Governo coreano lança “On: Hallyu Festival”, evento online que terá shows de K-POP e duração de 1 semana

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Um evento com duração de uma semana com o objetivo de promover a indústria cultural sul-coreana será realizado online este mês em meio ao novo coronavírus, anunciou o Ministério da Cultura, Esporte e Turismo do país. O “ON: Hallyu Festival” acontecerá de 16 a 23 de novembro, com encontros sobre negócios, sessões ao vivo de comércio e vendas e shows online.

O evento de uma semana terminará com um show online com as estrelas do K-pop SuperMMONSTA X e ITZY, assim como a cantora e compositora indonésia Raisa e o boy group tailandês Trinity. Como parte do evento, o Ministério disse que venderá produtos de 12 empresas da indústria de beleza e moda sul-coreana por meio de “comércio ao vivo” – sessões de vendas em tempo real. Uma sala será montada nas instalações da convenção COEX no sul de Seul para 79 empresas se encontrarem com compradores em potencial de 200 países em reuniões online.

Pôster do evento: Crédito: Ministry of Culture, Sports and Tourism.

A sessão será transmitida ao vivo para cerca de 230 países através do VLive, de acordo com o ministério. Eventos semelhantes também acontecerão nos centros de negócios da Agência de Conteúdo Criativo da Coreia, em Jacarta e Pequim. “Este evento proporcionará conforto às pessoas em todo o mundo que estão exaustos com o COVID-19, ao mesmo tempo que proporcionará oportunidades úteis para as empresas locais através do poder de Hallyu”, disse o Ministro da Cultura, Park Yang-woo. Mais detalhes sobre o evento estão disponíveis no site do evento.

MidiÁsia entrevista Douglas Passos, produtor do Hallyu Rio, maior evento de cultura sul-coreana no RJ

Por Daniela Mazur

Sem dúvidas, o Rio de Janeiro é um polo cultural brasileiro de grande reconhecimento, mas quando o assunto é cultura pop sul-coreana, o estado ainda está se estruturando para ser um espaço pulsante desse consumo. A Hallyu, ou Onda Coreana, possui uma grande comunidade de fãs cariocas, que se organiza em favor de se expandir e atrair eventos culturais e shows de K-pop para a cidade, mas sem grandes apoios institucionais. Apesar disso, nos últimos anos festas noturnas, exposições, competições de covers e eventos especializados na Hallyu começaram a se destacar por aqui, assim como surgiram cursos de coreano especializados em diferentes partes do estado, tamanha a demanda dos fãs. O coordenador do curso Escola de Coreano e produtor de eventos Douglas Passos está envolvido diretamente no processo de ascensão carioca dessa cena cultural e é o grande responsável pelo maior evento de cultura sul-coreana no estado, o Hallyu Rio, e da comunidade Meet Kpop Rio. Com a quarta edição do Hallyu Rio marcada para ainda este ano, desta vez em formato online por causa da pandemia de COVID-19, Douglas conversa com o MidiÁsia sobre a construção da cena K-popper no Rio de Janeiro, as dificuldades de legitimação da cultura pop sul-coreana no estado e a importância de pensar o consumo brasileiro da Hallyu para além de São Paulo, que é atualmente o grande epicentro dessa experiência cultural no país.

O entrevistado Douglas Passos. Fonte: Acervo pessoal.

Como foi o seu processo pessoal de conhecer e compreender a Hallyu? Em que momento percebeu que este setor de consumo cultural precisava de atenção profissional e começou a organizar seus próprios eventos relacionados?

