MidiÁsia entrevista Douglas Passos, produtor do Hallyu Rio, maior evento de cultura sul-coreana no RJ

Por Daniela Mazur

Sem dúvidas, o Rio de Janeiro é um polo cultural brasileiro de grande reconhecimento, mas quando o assunto é cultura pop sul-coreana, o estado ainda está se estruturando para ser um espaço pulsante desse consumo. A Hallyu, ou Onda Coreana, possui uma grande comunidade de fãs cariocas, que se organiza em favor de se expandir e atrair eventos culturais e shows de K-pop para a cidade, mas sem grandes apoios institucionais. Apesar disso, nos últimos anos festas noturnas, exposições, competições de covers e eventos especializados na Hallyu começaram a se destacar por aqui, assim como surgiram cursos de coreano especializados em diferentes partes do estado, tamanha a demanda dos fãs. O coordenador do curso Escola de Coreano e produtor de eventos Douglas Passos está envolvido diretamente no processo de ascensão carioca dessa cena cultural e é o grande responsável pelo maior evento de cultura sul-coreana no estado, o Hallyu Rio, e da comunidade Meet Kpop Rio. Com a quarta edição do Hallyu Rio marcada para ainda este ano, desta vez em formato online por causa da pandemia de COVID-19, Douglas conversa com o MidiÁsia sobre a construção da cena K-popper no Rio de Janeiro, as dificuldades de legitimação da cultura pop sul-coreana no estado e a importância de pensar o consumo brasileiro da Hallyu para além de São Paulo, que é atualmente o grande epicentro dessa experiência cultural no país.

O entrevistado Douglas Passos. Fonte: Acervo pessoal.

Como foi o seu processo pessoal de conhecer e compreender a Hallyu? Em que momento percebeu que este setor de consumo cultural precisava de atenção profissional e começou a organizar seus próprios eventos relacionados?

Douglas Passos (DP): Entrei no mundo da Hallyu como fã, então, quando me percebi assim, quis buscar locais e formas de me conectar mais com essa cultura, conhecer pessoas, enfim, saber mais sobre esse entretenimento. O meio principal da época era a internet, especialmente grupos de Facebook, que foi por onde eu conheci esse mundo. Contudo, faltavam espaços físicos ou eventos onde a gente pudesse ir aqui no Rio, que é onde eu cresci e moro. Então, nesse momento em que eu percebi que não haviam locais suficientes ou até mesmo agradáveis para podermos ir, resolvi reunir alguns amigos que conheci pela internet, que compartilhavam comigo dos mesmos gostos. A ideia surgiu de uma página que promovia encontros de fãs de K-pop, mas no Rio de Janeiro não havia nenhuma comoção para realiza-lo, então eu me voluntariei a juntar essas pessoas. Convoquei amigos, que convocaram outros, e, com a ajuda dessa página, a gente divulgou o evento do Rio de Janeiro. Assim, realizamos o primeiro encontro K-pop do Rio, do qual eu fui o organizador. Nesse primeiro momento, então, foi uma questão muito pessoal, eu queria esse espaço e por ele não existir, resolvi participar e ajudar de alguma forma a fazer isso acontecer. Desde o primeiro evento percebi que tinha um público bem consistente interessado no assunto no Rio de Janeiro e que eu poderia repetir a dose, uma vez que a primeira tinha sido um sucesso.

Encontro na Quinta da Boa Vista em 2015 realizado pelo Meet Kpop, grupo de encontro de k-poppers organizado pelo Douglas. Crédito: Amanda Cotrim e página Meet Kpop.

Esse primeiro encontro, em 2013, reuniu em torno de 50 pessoas, que foi o maior até então. As pessoas se juntaram para socializar, ouvir música, conversar sobre K-pop, mas em um espaço público. Essas 50 pessoas falaram com outras, que se mostraram também interessadas, foi assim que percebi a demanda grande que tínhamos por aqui. Fãs do Rio de Janeiro que queriam e procuravam espaços de convivência, mas faltava uma liderança para organizar esses eventos. Com isso, um mês depois, realizamos o segundo encontro que teve o dobro de pessoas. Foi dessa forma que percebi que esse público estava crescendo e esses fãs se encontravam em locais diferentes no Rio, em grupos menores e isolados, demandando um espaço único para socializar e alimentar essa comunidade para que ela pudesse crescer, porque o potencial já existia para isso.

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Palco do Hallyu Rio 2018 com os participantes do concursos cover de dança e canto. Fonte: Sou Méier.

Como você enxerga o consumo da Hallyu no Rio de Janeiro em comparação ao resto do Brasil?

DP: Eu vejo que o Rio de Janeiro é um estado que cresceu muito em relação a isso e o principal fator de crescimento foram os próprios fãs, fomentando eventos, atividades, comunidades na internet. O Rio nunca teve muitas organizações oficiais viradas para a cultura da Coreia do Sul, até mesmo para o entretenimento em geral, foram poucas as vezes que tivemos alguma ajuda de centros culturais, da embaixada ou de outra instituição do tipo. Sempre foi um estado meio invisível em relação a isso, então o consumo da Hallyu foi crescendo graças a própria comunidade, muito foi feito dentro da lógica fã-para-fã. Esse é um fato interessante porque mostra a dedicação dessas pessoas, que, mesmo sem um espaço oficial ou contato com a comunidade coreana aqui do Rio de Janeiro para trocar informações em geral, os fãs se esforçam em buscar outras fontes através de pesquisas. A comunidade carioca de K-poppers é parecida com as de outros estados, como Fortaleza, Espírito Santo e Curitiba, que possuem grandes comunidades de fãs de K-pop, mas não têm muito respaldo oficial para esse consumo, diferente de São Paulo, que sempre teve apoio intenso do Centro Cultural Coreano e outras entidades culturais do tipo.

Apresentação cover no Hallyu Rio 2019. Crédito: Bruno Antonucci.

Em meio a sua vivência da cena, como o Rio de Janeiro se estruturou como um espaço focal da experiência brasileira da Onda Coreana? Entre erros e acertos, podemos considerar o Rio um campo em ascensão para a Coreia do Sul em termos culturais?

