Havelis: um capítulo charmoso da arquitetura indiana

Via Beco da Índia

Um capítulo charmoso da história arquitetônica da Índia é composto pelos havelis, ou mansões tradicionais erguidas por ricos mercadores. Essas construções existem há vários séculos e são famosas por suas fachadas trabalhadas e exuberantes. Os havelis são construídos de arenito vermelho ou amarelo ricamente trabalhados com padrões complexos. A maioria dos havelis possui grandes varandas, vários andares e salas grandiosas. Eles são construídos em torno de um pátio central para escapar do calor escorchante do verão.

Patwon ki Haveli. Crédito: Wikimedia Commons.

O estado do Rajastão é conhecido por seus magníficos palácios de marajás, mas seus havelis são outro tipo de construção imperdível para os turistas. A bela cidade de Jaisalmer, por exemplo, encrustada no meio do Deserto de Thar, próxima da fronteira da Índia com o Paquistão, possui um famoso conjunto de Havelis : o Patwon Ji ki Haveli, que demorou 50 anos para ser construído.

Paredes pintadas do Patwon ki Haveli em Jaisalmer. Crédito: Wikimedia Commons.

Trata-se de um um conjunto de cinco havelis. O primeiro deles e o mais famoso é o  Kothari’s Patwa Haveli. Foi construído em 1805 por Guman Chand Patwa, um rico comerciante de jóias. Toda a sua família trabalhava com joias e fios de ouro e prata usados em bordados de roupas sofisticadas. Jaisalmer ficava no caminho da famosa Rota da Seda e enriqueceu muito durante o auge dessas antigas caravanas comerciais.

Detalhe do balcão do principal haveli de Jaisalmer. Crédito: Wikimedia Commons.

O comerciante mandou erguer o agrupamento de cinco havelis para seus cinco filhos. O Patwon Ji Ki é conhecido por suas paredes ornamentadas com pinturas e balcões em arenito amarelo trabalhado chamados “jharokhas”. Hoje, os havelis são administrados pelo Departamento de Arte e Artesanato do governo estadual do Rajastão e pelo Instituto de Pesquisa Arqueológica da Índia. O Patwon Ji ki Haveli,  com 60 balcões, foi o primeiro haveli construído em Jaisalmer e o segundo no Rajastão.

O sabor da comida indiana em três filmes leves

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Para quem gosta de gastronomia – e gastronomia indiana – aqui vão três dicas de filmes que falam da paixão pela comida, especialmente pelos curries, de amizades, amores, solidão e esperança. Em “A lancheira do Amor” (The Lunchboxduas almas solitárias acabam conhecendo uma a outra, sem encontrarem-se pessoalmente, mas por bilhetes, devido ao desvio de uma marmita. Uma história tocante de amor e comida indiana caseira, um filme sobre solidão, mágoas e esperanças. Os famosos dabbawalas de Mumbai  transportam lancheiras com almoços preparados pelas donas de casas para seus maridos nos escritórios. Esses transportadores, que possuem um complexo sistema para não entregarem a marmita à pessoa errada, são  uma verdadeira instituição da cidade.

Eles levam e trazem as lancheiras de volta para as casas. Mas mesmo o sistema mais perfeito tem uma brecha…  A dona de casa solitária envia, pelos dabbawalas, deliciosos pratos para o marido, que a ignora. Certo dia a lancheira acaba nas mãos de um viúvo, também solitário, que trabalha no mesmo escritório do marido dela.  Com o excelente ator indiano Irrfan Khan, falecido recentemente, Nimrat Kaur e Nawazuddin Siddiqui, é uma produção conjunta da Índia, dos Estados Unidos, da Alemanha e da França, de 2013, dirigido por Ritesh Batra.

“A 100 passos de um sonho”  (The Hundred-Foot Journey) é uma batalha entre dois restaurantes em um vilarejo francês. Um pertencente a uma família indiana, o Maison Mumbai.  O outro, um francês pertencente a uma dona respeitada, mas autoritária: Madame Mallory (Helen Mirren). Seu restaurante tem estrelas no famoso guia Michelin e fica a 100 pés de distância (daí o nome do filme), ou 30 metros. Um conflito que é alimentado, no lado francês, pela xenofobia. Comédia dramática Americana de 2014, o filme é baseado em um romance de Richard Morais, com o mesmo título, lançada em 2010. Com os atores Helen MirrenOm PuriManish Dayal e Charlotte Le Bon, o filme foi produzido por Steven Spielberg e Oprah Winfrey.

Já “O Sabor da Magia” (The Mistress of Spices) conta a história de uma mulher misteriosa, clarividente e mágica, Tilo (encenada pela belíssima Aishwarya Rai) é dona de uma loja de especiarias, imigrante indiana que vive nos EUA. Ela transforma seus ingredientes em poções curativas do corpo e da alma, como sândalo para acabar com as dores da memória ou semente de cominho para proteger contra invejosos. No entanto, Tilo perderá essa capacidade se experimentar qualquer uma de suas receitas, ou se ela se apaixonar. O filme, de 2005,  baseia-se no livro Mistress of Spices (A Senhora das Especiarias), de Chitra Bnerjee Divakaruni.

Que artista retrata o cotidiano da classe média indiana?

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Um dos pintores e artistas gráficos indianos mais icônicos do século 20, Lalu Prasad Shaw inspira-se na natureza e na atmosfera que cerca a grande classe média do país. “Arte não precisa ser realista, mas precisa ser absolutamente verdadeira”, diz o pintor Lalu Prasad Shaw, nascido no estado indiano de Bengala Ocidental.