Douglas Passos (DP): Entrei no mundo da Hallyu como fã, então, quando me percebi assim, quis buscar locais e formas de me conectar mais com essa cultura, conhecer pessoas, enfim, saber mais sobre esse entretenimento. O meio principal da época era a internet, especialmente grupos de Facebook, que foi por onde eu conheci esse mundo. Contudo, faltavam espaços físicos ou eventos onde a gente pudesse ir aqui no Rio, que é onde eu cresci e moro. Então, nesse momento em que eu percebi que não haviam locais suficientes ou até mesmo agradáveis para podermos ir, resolvi reunir alguns amigos que conheci pela internet, que compartilhavam comigo dos mesmos gostos. A ideia surgiu de uma página que promovia encontros de fãs de K-pop, mas no Rio de Janeiro não havia nenhuma comoção para realiza-lo, então eu me voluntariei a juntar essas pessoas. Convoquei amigos, que convocaram outros, e, com a ajuda dessa página, a gente divulgou o evento do Rio de Janeiro. Assim, realizamos o primeiro encontro K-pop do Rio, do qual eu fui o organizador. Nesse primeiro momento, então, foi uma questão muito pessoal, eu queria esse espaço e por ele não existir, resolvi participar e ajudar de alguma forma a fazer isso acontecer. Desde o primeiro evento percebi que tinha um público bem consistente interessado no assunto no Rio de Janeiro e que eu poderia repetir a dose, uma vez que a primeira tinha sido um sucesso.

Encontro na Quinta da Boa Vista em 2015 realizado pelo Meet Kpop, grupo de encontro de k-poppers organizado pelo Douglas. Crédito: Amanda Cotrim e página Meet Kpop.

Esse primeiro encontro, em 2013, reuniu em torno de 50 pessoas, que foi o maior até então. As pessoas se juntaram para socializar, ouvir música, conversar sobre K-pop, mas em um espaço público. Essas 50 pessoas falaram com outras, que se mostraram também interessadas, foi assim que percebi a demanda grande que tínhamos por aqui. Fãs do Rio de Janeiro que queriam e procuravam espaços de convivência, mas faltava uma liderança para organizar esses eventos. Com isso, um mês depois, realizamos o segundo encontro que teve o dobro de pessoas. Foi dessa forma que percebi que esse público estava crescendo e esses fãs se encontravam em locais diferentes no Rio, em grupos menores e isolados, demandando um espaço único para socializar e alimentar essa comunidade para que ela pudesse crescer, porque o potencial já existia para isso.

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Palco do Hallyu Rio 2018 com os participantes do concursos cover de dança e canto. Fonte: Sou Méier.

Como você enxerga o consumo da Hallyu no Rio de Janeiro em comparação ao resto do Brasil?

DP: Eu vejo que o Rio de Janeiro é um estado que cresceu muito em relação a isso e o principal fator de crescimento foram os próprios fãs, fomentando eventos, atividades, comunidades na internet. O Rio nunca teve muitas organizações oficiais viradas para a cultura da Coreia do Sul, até mesmo para o entretenimento em geral, foram poucas as vezes que tivemos alguma ajuda de centros culturais, da embaixada ou de outra instituição do tipo. Sempre foi um estado meio invisível em relação a isso, então o consumo da Hallyu foi crescendo graças a própria comunidade, muito foi feito dentro da lógica fã-para-fã. Esse é um fato interessante porque mostra a dedicação dessas pessoas, que, mesmo sem um espaço oficial ou contato com a comunidade coreana aqui do Rio de Janeiro para trocar informações em geral, os fãs se esforçam em buscar outras fontes através de pesquisas. A comunidade carioca de K-poppers é parecida com as de outros estados, como Fortaleza, Espírito Santo e Curitiba, que possuem grandes comunidades de fãs de K-pop, mas não têm muito respaldo oficial para esse consumo, diferente de São Paulo, que sempre teve apoio intenso do Centro Cultural Coreano e outras entidades culturais do tipo.

Apresentação cover no Hallyu Rio 2019. Crédito: Bruno Antonucci.

Em meio a sua vivência da cena, como o Rio de Janeiro se estruturou como um espaço focal da experiência brasileira da Onda Coreana? Entre erros e acertos, podemos considerar o Rio um campo em ascensão para a Coreia do Sul em termos culturais?