DP: A Onda Coreana cresceu no Rio de Janeiro a partir do fã-para-fã, onde muitos deles procuraram fomentar, divulgar e atrair novos fãs para a comunidade, tanto em espaços públicos, quanto na própria internet, esta última especialmente com sites e grupos virados apenas para o Rio de Janeiro. E, de dez anos pra cá, que foi quando a Onda realmente se expandiu, diversos shows de K-pop, atividades coreanas e eventos foram realizados no estado, porque os fãs conseguiram mostrar o grande potencial e número de interessados que existe aqui. Muitas das vezes de forma não-oficial, se utilizando apenas de páginas na internet ou de pequenas pesquisas locais, especialmente com votos e concursos para criar esse burburinho. Os primeiros shows realizados aqui no estado provaram o interesse do público, já que, mesmo quando eram apresentações de grupos muito pouco conhecidos no K-pop (alguns destes que às vezes não tinham grande reconhecimento nem mesmo na Coreia do Sul),realizavam apresentações aqui no Rio com um público bem bacana. É um esforço direto da comunidade carioca para esquentar esse circuito.

Público do Hallyu Rio 2019 durante uma atividade sobre dramas sul-coreanos. Crédito: Bruno Antonucci.

A cada atividade, a cada show, a cada recorde de público em eventos que era batido, os produtores de evento, tanto da Coreia quanto de outros estados brasileiros, começaram a ficar mais atentos ao Rio. Até mesmo o Centro Cultural Coreano no Brasil e a própria Embaixada da Coreia começaram a reconhecer o Rio de Janeiro como um estado em potencial para eventos culturais sul-coreanos. Contudo, ainda estamos em um processo de ascensão, eu diria que o Rio de Janeiro ainda não é um polo para quem ama cultura coreana, a gente ainda não tem atividades consolidadas a esse ponto. Obviamente, hoje temos muito mais eventos do que tínhamos antes, mas eu acredito que ainda não sejam o suficiente em comparação a extensão da cultura sul-coreana em si.

Apresentação de cover de canto. Crédito: Bruno Antonucci.

Acho que ainda faltam espaços ligados a isso, talvez um calendário mais organizado de eventos oficiais, não que os que já acontecem não possam ser considerados oficiais, porém é necessário algo mais estruturado na cultura. O Rio de Janeiro possui apenas um evento voltado totalmente para a cultura sul-coreana, que é o Hallyu Rio. Podemos também ver o aumento de cursos de coreano na cidade e no estado como um todo, coisa que a alguns anos atrás nem existia. Então, em resumo, acredito que o Rio de Janeiro já tem alguns espaços para o consumo da cultura coreana, mas ainda precisa melhorar. E, como produtor de evento, não tenho dúvidas que, para esse tipo de evento, o Rio de Janeiro é um lugar que vale a pena ser explorado.

O Meet Kpop Rio virou um espaço online reconhecido na cena carioca de cultura pop sul-coreana, como foi a concepção e desenvolvimento desse projeto?

DP: O Meet Kpop Rio nasceu com o objetivo de juntar pessoas com um mesmo interesse e cresceu graças aos fãs. Eu sempre fui muito fã e dessa forma tentei me conectar com outros fãs, algo natural, além disso foi graças ao K-pop que descobri minha vocação profissional que é a de trabalhar com cultura, pessoas e eventos, o que ajudou nesse processo. Então, o Meet Kpop surgiu dessa união de interesses. Aproveitamos das trocas com os fãs e nos focamos em aumentar essa comunidade aqui no Rio de Janeiro, assim o Meet Kpop se formou,como um espaço online de troca com os fãs cariocas e também um lugar para organização de eventos físicos virados para essas mesmas pessoas. Hoje são mais de 14 mil fãs na página, além de grupos no Facebook.

FlashMob Viva Coreia realizado pela Meet Kpop RJ em parceria com o Centro Cultural Coreano para as Olimpíadas Rio 2016. Crédito: Meet Kpop.

Quais são as demandas, obstáculos e recompensas de produzir um evento que tenta dar conta de tantas vertentes da cultura pop sul-coreana, especialmente sendo o único de grande porte no Rio de Janeiro? Como se configura o público que participa do Hallyu Rio?

DP: Pra começar, aqui no Rio de Janeiro nós temos poucos lugares oficiais para pesquisar informações sobre a Coreia do Sul. Então, fazer um evento sobre a cultura sul-coreana sem ter nunca ido até o país ou até mesmo sem ser um coreano-brasileiro, como é o meu caso, foi uma tarefa bem difícil. Elaborar um evento sobre uma cultura que não é a nossa demandou muita responsabilidade, por isso convidamos pessoas que tinham grande conhecimento a respeito da cultura sul-coreana e fizemos muitas pesquisas, tanto através de trocas em reuniões, quanto através de contatos com o Centro Cultural Coreano e a Embaixada da Coreia, até mesmo para confirmar informações a fim de não pisarmos em falso. Sempre tivemos essa grande preocupação, mesmo em meio a dificuldade de conseguir informações concretas. E, sendo o único evento sobre cultura sul-coreana no Rio de Janeiro, o público sempre nos confirma o grande interesse existente em nosso estado na Onda Coreana e na cultura da Coreia do Sul. Então, pra gente é um prazer pesquisar e disponibilizar a essas pessoas mais conhecimentos sobre uma cultura que os fãs amam tanto.

Apresentação de Taekwondo pelo Grupo Crescer no Hallyu Rio. Crédito: Bruno Antonucci.

O público do Hallyu Rio muitas da vezes nunca vivenciou a cultura sul-coreana para além do entretenimento, já que, aqui no Brasil, para você experienciar uma parte da Coreia do Sul você precisa ir até São Paulo, onde há restaurantes e centros culturais, ou, para quem pode, ir para a própria Coreia. Por isso, o público do evento é carente e sedento por esses conteúdos. Então, a gente (eu, Monica Velozo e Sergio Menezes, criadores e produtores do evento) tenta trazer um pedacinho da Coreia do Sul especialmente através das vertentes que temos menos contato aqui no estado, como as roupas tradicionais (hanboks) e a culinária, já que aqui no Rio temos poucos restaurantes de comida coreana, até hoje são apenas dois e ficam localizados em locais distante e de acesso restrito para boa parte desse público.  

O Hallyu Rio já estaria em sua quarta edição presencial este ano se não tivesse acontecido a pandemia de COVID-19. Desde 2015, quando aconteceu o primeiro evento, quanto e como o evento e seu público mudaram? Existem também mudanças no reconhecimento e credibilidade do Hallyu Rio no cenário cultural do Rio de Janeiro?

