5ª edição do Festival “Tesouros do Japão” traz novas atrações em sua primeira versão online

Via Revista Intertelas

A quinta edição do Festival Tesouros do Japão, terá sua estreia online nos dias 26 e 27 de setembroa partir das 18h no Canal Tesouros do Japão no YouTube, gratuitamente. A programação conta com diversos temas alusivos à cultura nipo-brasileira e entrevistas com convidados ilustres, figuras importantes que contribuem com a difusão da cultura japonesa no Rio de Janeiro e também em outros estados. O evento também terá a presença de convidados que vão falar diretamente do Japão.

Entre as exibições dos talks shows, ocorrem performances artísticas, oficinas de origami e culinária. Conforme salienta a curadora do festival Ana Brites, esta iniciativa é uma grande  homenagem aos 125 anos da Amizade Brasil-Japão e aos que 112 anos da Imigração Japonesa.

Portanto, o objetivo principal é divulgar a cultura nipo-brasileira e inspirar, através das virtudes e hábitos dos japoneses, o público brasileiro que está em casa nesse período de pandemia. Na abertura que aborda a amizade centenária de Brasil e Japão, o festival contará com a participação de convidados especiais: o Cônsul-Geral do Japão no Rio de Janeiro Tetsuya Otsuru, o presidente do Instituto Cultural Brasil Japão (ICBJ) Sohaku Bastos e o presidente da Rio Nikkei e Renmei Minnoru Matsuura.

O festival exibirá um tour virtual da exposição Tesouros do Japão que apresenta cenografia inspirada em ícones da Cultura Japonesa, templo, ponte, cerejeiras, samurai arqueiro, bonecas japonesas, obras de arte, além de apresentações e oficinas que prometem levar o visitante virtualmente a uma viagem fascinante pela Terra do Sol Nascente. De acordo com a organização do evento, este projeto é viabilizado através do Incentivo Cultural do  Imposto Sobre Serviços (ISS RJ), com o patrocínio da Administradora de Bens (BAP)Odontologia Diagnóstica (DATA X) e Escola Carolina Patrício, além do apoio institucional da Japan Foundation, do ICBJ, da Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro (RENMEI), da Associação Nikkei do RJ (RIO NIKKEI), do Grupo de Estudos sobre o Japão da Universidade Federal Fluminense (GEHJA-UFF) e a parceria com a Quickly Travel – Japan Travel Bureau (JTB)Hawk e Buzzline.

Confira a programação na íntegra

Dia 26 de setembro  – a partir das 18h 

Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.

Dia 27 de setembro  – a partir das 18h 

Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.

Entrevista com Tetsuya Otsuru, o Cônsul-Geral do Japão no Rio de Janeiro: “A China é um dos parceiros mais importantes para o Japão”

Por Alessandra Scangarelli e Mateus Nascimento (via Revista Intertelas)

O cônsul-geral do Japão Tetsuya Otsuro. Crédito: Facebook do Consulado Geral do Japão.

Nos últimos anos, o continente asiático passou por diversas mudanças com a ascensão econômica e política de países como Japão, Coreia do Sul e mais recentemente, a China. A Ásia Oriental é a região central em torno dessas mudanças. O Japão, uma das nações pioneiras em tais mudanças é um ator estratégico para compreendermos melhor como ocorrem as relações políticas e econômicas desta parte do mundo, em especial sua cooperação com países como China, as Coreias e Rússia.

Levando em conta este cenário, a Revista Intertelas solicitou ao cônsul-geral do Japão no Rio de Janeiro Tetsuya Otsuru, que respondesse algumas perguntas. Aqui o diplomata esclarece questões sobre as relações entre Japão e seus vizinhos, sobre os desafios que a sociedade japonesa enfrenta hoje, como o fato do país estar adaptando-se à pandemia do coronavírus e ele ainda conta sobre sua atuação nas redes sociais, promovendo uma aproximação inédita do consulado com o público local. Confira a entrevista abaixo.

O evento “Impressões do Japão”, parte do “Mês do Japão”, contou com a participação do cônsul geral da China no Rio de Janeiro Li Yang. Crédito: Alessandra S. Brites/Revista Intertelas.

