“Mãe”: vingança e busca por justiça em uma Índia tolerante com a cultura do estupro

Por Alessandra Scangarelli (Via InterTelas)

É uma inverdade afirmar que todas as mulheres podem ser mães. Da mesma forma, também não é uma realidade que os laços profundos entre mães e filhos são possíveis apenas entre os que compartilham uma origem consanguinea. O chamado amor incondicional é para poucos, fazendo com que os que nutrem por alguém tamanho e complexo sentimento, sejam capazes de tudo. Aos que se encontram em tal situação, é simplesmente insuportável ver o sofrimento e a injustiça ser perpetuada àqueles que amam e podem, sim, chegar a cometer atos extremos, no intuito de proteger, ou restaurar a honra e a vida de seus amados.

O filme “Mãe” (2017), dirigido por Ravi Udyawar traz esta questão como a energia impulsionadora de sua trama. Apresenta a crueldade de uma Índia, cuja sociedade e sistema jurídico permanecem tolerantes ao crime de estupro e à violência de gênero. Assim, em um contexto injusto e desigual, só restam às reais mães tomar certas atitudes e fazer justiça com as próprias mãos. Trata-se de um real levantar-se contra o mal maior, mesmo que isso seja utilizar de métodos considerados moralmente errados.

Baseado no roteiro escrito por Girish Kohli e produzido por Sunil ManchandaMukesh TalrejaNaresh Agarwal e Gautam Jain, este suspense policial foi estrelado pela já falecida Sridevi, atriz e produtora indiana, conhecida como a primeira superestrela da indústria cinematográfica da Índia, ganhadora e indicada a muitos prêmios nacionais. Uma grande artista que ficou conhecida por interpretar mulheres fortes, dispostas a enfrentar situações desafiadoras. Neste filme, a personagem de Sridevi persegue os estupradores de sua enteada Aarya Sabarwal, vivida pela atriz paquistanesa Sajal Ali.

Crédito: Netflix.

A obra também conta com a presença de nomes como Nawazuddin SiddiquiAkshaye Khanna e o ator paquistanês Adnan Siddiqui em papéis coadjuvantes. Lançado em 7 de julho de 2017, em quatro idiomas, a produção tornou-se um sucesso de crítica e comercial, recebendo dois prêmios no 65º National Film Awards e seis indicações no 63º Filmfare Awards. O filme ganhou certa audiência mundial, em especial na China. Entre as diversas razões para o seu sucesso pode-se destacar um enredo bem construído que consegue abordar uma temática delicada sem ativismos, mas de forma envolvente, realista, sem moralismos e, assim, torna-se uma poderosa ferramenta para impulsionar reflexão e impacto no público sobre um problema tão urgente.

Já nos primeiros momentos, o espectador conhece a professora de biologia Devki Sabarwal, uma figura caridosa e popular entre seus alunos. De imeadiato ela precisa lidar com alunos problemático como Mohit Chadda (Adarsh Gourav) que envia à enteada Aarya Sabarwal(Sajal Ali) e aos colegas um vídeo ofensivo. A professora não pensa duas vezes e joga o telefone do rapaz pela janela. Logo após, é possível conhecer o ambiente descontraído da casa de Devki. Porém, apesar de sua insistência em abordar carinhosamente à enteada, esta permanece fria e distante, rejeitando uma aproximação com a madastra, tentando preservar a memória da mãe, suposta falecida, ainda muito recente.

Uma festa do dia dos namorados ocorre em uma fazenda distante e Aarya tenta persuadir Devki e o pai Anand Sabarwal (Adnan Siddiqui) de que o local é seguro, convencendo o casal hesitante a permitir a sua saída. Durante o evento, Aarya encontra seus colegas de aula abusadores e, particularmente, rejeita as investidas de Mohit e do primo dele Charles Deewan (Vikas Verma). Estes, inconformados, resolvem, junto com o criminoso Jagan Singh(Abhimanyu Singh) e o segurança da casa da fazenda Babu Ram Yadav (Pitobash Tripathy), sequestrar Aarya. Assim, estupram brutalmente a menina e jogam seu corpo em um córreo à beira de uma estrada, quase sem vida. Devki, assim que percebe a demora da enteada em ar notícias, vai ao seu encontro, porém sua busca é em vão.

