Estão abertas as inscrições para o III Encontro da Rede Brasileira de Estudos da China

Estão abertas as inscrições para o III Encontro da Rede Brasileira de Estudos da China com o tema “O Sul Global no contexto da Disputa Hegemônica China-EUA”. O evento ocorrerá nos dias 14, 15 e 16 de outubro de 2020 e está sendo a organizado e sediado pelo Instituto de Estudos da Ásia da Universidade Federal de Pernambuco (IEASIA/UFPE). Em 2020, o Encontro Nacional da RB China ocorreria de maneira presencial na cidade de Recife, porém, devido à pandemia de Covid-19, passará ao formato virtual.

Crédito: IEASIA/UFPE .

Além de acadêmicos(as) das principais universidades brasileiras, também participarão do encontro pesquisadores da China Foreign Affairs University, Shanghai Jiao Tong University e do Shanghai Institute for Foreign Policy Studies. O evento será completamente online e gratuito, e a programação completa e outras informações sobre a transmissão serão divulgadas em breve. As inscrições podem ser feitas através do link https://bit.ly/3bX1QML. Para dúvidas e maiores informações, contatar pelo e-mail: ieasia.ufpe@gmail.com.

Fundação Japão promove a segunda edição do festival online de filmes japoneses

Via Japan Foundation São Paulo

Devido à repercussão positiva da primeira edição do Japanese Film Festival Online (JFF Online), a Fundação Japão lançou o 2º volume da iniciativa. Os filmes vão estar disponíveis até 30/9, às 11h59 (horário de Brasília). O acesso é gratuito e sem necessidade de registro. As obras estão em língua japonesa, com legendas em inglês.

O primeiro festival que começou em março contou com 12 filmes que ficaram disponíveis durante aproximadamente três meses. Devido ao isolamento social e restrições para não saírem para as ruas, a procura por conteúdos na internet teve um grande crescimento no mundo todo. E com isso, os filmes tiveram mais de 95.000 visualizações e comentários de vários países.

Crédito: Fundação Japão.

Neste volume 2 do projeto, foram selecionados 10 filmes que mostram a sociedade japonesa de “hoje”. É também uma grande oportunidade para apresentar novos jovens cineastas japoneses no início de carreira e seus trabalhos e uma forma de ampliar a divulgação dos filmes japoneses no exterior.

O público poderá assistir gratuitamente os filmes que podem ser acessados com facilidade tanto em computadores, como em celulares ou tablets. Para mais informações e conferir a programação, acesse a página da Fundação Japão. Já para assistir às produções cinematográficas, acesse o site: https://www.japanesefilmfest.org/streaming_vol2/

Covid-19 e capacidade cultural: a lição sul-coreana

Por Yun Jung Im (professora e coordenadora do curso de Língua e Literatura Coreana do Departamento de Letras Orientais da USP – Universidade de São Paulo)

Cidade que foi epicentro de Covid-19 na Coreia do Sul não tem ...
Profissionais do hospital Dongsang, de Daegu, em abril de 2020. Foto: Yonhap News.

Cronologia da pandemia na Coreia do Sul

No último dia 30 de abril, a Coreia do Sul anunciou ter zerado o número de novos infectados locais de Covid-19 ao cabo de 72 dias, excluídos os quatro detectados no aeroporto. O feito foi noticiado com entusiasmo na primeira página do BBC.com com o título “South Korea records no new local vírus cases”, e também na BBC World News em primeira manchete.

Ainda que no dia seguinte o número já não fosse mais zero, o número total de infectados vinha se mantendo em um dígito por duas semanas, e os coreanos começaram a retomar seu cotidiano com “medidas de rotina anti-pandemia” a partir de 03 de maio. Já com as escolas funcionando, mas também enfrentando a segunda onda de contaminação, os coreanos agora são alvo dos olhares do mundo todo, devidamente alçados ao posto de referência mundial em vigilância epidêmica: em 18 de maio último, o presidente Moon foi convidado para fazer o discurso de abertura da Assembleia Mundial da Saúde da OMS, e a Coreia do Sul foi convidada por Trump a participar da próxima conferência do G-7.