DP: A Onda Coreana cresceu no Rio de Janeiro a partir do fã-para-fã, onde muitos deles procuraram fomentar, divulgar e atrair novos fãs para a comunidade, tanto em espaços públicos, quanto na própria internet, esta última especialmente com sites e grupos virados apenas para o Rio de Janeiro. E, de dez anos pra cá, que foi quando a Onda realmente se expandiu, diversos shows de K-pop, atividades coreanas e eventos foram realizados no estado, porque os fãs conseguiram mostrar o grande potencial e número de interessados que existe aqui. Muitas das vezes de forma não-oficial, se utilizando apenas de páginas na internet ou de pequenas pesquisas locais, especialmente com votos e concursos para criar esse burburinho. Os primeiros shows realizados aqui no estado provaram o interesse do público, já que, mesmo quando eram apresentações de grupos muito pouco conhecidos no K-pop (alguns destes que às vezes não tinham grande reconhecimento nem mesmo na Coreia do Sul),realizavam apresentações aqui no Rio com um público bem bacana. É um esforço direto da comunidade carioca para esquentar esse circuito.

Público do Hallyu Rio 2019 durante uma atividade sobre dramas sul-coreanos. Crédito: Bruno Antonucci.

A cada atividade, a cada show, a cada recorde de público em eventos que era batido, os produtores de evento, tanto da Coreia quanto de outros estados brasileiros, começaram a ficar mais atentos ao Rio. Até mesmo o Centro Cultural Coreano no Brasil e a própria Embaixada da Coreia começaram a reconhecer o Rio de Janeiro como um estado em potencial para eventos culturais sul-coreanos. Contudo, ainda estamos em um processo de ascensão, eu diria que o Rio de Janeiro ainda não é um polo para quem ama cultura coreana, a gente ainda não tem atividades consolidadas a esse ponto. Obviamente, hoje temos muito mais eventos do que tínhamos antes, mas eu acredito que ainda não sejam o suficiente em comparação a extensão da cultura sul-coreana em si.

Apresentação de cover de canto. Crédito: Bruno Antonucci.

Acho que ainda faltam espaços ligados a isso, talvez um calendário mais organizado de eventos oficiais, não que os que já acontecem não possam ser considerados oficiais, porém é necessário algo mais estruturado na cultura. O Rio de Janeiro possui apenas um evento voltado totalmente para a cultura sul-coreana, que é o Hallyu Rio. Podemos também ver o aumento de cursos de coreano na cidade e no estado como um todo, coisa que a alguns anos atrás nem existia. Então, em resumo, acredito que o Rio de Janeiro já tem alguns espaços para o consumo da cultura coreana, mas ainda precisa melhorar. E, como produtor de evento, não tenho dúvidas que, para esse tipo de evento, o Rio de Janeiro é um lugar que vale a pena ser explorado.

O Meet Kpop Rio virou um espaço online reconhecido na cena carioca de cultura pop sul-coreana, como foi a concepção e desenvolvimento desse projeto?

DP: O Meet Kpop Rio nasceu com o objetivo de juntar pessoas com um mesmo interesse e cresceu graças aos fãs. Eu sempre fui muito fã e dessa forma tentei me conectar com outros fãs, algo natural, além disso foi graças ao K-pop que descobri minha vocação profissional que é a de trabalhar com cultura, pessoas e eventos, o que ajudou nesse processo. Então, o Meet Kpop surgiu dessa união de interesses. Aproveitamos das trocas com os fãs e nos focamos em aumentar essa comunidade aqui no Rio de Janeiro, assim o Meet Kpop se formou,como um espaço online de troca com os fãs cariocas e também um lugar para organização de eventos físicos virados para essas mesmas pessoas. Hoje são mais de 14 mil fãs na página, além de grupos no Facebook.

FlashMob Viva Coreia realizado pela Meet Kpop RJ em parceria com o Centro Cultural Coreano para as Olimpíadas Rio 2016. Crédito: Meet Kpop.

Quais são as demandas, obstáculos e recompensas de produzir um evento que tenta dar conta de tantas vertentes da cultura pop sul-coreana, especialmente sendo o único de grande porte no Rio de Janeiro? Como se configura o público que participa do Hallyu Rio?