Hoje países como China e Coreia têm maior destaque no cenário internacional, como acha que o Japão poderia colaborar com ambos, para uma maior estabilidade no Leste da Ásia?

A China é um dos parceiros mais importantes para o Japão. Antes da pandemia eclodir, houve contatos de alto nível entre os chefes de governo e ministros das relações exteriores. Além disso, havia iniciativas conjuntas em desenvolvimento nas áreas de esporte e cultura.

Nossas relações econômicas com a China são muito fortes, especialmente em comércio e investimento. Nossos países são interdependentes. O caminho é seguir construindo uma relação ainda mais sólida e madura, além de ampliar e aprofundar os contatos nas mais diversas áreas, contribuindo para a prosperidade na Ásia e no mundo.

Na relação com a Coreia do Norte, assinamos em 2002 a Declaração de Pyongyang, onde concordamos em resolver de forma abrangente os temas pendentes, como os sequestros, o programa nuclear e os misseis balísticos, visando normalizar as relações diplomáticas. Porém, sem solucionar a situação dos sequestros, não será possível alcançar a normalização das relações com a Coreia do Norte.

A Rússia é outro país estratégico para a Ásia Oriental, vizinha do Japão e que nos últimos anos retorna a fortalecer a sua posição no cenário internacional. As pessoas em geral pensam que a relação Japão-Rússia é marcada somente por conflitos. Sabemos que não é. Que exemplos de cooperação entre os dois países o senhor destacaria? 

 É verdade que existem algumas questões abertas com a Rússia como a de território. Por outro lado, é frequente a comunicação de alto nível, entre chefes de governo e ministros das relações exteriores. Isso faz as relações avançarem em áreas importantes como segurança e intercâmbio de profissionais e jovens.

Como exemplo do objetivo de ampliar as trocas entre os países, e como consequência de acordo bilateral com a Rússia, em 2018 e 2019 ocorreram o “O ano do Japão na Rússia” e “O ano da Rússia no Japão”. Foram mais de 600 eventos relacionados a esse calendário e 1,6 milhões de pessoas participaram.

Em 2018 e 2019, Rússia e Japão realizaram a iniciativa de cooperação cultural “O ano do Japão na Rússia” e “O ano da Rússia no Japão”. Em 2018, o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe lançaram o ano transcultural russo-japonês em uma cerimônia no Teatro Bolshoi em Moscou. Crédito: Prime Minister´s Office of Japan.

A Ásia vem tornando-se um polo econômico bastante forte, o que países como o Brasil, localizados em outras regiões distantes do continente asiático, poderiam aproveitar desta nova realidade que o continente está apresentando ao mundo?

Existe um fórum inter-regional para promover o intercâmbios entre os países dos dois continentes, o Fórum Para a Cooperação do Leste da Ásia e da América Latina (FEALAC). No âmbito da FEALAC são discutidos diversos temas como as experiências de desenvolvimento econômico da Ásia e projetos de cooperação.

A FEALAC é um fórum que não trata só de economia, mas também de programas de intercâmbio cultural e projetos relacionados à mudança climática, em um esforço para aumentar os benefícios mútuos. Queremos seguir utilizando esse foro como um mecanismo para alcançar prosperidade para as duas regiões.

Como o senhor avalia o impacto do grupo BRICS para o mundo? E como o Japão poderia colaborar com eles?

Os países dos BRICS conseguiram desenvolver suas economias empregando seus recursos naturais e mão-de-obra abundantes. Para o Japão, onde temos o fenômeno da baixa taxa de natalidade e do envelhecimento populacional, a força que os BRICS demonstram é muito atraente. Daqui em diante, queremos aprofundar a relação tanto nos canais econômicos, quanto na diplomacia cultural e nas iniciativas de intercâmbio de estudantes e jovens líderes destes países.

O Brasil participou em Santo Domingo da “XX Reunião de Altos Funcionários do Foro de Cooperação América Latina- Ásia do Leste. que celebra os 20 anos do Foro. Crédito: Facebook da Embaixada do Brasil em São Domingos.