Até 14 de junho, a Coreia do Sul registrou um total de 12.085 infectados (incluindo cerca de 10% daqueles detectados no aeroporto) e 277 mortos. Se excluirmos Daegu, a terceira maior cidade coreana, epicentro secundário e considerada ponto fora da curva, com 6.892 infectados (57%) e 189 mortos (68%) até essa data, os números sul-coreanos causam espanto, diante da situação que temos presenciado em vários países pelo mundo, incluindo o Brasil.  

안철수, 의료복은 땀으로
Ahn Chul-soo, membro da Assembleia Nacional, trabalhando voluntariamente no combate à Covid-19 em Daegu no mês de março de 2020. Foto: Yonhap News.

Explico: o paciente número 31 (reportado em 18 de fevereiro), seguidor de uma seita nada ordinária chamada Sincheonji (Novo Céu e Nova Terra), teria participado de um culto, visitado uma sauna e ainda encontrado vários outros seguidores que estavam reunidos na cidade para o velório de três dias (31 de janeiro a 02 de fevereiro) do irmão do fundador da seita. O caráter “aglomeratório extremo” da seita, com quase 250 mil fiéis no país, teria puxado o gatilho para a propagação fulminante em Daegu a partir de 15 de fevereiro. Até 31 de janeiro eram apenas sete infectados (acumulados), mas um mês depois, em 1º de março, atingia o pico de 1.063 novos infectados.

Eleições em meio a pandemia e louros para o presidente

O zero do dia 30 de abril foi especialmente caro aos sul-coreanos, que haviam ido às urnas 15 dias antes para eleger seus 300 parlamentares. Alívio a todos que acompanhavam a evolução dos números receosos de que a eleição pudesse puxar um novo gatilho, a despeito dos cuidados: uso obrigatório de máscaras, filas com distanciamento, temperatura medida e luvas descartáveis fornecidas na entrada, além da hora final destinada somente para os que estavam em isolamento.

Eleitora vota em eleições legislativas na Coreia do Sul com máscaras e luvas nesta quarta-feira (15) — Foto: Ahn Young-joon/AP Photo
Eleitores precisaram, obrigatoriamente, usar luvas e máscaras para as eleições legislativas na Coreia do Sul. Foto: Ahn Youngjoon/AP Photo.

O bom desempenho do executivo em gerir a pandemia rendeu 180 assentos para o Partido Democrático, feito inédito num cenário político que foi sempre sentido como um “campo inclinado” pendendo para a ala conservadora. A vitória foi obviamente atribuída ao presidente Moon, e a superlua do dia 7 de abril lhe valeu o título de Super Moon.

A pandemia não impediu que se registrasse o recorde de 66,2% de eleitores (o voto não é obrigatório) votantes, quase 30 milhões, que deram um enorme voto de confiança ao presidente, garantindo-lhe os dois anos finais do mandato sem empecilhos políticos. A perspectiva agora é de que as reformas pretendidas pela situação, e que vinham patinando no congresso, desencalhem.

A luta de resistência da situação

Uma das reformas apregoadas pela situação é, certamente, a reforma da mídia. No dia 30 de abril, nenhum dos três jornais mais importantes sul-coreanos, ou até cinco numa lista estendida, haviam dado a notícia do zero com destaque em primeira página. Apenas um deles deu uma nota, em uma posição desprivilegiada. A principal agência de notícias Yonhap, que noticiou o fato com destaque, preferiu o título de “Não houve transmissão do Corona durante as eleições com 29 milhões de votantes”, em vez do “Zero”. Mesmo quando Trump telefonou para o presidente pedindo kits de teste com a promessa de aprovação emergencial pelo FDA (24 de março), ou quando Bill Gates telefonou convidando-o para pesquisas conjuntas em vacina contra o vírus (10 de abril), a imprensa fez pouco caso. Quando a ministra das Relações Exteriores deu entrevista ao vivo no programa Andrew Marr da BBC (15 de março) deixando o mundo de olhos arregalados, a imprensa acusou o governo de “jogar confetes em si próprio”, e finalmente quando o governador do estado de Maryland conseguiu importar kits para 500 mil testes (18 de abril), uma das emissoras coreanas propagou a notícia falsa de que 70-80% dos kits coreanos seriam defeituosos e que os americanos não estavam conseguindo usá-los. No momento, essa mesma agência está sendo investigada por tentar fabricar uma notícia falsa mediante ameaça a um suposto informante, além de conluio com um procurador, com o objetivo de denigrir a imagem da situação e do presidente. A tentativa de busca e apreensão impetrada pelo Ministério Público em 30 de abril à emissora resultou numa barricada humana de dois dias alegando perseguição à imprensa livre.