DP: Pra começar, aqui no Rio de Janeiro nós temos poucos lugares oficiais para pesquisar informações sobre a Coreia do Sul. Então, fazer um evento sobre a cultura sul-coreana sem ter nunca ido até o país ou até mesmo sem ser um coreano-brasileiro, como é o meu caso, foi uma tarefa bem difícil. Elaborar um evento sobre uma cultura que não é a nossa demandou muita responsabilidade, por isso convidamos pessoas que tinham grande conhecimento a respeito da cultura sul-coreana e fizemos muitas pesquisas, tanto através de trocas em reuniões, quanto através de contatos com o Centro Cultural Coreano e a Embaixada da Coreia, até mesmo para confirmar informações a fim de não pisarmos em falso. Sempre tivemos essa grande preocupação, mesmo em meio a dificuldade de conseguir informações concretas. E, sendo o único evento sobre cultura sul-coreana no Rio de Janeiro, o público sempre nos confirma o grande interesse existente em nosso estado na Onda Coreana e na cultura da Coreia do Sul. Então, pra gente é um prazer pesquisar e disponibilizar a essas pessoas mais conhecimentos sobre uma cultura que os fãs amam tanto.

Apresentação de Taekwondo pelo Grupo Crescer no Hallyu Rio. Crédito: Bruno Antonucci.

O público do Hallyu Rio muitas da vezes nunca vivenciou a cultura sul-coreana para além do entretenimento, já que, aqui no Brasil, para você experienciar uma parte da Coreia do Sul você precisa ir até São Paulo, onde há restaurantes e centros culturais, ou, para quem pode, ir para a própria Coreia. Por isso, o público do evento é carente e sedento por esses conteúdos. Então, a gente (eu, Monica Velozo e Sergio Menezes, criadores e produtores do evento) tenta trazer um pedacinho da Coreia do Sul especialmente através das vertentes que temos menos contato aqui no estado, como as roupas tradicionais (hanboks) e a culinária, já que aqui no Rio temos poucos restaurantes de comida coreana, até hoje são apenas dois e ficam localizados em locais distante e de acesso restrito para boa parte desse público.  

O Hallyu Rio já estaria em sua quarta edição presencial este ano se não tivesse acontecido a pandemia de COVID-19. Desde 2015, quando aconteceu o primeiro evento, quanto e como o evento e seu público mudaram? Existem também mudanças no reconhecimento e credibilidade do Hallyu Rio no cenário cultural do Rio de Janeiro?

DP: De 2015 a 2020 mudou bastante coisa. Aqui no Rio sempre tivemos uma grande dificuldade de encontrar espaços para eventos, especialmente os de K-pop, porque é comum as casas de show pedirem informações sobre o conteúdo do evento e a gente depende que eles confiem no potencial do evento dar certo. Além da questão da precificação, já que, quanto mais duvidoso o público de um evento é, mais caro pode ser o aluguel daquele espaço. Então, de 2015 pra cá, a gente conseguiu provar a força da Onda Coreana no Rio e do próprio evento Hallyu Rio, como o público é forte e crescente, então isso repercutiu junto às casas de show, facilitando que conseguíssemos espaços para a realização desses eventos. Tanto que, hoje, nós realizamos o Hallyu Rio em um dos maiores espaços culturais do Rio de Janeiro, que é o Imperator, uma casa completa em relação a espetáculos e isso foi graças ao portfólio do Hallyu Rio, que comprova grande crescimento de público. Nossa primeira edição contou com público de 500 pessoas, já a última, realizada em 2019, contou com mil. Nosso público dobrou, então precisamos de um espaço duas vezes maior para comportar todos esses fãs.

Covers e produção do Hallyu Rio 2019. Crédito: Bruno Antonucci.