DP: De 2015 a 2020 mudou bastante coisa. Aqui no Rio sempre tivemos uma grande dificuldade de encontrar espaços para eventos, especialmente os de K-pop, porque é comum as casas de show pedirem informações sobre o conteúdo do evento e a gente depende que eles confiem no potencial do evento dar certo. Além da questão da precificação, já que, quanto mais duvidoso o público de um evento é, mais caro pode ser o aluguel daquele espaço. Então, de 2015 pra cá, a gente conseguiu provar a força da Onda Coreana no Rio e do próprio evento Hallyu Rio, como o público é forte e crescente, então isso repercutiu junto às casas de show, facilitando que conseguíssemos espaços para a realização desses eventos. Tanto que, hoje, nós realizamos o Hallyu Rio em um dos maiores espaços culturais do Rio de Janeiro, que é o Imperator, uma casa completa em relação a espetáculos e isso foi graças ao portfólio do Hallyu Rio, que comprova grande crescimento de público. Nossa primeira edição contou com público de 500 pessoas, já a última, realizada em 2019, contou com mil. Nosso público dobrou, então precisamos de um espaço duas vezes maior para comportar todos esses fãs.

Covers e produção do Hallyu Rio 2019. Crédito: Bruno Antonucci.

E o público do evento muda sempre, é bastante cíclico, seguem as tendências do K-pop. Normalmente os fãs começam interessados apenas nos K-dramas e no K-pop, depois passam por um processo de amadurecimento para a expansão de seus interesses para todo o universo cultural da Coreia do Sul. Então, é comum um K-popper começar interessado apenas na música, mas com o aumento no interesse cultural, começar a assistir os programas televisivos, estudar o idioma, provar a culinária do país. Então, o Hallyu Rio acaba abraçando interessados na Onda Coreana que estão em diferentes estágios: desde os que estão aficionados apenas no K-pop, quanto aqueles que já estão mergulhados em todo o contexto da cultura sul-coreana que recebemos aqui no Brasil. Há muitas pessoas também que vão ao evento com o objetivo de aprender sobre como fazer intercâmbio estudantil na Coreia ou até mesmo como conseguir entrar no mercado de trabalho do país. Como o Hallyu Rio é um evento anual, a gente percebe como de um ano para o outro as tendências de interesse vão mudando e como a Onda Coreana está sempre conquistando novos adeptos, porque o público se renova, com novos rostos participando em cada edição.

Sobre a credibilidade do evento no cenário cultural do Rio de Janeiro, hoje é inegável o fato que os produtores de evento e as próprias casas de show já têm consciência da força do K-pop no nosso estado e em todo o país. Festas noturnas, por exemplo, atualmente buscam DJs especializados em música pop sul-coreana, porque sabem que existe essa demanda muito forte do público jovem. Sem dúvidas, o reconhecimento dessa cena e da força da Hallyu é bem expressiva e bem vista hoje em dia.  

Espaço no evento Hallyu Rio para provar a vestimenta tradicional coreana, o hanbok. Crédito: Bruno Antonucci.

Os concursos de cover de dança e canto são expoentes entre os fãs de K-pop no Rio de Janeiro, como se estrutura esse recorte de fãs por aqui? Os covers continuam sendo a grande base dos eventos de K-pop?

DP: O K-pop continua sendo a grande força da Onda Coreana e essa vertente carrega muita coisa com ela, como o estilo e as coreografias. Os fãs tentam interagir com o K-pop de todas as forças possíveis e a dança é a que mais os conecta com essa música. Além disso é uma arte, atraindo até mesmo pessoas de fora do fandom, que se atraem pela qualidade dessas coreografias e expressões. O que acaba, é claro, sendo um chamariz para a Onda Coreana. Os covers agregam muitos fãs brasileiros e até por isso que os concursos de cover nos eventos sobre cultura sul-coreana aqui no Rio acabam sendo pontos altos e importantes para o público.  

Você é coordenador da Escola de Coreano, como você tem percebido a demanda pelo idioma sul-coreano no estado?

DP: O interesse desses alunos começa normalmente pelo consumo de K-pop e K-dramas e a partir disso surge o interesse em estudar o idioma. A faixa etária abrange desde os mais jovens, com 13 anos, até os mais velhos, que na terceira idade se interessam nos dramas coreanos e querem aprender esse novo idioma. Em geral, os alunos mais jovens querem aprender o coreano para expandir seus conhecimentos para poder consumir melhor a Hallyu, até mesmo para tentar fazer um intercâmbio na Coreia do Sul ou tentar trabalhar em uma empresa sul-coreana no Brasil. A Onda Coreana intensificou o interesse pelo idioma no estado, sem dúvidas.

Os eventos de K-pop nos últimos anos têm se distanciado dos bairros da Zona Sul e se aproximado especialmente da Baixada Fluminense, Zona Norte e São Gonçalo. Como você enxerga esse deslocamento e o próprio consumo da Hallyu nesses espaços? Você acredita que o subúrbio é um espaço plural que abraçou o K-pop aqui no estado?

DP: Esse distanciamento da Zona Sul tem acontecido aqui no Rio de Janeiro de forma natural, uma vez que os eventos vão ao encontro dos fãs e suas demandas. Antes os eventos eram realizados em bairros mais “reconhecidos” no Rio de Janeiro, como os da Zona Sul, por uma simples falta de pesquisa sobre onde a maioria desses fãs se encontravam aqui na cidade. Então, com o levantamento desse público, percebemos que ele se encontrava no subúrbio do que na Zona Sul. Por esse motivo, os eventos começaram a se enraizar nesses espaços, que claramente abraçaram o K-pop no Rio de Janeiro.

Você acredita que o consumo carioca da cultura pop sul-coreana esteja se desligando dos espaços da cultura pop japonesa, como, por exemplo, os eventos de anime?

