I Jornada Afroasiática de História da UNIFESP promove CineDebate com o filme de terror japonês “Kairo”

Via Revista Intertelas

No dia 10 de dezembro, durante a programação, gratuita e online, da I Jornada Afroasiática de História da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), das 19h às 20h30, será realizado um CineDebate sobre o filme de terror japonês “Kairo” (2001), de Kiyoshi Kurosawa, com a professora e pesquisadora Marina de Jesus Amaral Spíndola. Segundo ela, a escolha desta obra deu-se, principalmente em razão de sua temática bem contemporânea. “Não é um terror da zona rural, mas citadina. ‘Kairo’ abarca as duras relações interpessoais japonesas, além de apresentar como a tecnologia jamais poderá suprimir os anseios pessoais dos indivíduos. Isso colabora com uma espécie de reflexão sobre o nosso próprio momento histórico e contexto global, dada a pandemia“, explica.

Crédito: I Jornada Afroasiática de História Unifesp.

Spíndola é licenciada em história pelas Faculdades Metropolitanas Unidas e mestranda em história cultural na Universidade Federal de São Paulo. Participa do Laboratório de Estudos Orientais e Asiáticos (UNIFESP), do Grupo de Estudos Arte Japonesa (UNIFESP) e do Laboratório de Pesquisa sobre Culturas Orientais (UEL). Dentre seus temas principais de pesquisa estão: cinema japonês, rituais e pós-guerra, além de ter interesse em sistema tradicional familiar do Japão (sistema ie) e pela tradição cultural nipônica.

I Jornada Afroasiática de História da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), conforme informado, surge como uma proposta de colocar em pauta temáticas relacionadas às áreas de História da África e História da Ásia, compreendendo que estas são frequentemente marginalizadas nos currículos acadêmicos, mesmo que sendo de grande relevância para o campo intelectual do sul global. O evento é fundado com a esperança de continuidade nos anos que se seguem, a fim de ampliar e somar com as discussões do campo afroasiático e suas diásporas. Siga a programação do evento e faça sua inscrição pelo site da I Jornada Afroasiática de História da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Simpósio Temático “Estudos Asiáticos e Culturas Orientais” da XIX Semana de História da UFG recebe comunicações até 28/11

De 7 a 11 de dezembro acontece a XIX Semana de História da Universidade Federal de Goiás. Entre uma de suas atividades está o Simpósio Temático “Estudos Asiáticos e Culturas Orientais”, organizado por Gustavo Oliveira, pesquisador do Centro de Estudos Asiáticos da Universidade Federal Fluminense (CEA-UFF).

Até 28 de novembro, o simpósio está recebendo comunicações. A iniciativa visa reacender a discussão sobre o espaço do tema nos eventos acadêmicos brasileiros. O evento será totalmente online. Os interessados devem realizar sua inscrição gratuitamente pelo site: https://www.even3.com.br/xixsemanadehistoriaufg/

Crédito: XIX SEMANA DE HISTÓRIA – UFG

“Jornada Visões da Ásia” chega a sua segunda edição

Em 17 e 19 de novembro, sempre a partir das 10h da manhã (horário de Brasília), será realizada a segunda edição da “Jornada Visões da Ásia”. O tema escolhido, “Escrever a Ásia Moderna”, visa incentivar o debate sobre os grupos de pesquisa e iniciativas da área, e os métodos e temas da escrita da história da Ásia moderna no Brasil.

Esta uma iniciativa da comissão organizadora formada por Margareth Gonçalves (UFRRJ), Célia Tavares (UERJ), Patrícia Faria (UFRRJ), Rozely Vigas (Unicamp) e Romulo Ehalt (JSPS / Universidade Sophia). Para realizar a sua inscrição, acesse e preencha o Formulário do Google Docs. Para outras informações, envie e-mail ao seguinte endereço: visoesdaasia@gmail.com

Crédito: The Trustees of the British Museum (https://www.britishmuseum.org/collection/image/166897001
Crédito: The Trustees of the British Museum (https://www.britishmuseum.org/collection/image/166897001

Programa CEA-Convida vai entrevistar equipe da Revista PRAJNA e conversar sobre o lugar dos estudos asiáticos nos periódicos nacionais

No próximo dia 27/10 (3a-feira), às 19h30, o CEA Convida, na sua primeira edição, vai promover uma conversa sobre o lugar dos estudos asiáticos nos periódicos nacionais, com o editor chefe da Revista PRAJNA – Revista de Culturas Orientais, professor e doutor Richard Gonçalves André e membro da equipe editorial da Prajna e pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Culturas Orientais (LAPECO) da Universidade Estadual de Londrina Flávio Oliveira. Nas perguntas, Alessandra Scangarelli Brites, editora chefe da Revista Intertelas e pesquisadora do Grupo de Pesquisa de Mídia e Cultural Asiática Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (MidiÁsia-UFF), e Mateus Nascimento, pesquisador do Centro de Estudos Asiáticos-UFF e do MidiÁsia-UFF, conduzem esse papo, que conta com apoio da monitora Clarissa Amorim (CEA-UFF).

Crédito: Facebook CEA-UFF.