Crédito: India TV News.

Logo, a madrasta recorre à polícia, porém policiais descrentes em suas afirmações apenas contribuem para o seu desespero. Neste meio tempo, Daya Shankar “DK” Kapoor(Nawazuddin Siddiqui), detetive particular, a observa e decide abordá-la, oferecendo ajuda e entregando o seu cartão de visita, mas Devki suspeita dele. O tempo passa e já é dia quando Aarya é encontrada e levada para o hospital em estado deplorável. Ao recuperar a consciência, a jovem denuncia seus agressores ao policial Matthew Francis (Akshaye Khanna) que inicia uma busca e prende os criminosos.

No julgamento, uma corte comprada diz não haver provas suficientes e os réus são inocentados. Devki e Anand estão arrasados. Aarya entra em depressão. Sem ter outra solução, a madastra busca auxílio com o detetive DK. Juntos, eles iniciam uma caçada impiedosa aos culpados, ao mesmo tempo, que são observados pelo policial e oficial Francis, também obstinado a fazer com que a lei seja cumprida.

A interação entre a professora, o detetive particular e o policial promove transformações chaves no enredo da trama, criando momentos de suspense, ação, introspecção, que crescem no enredo com o auxílio de atuações memoráveis. Especialmente os olhares vão para Sridevi, que presenteia o espectador com uma interpretação sóbria e repleta de nuances, onde se testemunha a mudança paulatina de uma simples professora e dona de casa em uma obstinada, calculista, fria e atroz justiceira, porém não menos amorosa, capaz de sentir com a mesma intensidade a dor e o sofrimento da enteada.

Crédito: Mango Bollywood.

“Mãe” suscita reflexões, questionamentos, em sua narrativa bem construída, sem procurar por soluções exageradas aos acontecimentos. Desta forma, o espectador tem o desenvolver de uma história crível, que fluí com toques característicos e típicos do cinema indiano. Apesar de se tratar de ficção, a trama é bastante caucada na realidade de uma Índia que teve, somente no ano de 2019, 88 estupros registrados diariamente, conforme o National Crime Records Bureau, agência do governo responsável por coletar dados de crimes como estipulado pelo código penal indiano.

É preciso ainda salientar as falas impactantes da trama, como a que acontece entre Devki e DK em uma estação de metrô. Pensativo e cheio de dúvidas sobre a natureza de suas ações, se o que ambos estão fazendo é certo, professora replica: “É errado, mas pior ainda é não fazer nada. Se tiver de escolher entre o errado e o muito errado, qual escolherá?“.

DK não responde e segue com o plano. Quando está para ir embora, DK pede à Devki que confie no poder do Deus Shiva, pois ele tudo resolverá. Devki retruca dizendo que o Deus Shiva não pode estar em todos os lugares. Assim, DK é tácito em sua tréplica: “Eu sei, por isso ele criou as mães“. “Mãe” é um filme poderoso e que pode, agora, ser assistido no Brasil através da plataforma Netflix.

Crédito: divulgação.

Ficha Técnica:

País: Índia | Diretor: Ravi Udyawar | Roteirista: Kona Venkat, Girish Kohli, Ravi Udyawar | Elenco: Sridevi, Akshaye Khanna, Sajal Ali | Ano: 2017 | Duração: 2h26min

A Índia pelos olhos de um grande artista japonês

Via Beco da Índia

Belas cenas da Índia da primeira metade do século 20 foram capturadas com maestria por um dos maiores artistas japoneses da época. O gravurista Yodisha Hiroshi (1876-1950) produziu dezenas de impressões de xilogravura a partir de uma viagem à Índia em 1930.