Seoul National University students hold a rally on their campus, Aug. 23, to urge justice minister nominee Cho Kuk to step down due to multiple allegations surrounding his family. / Yonhap
Estudantes da Seoul National University se manifestam contra Jo Guk em 23 de agosto de 2019. Foto: Yonhap News.

Entretanto, outra reforma ainda mais grave é a do próprio Ministério Público, com poderes para investigar e indiciar, além de abrir investigações sem que haja denúncia. O homem indicado pelo presidente no ano passado para conduzir a reforma do judiciário, o professor de Direito da Universidade Seul, Jo Guk (uma combinação rara em que o sobrenome Jo e o nome Guk formam a palavra homófona de Pátria), entregou o cargo em 45 dias, com sua filha e esposa sendo implacavelmente investigadas pelo Ministério Público, por um suposto Certificado de Honra ao Mérito do ensino médio supostamente falsificado(!). A esposa, presa preventivamente, está sendo julgada, acusada ainda por um empréstimo dado a um primo investidor financeiro. Segundo o Ministério Público, aquilo teria sido na verdade um investimento financeiro travestido, ato proibido para Jo Guk que ocupava o cargo de chefe da Casa Civil – ainda que, rigorosamente falando, Jo Guk era ainda professor universitário à época.

E a economia vai mal, só que não

O crescimento econômico sul-coreano previsto para 2020, que era de 2,2%, foi ajustado para 0,2% pelo Korea Development Institute (20 de maio). A previsão do FMI foi um pouco mais pessimista: 3,2% negativos para a Coreia (14 de abril). Mas o mesmo FMI previu um crescimento de 6,1% negativos para os países desenvolvidos, G7+Eurozone, o que coloca a Coreia com o “maior” crescimento entre os países do OCDE em 2020.

Moon Jaein, presidente da Coreia do Sul, fala à mídia sobre medidas de combate ao impacto econômico do surto de coronavírus no dia 30 de março, anunciando verba direcionada à população mais necessitada. Foto: TheStar.

Até início de maio, os Estados Unidos haviam liberado recursos correspondentes a 13,3% do seu PIB para socorrer a população e as empresas – sem contar a emissão de dólares –, enquanto que o governo coreano havia conseguido liberar apenas 0,7% do PIB em verba emergencial, sob protesto da ala conservadora – coro engrossado pelo próprio Ministério da Economia – que exige salvaguardar a saúde financeira do Estado. Um dos pontos acirradamente discutidos foi a distribuição da verba emergencial excluindo os 30% da população mais abastada, medida que causaria inclusive atraso nos pagamentos. A solução sugerida pela presidência foi de conclamar o povo “mais abastado” a doar o valor recebido, o que poderia diminuir o montante de títulos públicos a serem emitidos, com resposta calorosa e participativa dos internautas.

Se tal discussão colaborou para atrasar a ajuda do governo central, algumas administrações regionais (províncias e municípios) agiram mais rápido, na maioria com cartão de vale-compras que só pode ser usado localmente, com o intuito de salvar os comerciantes do bairro. Com uma dívida pública baixa (38% do PIB), mas também com alto endividamento familiar (94%) e baixo índice de poupança, abaixo dos 40%, a conclusão era clara, nas palavras do governador da Província de Gyeongnam (Kim Gyeongsu): “Se o governo não se endividar, a população irá”.