As origens sociais da ditadura e da democracia, na Ásia (!) por Barrington Moore Jr

Por Mateus Nascimento

Muitas pessoas questionam a possibilidade de se estudar a Ásia. Elas alegam a falta ou inexistência de materiais em nossa língua, mas, como já dissemos aqui, isso é fruto de uma desinformação quanto aos esforços transnacionais de países asiáticos para a publicização de seus pesquisadores e de suas produções científicas. Existem variados materiais oriundos dos países asiáticos já traduzidos para nossa língua. Contudo, talvez seja uma condição de desinformação também relacionada a pouca observância de textos tradicionais que abordam temas asiáticos. Esse é o caso da pouco mencionada segunda parte do livro As origens sociais da ditadura e da democracia, do sociólogo Barrington Morre Jr. 

Escrito originalmente em 1967, o livro trata dos tipos de relacionamento que tiveram senhores e camponeses no decorrer da história, buscando pensar como os interesses de classe se chocaram na construção da modernidade nas mais variadas realidades analisadas. Especificamente os textos dessa segunda parte se preocupam em explicar as formas pelas quais China e Japão chegaram ao mundo moderno, entendido aqui como o estágio do desenvolvimento industrial.

Capa do livro (foto do autor).

Para Moore, a pesquisa histórica comprova a existência de três formas de passagem do mundo pré-industrial para o mundo moderno: 1. Revolução burguesa, que termina numa aliança entre o capitalismo e a democracia do tipo ocidental. 2. Revolução “de cima” (ou pelo alto em algumas traduções), via capitalista-reacionária, que termina no fascismo. 3. Revolução camponesa, que termina no comunismo. Os três tipos são acompanhados de casos, pois a sua escrita visa comprovar a utilidade da sociologia comparativa norte-americana – sociologia histórica comparativa para alguns – que propõe a análise comparada como método elucidativo mais potente.

Assim, primeiramente, para a China, o caminho da revolução camponesa estava dado pela condicionante da pobreza no próprio campo: Sua situação econômica ficou abalada com o abandono de determinados tipos de plantação, com a quebra dos sistemas de irrigação, aumento do desemprego agrícola causado, sobretudo, pois o setor foi atingido pela concorrência dos têxteis e outros produtos mais baratos do Ocidente. Além disso, podemos citar o consumo do ópio que os ocidentais e depois os japoneses distribuíram desagregou a moral e dissuadiu os camponeses de buscar melhorias, pois os índices de dependência atingiram cifras absurdas no período final do governo imperial.

Logo, a própria atuação do Partido Comunista Chinês sobre esse cenário de miséria e decadência não foi suficiente para provocar transformações profundas, segundo Moore. O Partido fundado em 1921, somente após a ruptura com Tchang-Kaichek em 1927, abandonou a estratégia ortodoxa de apoiar-se no proletariado para a tomada do poder e voltou-se para as massas camponesas.

De forma decisiva, a invasão dos japoneses e seus métodos de ocupação causaram preocupação entre os proprietários e funcionários do Kuomintang, os quais partiram do campo para novos estilos de vida nas regiões mais urbanizadas. Os japoneses cumpriram duas grandes etapas: eliminaram as antigas elites e fizeram nascer a solidariedade dos oprimidos. A guerra agravou uma situação revolucionária e a fez amadurecer.

Sobre o Japão, ficamos sabendo que a Restauração Meiji que derrubou o shogunato deveu-se a uma aliança entre uma parcela da nobreza e comerciantes conservadores temerosos da concorrência ocidental. O governo Meiji tomaria medidas importantes para refazer o Japão à imagem de uma sociedade industrial: criar um Estado centralizado e uma economia industrial. Os feudos tornaram-se unidades administrativas sob a direção do governo central, foi proclamada a igualdade perante a lei, foram suprimidas as barreiras locais que freavam o comércio e as comunicações, foi autorizada a aquisição de terras.

Barrington Moore Jr. (Foto da Wikipedia)

A ausência de revolução camponesa no Japão pode ser explicada por três razões fundamentais. O sistema fiscal dos Tokugawa parece ter deixado aos camponeses um excedente cada vez maior. Em seguida, contrariamente à da China, a sociedade rural do Japão era marcada por ligações estreitas entre a comunidade camponesa e o senhor feudal, mais tarde com seu sucessor, o proprietário agrícola. Enfim, as instituições sociais-rurais japonesas adaptaram-se muito bem à agricultura comercial com a ajuda de mecanismos de repressão, herdados do antigo regime, unidos aos novos, exigidos pela sociedade moderna.

Enfim, ele diz na introdução sobre seu projeto: “Quando se procura compreender a história de um país numa ótica comparativa, se é levado a levantar questões frutíferas e novas (…) e a comparação pode conduzir a novas generalizações históricas (…) poder-se-ia comparar as generalizações bem feitas a um desses mapas de grande escala que os navegadores aéreos usam para atravessar os continentes (…). É exatamente o que eu vou tentar fazer agora; vou traçar em grandes traços um esboço de minhas descobertas para dar ao leitor um primeiro apanhado do terreno onde nós vamos aventurar juntos.”

Recomendamos a leitura ^^

Ficha técnica:

Título: As origens sociais da ditadura e da democracia: senhores e camponeses na construção do mundo moderno.

Autor: Barrington Moore Jr.

Lisboa, Edições Cosmos; Santos, Livraria Martins Fontes.

Ano: 1975 (edição)