e fotos da campanha Kstars4Climate estão disponíveis no site oficial da campanha, kstars4climate.com, e também em seu canal no YouTube e plataformas de mídia social com a hashtag #Kstars4climate e a hashtag Hangul correspondente.

Seletiva Brasileira do Kpop World Festival 2021 recebe inscrições!

Via Koreaonbrazil

O Comitê KOREA ON em parceria com a Embaixada da República da Coreia torna público o Edital da Seletiva Brasileira do Kpop World Festival 2021. A edição deste ano renova a realização online do concurso, em respeito ao distanciamento social e reforça os cuidados para o combate do Covid-19.

A novidade é que covers solos e em dupla poderão inscrever-se e participar deste que é o maior concurso cover de Kpop do mundo, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores da Coreia e pela emissora KBS. Os interessados devem ler atentamente o edital que prevê a dinâmica do concurso e as regras de participação, para então realizarem a inscrição, que este ano será feita através do preenchimento do seguinte formulário online.

Crédito: https://koreaonbrazil.com/

A final da Seletiva Brasileira do Kpop World Festival 2021 acontece dia 11 de julho como parte da programação do Festival da República da Coreia, e poderá ser acompanhada no conforto de casa com exibição em live. O Comitê KOREA ON se coloca à disposição para auxiliar os interessados no concurso com informações e retirada de dúvidas que porventura não tenha sido contempladas por intermédio do edital, exclusivamente através do e-mail contato.kon@gmail.com intitulado com o assunto [DÚVIDA KWF 2021]. Confira o Edital da Seletiva Brasileira do KWF 2021 AQUI!

Aa 5 cantoras solo mais ousadas e revolucionárias do K-POP

Via Koreapost

A energia e as diferentes possibilidades do Kpop são dois fatores que o tornam tão cativante no mundo inteiro. As vezes, o Kpop pode ser estereotipado com alguns desses elementos: música cativante, movimentos de dança sincronizados, roupas da moda e todas as coisas típicas que frequentemente associamos a ele.

Mas isso não significa algo negativo, pois também é uma das razões pelas quais amamos o K-pop. No entanto, há vários artistas que decidem romper com o padrão, seja através de seu gênero musical, mensagem, imagem ou personalidade. Aqui estão algumas das melhores artistas solo femininas que atreveram-se a ser diferentes.

1. CL – Empoderadora e independente

CL é inegavelmente uma artista que, mesmo quando no 2NE1 ou considerada como um “ídolo do K-pop”, nunca realmente se encaixou em estereótipos. O 2NE1 foi um dos grupos inovadores de K-pop que causou uma forte impressão. CL incorporou uma mulher forte e independente que os fãs podem admirar. Ela criou seu próprio caminho e estabeleceu altos padrões para todos os outros seguirem.

Em seu último retorno como artista solo, CL lançou uma faixa de hip hop que revela seu lado poderoso e uma mensagem sobre auto-aceitação com a letra: “Haters sempre tem algo a dizer/ Eu sou diferente e você está errado/ Você sabe que não pode me matar”. Também é importante notar que ela fez referência a “mugunghwa” nas letras e no simbolismo no final.

É um tipo de flor de hibisco (Rosa de Saron), conhecida como a flor nacional da Coreia, que literalmente significa “flor eterna que nunca desaparece”. A mugunghwa também se refere a uma classe de trens, na parte onde ela canta “Mugunghwa kkoci pieot seumnida”, que é um jogo semelhante à luz vermelha/luz verde. Em um dos versos, ela canta: “Este é o meu lugar, entendeu?” CL é uma mulher que tem certeza de si mesma, sua música, e seu próprio caminho. Em uma entrevista à Billboard, ela disse: “Eu sei exatamente para onde estou indo, o que quero fazer“.

2. Baek Yerin – Eclética e artística

Baek Yerin apareceu pela primeira vez em uma dupla chamada 15& with Jamie, e ficou conhecida por músicas pop e baladas. Mas logo ela iniciou sua carreira solo, aventurando-se em conceitos sonhadores, canções suaves e calmantes com seu álbum “Every letter I sent you”.

O som reflexivo, mal-humorado e às vezes agridoce era perfeito para seus vocais suaves e delicados. Mesmo assim, sua música não se encaixava no molde das poderosas baladas vocais, sons da moda ou canções viciantes. Ela estava contando sua história em seu próprio mundo privado. Mas à medida que crescia como artista, Yerin começou a explorar diferentes gêneros para expandir seu alcance. Em seu último álbum tellusaboutyourself, ela incorpora o pop elétrico, sintetizadores e gêneros do house, onde agora está mais ousada e experimental do que antes.

Baek Yerin é definitivamente uma artista que descasca muitas camadas para revelar significados profundos através de sua imagem, vídeo e músicas de sua autoria. A faixa “0414” é baseada em seus verdadeiros sentimentos, como mencionado em entrevista: “Embora eu sempre tenha medo de conhecer novas pessoas, eu conheci uma pessoa e minhas preocupações, contudo, se realizaram. Então, aqui eu reclamo, ‘por que isso só acontece comigo?’”