A partir do ano seguinte, ele começou a publicar uma série de gravuras sobre o país, então uma colônia do Império Britânico. Essas obras foram inspiradas em uma viagem de quatro meses pela Índia, a partir de novembro de 1930, e por outros lugares do Sul da Ásia.

Por dois anos após voltar para o Japão, Yodisha Hiroshi produziu 32 impressões de xilogravuras, inspirado nessa experiência. Ele ficou particularmente fascinado com a qualidade de luz na Índia.

Hiroshi Yoshida. Crédito Wikimedia.

Ele foi o artista de xilogravuras mais famoso do Japão do início do século 20. Inicialmente, ele foi treinado nas técnicas da pintura ocidental a óleo e amarelas. Mas nos anos 20, ele dedicou-se a impressões de xilogravuras requintadas, com um estilo que lembra aquarelas devido às suas camadas translúcidas. Yoshida, que era de uma família de artistas, pertenceu a dois movimentos artísticos importantes do Japão, que combinam técnicas japonesas com ocidentais: shin-hanga e ukiyo-e.

Cena em Udaipur, no Rajastão.
Crédito: Pinterest.
Templo Dourado, em Amritsar, gravura de Hiroshi Yoshida. Crédito: Pinterest.
Palacio de Udaipur, Yoshida Hiroshi. Crédito: Pinterest.
Ghat em Varanasi, de Yoshida Hiroshi. Crédito: Ukiyo-e.org.

Entre as pinturas do artista japonês estão cenas que revelam a beleza do Palácio de Udaipur, a cidade mais romântica da Índia, no estado do Rajastão; o Taj Mahal, na cidade de Agra; o suntuoso Templo Dourado, principal local de peregrinação dos seguidores do Sikhismo, religião nascida na Índia no século 15;  e as escadarias do Rio Gages, na cidade sagrada de Varanasi.

Gilberto Gil: a viagem emocionante à Índia do mais famoso Filho de Gandhy, seu encontro com Amma e o sonho de uma ópera sobre o amor de Krishna

Via Beco da Índia

Gilberto Gil, um amante da Índia, gravou naquele país cenas para o documentário ‘Disposições Amoráveis’

Na sexta-feira 26 de junho, o Brasil foi presenteado com uma live de Gilberto Gil, mas quem deveria receber presente era o compositor, cantor e ex-ministro da Cultura por ter completado naquele dia 78 anos de idade. Como uma homenagem a esse artista que é um símbolo do Brasil e um apaixonado pela Índia, o Beco da Índia, parceiro do MidiÁsia, lembra aqui alguns dos projetos de Gil relacionados a esse país.

Gilberto Gil com Amma na Índia. Crédito Facebook: Amma.

Em setembro do ano passado, Gil fez uma emocionante viagem à Índia, acompanhado da mulher Flora. O passeio, que incluiu até uma viagem de trem no Sul do país, fez parte das filmagens para um documentário poético que terá 90 minutos: Disposições Amoráveis, da diretora Ana de Oliveira, que escreveu com Gil um livro com o mesmo título. O documentário – produzido pela Paris Entretenimento e pela Iyá Omin Produções –  será uma viagem pelas reflexões de Gil, com o tema “o amor e o futuro”.

Um dos momentos mais especiais na Índia foi a visita de Gil ao ashram de Guru Amma Mātā Amritanandamayī Devi –  a Amma -,  em Kerala (estado no sul do país). Ela é conhecida mundialmente como a mulher santa dos abraços. Gil cantou “Meditação”, “Retiros Espirituais”, “Copo Vazio” e “Filhos de Gandhy” para Amma e uma plateia de indianos e estrangeiros que visitavam o ashram.

Gil canta no ashram de Amma. Crédito: Facebook Amma.

Toda a viagem de Gil e Flora em 2019 foi concentrada no Sul. O casal visitou, inclusive as antigas cavernas budistas, hinduístas e jainistas esculpidas em rocha de Ellora (no estado de Maharashtra). Gil foi ministro da Cultura entre 2003 e 2008, ganhou dois Grammy (o Oscar da música) e recebeu em 1999 o prêmio Artistas para a Paz da UNESCO. Em 2004, Gil já havia se apresentado em Mumbai para 50 mil pessoas, durante o Forum Social Mundial, acompanhado de outros artistas asiáticos e africanos.