Cultura a serviço do combate ao Covid-19

 23일 대구시 달성군 구지면 중앙119구조본부에서 119 구급대 앰뷸런스들이 신종 코로나바이러스 감염증(코로나19) 확진자 이송을 위해 확진자가 있는 대구 시내 각 지역으로 출동하고 있다. 중앙119구조본부는 대구에서 확진자가 무더기로 늘어남에 따라 전날부터 전국 시·도에서 18대의 앰뷸런스를 차출해 환자이송에 나서고 있다. 대구 시내 확진자들은 중구 계명대학교 대구동산병원과 서구 평리동 대구의료원으로 이송된다.
Ambulâncias de diferentes lugares da Coreia do Sul se direcionam à Daegu. Foto: Ohmynews.

Segundo o professor de economia Choi Pae Kun, da Universidade Geonguk, o sucesso coreano no combate contra o Covid-19 é resultado de uma “capacidade cultural” coletiva dos coreanos pela mobilização civil, espontânea e desperta, permitindo o governo a manter as fronteiras abertas para China – sob insistentes protestos da ala conservadora –, de onde vem, entre outras coisas, o MB (Melt-Blown), matéria prima para produção das máscaras. De fato, ficaram famosas as fotos do comboio de ambulâncias do país todo se dirigindo para Daegu, das máscaras costuradas à mão por uma senhora idosa entregues no PS do principal hospital de Daegu, milhares de marmitas e guloseimas doadas por empresas para as equipes médicas, além de centenas de voluntários que se dirigiram para a cidade, incluindo o presidente do Partido do Povo, ex-médico, e também as barracas de teste drive-thru, invenção coreana em meio à pandemia.

É verdade que a mobilização civil dos coreanos sempre foi merecedora de atenção dos olhares internacionais: na Crise Financeira Coreana de 1997, três e meio milhões de coreanos participaram da campanha civil para arrecadar ouro guardado nos armários com o fim de pagar a dívida do Estado para com o FMI, sendo arrecadadas 227 toneladas de ouro. Em 2007, uma colisão entre um navio da Samsung e um de Hong Kong provocou o vazamento de quase 80 mil barris de óleo, quando foram registrados um total de 1 milhão e 230 mil voluntários para limpar o óleo impregnado nas pedras em pleno inverno.

Sul-coreanos participam da campanha de arrecadação de ouro no início do 1998 para ajudar o Estado a pagar o FMI. Foto: JoongAng Ilbo.

Mas foi em 2016 que a mobilização civil ganhou definitivamente a política – isto é, os rumos do país – quando milhões de sul-coreanos empreenderam o que ficou conhecido como a Revolução das Velas. Com a então presidente Park Geunhye envolvida em escândalos, o povo foi às ruas segurando velas exigindo seu afastamento. De 26 de outubro de 2016 a 29 de abril de 2017, foram 23 passeatas de velas enfrentando os 15 graus negativos do rigoroso inverno de Seul. A maior delas, em 3 de dezembro, teria reunido 2,3 milhões de manifestantes, segundo os organizadores. Ainda segundo eles, um total de 17 milhões de cidadãos participaram das 23 passeatas, resultando no primeiro impeachment presidencial da história da Coreia do Sul. Sucessor de Geunhye, o presidente Moon é chamado, por esse motivo, de Presidente das Velas.

Vídeo do canal Choi Baegeun TV sobre a Revolução das Velas.

O professor Choi vê na Revolução das Velas o início de uma nova era para os coreanos, em que a sua capacidade cultural se traduz numa democracia popular ativa: em nenhuma das passeatas foi reportado qualquer incidente como roubo ou furto, os prédios liberaram seus banheiros, voluntários distribuíam cafés e lanches, e, ao final, limparam todo o lixo deixado. O economista vai além, afirmando que agora a Coreia estaria prestes a se tornar uma líder global, exercendo um soft leadership – e não soft power, bem entendido, pois nessa nova era o mundo não mais giraria em torno de forças hegemônicas de qualquer tipo.