Sobre as relações Brasil e Japão, o que o senhor apontaria como bons resultados e o que poderia ser aprimorado?

Como foram realizadas três reuniões entre os chefes de governo no ano de 2019, a relação do Japão e o Brasil está consolidada como nunca antes. Desde 2014, nos baseamos na premissa dos “Três Juntos (Progredir Juntos, Liderar Juntos, Inspirar Juntos)”, com cooperação ativa nas áreas de economia e de programas de intercâmbio. No futuro, queremos desenvolver ainda mais essa relação e ao mesmo tempo, queremos focar em fortalecer os laços com a comunidade Nikkei, descendentes de japoneses, no Brasil, que é maior fora do Japão.

Com o advento do coronavírus, infelizmente, vemos uma onda de preconceito contra asiáticos no ocidente, como o Japão vem respondendo a este desafio?

Antes de surgir na Europa ou América Latina, a expansão de novo coronavírus ocorreu na Ásia. Porém, lamento que isso tenha instigado a discriminação e o preconceito contra os asiáticos, incluindo os japoneses. Aqui no Rio de Janeiro, houve o caso de um estudante asiático que foi agredido com palavras discriminatórias no Metrô. Fiquei muito triste com isso.

 Ao mesmo tempo, vemos o movimento “Black Lives Matter” espalhando-se dos EUA para todo o mundo. O Japão está empenhado em criar um mundo sem discriminação. Acredito que a comunidade internacional pode atuar em conjunto para vencermos esse desafio sem precedentes, da pandemia combinada com a discriminação.

Como o Japão está adaptando-se à realidade do coronavírus, ao mesmo tempo que é a sede das olimpíadas?

Nesse momento em que ainda não temos uma vacina para o coronavírus, a cidade de Tóquio está se adaptando a um novo estilo da vida. No Japão, cada um de nós deve tomar as medidas básicas para não se contaminar, como por exemplo usar máscara e lavar as mãos. O governo também recomenda evitar as aglomerações no dia-a-dia.

Além disso, muitas empresas passaram para os regimes de “home-office” e de reuniões virtuais, como parte deste “Novo Normal”. Infelizmente tivemos essa pandemia em nosso planeta e por isso os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados para o ano que vem. Contudo, nós estamos trabalhando arduamente para criar um ambiente seguro para realizar os Jogos Olímpicos. Creio que em 2021 os Jogos terão um papel de reconfortar a humanidade que este ano está enfrentando esta imensa dificuldade.

Se o senhor pudesse listar, quais seriam os desafios principais que a sociedade japonesa enfrenta neste início de século XXI e como poderia superá-los?

 Um grande desafio que a sociedade japonesa enfrenta é o demográfico, com baixa taxa de natalidade e envelhecimento populacional. Nossa população jovem está diminuindo. Há previsões que mostram que em 50 anos, os idosos com mais de 65 anos de idade serão 40% da população.

Olhando para esse desafio, devemos pensar em alternativas. Há opções possíveis: ampliar a mão-de-obra estrangeira e aprofundar a automação na produção com o uso da inteligência artificial por exemplo.

Por sua vez, essas alternativas nos levam à novas demandas, para alcançar a sociedade da coexistência intercultural e para ter a infraestrutura necessária para a privacidade e a segurança tecnológica. Tomar essas medidas que eu mencionei, de forma simultânea, requer um tratamento cuidadoso desses assuntos, porque eles são complexos.

Crédito: National Institute of Population and Social Security Research.

Você já expressou nas suas postagens que futuramente o Japão pode tornar-se uma sociedade multicultural, em razão do número cada vez maior de imigrantes e seus descendentes que vivem no país. A questão da imigração e do multiculturalismo estão no centro do debate político mundial atualmente, qual a sua visão sobre eles?

A vasta experiência que temos com o Brasil serve de referência para a criação de uma sociedade multicultural no Japão. Cerca de 200 mil brasileiros vivem no Japão, e este é um ano a ser celebrado, pois comemoramos 30 anos da comunidade brasileira no Japão. A cidade anfitriã do Time Brasil durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio será Hamamatsu, na província de Shizuoka, que irá receber o maior número de atletas da delegação brasileira.