Em 2018, a pedido da embaixada da Índia, Gil interpretou a canção Vaishnav Jan To, o mantra devocional preferido de Mahatma Gandhi, para comemorar os 150 anos de nascimento do líder pacifista indiano. E a sua participação no bloco Filhos de Gandhy (com “y” mesmo), fundado na Bahia em 1949, dois anos após a independência da Índia e um ano depois da morte de Mahatma Gandhi? Gil é o mais famoso de seus integrantes e co-produziu um documentário chamado Filhos de Gandhy, do diretor Lula Buarque de Hollanda. Criado por estivadores comunistas que, reprimidos politicamente, decidiram homenagear os ideiais de resistência pacífica de Gandhi.

E há ainda um projeto gigantesco de Gil com o maestro italiano Aldo Brizzi que ainda não saiu do forno. Trata-se de uma ópera sobre o amor de Krishna pela camponesa Radha: “Negro Amor”, inspirada no poema “Gita Govinda” (século XII), de Jayadeva Goswani.  A esperança do público é que esse projeto consiga se concretizar. Afinal, como cantaram os brasileiros na internet, no dia do aniversário de Gil: “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”.

Felizes para sempre: uma série para a sua maratona

Por Beco da Índia

No cardápio de séries de serviços de streamings que servem como alternativa para os que estão em isolamento necessário para evitar contaminações do Covid 19, há uma opção que funciona como uma espécie de janela. Por ela, você pode observar os conflitos do velho e do novo na tradicional sociedade em uma Índia do século 21. É Felizes para Sempre (Made in Heaven), série original da Amazon Prime Video, que estreou em março de 2019, com nove episódios até agora.

Se o dito popular afirma que os casamentos são feitos no céu, a série mostra que nem sempre é assim e ousa abrir algumas portas dos armários daquela sociedade, ao mesmo tempo em que exibe as cores exuberantes, o brilho, as músicas e as danças exuberantes desses eventos. É bom lembrar que todo o Sul da Ásia, e a Índia em especial, são líderes globais do mercado de casamento.

“A realidade é bem diferente”, avisa o trailer da série, escrito e dirigido por mulheres. “Made in Heaven” é o nome da empresa de organização de casamentos dos sócios Karan (papel desempenhado por Arjun Mathur) e Tara (Sobhita Dhulipala), em Délhi. Seus dramas pessoais se cruzam com as histórias de seus clientes no país dos casamentos arranjados: negociações de dotes; quebras de tabus, como uniões de viúvos; festas ondem o  que acontecem lá, ficam lá; escândalos bollywoodianos; conflitos familiares, crenças em superstições milenares, e por aí vai.

Karan e Tara são obrigados a cumprir algumas missões paticamente insalubres, como contratar detetives particulares para investigar histórico de noiva. Karan é gay em uma sociedade tradicional que, em boa parte, não aceita essa orientação. Tara organiza casamentos, mas ela mesma vive infeliz no seu. Moça de classe média baixa, Tara casou-se com um rapaz de família rica mas enfrenta problemas sérios com o marido.

A série, a quarta original da Amazon Prime para o mercado indiano,  fez grande sucesso no Sul da Ásia e em países de outras regiões logo no seu primeiro mês após o lançamento. As críticas e resenhas positivas ressaltaram a abordagem de tópicos culturais, como homofobia.

Diferentemente de outras séries de serviços de streamings, o Felizes para Sempre conta com atores que não foram trazidos de Bollywood: são rostos novos, na maioria. Há duas exceções a essa regra, no entanto: uma é Kalki Koechlin, um talento da indústria cinematográfica do país, que atuou, por exemplo, no filme Margarida com Canudinho. Outra é Vijay Raaz, que atuou no excelente Casamento à Indiana (Moonson Wedding), um grande sucesso da diretora Mira Nair.