DP: O grande divisor de águas para o desligamento mais concreto entre os consumos cariocas de cultura pop sul-coreana e o de japonesa foi exatamente a criação do Hallyu Rio. Antes dele não existia nenhum grande evento de cultura pop sul-coreana que não fosse interligado à cultura pop japonesa, porque antes existia uma descrença dos produtores, e até mesmo do público, se um evento só de cultura pop sul-coreana se sustentaria aqui no Rio de Janeiro. O Hallyu Rio, então, veio para comprovar esse potencial e consolidou essa divisão. É claro que ainda existem vários outros eventos pelo estado que continuam mesclando esses dois universos, especialmente eventos de anime que possuem espaços especiais para a Hallyu, já que os produtores desses eventos percebem o potencial lucrativo dessa fusão. Contudo, hoje, os kpoppers cariocas não são mais dependentes desses espaços, já que o Hallyu Rio, o Meet Kpop e outros eventos de cultura sul-coreana são realizados periodicamente por aqui.

Quais serão os próximos passos para que a cena do K-pop no Rio de Janeiro possa se aproximar desse epicentro cultural no país, que é o estado de São Paulo? Existe diferença de apoios da embaixada e consulado da Coreia do Sul no Brasil em relação aos eventos de cultura sul-coreana no Rio de Janeiro em relação a outros estados?

DP: A diferença é enorme. Desde a primeira edição do Hallyu Rio, em 2015, que a gente busca contato e apoio com centros culturais do governo da Coreia aqui no Brasil, mas ainda é um processo muito difícil. Sem um órgão oficial da Coreia do Sul no Rio de Janeiro, fica difícil provar a eles a força do público carioca. É claro que já realizamos diferentes eventos ligados à Embaixada e ao Centro Cultural Coreano aqui, mas ainda não temos uma intermediação mais fixa para esses assuntos. Acredito que o Rio de Janeiro tem grande potencial de sediar espaços oficiais de cultura sul-coreana, assim como eventos de grande porte, o que falta é atenção desses órgãos. A verdade é que todos os outros estados, excetuando apenas São Paulo, passam pelos mesmos problemas que a gente. A cidade paulista recebe a grande parte e atenção desses eventos oficiais por causa da concentração de coreanos-brasileiros no estado e dos próprios espaços culturais especializados em Coreia do Sul, assim como Brasília, que também tem destaque, uma vez que a embaixada da Coreia do Sul se encontra lá. Os outros estados, como o Rio de Janeiro, ficam à mercê dos produtores locais, que dependem de conquistar reconhecimento a fim de serem ouvidos por essas organizações coreanas aqui no país. Então, os próximos passos estão em fortalecer a comunidade carioca para apresentar ao resto do país o potencial do Rio de Janeiro como um polo de consumo da Hallyu, só assim a gente poderá criar um espaço deslocado de São Paulo.

Encontro Kpop realizado pelo Meet Kpop e pelo Shopping Nova América em 2019. Crédito: Meet Kpop.

Apesar da Covid-19, Big Hit Entertainment apresenta aumento de lucros

Via Koreapost

Big Hit Entertainment, empresa do gigante do K-pop, BTS, anunciou em 11/08 que a receita de vendas do primeiro semestre de 2020 atingiu um recorde de 298 bilhões de won ($244 milhões de dólares) devido à venda de álbuns e shows online. Na conferência semestral que foi transmitida no YouTube, a empresa também afirmou que o lucro operacional durante o período de janeiro a junho foi estimado em 49,7 bilhões de won.

Ainda segundo a Big Hit, os números foram sujeitos a uma examinação oficial antes da confirmação. O evento aconteceu cerca de uma semana após a aprovação preliminar da empresa pela Korea Exchange, operadora da bolsa de valores da Coreia do Sul.

Conferência semestral transmitida pelo YouTube. Crédito: Big Hit Entertainment.

Em relação ao ano anterior, estimativas de vendas e lucro operacional representaram aumentos de 46,9% e 27,1%, respectivamente. Apesar do cancelamento da turnê mundial do BTS e de outras atividades devido ao COVID-19, Big Hit afirmou que conseguiu atingir recorde de vendas de álbuns digitais e físicos, além do show online pago do BTS, realizado em junho.

Graças às aquisições das agências de K-pop Pledis e Source Music, dos 100 melhores álbuns do Gaon chart operado pela Associação de Conteúdo de Música da Coreia, cerca de 40% de todos os álbuns vendidos durante o período fazem parte da “Big Hit Labels”. Entre os artistas estão BTSSeventeen, NU’ESTGFriend e TXT. Na conferência também foi anunciado que o BTS realizará uma série de shows, intitulados “BTS Map Of The Soul ON:E”, por meio de eventos presenciais e transmitidos virtualmente em outubro.

Covers de K-pop com soul e jazz que irão te surpreender

Tradução Koreapost – Fonte original Soompi

Por Seheee

Embora seja sempre emocionante quando um artista lança uma nova música original, às vezes ouvir a versão de um cantor da faixa de sucesso de outra pessoa é muito bom. Ultimamente, tenho me encontrado apreciando especialmente covers que adicionam um toque jazzístico ao mesmo tempo em que injetam uma dose saudável de emoção por toda parte. Esses covers não apenas dão um sabor novo e delicioso a canções já maravilhosas, mas também são ótimas para relaxar no final do dia. Continue lendo para ver alguns covers de K-pop jazzificados que espero que impressionem você tanto quanto a mim.

A propósito, embora a maioria dos covers abaixo seja de cantores profissionais dos quais você provavelmente já ouviu falar, não pude deixar de também incluir um punhado de capas notáveis ​​de não celebridades.

BLACKPINK – “DDU-DU DDU-DU” (COVER POR KWON JIN-AH)

Kwon Jin-ah fez um trabalho fenomenal de transformar “DDU-DU DDU-DU” em sua própria música, porém, levando as coisas em uma direção completamente diferente da original. E nem me fale sobre suas notas agudas indutoras de frio no final.

ZICO -“ANY SONG” (COVER POR MODERN TIMES)

A versão original de “Any Song” é ótima, mas essa versão da bossa nova pode ser ainda melhor. Simplesmente não dá para parar de escutar a voz maravilhosa do cantor. A instrumentação também é adorável. Além disso, se você gosta deste cover, então você absolutamente deve ouvir algumas das outros covers dos Modern Times, que são todas igualmente agradáveis ​​e jazzísticas.

BTS -“BLACK SWAN” (COVER POR BUDY)

Este é um bop jazzístico. Embora o rearranjo ainda seja claramente “Black Swan” em seu núcleo, as vibrações são muito diferentes. Enquanto a versão original é perfeitamente complementada pelos movimentos de dança afiados do BTS no MV, a versão jazz soul de BUDY seria melhor acompanhada por uma taça de vinho ou uísque.