Lá tem uma grande comunidade brasileira, com escolas que lecionam língua portuguesa e podemos ver pela cidade placas escritas em português. Podemos desfrutar de churrascarias, eventos de samba com quase o mesmo nível do Brasil. Espero que, tendo como modelo para o governo local a cidade de Hamamatsu, com seu longo histórico em acolher estrangeiros, possamos construir uma sociedade multicultural. Mas ao mesmo tempo, talvez possamos usar como referência a iniciativa do Brasil, que por tanto tempo veio acolhendo os descendentes japoneses.

Normalmente, as pessoas têm uma visão ainda bastante estereotipada sobre o Japão. Isso ocorre tanto no Brasil, quanto em outros países. O Brasil também acaba sofrendo com o mesmo problema. Acreditamos que quando nos conhecemos melhor, menos conflitos são gerados. Como a diplomacia cultural, ou até outras medidas governamentais, poderiam auxiliar a um conhecimento mais profundo sobre os países e suas culturas?

O Brasil possui a maior comunidade japonesa do mundo, e é um país com muitas pessoas aficionadas e conhecedoras do Japão. Por outro lado, dentre os brasileiros comuns, devem ter ainda muitos que confundem as culturas japonesa, chinesa e coreana, não é mesmo?

Uma das nossas funções é a propagação da verdadeira cultura japonesa e regularmente realizamos eventos para apresentar esta cultura. Em fevereiro e março deste ano, realizamos no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro um evento chamado Mês do Japão (veja a reportagem que a Intertelas realizou na abertura do evento). Além da exposição de pôsteres, calendários e peças de origami, fizemos um concerto musical, mostra de filmes japoneses, e workshops de mangá, origami e ikebana, e recebemos muitos visitantes. Depois que passar a pandemia do coronavírus, gostaria de retomar este tipo de evento. Além disso, no momento estamos planejando eventos culturais online.

Ao mesmo tempo, o Consulado-Geral tem como uma de suas importantes funções transmitir corretamente a todas as camadas da sociedade japonesa notícias e informações relacionadas ao Brasil. Acredito que isso contribuirá para corrigir as imagens possivelmente estereotipadas entre os japoneses. Todos os funcionários deste Consulado Geral estão trabalhando nisso, juntos, todos os dias.

Discurso do Cônsul-Geral do Japão no Rio de Janeiro Tetsuya Otsuru durante a cerimônia de abertura do Mês do Japão no Centro Cultural Correios (clique na imagem para ser direcionado para o vídeo no Facebook). Crédito: Facebook Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro.

O Brasil, assim como outros países da América do Sul, tem uma forte influência da cultura europeia e dos Estados Unidos. A Ásia e suas culturas estão também presentes há séculos na região, porém não com a mesma intensidade. Como o senhor avalia o futuro da presença cultural do Japão e da Ásia como um todo no Brasil e na América do Sul?

Como o Brasil tem o histórico de ter acolhido imigrantes de diversos países, recebeu fortes influências culturais de muitos deles, principalmente da Europa. A imigração japonesa começou em 1908, e atualmente há no Brasil uma comunidade japonesa de dois milhões de pessoas. Além disso, também temos o trabalho da comunidade Nikkei que se esforçou para espalhar a culinária japonesa, suas verduras e legumes. Sinto que a presença cultural japonesa aqui não é pequena.

Por outro lado, agora está nascendo a sexta geração de descendentes de japoneses, e a medida que avança a mudança de gerações, o governo japonês busca aprofundar a compreensão do Japão atual, através do programa de convite a nipo-brasileiros na América do Sul. Além disso, nosso Consulado divulga a cultura japonesa através das mídias sociais e eventos culturais.

O senhor gosta um pouco da cultura brasileira. Qual aspecto parece-lhe mais interessante? Tem algum hábito brasileiro que o senhor adquiriu desde que chegou aqui?