E o público do evento muda sempre, é bastante cíclico, seguem as tendências do K-pop. Normalmente os fãs começam interessados apenas nos K-dramas e no K-pop, depois passam por um processo de amadurecimento para a expansão de seus interesses para todo o universo cultural da Coreia do Sul. Então, é comum um K-popper começar interessado apenas na música, mas com o aumento no interesse cultural, começar a assistir os programas televisivos, estudar o idioma, provar a culinária do país. Então, o Hallyu Rio acaba abraçando interessados na Onda Coreana que estão em diferentes estágios: desde os que estão aficionados apenas no K-pop, quanto aqueles que já estão mergulhados em todo o contexto da cultura sul-coreana que recebemos aqui no Brasil. Há muitas pessoas também que vão ao evento com o objetivo de aprender sobre como fazer intercâmbio estudantil na Coreia ou até mesmo como conseguir entrar no mercado de trabalho do país. Como o Hallyu Rio é um evento anual, a gente percebe como de um ano para o outro as tendências de interesse vão mudando e como a Onda Coreana está sempre conquistando novos adeptos, porque o público se renova, com novos rostos participando em cada edição.

Sobre a credibilidade do evento no cenário cultural do Rio de Janeiro, hoje é inegável o fato que os produtores de evento e as próprias casas de show já têm consciência da força do K-pop no nosso estado e em todo o país. Festas noturnas, por exemplo, atualmente buscam DJs especializados em música pop sul-coreana, porque sabem que existe essa demanda muito forte do público jovem. Sem dúvidas, o reconhecimento dessa cena e da força da Hallyu é bem expressiva e bem vista hoje em dia.  

Espaço no evento Hallyu Rio para provar a vestimenta tradicional coreana, o hanbok. Crédito: Bruno Antonucci.

Os concursos de cover de dança e canto são expoentes entre os fãs de K-pop no Rio de Janeiro, como se estrutura esse recorte de fãs por aqui? Os covers continuam sendo a grande base dos eventos de K-pop?

DP: O K-pop continua sendo a grande força da Onda Coreana e essa vertente carrega muita coisa com ela, como o estilo e as coreografias. Os fãs tentam interagir com o K-pop de todas as forças possíveis e a dança é a que mais os conecta com essa música. Além disso é uma arte, atraindo até mesmo pessoas de fora do fandom, que se atraem pela qualidade dessas coreografias e expressões. O que acaba, é claro, sendo um chamariz para a Onda Coreana. Os covers agregam muitos fãs brasileiros e até por isso que os concursos de cover nos eventos sobre cultura sul-coreana aqui no Rio acabam sendo pontos altos e importantes para o público.  

Você é coordenador da Escola de Coreano, como você tem percebido a demanda pelo idioma sul-coreano no estado?

DP: O interesse desses alunos começa normalmente pelo consumo de K-pop e K-dramas e a partir disso surge o interesse em estudar o idioma. A faixa etária abrange desde os mais jovens, com 13 anos, até os mais velhos, que na terceira idade se interessam nos dramas coreanos e querem aprender esse novo idioma. Em geral, os alunos mais jovens querem aprender o coreano para expandir seus conhecimentos para poder consumir melhor a Hallyu, até mesmo para tentar fazer um intercâmbio na Coreia do Sul ou tentar trabalhar em uma empresa sul-coreana no Brasil. A Onda Coreana intensificou o interesse pelo idioma no estado, sem dúvidas.

Os eventos de K-pop nos últimos anos têm se distanciado dos bairros da Zona Sul e se aproximado especialmente da Baixada Fluminense, Zona Norte e São Gonçalo. Como você enxerga esse deslocamento e o próprio consumo da Hallyu nesses espaços? Você acredita que o subúrbio é um espaço plural que abraçou o K-pop aqui no estado?

DP: Esse distanciamento da Zona Sul tem acontecido aqui no Rio de Janeiro de forma natural, uma vez que os eventos vão ao encontro dos fãs e suas demandas. Antes os eventos eram realizados em bairros mais “reconhecidos” no Rio de Janeiro, como os da Zona Sul, por uma simples falta de pesquisa sobre onde a maioria desses fãs se encontravam aqui na cidade. Então, com o levantamento desse público, percebemos que ele se encontrava no subúrbio do que na Zona Sul. Por esse motivo, os eventos começaram a se enraizar nesses espaços, que claramente abraçaram o K-pop no Rio de Janeiro.