G-DRAGON -“THAT XX”(COVER POR JEA DO BROWN EYED GIRLS)

Há algo sobre a versão do JeA dessa faixa que a torna diferente. Muito diferente. Quero dizer, como alguém pode ouvir seus vocais poderosos, cheios de alma e não sentir algo? É como mágica para os ouvidos.

CRUSH-“SOFÁ” (COVER POR JI JIN-SEOK)

A voz de Ji Jin-seok sempre emociona, mas seu cover de “Sofa” é particularmente comovente. Além dos vocais incríveis, há também algo sobre as adições de jazz à instrumentação, como a linha de baixo quente e o som suave de pincéis na bateria, que faz com que essa música já tocante pareça ainda mais emocionante.

WANNA ONE –“ENERGETIC” (COVER POR PAUL KIM)

Como uma grande fã da música original, assim como Hui de PENTAGON (que co-compôs “Energetic”), não tinha certeza se esta versão corresponderia às minhas expectativas. Afinal, embora não haja como negar que ele é um grande cantor, Paul Kim é mais conhecido por cantar baladas românticas, não canções de ídolo cheias de energia. Paul Kim acertou em cheio aqui, porém, com sua versão funky que parece familiar, mas fresca.

WJSN –“SAVE ME, SAVE YOU” (COVER POR SE-RA RYU)

Sua voz agradável e seu sorriso brilhante são tão doces quanto podem ser. O novo arranjo no estilo swing também é muito divertido e leve, dando a “Save Me, Save You” um pouco mais de brilho do que originalmente.

BUSKER BUSKER -“CHERRY BLOSSOM ENDING” (COVER DE SHIN YU-MI E CHO EUN-HWA)

Até agora não sabíamos que precisávamos de uma versão jazz desta lendária música de primavera. A linha do piano é tão suave, fazendo com que esta capa soe um pouco mais leve e alegre do que a original. Depois, há a vocalista, que realmente mostra suas habilidades na segunda metade – particularmente quando ela faz uso de suas técnicas de canto (scatters), nos quais ela transita perfeitamente para o refrão.

EXO –“TEMPO” (COVER BY OFF DUTY)

Se você já desejou uma versão de canção de ninar de “Tempo”, então você está com sorte porque aqui está. Individualmente, as vozes dos cantores são agradáveis ​​ao ouvido, mas juntas elas realmente brilham ao criar uma versão mais suave e levemente jazzística da faixa original. Definitivamente é possível sentir alguns arrepios se formando quando eles começarem a antar juntos na segunda parte.

CRUSH –“FALL” (COVER POR JI-HOON OF KNK)

Embora esta capa não mude o instrumental original em nada, achei que merecia ser incluída aqui – como uma espécie de menção honrosa – porque é tão calma e descolada ao mesmo tempo. Além disso, o tom suave e gentil de Ji-hoon dá a “Fall” uma vibe ligeiramente diferente do original. Atrevo-me a dizer, esta versão soa um pouco mais romântica e doce do que a de Crush.

BLACKPINK – “PLAYING WITH FIRE” (COVER POR A.C.E & AG BAND)

Não vou mentir, gosto mais dessa versão do que da original. É claro que os meninos estão se sentindo aqui, e tudo, desde seus vocais até suas expressões e gestos, está certo. Sem sombra para BLACKPINK, é claro, mas cara, A.C.E faz “Playing With Fire” parecer que poderia ser sua própria música e não apenas um cover.

HEIZE -“JENGA” (COVER POR CLASSY DOMINANTE)

Qualquer música do Heize pode ser tocada em um estilo jazz e soar fantástica, então não é nenhuma surpresa que esta versão jazz de “Jenga” seja muito agradável. Os solos de piano e guitarra que levam à repetição final do refrão são adoráveis. E embora eu não tenha ficado tão impressionado com o vocalista inicialmente, quanto mais eu ouço esse cover, mais eu aprecio seu tom e acho que ele é um ajuste perfeito para essa interpretação, afinal.

BTS – “BLOOD SWEAT & TEARS” (COVER POR YOUNG-JI DO BUBBLE SISTERS)

Apesar de (ou talvez por causa de) ter ouvido “Blood Sweat & Tears” literalmente centenas de vezes, nunca poderia ter imaginado que soasse tão incrivelmente emocionante e rico. Young Ji pode muito bem ter criado uma música totalmente nova com esta versão, que continuamente aumenta do início ao fim, apresentando os vocais poderosos e inspiradores de Young-ji ao longo do caminho.

MidiÁsia participa de debate sobre K-POP no Távola Podcast (Spotify)

Semana passada, o Távola Podcast realizou uma publicação no Spotify sobre o engajamento político que os fãs de K-POP têm demonstrado nos últimos tempos e que tem chamado atenção da mídia mundial. Para tanto, a pesquisadora do MidiÁsia Krystal Urbano foi convidada para o debate junto com a Kpoper Kimberly Mello.

Urbano é especialista em estudos asiáticos e da cultura pop e tem estudos sobre o fandom do K-POP, que para além de um estilo musical, vem tornando-se algo maior como um modo de vida. Távola Podcast é uma produção da TVL&Co e tem edição de Sérgio Pinheiro (MS Produção Sonora). Seu objetivo é encurtar a distância entre a Cultura Geek e a pesquisa acadêmica. Toda semana um episódio novo sobre temas importantes para a atualidade repleto de referências de obras clássicas da cultura pop. Para ouvir o podcast na íntegra, acesse o link abaixo.

Fãs de K-POP: uma diversificada, subestimada e poderosa força

Por Yim Hyun Su (Texto Original Korea Herald, tradução Koreapost)

Quem são os fãs de K-POP? É uma pergunta que muitas pessoas não se preocuparam em fazer até recentemente.

Mas isso parece estar mudando na sequência dos protestos do Black Lives Matter em todo o mundo: os fãs de K-pop inundaram o aplicativo iWatch Dallas do Departamento de Polícia de Dallas com fancams e assumiram a hashtag #WhiteLivesMatter no Twitter com mensagens anti-racistas. Os fãs do BTS levantaram US$ 1 milhão em pouco mais de um dia para organizações que ajudam pessoas negras.

O ator e escritor norte-americano Jordan Peele disse que “ama #kpopstans” em um tweet; o lutador profissional John Cena elogiou o BTS e seus fãs, e a mídia cobriu a notícia extensivamente.