Não é um pouco, é muitíssimo! Acho que tem aspectos diferentes e parecidos entre brasileiros e japoneses. Tenho a impressão de que os brasileiros sabem aproveitar a vida muito mais que os japoneses. Pelo menos eu sinto que meu coração se enriquece mais quando estou dançando com todo mundo no Carnaval, ou vendo o sol se pôr na praia de Ipanema, do que se eu estivesse dentro de um trem lotado em Tóquio. No entanto, talvez no que diz respeito à profundidade do “pensar no próximo”, tanto os brasileiros como os japoneses tenham excelência em comparação a outros povos do mundo. Além do mais, nas danças tipo samba, ou então nos dribles de futebol, vocês brasileiros são dezenas de vezes melhores que nós japoneses, sem nenhuma dúvida.

Apesar da pandemia, quais têm sido as ações do Consulado para incentivar o gosto pela cultura japonesa?

O Consulado já costumava postar conteúdos sobre a cultura japonesa ativamente nas redes sociais como o Instagram e o Facebook. Porém com a disseminação da infecção do coronavírus, não foi mais possível realizar eventos com aglomeração e com isso a importância do uso das redes sociais ficou ainda maior. Desde que comecei a trabalhar aqui, comecei a usar o Instagram pela primeira vez. Apresento não só a cultura japonesa, mas também os encantos do Rio e coisas que eu sinto na vida cotidiana. Ficaria feliz que pudessem seguir as nossas redes e aprofundar o interesse pela cultura japonesa.

O senhor é bem articulado nas redes sociais. Como percebe essa relação de um consular com o público mais amplo que lhe acompanha?

Eu comecei a usar o Instagram em novembro do ano passado e estamos com mais de 2.500 seguidores. Tem um limite de pessoas com quem eu posso conversar realmente. É um grande prazer poder interagir através do Instagram com tanta gente e eu ficaria muito feliz se as pessoas que veem as minhas postagens, possam ficar mais alegres na difícil situação que encontramos hoje. Na verdade, se alguém tiver pedido com sugestão de assunto para eu falar a respeito, vou adorar receber comentários. 

“O Cônsul Geral do Japão no Rio de Janeiro no Instagram, o sr. Tetsuya Otsuru, tem cedido o espaço para o chef de sua residência, o sr. Takeo Shingu, para ensinar aos seus seguidores várias receitas de comida japonesa” (clique na foto para acompanhar o Instagram do Consulado Geral do Japão no Rio). Crédito: Facebook Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro.

Quando as pessoas encontram com autoridades japonesas, normalmente acontece de valorizarem muitos aspectos do Japão, comparando-os com a cultura brasileira. Mas, se o senhor pudesse falar de hábitos parecidos entre brasileiros e japoneses, qual ou quais o senhor destacaria?

Aqueles que já visitaram o Japão, talvez possam ter tido a experiência de excelentes recepções e serviços. A esse respeito, acho que a maioria dos turistas que visitam o Rio de Janeiro, um dos principais destinos turísticos do Brasil, são atraídos não somente pelas belas praias e paisagens, mas também pelo sorriso alegre e a gentileza carioca. Penso que como mencionei anteriormente, o termo em comum de “pensar no próximo” existe no fundo tanto para o brasileiro quanto para o japonês.

Entrevistadores:

Alessandra Scangarelli Brites
Editora-chefe da Revista Intertelas, jornalista (PUCRS), escritora, tradutora e pesquisadora vinculada ao MidiÁsia (Grupo de Pesquisa em Mídia e Cultura Asiática e Contemporânea da UFF) e ao Grupo de Estudos 9 de Maio. Especialista em Política Internacional (PUCRS) e Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais (UFRGS). Além de jornalista, trabalhou como assistente de produção e conteúdo em algumas empresas de cinema do Rio de Janeiro

Mateus Nascimento
Colunista da Revista Intertelas, mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense (PPGH-UFF). Graduado em História pela mesma universidade. Pesquisador efetivo do Centro de Estudos Asiáticos (CEA-UFF), do Núcleo de Estudos Tempo Literário do Instituto Cultural Brasil-Japão e do MidiÁsia/UFF – Grupo de Pesquisa em Mídia e Cultura Asiática Contemporânea. Membro da Red Iberoamericana de Investigadores en Anime y Manga (RIIAM) e da Academia Nipo-Brasileira de Estudos de Literatura Japonesa (atuando como seu vice coordenador no triênio 2019-2021)

Edição e pesquisa de vídeos/imagens: Alessandra Scangarelli Brites.