Você acredita que o consumo carioca da cultura pop sul-coreana esteja se desligando dos espaços da cultura pop japonesa, como, por exemplo, os eventos de anime?

DP: O grande divisor de águas para o desligamento mais concreto entre os consumos cariocas de cultura pop sul-coreana e o de japonesa foi exatamente a criação do Hallyu Rio. Antes dele não existia nenhum grande evento de cultura pop sul-coreana que não fosse interligado à cultura pop japonesa, porque antes existia uma descrença dos produtores, e até mesmo do público, se um evento só de cultura pop sul-coreana se sustentaria aqui no Rio de Janeiro. O Hallyu Rio, então, veio para comprovar esse potencial e consolidou essa divisão. É claro que ainda existem vários outros eventos pelo estado que continuam mesclando esses dois universos, especialmente eventos de anime que possuem espaços especiais para a Hallyu, já que os produtores desses eventos percebem o potencial lucrativo dessa fusão. Contudo, hoje, os kpoppers cariocas não são mais dependentes desses espaços, já que o Hallyu Rio, o Meet Kpop e outros eventos de cultura sul-coreana são realizados periodicamente por aqui.

Quais serão os próximos passos para que a cena do K-pop no Rio de Janeiro possa se aproximar desse epicentro cultural no país, que é o estado de São Paulo? Existe diferença de apoios da embaixada e consulado da Coreia do Sul no Brasil em relação aos eventos de cultura sul-coreana no Rio de Janeiro em relação a outros estados?

DP: A diferença é enorme. Desde a primeira edição do Hallyu Rio, em 2015, que a gente busca contato e apoio com centros culturais do governo da Coreia aqui no Brasil, mas ainda é um processo muito difícil. Sem um órgão oficial da Coreia do Sul no Rio de Janeiro, fica difícil provar a eles a força do público carioca. É claro que já realizamos diferentes eventos ligados à Embaixada e ao Centro Cultural Coreano aqui, mas ainda não temos uma intermediação mais fixa para esses assuntos. Acredito que o Rio de Janeiro tem grande potencial de sediar espaços oficiais de cultura sul-coreana, assim como eventos de grande porte, o que falta é atenção desses órgãos. A verdade é que todos os outros estados, excetuando apenas São Paulo, passam pelos mesmos problemas que a gente. A cidade paulista recebe a grande parte e atenção desses eventos oficiais por causa da concentração de coreanos-brasileiros no estado e dos próprios espaços culturais especializados em Coreia do Sul, assim como Brasília, que também tem destaque, uma vez que a embaixada da Coreia do Sul se encontra lá. Os outros estados, como o Rio de Janeiro, ficam à mercê dos produtores locais, que dependem de conquistar reconhecimento a fim de serem ouvidos por essas organizações coreanas aqui no país. Então, os próximos passos estão em fortalecer a comunidade carioca para apresentar ao resto do país o potencial do Rio de Janeiro como um polo de consumo da Hallyu, só assim a gente poderá criar um espaço deslocado de São Paulo.

Encontro Kpop realizado pelo Meet Kpop e pelo Shopping Nova América em 2019. Crédito: Meet Kpop.

Signal: quando o passado e o presente se entrelaçam em uma complexa narrativa de perseguição

Por Mayara Araujo

Histórias nas quais as temporalidades se conectam e promovem uma série de modificações no tempo presente ou futuro não são pouco usuais. Em uma referência um pouco mais clássica da ficção científica, poderíamos citar a trilogia De volta para o futuro, dirigido por Robert Zemeckis. Em 2004, observamos o sucesso de bilheteria de Efeito Borboleta. Até mesmo dramas românticos que intercalam temporalidades foram criados, como Questão de tempo em 2013. A própria série alemã Dark é um complexo e instigante prato cheio para aqueles que se interessam pela temática. No entanto, poucas narrativas foram tão bem estruturadas e repletas de emoção como observamos no drama de televisão sul-coreano, Signal, exibido pela tvN em 2016. Antes de prosseguir, é importante deixar escrito que esse K-drama vai levar o seu sono embora ao longo dos alucinantes 16 episódios.