De acordo com Michelle Cho, uma estudiosa de mídia da Universidade de Toronto, os fãs de K-pop são “diversos, socialmente progressistas e conhecedores de mídia social”.

Crédito: The Korea Herald/Koreapost.

“Eu participei da KCON algumas vezes até agora e quando você olha quem participa de convenções de fãs de K-pop, quem publica vídeos de reação, quem se torna visível entre os  fãs, você vê, pelo menos na América do Norte, que essas pessoas são predominantemente, pessoas negras”, ela disse.

Embora o K-pop não seja visto como progressivo em seu país, onde faz parte da cultura comercial convencional, Cho diz que em outros lugares – em lugares como a América do Norte e a América Latina – permanece subcultural.

“Você precisa ter um certo interesse em outras culturas e a disposição de dedicar tempo para encontrar informações sobre essa cultura, procurando traduções e maneiras de acessar toda essa subcultura que exige muito conhecimento sobre mídias”, disse ela.

O fandom também inclui um número considerável de seguidores LGBT, mas isso requer uma explicação mais sutil, dada a falta de representação LGBT na cena musical – com exceção do primeiro artista de K-pop abertamente gay, Holland.

Crédito: Quora.

“A relativa segurança que os fãs LGBTQ podem sentir dentro de um espaço de fãs para artistas pop asiáticos tem a ver com uma falta percebida de heteronormatividade agressiva” – que, ela também aponta, pode ser “baseada em visões racistas estereotipadas”.

Apesar da composição diversificada e global dos fãs, eles rapidamente se reúnem quando se trata de alcançar um objetivo coletivo e isso vem da prática.

“Os fãs de K-pop, por meio do K-pop, aprendem muitas ferramentas políticas valiosas – aprendendo sobre a organização de causas”, disse CedarBough Saeji, estudiosa da cultura coreana contemporânea. “E pode ser algo gratuito, como ir ao site do iHeartRADIO e dizer ‘Eu quero que você toque essa e aquela música’ ou você pode se organizar em torno de uma causa e, como no caso mais recente, pode exigir doações”.

Ela diz que é uma forma de aprender a formar um bloco de poder.

“Eu acho que esses jovens que estão aprendendo hoje como usar os serviços de rede social para fazer tantas coisas em termos de organização serão uma força política muito significativa na próxima década, mais ou menos porque sabem como se organizar, como alcançar uns aos outros, estabelecem metas e as realizam, e muita coisa está acontecendo sem uma única pessoa ou líder abrangente que está sendo pago para organizar.”

“No futuro, eles poderão se reunir para alcançar objetivos, por exemplo, como aprovação ao casamento gay”, disse ela.

O OneInAnARMY, por exemplo, um grupo on-line que liderou a campanha #MatchAMillion após a doação de US$ 1 milhão do BTS, possui uma rede de fãs de diferentes países com vários papéis, desde pesquisa e mídia social à design gráfico, com muitos voluntários fazendo trabalhos de tradução.

Lee Gyu-tag, professor de estudos culturais da Universidade George Mason, ressalta que o apoio que o fandom galvanizou para o Black Lives Matter nas últimas semanas é a posição mais política que já tomaram.

“Embora tenhamos tido casos como quando o BTS lançou a campanha ‘Love Myself’ com o UNICEF e soubemos que fãs e músicos de K-pop podem fazer algo, este é o primeiro momento em que testemunhamos que os fãs de K-pop pode projetar um movimento social com um propósito político ”, afirmou.

Embora RM do BTS tenha abordado questões como brutalidade policial em “Change”, sua faixa de 2017 com o rapper Wale, o K-pop como um todo permaneceu em grande parte apolítico, especialmente em comparação com seus fãs, principalmente na esperança de permanecer politicamente neutro para ser aceito por um público mais amplo.

Mas mesmo isso pode mudar em breve, à medida que o setor se encontra cada vez mais sob os holofotes globais.

“É uma situação irônica para o K-pop. Em seu mercado doméstico, é a música principal e se distancia da política, mas fora da Coreia, talvez seja necessário adotar uma postura política diferente ”, disse Lee.

Crystal S. Anderson, parte do corpo docente afiliado da Universidade George Mason, que lançará seu livro “Soul in Seoul: Música Popular Afro-Americana e K-pop” em setembro, concorda.

“Essas conversas continuarão porque o K-pop não está separado do mundo em geral, onde esses problemas ainda persistem”, disse ela.

K-POP no despertar do Black Lives Matter

Quando os protestos do Black Lives Matter começaram a se espalhar e alguns artistas de K-pop e de hip-hop coreano inicialmente mostraram apoio, houve um debate acalorado sobre se outros deveriam seguir o exemplo. A conversa, no entanto, deixou muitos fãs negros se sentindo frustrados, especialmente devido ao impacto que a música negra teve no K-pop.

“Os fãs negros frequentemente pedem que outros fãs aprendam mais sobre a cultura negra, mas acho que todos os fãs se beneficiaram com isso”, disse Anderson.

Embora muitas vezes as pessoas pensem em gêneros como hip-hop e R&B como música negra, também é o caso de outros gêneros de música popular, como rock e house, além da coreografia sofisticada encontrada no K-pop – o que, ela explica, deve muito aos grupos da Motown dos anos 60.

Crédito:  The Korea Herald/CL’s Instagram.

Em um post recente no Instagram, a cantora CL reconheceu o impacto da cultura negra.

“Artistas, diretores, escritores, dançarinos, designers, produtores, estilistas da indústria do K-pop são todos inspirados pela cultura negra, quer reconheçam ou não”, escreveu ela.

Como as mídias sociais geralmente amplificam as vozes mais altas, porém, muitas vezes não baseadas em informações corretas, Anderson quer ver mudanças no debate online, que ela diz que simplifica demais tanto a música popular K-pop quanto a negra.

“Uma coisa que poderia ajudar é se todo mundo se tornasse um pouco mais experiente e usasse um pouco mais de contexto quando falamos sobre K-pop, mesmo quando ocorrem eventos raciais”, alertou ela.

BTS, Monsta X e Ateez estão entre os grupos que apoiaram abertamente o movimento Black Lives Matter, mas o BTS liderou o comando com sua doação de US$ 1 milhão.