CEA-UFF recebe pesquisadoras para um debate sobre Estudos Japoneses

No próximo sábado, dia 30/05, começando as 15:30 horas, o GT de Estudos sobre Japão do Centro de Estudos Asiáticos da Universidade Federal Fluminense (CEA-UFF) recebe as pesquisadoras Mônica Okamoto (UFPR), Junko Ota (USP), Krystal Cortez (MidiÁsia-UFF) e Mayara Araújo (MidiÁsia-UFF) para um debate sobre as possibilidades de realização de estudos sobre Japão.

Crédito: CEA-UFF.
Crédito: CEA-UFF.

Serão duas seções na quais serão discutidos: os caminhos da pesquisa em Estudos Japoneses (professoras Mônica e Junko) e o audiovisual pop como objeto (professoras Krystal e Mayara).

O evento online terá seu link disponibilizado na manhã do mesmo dia e as inscrição serão encerradas ao 12:00 do sábado.

Inscreva-se em: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSc87ZmdIi9_D-uRSuuj5vpiyZ4hSGnya_5LdCgdwcw_VJ2k7g/viewform

GEHJA oferece minicurso online de introdução à cultura do Kimono

O Grupo de Estudos Japoneses da Universidade Federal Fluminense (GEHJA-UFF) está com inscrições abertas para o minicurso online sobre “Introdução à cultura do Kimono”, que terá duração de três meses. O curso inicia dia 3 de junho, das 15h às 16h.

As vagas são limitadas. O objetivo da iniciativa é “detalhar a história do traje japonês, as mudanças sofridas através das Eras, significado das cores, padronagens e estampas, além de definir os tipos de kimono e as ocasiões de uso. Para tanto, vai-se utilizar recursos como audiovisual e bibliografias complementares“.

Crédito: Facebook GEHJA-UFF.

O minicurso será ministrado pela Prof.ª Luiza Vieira, pesquisadora da área de Moda e Estética pelo Grupo de Estudos Japoneses da UFF, formada em Design de Moda pelo Centro de Tecnologia da Industria Química e Têxtil SENAI-CETIQT.

Hoje, ela assume a coordenação de área referente aos Estudos de Moda & Estética Japonesa na Academia Nipo-Brasileira de Estudos de História & Cultura Japonesa do Rio de Janeiro. Para conhecer a ementa, a forma de inscrição e outras informações, envie um e-mail para: gehja.ceia.uff@gmail.com

NC Curadorias está com inscrições abertas para o curso “Visões da Cultura Japonesa”

Via Revista Intertelas

NC Curadorias está com inscrições abertas para o curso online Visões da Cultura Japonesa, uma série de quatro encontros, com duração de 1h 30 minutos,  sobre história, sociedade, cultura, estilo de vida e literatura japonesa. Os encontros vão ocorrer todas as quartas, 1 a 3 de junho de 2020das 15h às 16h30, pelo aplicativo Zoom – uma ferramenta de videoconferência.

Basta ter um computador ou celular com acesso a internet. Você receberá o link após fazer a inscrição. O objetivo, segundo a assessoria de imprensa da NC Curadorias é “promover um espaço lúdico, terapêutico e acolhedor para leitores e interessados em cultura japonesa de todas as idades. (recomenda-se a participação de todos os interessados acima de 18 anos)“.

As aulas serão ministradas por Mateus Nascimento – mestrando do programa de pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH-UFF) e graduado em História pela mesma universidade (2017). Também é idealizador e pesquisador efetivo do Centro de Estudos Asiáticos (CEA-UFF), pesquisador associado do Núcleo de Estudos Tempo Literário do Instituto Cultural Brasil-Japão e do MidiÁsia/UFF, Grupo de pesquisa em mídia e cultura asiática contemporânea, além de integrar a Red Iberoamericana de Investigadores en Anime y Manga (RIIAM) e da Academia Nipo-Brasileira de Estudos de Literatura Japonesa.