Para ele, essa consciência democrática ativa da população civil e a liderança transparente do presidente Moon foram a chave do sucesso no combate do Covid-19. Afinal, não houve na Coreia do Sul uma corrida para estocar alimentos ou inflação no preço das máscaras. Além, é claro, da cooperação cívica massiva no distanciamento social, um marco no combate à Covid-19 no país. 

A Revolução das Velas, em 3 de dezembro de 2016, na Praça Gwanghwamun, Seul. Foto: Hankyoreh.

K-culture, K-nóias

Já há pelo menos duas décadas que a Coreia vem ensaiando passos de um emergente soft power, como não deixam dúvidas o K-pop, os K-dramas, o K-cinema, o K-food etc., mas a somatória desses fenômenos não redunda no que chamaríamos de K-culture, pois a verdadeira força desta está no ethos coreano, da corrente pró-ativa pela coletividade, conhecido apagadamente por nacionalismo.

Aproveitando o alcance global do K-pop, os grupos Dreamcatcher, AleXa e IN2IT divulgam os cuidados contra o Covid-19 em um clipe musical.

Enquanto os coreanos assistem estatelados ao que acontece na Itália, França, Inglaterra e Estados Unidos, e se perguntam o que há de errado com esses países que sempre foram fonte de admiração, inveja e sentimento de inferioridade para os coreanos, o professor Choi aponta para o paradoxo em que a civilização ocidental se funda na demarcação e liberdade individuais, e assim busca se manter, mesmo após todas as provas, por diversos meios e experiências, de que tudo está interligado até a garganta. Segundo ele, a fulminante interconectividade do Covid-19, que não distingue pobres e ricos, raças e fronteiras, animais e seres humanos, é uma afronta a uma ordem mundial estabelecida pela civilização ocidental que gira em torno das distinções eu/outro, centro/periferia etc., e tem como premissa básica a liberdade individual. Por outro lado, essa interconectividade letal do vírus rompe a corrente econômica humanamente construída da produção-comércio-consumo.

Se o nacionalismo tem como outro lado a xenofobia, o individualismo tem como efeito colateral a maldosa indiferença quando desprovido de forte lastro religioso. A falência da civilização ocidental decretada pelo professor Choi, por exagerado que possa parecer, busca resposta no colapso da cultura individualista e não invalida o seu raciocínio de que é preciso uma conscientização de uma oni-interconectividade (e por que não oninterconectividade?) necessária em nível global. Seria então a hora de negociar os limites da solidariedade/individualismo, vigilância/liberdade, governantes/governados, pois agora, todos são elos de uma rede interconectada, e cada um tem que segurar sua bola para que toda a corrente não se rompa.

Se o K-qualquer coisa tem assolado o mundo nos últimos vinte anos, o episódio do Covid-19 fez aparecer uma outra onda, desta vez interna, de coreanos inebriados e orgulhosos de seu próprio país. Muitos, incluindo o professor Choi, engrossam a massa dos chamados Gukppong, que ora traduzo, com licença nada poética por K-nóias, e apresento mais um incorporado à massa, o Joseh Juhn, advogado novaiorquino coreano-americano, que chegou à Coreia no último dia 30 de abril e publicou um depoimento no Facebook (nota: Joseh Juhn dirigiu e produziu o aclamado documentário Jeronimo, lançado em novembro do ano passado, sobre filho de um imigrante coreano em Cuba que lutou ao lado de Fidel Castro pela revolução, tornando-se seu ministro):

Cheguei na Coreia. Sabia que teria de cumprir 14 dias de isolamento. Tinha tido sintomas em Nova Iorque desde meados de março. Não eram graves, mas me castigou por semanas deixando-me emocionalmente abalado. Busquei ajuda governamental, mas meus sintomas não eram graves o suficiente para merecer atenção, e deixei meu nome na lista de espera do teste. Seis semanas depois, continuava sem contato. Não pude esconder o meu choque e desapontamento perante a impotência geral do país mais rico e da cidade mais rica do mundo. Com todo o sistema colapsado e lideranças apagadas, a consciência civil também deixou a desejar. O direito soberano da liberdade individual havia sido deturpado, lesando o bem público, produzindo um fenômeno irracional (grifos meus).