“Se o BTS tivesse entrado imediatamente e feito uma declaração antes que houvesse alguma conversa no fandom, pareceria vazio e performativo”, disse o professor Cho, chamando a resposta do grupo de conveniente e atenciosa.

Mas Saeji argumenta que é importante permitir que os ídolos escolham os tópicos sobre os quais eles irão falar.

“No início de suas carreiras, o BTS foi acusado de apropriação cultural e, na minha observação, eles trabalharam muito para se educar sobre a história do hip-hop e é por isso que falaram sobre o Black Lives Matter. Alguns ídolos podem não ter feito esse trabalho em segundo plano, mas o BTS fez isso há mais de cinco anos, por isso estava se manifestando naturalmente. Acho que não podemos esperar que todo artista tenha uma opinião sobre esse assunto “, disse ela.

O professor Lee está olhando pelo lado positivo.

“Existem fãs afro-americanos, hispânicos, brancos, asiáticos e do Oriente Médio no K-pop, então o conflito entre os fãs pode e vai acontecer”, disse ele.

Mas, embora reconheça problemas como apropriação cultural e etnocentrismo no K-pop, Lee diz que não acha que tudo isso é negativo para o futuro do K-pop.

“Os músicos ou a indústria de K-pop não estão realmente familiarizados com esse tipo de situação, porque costumava ser música apenas para os locais. Mas quando os fãs estão tendo conflitos ou discussões abertamente, haverá uma possibilidade de o K-pop ser mais internacionalizado e diversificado racialmente e etnicamente.”

Shows online de K-pop já são um sucesso e ameaçam substituir as turnês presenciais

Via Koreapost / Fonte Original: Korea Herald

Quando a epidemia do coronavírus se abateu primeiro sobre a Coreia do Sul, muitos esperavam que a indústria do K-pop fosse a que sofreria o maior golpe. Turnês mundiais foram adiadas, lançamentos a muito esperados foram retardados e showcases cancelados. De acordo com a Associação das Gravadoras da Coreia, um total de 211 concertos foram cancelados entre fevereiro e abril, acarretando perdas financeiras de quase 63,32 bilhões de wons (51,6 milhões de dólares ou quase 280 bilhões de reais).

Mas como em qualquer crise, artistas e suas companhias encontraram um jeito de se adaptar e não apenas inventar formas de driblar as dificuldades, mas até mesmo encontrar novas fontes de renda. A SM Entertainment se uniu ao buscador Naver no último mês de abril e lançou um serviço de transmissão de shows chamado Beyond Live, anunciando que “é o começo de um novo jeito de fazer shows”.

Ainda que shows já tenham sido transmitidos ao vivo anteriormente (um exemplo disso foi o show do BTS “Wembley”, disponibilizado ano passado para assinantes através do V Live, que pertence ao Naver) o Beyond Live vai além da transmissão dos shows e oferece conteúdos feitos especificamente para o ambiente virtual.

Por exemplo, o AR (sigla em inglês para Realidade Aumentada) e a tecnologia 3D permitem que tigres holográficos apareçam no palco ou que um avião voe por cima das cabeças dos artistas. Os artistas interagem com os fãs em tempo real nos intervalos das apresentações, enquanto fãs acenam lightsticks virtuais como se estivessem em uma arena.

Crédito: Qnewshub.

O show que estreou essa parceria foi do grupo Super M, em 26 de abril, durou duas horas e foi assistido por 75 mil pessoas em 109 países, de acordo com a SM. Como cada ingresso custava 33 mil wons a venda de ingressos arrecadou estimados 2,5 bilhões de wons.

Considerando que um estádio de médio porte pode acomodar em geral até 10 mil pessoas, os concertos virtuais, que não tem esse tipo de limitação, tem potencial para crescer como um novo modelo de negócios para as empresas de entretenimento.

TVXQ, até agora record de público entre as apresentações do Beyond Live com 580 mil espectadores. Crédito: Barks.

Shows de outros grupos também foram anunciados: TVXQ, cujo show se deu na madrugada último dia 24 (horário de Brasília), e por enquanto detém o recorde de audiência entres as transmissões do Beyond Live, com 580.000 espectadores, bem como Super Júnior, cujo show se deu no dia 31 de maio. NCT 127, cujo show aconteceu no último dia 16 de maio, aproveitou a transmissão ao vivo do show para lançar suas mais novas músicas “Punch” e “Make Your Day”, que fazem parte do seu novo álbum e não seriam ouvidas antes do dia 19 (horário da Coreia).

NCT 127 em seu show no Beyond Live, com uso das tecnologias AR e 3D.  Crédito: Insider.

Essas transmissões ao vivo de shows foram adotadas por causa da disseminação do atual vírus, mas eu acredito que elas vão continuar mesmo depois que a epidemia acabe” disse Jeonggi Hwang, líder da agência de entretenimento JG Star Entertainment.

Empresas maiores devem desenvolver suas próprias plataformas, enquanto companhias pequenas e médias podem fazer parcerias com plataformas de transmissão ao vivo que já existem ou até as novas que surgirem. Se alguém verificar nas lojas de aplicativos, perceberá que há muitos apps de transmissão surgindo nesses últimos tempos. Uma vez que não é fácil para os artistas se apresentarem em determinados países, as companhias esperam colher os frutos se elas estabelecerem, o quanto antes, as bases para a transmissão de concertos domésticos para fãs internacionais”.

Big Hit Entertainment, lar de artistas queridos como BTS e TXT, talvez seja a agência do K-pop com mais experiência no uso das redes sociais. Enquanto a empresa sabiamente usa plataformas populares como Twitter, YouTube e TikTok, ela também distribui conteúdos exclusivos em sua própria plataforma por assinatura, o Weverse.

Insider. Crédito: SM Entertainment.

Em março, foi lançada uma série de vídeos ensinado o idioma coreano chamada “Learn Korean With BTS” (Aprenda Coreano com o BTS), e agora em maio foi disponibilizado um documentário intitulado “Break the Silence”, que faz uma retrospectiva da turnê “Love Yourself World Tour” (2018-2019).

Para se desculpar do adiamento da turnê “Map of the Soul Tour”, a companhia disponibilizou, por dois dias e de graça, cenas de shows já realizados no canal da banda no YouTube, o BangtanTV.