Crítica - Made In Heaven (1ª Temporada) | Senta Aí
Crédito: Amazon Prime

Boa parte do lado glamouroso da série é de responsabilidade de Poornamrita Singh, fashion designer que decide o figurino das noivas e noivos e dos convidados das festas. Singh explicou que decidiu vestir as noivas de forma não convencional,  com cores como beje, verde, amarelo e dourado, quando o normal na Índia é o vermelho. Como uma chef delicada, Pornamrita Singh salpica no cenário as especiarias mais saborosas aos olhos do telespectador: a beleza e a estética dos casamentos indianos, com seus saris e lehengas (saias) de tecidos brocados e jóias no estilo tradicional, totalmente diferentes para quem nunca foi àquela parte do mundo.

Ficha Técnica:

País: Índia| Direção: Nitya Mehra, Zoya Akhtar , Prashant Nair e Alankrita Shrivastava | Roteiro: Zoya, Reema Kagti, Niranjan Iyengar e Alankrita| Elenco: Arjun Mathur, Sobhita Dhulipala, Kalki Koechlin| Distribuidora: Amazon Prime| Episódios: 9| Ano: 2020.

Como uma rádio comunitária ajuda vítimas de eventos causados pelas mudanças climáticas no sul da Índia

Via Beco da Índia

Ciclones, enchentes e até tsunamis. O Sul da Índia é um alvo frequente dos efeitos perversos das mudanças climáticas e recentemente sofreu sérios golpes. Como educar as pessoas, especialmete as crianças,  a se precaverem diante dessas sitações dramáticas que acontecem de forma cada vez mais frequente?

A rádio Kalanjiam Samuga Vanoli, localizada no vilarejo de Vizhuthamavadi, a 320 quilômetros de Chennai, a capital do estado indiano de Tamil Nadu, tem sido fundamental para informar as pessoas e prevenir maiores desastres, informa uma matéria publicada no site  do One Earth. Um belo exemplo de como a união de comunidades pode ser decisivo em momentos de crise.

Vizhuthamavadi. Crédito: INDIA.MONGABAY.COM

A rádio cobre cerca de de 20 quilômetros, alcançando oito vilarejos. Segundo Aparna Shukla, a diretora da rádio (que conta com o apoio da Fundação DHAN), as pessoas da região, boa parte pobres,  não necessariamente compreendem a questão das mudanças climáticas.  

O tsunami do Oceano Índico, em 2004, teve sérias consequência na costa do estado de Tamil Nadu, com muitos mortos. O Ciclone Gaja, por exemplo, atingiu em cheio o estado, em novembro de 2018,  e a rádio ajudou muito com alertas e mensagens, além de oferecer serviços de reabilitação após o evento.

Crédito: Newsrack.in

Um grupo de repórteres locais, batizado de “Voz dos Vulneráveis”, faz cobertura sobre questões relacionadas ao  meio ambiente e às mudanças climáticas que geralmente não não muito explorados na mídia em geral. Hoje, há 25 jornalistas comunitários, a maioria mulheres entre 15 e 25 anos.  O rádio acabou levando à criação de uma newsletter chamada Coastal Watch com matérias sobre a comundade de agricultores e pescadores.

Vinod Pavarala, especialista em radio comunitária da Universidade de Hyderabad, e ligado às Organizaçoes das Nações Unidas (ONU), explica que a filosofia básica  da rádio comunitária é empoderar os marginalizados., com informações credíveis  em tempos de crises. Em um dos programas, a rádio divulgou um belo poema de um voluntário, na língua Tamil, sobre o choque dos pescadores diante desses eventos extremos:

Nós levamos nosssos barcos até as ondas incessantes\ Sem nenhum descanso, para pescar\ Nosso corpo está  fatigado, mas estamos animados\ Nós voltamos para a costa para encontrar nossos parentes\ Mas não havia nem pessoas, nem cabanas\Onde você os levou?”