Crédito: Sympla.
Oportunidade especial com inscrições gratuitas ainda em maio

No dia 27 de maio, das 15h às 15h30, uma aula aberta será oferecida aos interessados. É uma oportunidade para já experiênciar como ocorrerão os encontros em junho. Para participar, clique na foto abaixo. 

Crédito: NC Curadoria.

Nélida Capela Curadorias  é uma iniciativa independente de curadoria para organização e produção de eventos, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial para o mercado editorial, produção de conteúdo, edição de livros e revistas, comercialização de livros, ensino de arte e cultura. Para realizar a sua inscrição e ter mais informações sobre o curso em junho, acesse o site do Sympla – Visões da Cultura Japonesa

O Japão desde o Brasil: O próximo e o distante de Renato Ortiz

Por Mateus Nascimento

O próximo e o distante: Japão e modernidade-mundo, escrito por Renato Ortiz, inova ao propor uma espécie de explicação sociológica da aventura da modernidade para além dos referenciais eurocentrados que conhecemos, tendo como objeto heurístico o Japão e a sociedade japonesa.

O livro foi publicado no ano 2000 (editora Brasiliense) e é fruto da elaboração teórica deste autor que desejou problematizar a modernidade e a leitura tradicional que se faz sobre ela. Muitos pesquisadores mais clássicos a pensam como um programa que se expande de um centro europeu para o restante do mundo.

Capa do livro. Créditos: foto do autor.

Por sua vez, Ortiz, após uma estada de aproximadamente 3 meses no Japão, visitando bibliotecas e espaços culturais consagrados em Tóquio, mergulha na história e na cultura dos hábitos para refletir sobre os marcos da modernidade para além das origens europeias do programa, partindo de uma análise das especificidades do trato social japonês.

O estudo dos temas sociais como gosto, modos e cultura tradicional que são pontuados no livro como integrantes da constelação de símbolos do Japão, revela uma concordância (não explícita) de Ortiz com o conceito de intuição poética de Roger Bastide, que dizia que a sociologia só poderia ser renovada e útil se se detivesse no estudo do imaginário do poder e da cultura – as imagens e formas sociais do discurso institucional sobre a tradição – e o inconsciente coletivo, os quais são usados para se compreender sociologicamente um todo articulado de relações e ações. 

Nesse sentido, o trabalho pioneiro de Ortiz se utiliza da história japonesa como a base para compreender a relação da modernidade com a modernização não só no campo econômico, mas também, e sobretudo, no campo cultural. Sociólogo de formação, busca uma explicação da realidade japonesa, e como ele mesmo diz, a toma como “um espaço possível para a leitura do movimento de mundialização da cultura”.

Seu conceito de mundialização é importantíssimo, pois significa a compreensão dos novos alcances da esfera cultural, que se tornou um poder na era das relações globalizadas. A própria questão da identidade como construção segue a lógica dessa sociedade global, na qual existe um fluxo (e, eventualmente, contrafluxos, não-hegemônicos) que atravessa essa construção em si. A partir dessas relações sociais planetárias forma-se um conjunto articulado de comunicação que vai influenciar as formações identitárias e vice-versa.

Aplicando tal perspectiva, o autor comprova a existência de uma manifestação da globalização nas formas pelas quais os hábitos sociais acontecem. Ele se refere aos mesmos hábitos antes de 1868 e após 1945, momentos em que o Japão se encontrou com países-potências. Através desses contatos é possível ver mudanças na realidade japonesa orientadas pela preocupação com o restante do mundo ao mesmo tempo que a permanência de elementos tradicionais no espaço público no séc. XIX e  uma mudança das relações de força, quando o Japão assume o campo da exportação da cultura pop no séc. XX e XXI. Para Ortiz, são movimentos de mundialização da cultura japonesa.