3. Ha: Tfelt – honesta e arrojada

Vindo do Wonder Girls, um dos grupos de K-pop mais famosos, esperava-se que a estreia solo de Yeeun apresentasse canções pop e cativantes. Mas, ela se transformou completamente com um novo nome artístico, Ha:tfelt, com canções honestas sobre sua dor, desgostos, crescimento e rudes despertares.

Embora não seja surpresa quando cantores de K-pop cantam sobre sentimentos, as letras de Ha:tfelt são profundas. Junto com seu primeiro álbum solo, ela também lançou um livro sobre suas lutas pessoais. Ela disse em uma entrevista: “Para mim, foi para fins terapêuticos. Estou fazendo terapia há cerca de um ano e o terapeuta recomendou que eu começasse a escrever. Não tinha certeza se eu poderia escrever ou se escrever era adequado para mim, mas quando eu comecei, tudo simplesmente derramou. Foi o começo de desembaraçar as emoções complicadas que eu tinha dentro de mim.”

Ha:tfelt já foi um traço de seu antigo eu, como uma integrante altamente fechada e produzida de um grupo feminino. Ela não tem mais medo de se abrir sobre seus anos turbulentos e inspira outros a superar os deles. Internautas e críticos acharam difícil combinar sua mensagem com sua imagem anterior, mas logo ela ganhou reconhecimento e aceitação. Seu novo som incorporou diferentes influências: rock, balada, latim, house e electro-pop. Ela diz que não importa o gênero, foi a música que a ajudou a sobreviver.

4. Jessi – sexy e orgulhosa

Com sua imagem sexy sem desculpas, Jessi está se apropriando de seu estilo e sexualidade, sem deixar a mídia ou outras pessoas objetificá-la. Os internautas e o público em geral podem ser altamente críticos de artistas com a tal “imagem ruim”, especialmente aos artistas que têm tatuagens, falam de forma áspera, ou simplesmente aqueles que não se encaixam nos padrões de uma “estrela perfeita”. Jessi vai além disso, deixando sua personalidade brilhar através de sua música.

Seu gênero não pode simplesmente ser colocado na categoria rap ou hip hop porque ela abraça sua educação multicultural, trazendo perfeitamente suas influências ousadas e francas de Nova York e raízes coreanas criativas em seu trabalho. Desde o início, ela vem inspirando seu público a se tornar confiante e ter auto respeito. Em seu último single What Type of X, ela canta: “Eu sou um tipo diferente de monstro/ Mas está tudo bem / Eu não tenho que ser a única / Ser a única só para você.” Ela é uma unni forte e merece toda a atenção que ela tem recebido!

5. Lim Kim – ousada e revolucionária

Provavelmente todos se lembram de Lim Kim como uma jovem bonita, uma voz única que cantava alegremente em um vídeo colorido sobre estar na casa dos 20 anos. Ela teve uma pausa de 4 anos e voltou mais forte, mais sábia e mais sem desculpas do que nunca.

Ela transcende a “Caixa do K-pop” de acordo com a Billboard, abraçando sua identidade, etnia, pensamentos sobre si mesma e o mundo através de Generasian. Lim Kim volta à rica história dos sons tradicionais coreanos e lhe dá seu próprio toque moderno, sem se apropriar ou reduzi-lo em uma música excessivamente produzida.

É um som impactante, que não pode ser encaixotado em qualquer gênero, combinando letras inglesas e coreanas para fazer sua história ser ouvida em todo o mundo. Alguns especialistas em música identificam sua música como folk-rock, indie pop, ou simplesmente dance, mas isso acaba desafiando seu propósito: “Eu preciso mudar este jogo/ Não se identifique no olhar masculino/ Estou levantando a voz para ser ouvida/ Construindo meu mundo”, ela canta em “Sal-Ki”. “Descolonizar da fraqueza/ Dominar o seu sistema.”

Lim Kim não só queria se libertar do rígido sistema K-pop, mas também das expectativas da indústria e categorizar as mulheres em particular. Ela disse em entrevista: “Eu não estava realmente sentindo que não posso fazer algo porque sou uma mulher. Mas, depois que debutei e comecei minha carreira, eles meio que me colocaram nessa caixa que se chama “Mulher”. Havia tantos estereótipos que as cantoras precisam estar no sistema do K-pop. Você tem que ser bonita ou tem que ser fofa. Você tem que estar sempre bonita se você for uma cantora. Então, essa foi a primeira vez que percebi, “Oh, eu sou uma cantora, eu sou uma mulher.”

Ela enfatiza isso na letra de “Mago”, “As mulheres nascem fortes/ Nós aumentamos nosso poder / Ascensão”. Um de seus objetivos finais além de ultrapassar os limites dos gêneros, imagem arquitetada e gênero, é conectar-se com sua identidade como coreana e redefinir a percepção do mundo sobre como um asiático é ou deveria ser. Neste ambiente social altamente precário onde alguns asiáticos vivem hoje em dia, com ódio, racismo e até ataques brutais direcionados aos de ascendência asiática, talvez a música de Lim Kim seja uma resposta e um grito de guerra: “Vivemos sonhos, realizando sonhos/ Sinta-me, me veja, rainha/ Eu nunca vou me curvar a você / Este é o fenômeno asiático / Fêmea amarela contra-ataca.”