Nas últimas décadas, observamos o levante cultural da Coreia do Sul através de sua música pop (K-pop) e seus dramas de televisão (K-dramas), que tem conquistado uma expressiva audiência global e se tornado pauta de discursos midiáticos e trabalhos acadêmicos. Recentemente, com o estrondoso sucesso de Parasita de Bong Joon-Ho que conquistou diversos prêmios cinematográficos, dentre os quais o Oscar de melhor filme, também tem colaborado para pluralizar e complexificar as imagens que circulam da Coreia do Sul além-mar. Nesse sentido, produções televisivas como Signal, que fogem à lógica dos K-dramas com roteiros majoritariamente centrados em um romance, se destacam no catálogo da Netflix brasileira. 

A quinze anos atrás, uma criança foi sequestrada e, dias depois, foi encontrada morta. A polícia não conseguiu resolver esse crime. No entanto, Park Hae Young (Kim Hyun Bin), a versão ainda criança do protagonista, viu a mulher que havia levado sua colega de classe embora. A polícia não lhe deu ouvidos. Em paralelo, seu irmão de 18 anos é acusado de um crime que ele acredita ser impossível de ter cometido. Após cumprir sua pena, Park Seon Woo (Chani) comete suicídio. Desde então, Park Hae Young não confia nas forças policiais sul-coreanas. Quinze anos depois, em 2015, nos encontramos novamentes com Park Hae Young (Lee Je Hoon), um policial cuja especialidade é fazer um perfil psicológico dos criminosos. Um dia, ele encontra um walkie-talkie sem bateria, que possibilita que ele entre em contato com o passado (2001, 1997, 1985 e outros anos) do policial Lee Jae Han (Jo Jin Woong), que está desaparecido desde 2001, após ser acusado de corrupção. Assim, Hae Young consegue informações privilegiadas sobre o passado e, principalmente ao lado da líder de equipe Cha Soo Hyun (Kim Hye Soo), eles abrem novas investigações sobre os crimes passados que a polícia não conseguiu resolver.

Crédito: doramaworld.blogspot.com

Já no passado, a recém-contratada policial Cha So Hyun é designada para o mesmo setor de Lee Jae Han, sendo apresentada como uma “mascote” por ser a primeira mulher do departamento. Causando certo alvoroço dentre os demais policiais que ficam sem jeito de receber uma mulher no local de trabalho, Lee Jae Han se mantém intacto aos seus princípios e continua se comportando da mesma forma independentemente de uma presença feminina. Não tarda, portanto, para que os dois passem a trabalhar juntos e a desenvolverem uma forte amizade – que poderia se transformar em algo mais. Ali, os colegas de trabalho têm observado que Jae Han anda sempre apegado a um walkie-talkie velho, mas que ele alega “dar sorte”. Assim, Jae Han começa a se envolver com casos obscuros e a apontar o dedo na cara de policiais e outros representantes poderosos e, evidentemente, passa a incomodar muita gente. Em paralelo, existe uma disputa política ocorrendo e o chefe do departamento é transferido para outra cidade, abrindo espaço para a chegada do supervisor Kim Beom Joo (Jang Hyun Sung). Beom Joo é o típico caso de sucesso misterioso: ascendeu a cargos gradativamente mais poderosos rapidamente, além de nutrir relações obscuras com representantes políticos e donos de empresas multimilionárias.

Como todo clichê do gênero, ao se interferir no passado, o presente sofre modificações e isso se transforma em um grande dilema para o protagonista. Até que ponto é positivo que ele esteja em contato com Lee Jae Han? Vale a pena salvar a vida de uma vítima se outra pessoa morre em seu lugar? É prudente interferir no passado e arriscar uma mudança drástica no momento presente? Sem dúvida, as transformações ocorridas ao longo desses fluxos temporais colocam em xeque a consciência de Hae Young. No entanto, a situação se complica no momento em que o detetive Hae Young se depara com situações de seu próprio passado que ficaram pendentes.