Aos 83, ele destaca-se como um dos artistas mais icônicos da Índia do século 20. Baseado na cidade de Kolkota, Shaw é notável por seu estilo distinto de pintura de retratos. Ele inspira-se principalmente na natureza e no ambiente que cerca a grande classe média bengalesa, muitas vezes retratando cenas agradáveis ​​e tranquilas de sua própria vida, em suas telas e papéis. Ele também experimentou com cenários, misturando visuais da vida rural e urbana da Índia, com estilos  minimalistas a inspirados também no cubismo.

Crédito: Jehangir Nicholson Art Foundation.

Formado em artes aplicadas na Faculdade de Artes de Kolkata, ele ficou conhecido por seus retratos altamente estilizados de mulheres e casais. O artista captura brilhantemente as expressões e os rostos de pessoas comuns com grande economia de traços. Cada pintura de homens, mulheres e crianças carrega em si uma intimidade e são recheadas de nostalgia.

A obra de Shaw é influenciada pelas escolas de arte Kalighate e Mughal, além de pinturas budistas e hinduístas das cavernas de Ajanta (no estado indiano de Maharashtra). Embora descreva-se como um pintor, Shaw começou a gostar de gravura aos 32 anos de idade e dominou o gênero das artes gráficas após ter trabalhado com entalhes e litografias, tornando-se conhecido como um gravador de reputação tão forte que se igualava à que já tinha como pintor. Em suas litogravuras, ele experimenta com imagens bidimensionais, geométricas e não figurativas.

Crédito: Mutualart.

Shaw expôs extensivamente na Índia e no exterior desde 1956. Seus trabalhos foram exibidos em mostras internacionais de prestígio, como a Segunda Bienal Britânica em Londres (1970), as duas Bienais de Gravura Norueguesa (1974 e 1978), a Sétima Bienal de Paris (1971), e a Segunda Bienal de Arte Asiática, em Bangladesh (1984). Seu trabalho faz parte das coleções permanentes de várias instituições, como a Birla Academy, na cidade de Kolkota, e o Art Forum, em Cingapura. Seu filho, Partha, também se estabeleceu como artista em Kolkota.

Conheça as pinturas em tecidos que contam histórias tradicionais indianas

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A tradição de contar histórias é antiga na Índia. E nada melhor do que contá-las com ajuda de belas imagens. Daí a função da pintura pattachitra, feita em uma espécie de rolo de tecido, muito comum nos estados de Odisha e Bengala Ocidental, no Leste da Índia.

As pinturas fazem referências a temas mitológicos e religiosos, especialmente aos culto do deus Vishnu e seu avatar Krishna, a chamada tradição Vaishnava. Tradicionalmente, um patua ou um chitrakar narrava histórias por meio dessas pinturas. Os temas de pattachitras incluíam tradições locais, histórias de deuses, deusas e da mitologia indiana. A casa do chitrakar, ou seja, o artista e contador de histórias, é uma espécie de estúdio. Toda a família envolve-se no trabalho de elaboração dessas peças.

Pattachitra revela Ravana combatendo Jatayu. Crédito: NMNewdelhi.

Um exemplo de pattachitra, que pertence ao acervo de antropologia do Museu Nacional de Nova Délhi, é a imagem que retrata o demônio Ravana, de dez cabeças, lutando contra Jatayu, um pássaro divino. Jatayu, por sua vez, tenta proteger o deus Shiva. O folclore e histórias mitológicas são repassadas há séculos por meio da patachitra, criada para uso ritualístico  nos templos, ou como arte narrativa durante a performance de uma música.

Crédito: Wikipedia Commons.

Além dos Patachitra pintados em tecidos, há os Bhirri Chitra nas paredes e os Tala Patra Chitra, pintados em folhas de palmeira. No estado de Odisha é comum que os temas ilustrados nos patachitra estejam relacionados à Jagannath, uma encarnação local do deus Vishnu.

Pattachitra sobre mitologia Hindu mostra desfile do deus Ganesha. Crédito: Wikipedia.

As linhas dos desenhos de pattachitra são no geral bastante claras, nítidas, sem paisagens ou perspectivas. Muitas vezes o fundo das pinturas contém decorações de flores e folhagens e a cor vermelha é predominante. No século 16, tornou-se comum a representação de cenas com Krishna, a encarnação do deus Vishnu, Radha e vaqueiras camadas e Gopis.

MidiÁsia entrevista editora-chefe do site Beco da Índia

No dia 31 de agosto, segunda-feira, o Grupo de Pesquisa em Mídia e Cultura Asiática Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (MidiÁsia-UFF) vai realizar, às 18h, live com a editora-chefe do site Beco da Índia, parceiro do grupo, Florência Costa. O tema do evento vai abordar a trajetória do site especializado na divulgação da cultura indiana no Brasil, a importância do país e sua atuação no cenário internacional, a promoção de seu soft power e cultura milenar no mundo e o histórico das relações entre Brasil, Índia e outros parceiros do grupo BRICS.

Para mediar e entrevistar a convidada estarão presentes a jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), especialista em Politíca Internacional pela mesma universidade, mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), editora-chefe da Revista Intertelas, também parceiro do MidiÁsia-UFF e pesquisadora do MidiÁsia Alessandra Scangarelli Brites e a doutora e mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (PPGCOM|UFF), jornalista e especialista em Epistemologias do Sul pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO|Argentina), fundadora do Asian Club (Estudos de Mídia|UFF) e coordenadora Adjunta do MidiÁsia-UFF Krystal Urbano. A live ocorre através do Facebook do MidiÁsia e estará aberta ao público em geral.

Crédito: MidiÁsia.