A aplicabilidade do conceito se materializa quando, por exemplo, pensamos o período Meiji, momento crucial para a política japonesa: ali nascia um Japão que precisava se modernizar e se atualizar de acordo com as práticas institucionais existentes no jogo das relações entre potências. Portanto, se pensarmos sobre as continuidades desde o período Meiji até a novíssima era Reiwa – a contemporaneidade – em que o Japão se renova na cena pública global, a leitura de Ortiz é indispensável.   

Ficha técnica:  
Título: O próximo e o distante: Japão e modernidade-mundo.
Autor: Renato Ortiz.
Editora: Brasiliense.
Ano: 2000.  

Shūichi Katō em Tempo e Espaço na cultura japonesa

Por Mateus Nascimento

Se você tem interesse em estudar algum tema relacionado a cultura japonesa e já ouviu dizer que existem poucos livros sobre o país em português – o que inviabilizaria seu estudo segundo essas vozes desinformadas –, te convido a fazer uma leitura fundamental: Tempo e Espaço na cultura japonesa, escrito pelo crítico de literatura e cultura Shūichi Katō (1919 – 2008).

Na obra em questão, o autor parte de dois conceitos fundamentais: tempo, jikan, e espaço, kūkan. Ambos os conceitos são analisados profundamente e para comprovar a forma específica pela qual eles aparecem no Japão, o autor começa com uma comparação com outras sociedades.

Por exemplo: antes de pensar o conceito de tempo no Japão, ele examina o conceito no judaísmo, na Grécia Antiga, no budismo (que se tornou um traço incontornável nesta cultura) e por fim, nos textos clássicos japoneses, com destaque para o Kojiki, “Relato das coisas antigas”, texto fundamental que fala sobre a criação do Japão.

Fazendo uma análise das ideias e das formas simbólicas, Katō inova ao apresentar os elementos que constituem o estilo de ação, ou os estilos de ação do povo japonês. Esse é um de seus principais conceitos, sempre presente nas suas interpretações que tratam sobre as características da língua japonesa, da arte, da religiosidade e das formas pelas quais acontecem as relações sociais, objetos de pesquisa interessantes que normalmente estão entre os primeiros interesses de pesquisadores brasileiros.

Assim, o que o autor chama de estilos de ação é essa forma japonesa de ser no mundo, tanto individualmente quanto coletivamente, que aparentemente segue duas lógicas. A de tempo-espaço, vista pelo famoso presente longo, que afeta até a linguagem desta sociedade: note-se a diferença dos tempos verbais do Japão, que se dividem em passado e o não passado. Até as frases e a comunicação de uma maneira geral necessitam de componentes a mais – os apostos – para designar algumas intenções do falante que se mostram, quase sempre, através de elipses.

A outra é a de subjetividade, traduzida nos jogos conceituais honne, algo como a real intenção, tatemae, opinião pública (no sentido de ser a posição que alguém assume pela unidade harmônica do e no campo público), uchi, “ser de dentro” e soto, “ser de fora”. Esses conceitos estão por detrás dos hábitos que conhecemos, sobretudo, a tendência ao ocultamento da qual falamos antes.

Capa de Tempo e Espaço na cultura japonesa. Créditos: foto do autor.

Por exemplo: a elipse se dá através do ocultamento de si mesmo, ocultamento das opiniões, ocultamento daquilo que seja potencialmente prejudicial, ou seja, é uma posição defensiva, objetivando a manutenção da harmonia de um todo, do qual somente participam aqueles que entendem suas regras, por sua vez, previstas nos conceitos apresentados.

Publicado pela primeira vez em 2007 e traduzido para o português por Neide Nagae e Fernando Chamas, em 2012 (publicado pela Estação Liberdade), o livro reflete a maturidade do autor consagrado pela análise que faz da mentalidade japonesa.

Ficha técnica:  
Título: Tempo e espaço na cultura japonesa.
Autor: Shūichi Katō.
Tradutores: Neide Nagae e Fernando Chamas.
Editora: Estação Liberdade, São Paulo.
Ano: 2012.