Além disso, foi anunciado no último dia 07 o lançamento de um show online, o “Bang Bang Con The Live”, a ser realizado no próximo dia 14 de junho através do pay-per-view do Weverse. A Big Hit disse que vai oferecer “uma experiência de poder observar o show do BTS por vários ângulos, a partir da casa de cada Army (nome do fandom da banda)”.

As transmissões já atraíram mais de 50 milhões de pessoas, sendo o pico de 2,24 milhões. Muitos fãs acendiam seus lightsticks virtuais para mostrar seu apoio, bem como manifestavam sua alegria de poderem passar o final de semana junto com a banda e fãs de várias as partes do mundo, ainda que fosse de forma virtual.

Apesar de todas as inovações criadas para reagir ao prolongado clima de incertezas atual, muitos observadores da indústria ainda estão céticos sobre se esses shows online poderão substituir os show ao vivo à longo prazo.

Um dos elementos mais importantes para um show é a atmosfera, especialmente para apresentações em grupo. Mas mesmo com a tecnologia AR, eu não podia sentir muita emoção real. Não era muito diferente de assistir clipes no YouTube” disse o crítico de música Minjae Jung.

Ele prediz que shows online e outras novas tecnologias correlatas podem desempenhar a função de apimentar shows presenciais assim que as turnês sejam retomadas.

Talvez as bandas possam transmitir as últimas partes do show ou realizar transmissões ao vivo junto com shows presenciais para alcançar tanto fãs que não podem participar quanto locais que os artistas não possam ir”.

Embaixada da Coreia promove concurso on-line de K-POP

Via Jornal Metrópoles, por Juliana Barbosa

Estão abertas, até 6 de junho, as inscrições, que devem ser feitas pela internet, para o Kpop Live Festival (KLF). Trata-se de um concurso on-line de música pop coreana, criado para valorizar covers na categoria solo ao mesmo tempo em que incentiva a produção de conteúdo a partir de casa.

Organizado pela Embaixada da República da Coreia no Brasil, em parceria com o Comitê KoreaON, o concurso escolherá 20 covers solos (10 de canto e 10 de dança) para apresentação em um grande evento marcado para o dia 24 de julho, também on-line, em respeito ao distanciamento social por conta do coronavírus.

Para participar, os interessados devem produzir vídeos sem cortes ou edições, com dança ou canto, e enviar para o e-mail solicitado, de acordo com as regras que constam no edital. O documento, com todas as informações sobre critérios técnicos do vídeo e da seleção, está disponível no site da Embaixada da Coreia e do Comitê KoreaON.

WONJU, COREIA DO SUL – 28 DE SETEMBRO: Dançarinos de capa do K-Pop da performance da Hungria no palco durante o festival K-POP, organizado pelo Visit Korea Committee em 28 de setembro de 2013 em Wonju, Coreia do Sul. O K-POP Festival em Gangwon 2013 é um concurso de dança da música pop coreana, K-POP. Onze equipes chegaram a este grand finale de 11 países ao redor do mundo para mostrar sua excelência em dança e amor pelo K-POP depois de vencer a preliminar online. Foto: Chung Sung-Jun / Getty Images

Os dois primeiros colocados de cada categoria serão premiados. A competição também conta com uma colocação especial, o Grande Prêmio, além da categoria Popularidade. No total, serão distribuídos cerca de R$ 12 mil em premiações.

Dúvidas e esclarecimentos sobre os requisitos do concurso e demais informações podem ser enviadas para o e-mail contato.kon@gmail.com com o assunto “DÚVIDA KLF” ou na caixa de mensagens da página do
Facebook do comitê. Além da novidade no formato on-line, o KLF é a oportunidade que os covers de diversas regiões do país participem.

Ministério da cultura da Coreia fará concerto de K-pop para streaming mundial

Via Korea Times

Segundo Lee Gyu Lee, do jornal Korea Times, o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo e a Ministério da Cultura, Esportes e Turismo e Agência de Conteúdo Criativo da Coreia (KOCCA) organizarão o concerto “Viagem ao K-POP”, que será transmitido on-line globalmente. O evento de três dias – de 19 a 21 de maio – foi idealizado para ajudar as pessoas que sofrem com a pandemia de coronavírus. O objetivo é enviar a mensagem “Vamos superar”.

Apresentado por Sandeul do B1A4, o show contará com 12 artistas, incluindo iKON, Oh My Girl, APRIL e Kim Jae Hwan. O presidente da agência de conteúdo, Kim Young Jun, disse que o show oferecerá uma mensagem esperançosa e encorajadora para os fãs de K-pop que passam por momentos difíceis.

Os artistas de k-pop Kim Jae Hwan, à esquerda, Oh My Girl, no topo, e o iKON se apresentarão no show ao vivo “Trip to K-POP”. Crédito: Arquivo do Korea Times.

Como o distanciamento social tornou-se crucial em meio ao COVID-19, espero que essas performances ofereçam uma oportunidade para as pessoas desfrutarem de atividades culturais, mantendo distância“, disse ele. O concerto será realizado às 19h. por três dias e corra por cerca de 80 minutos. A transmissão ao vivo estará disponível no Vlive e no YouTube do Naver.

Novo álbum do BTS bate recorde de vendas na história do K-POP

Via Koreapost

Map of the Soul: 7, o novo álbum da boy band BTS, vendeu mais de 4,11 milhões de cópias nos primeiros nove dias de seu lançamento no mês passado, tornando-se o álbum mais vendido na história pop coreana. Levou nove dias para o novo álbum quebrar o recorde anterior de vendas de quase 3,4 milhões estabelecido pelo próprio álbum do BTS, Map of the Soul: Persona, lançado em abril do ano passado.

Crédito: Yonhap.

As vendas totais do “7” nos primeiros nove dias alcançaram 4.114.843 cópias, de acordo com a Big Hit Entertainment. O novo número de vendas também substitui os recordes de maior venda mensal e anual em 3,23 milhões e 3,72 milhões, respectivamente, estabelecidos por “Persona”, marcando uma carreira alta para a banda nas vendas de álbuns, disse Big Hit.

O álbum “7” lidera a parada de álbuns da Billboard 200 a algumas semanas, fazendo com que a banda conquistasse seu quarto número 1 na parada de álbuns. Aproveitando os bons ventos, o canal a cabo coreano Mnet, voltado para o K-POP, lançou um vídeo de entrevista do BTS no YouTube, para marcar o 25º aniversário do canal de música.