Já Cha Soo Hyun mudou muito nos últimos quinze anos. De uma policial sem experiência e que frequentemente se assustava com os acontecimentos cotidiano, se transformou em uma mulher extremamente forte, pronta para liderar uma equipe com maestria, mesmo sob desconfiança de outros policiais homens do departamento. Cha Soo Hyun desenvolve uma certa afeição por Hae Young, embora desconfie de suas ações e sabedoria que são pouco explicadas, em virtude de estranhas conversas em um walkie-talkie. Em 2015, a detetive continua em busca de seu antigo parceiro Jae Han, desaparecido em 2001. Eventualmente, com apoio de Hae Young, ela pôde reencontrar os restos mortais de Jae Han no necrotério da polícia. O que levou Jae Han à morte? Mais uma vez, interferir no passado se torna urgente para que o presente não seja um ambiente de tanto sofrimento.

Crédito: Asianwiki.com

De volta à sua juventude, Hae Young presencia a prisão de seu irmão mais velho, Park Seon Woo, acusado de participar de um estupro coletivo de uma colega de classe. Após pegar alguns meses de detenção e sendo Seon Woo o único punido pelo crime, o rapaz retorna para casa e encontra uma família desestruturada. Dias depois Hae Young encontra seu irmão desacordado, envolto de sangue. Teria Seon Woo cometido suicídio? A polícia sul-coreana teria sido incapaz de investigar o crime corretamente, levado Seon Woo a desistir de tudo agora que seu nome fora manchado? Qual a correlação entre Jae Han e Seon Woo? O que existe escondido nesse passado injusto e turbulento?

Em uma série de reviravoltas, por vezes surpreendentes, e atuações simplesmente brilhantes, Hae Young, Lee Jae Han e Cha Soo Hyun desafiam a macroestrutura policial da Coreia do Sul, ora reescrevendo o passado e lidando com as consequências no presente e ora constatando que há situações que não devem ser revertidas. Juntos, a equipe de “cold cases” garantem que o futuro/presente de Lee Jae Han seja mais brando. Ou será que nem tanto?

Crédito: viki.com

Ficha técnica:

País: Coreia do Sul | Direção: Kim Won Suk | Roteiro: Kim Eun Hee | Atores: Lee Je Hoon, Kim Hye Soo, Jo Jin Woong, Kim Won Hae, Jang Hyun Sung, Chani, Kim Hyun Bin| Episódios: 16 |  Ano: 2016. 

Novo álbum do BTS bate recorde de vendas na história do K-POP

Via Koreapost

Map of the Soul: 7, o novo álbum da boy band BTS, vendeu mais de 4,11 milhões de cópias nos primeiros nove dias de seu lançamento no mês passado, tornando-se o álbum mais vendido na história pop coreana. Levou nove dias para o novo álbum quebrar o recorde anterior de vendas de quase 3,4 milhões estabelecido pelo próprio álbum do BTS, Map of the Soul: Persona, lançado em abril do ano passado.

Crédito: Yonhap.

As vendas totais do “7” nos primeiros nove dias alcançaram 4.114.843 cópias, de acordo com a Big Hit Entertainment. O novo número de vendas também substitui os recordes de maior venda mensal e anual em 3,23 milhões e 3,72 milhões, respectivamente, estabelecidos por “Persona”, marcando uma carreira alta para a banda nas vendas de álbuns, disse Big Hit.

O álbum “7” lidera a parada de álbuns da Billboard 200 a algumas semanas, fazendo com que a banda conquistasse seu quarto número 1 na parada de álbuns. Aproveitando os bons ventos, o canal a cabo coreano Mnet, voltado para o K-POP, lançou um vídeo de entrevista do BTS no YouTube, para marcar o 25º aniversário do canal de música.