1. Passamos por consulta médica e fomos testados ali mesmo. Soltei uma risadinha vazia, sentindo-me bobo. Seis semanas angustiantes de espera em Nova Iorque dissolviam-se de forma absolutamente trivial;

2. Durante a espera, nos deram uma marmita. Aquilo me emocionou profundamente. Como o resultado sairia na madrugada, fomos levados a um hotel próximo e tudo isso nas mãos diligentes de bombeiros, policiais e funcionários do aeroporto e sem qualquer custo;

3. Na manhã seguinte, recebemos a marmita da manhã e cada um foi levado para o seu destino final, por veículos destinados para esse fim. Senti-me como um VIP;

4. Já em isolamento, recebi telefonemas do agente que ficaria responsável por me rastrear por duas semanas e recebi instruções de como utilizar o aplicativo de rastreio;

5. No dia seguinte, recebi uma caixa grande, contendo álcool em gel, termômetro, spray antisséptico, várias máscaras, sacos de lixo, além de alimentos prontos para duas semanas e produtos de higiene;

6.  Alguns chamam isso de “vigilância estatal”, mas me senti tão bem cuidado nos mínimos detalhes, a ponto de pensar se eu merecia aquilo. Na verdade, ainda não consigo acreditar que todos que chegam do exterior recebem esse tipo de “gerenciamento”. A capacidade de gestão pormenorizada e sistemática sul-coreana contrasta gritantemente com os países que chamamos de desenvolvidos, onde até os mais graves são barrados na porta do hospital. Não é simplesmente uma questão de aparelhamento, mas é possível sentir “o interesse humanizado” permeado em todas as etapas, ao qual só posso expressar gratidão (grifos meus).

Os cuidados e os procedimentos aos quais fui submetido ultrapassam qualquer imaginação. Sempre tive alguma ressalva contra iniciativas estatais, mas desta vez gritei várias vezes ‘Viva Coreia!’ por dentro. Tenho inveja daqueles que leem isso que escrevo em coreano. Experiencio o que podemos chamar de padrão global que ainda inexiste em qualquer lugar do mundo, aqui na Coreia.

Remova o óleo colando nas rochas
Voluntários se unem em Mohang-ri para retirar o óleo derramado no Mar Ocidental que ficou preso em pedras do litoral. Foto: Yonhap News.

Conectados, venceremos

Se o senso de coletividade dos coreanos tem como seu lado negativo a xenofobia, talvez essa seja uma oportunidade de, ao exercer tal soft leadership, expandir as fronteiras do “nós” coreano. E, por outro lado, talvez essa seja uma oportunidade para a civilização ocidental olhar com outros olhos para as bases fundantes do seu modo de organizar o mundo e seus possíveis efeitos nefastos. Isso seria mais urgente do que exigir indenização à China, fechar fronteiras e buscar salvar seus lucros em detrimento de quem quer que seja. O momento seria de não deixar cair nenhum elo, civil e global.

Segundo Choi, K-democracia é uma democracia fundada não sobre a liberdade individual, mas sobre a consciência de que ela é construída coletivamente e assim mantida quando cada um desempenha o seu papel de forma auto-regulada. Alguns atribuem o sucesso coreano à uma alegada obediência natural dos coreanos, fruto de uma cultura confucionista, ou ainda, a uma longa experiência por ditaduras militares. Outros ainda podem dizer que Choi generaliza apressadamente um sucesso pontual. Entretanto, a resposta pode ser encontrada mais no sistema público de saúde (não necessariamente gratuito) sul-coreano invejado por Obama, quem idealizou o Obama Care nos moldes coreanos, abortado por Trump, no parque industrial célere e flexível e uma coletividade desperta.

Samguk Yusa, um dos dois livros que formam o cânone do registro histórico da Coreia antiga, compilado em 1281 por um monge budista, traz a lenda do fundador do primeiro reino coreano Dangun. Nela, Dangun teria fundado o primeiro reino coreano sob o lema de “Trazer o bem amplo e geral a todos”, que numa tradução mais livre e oportuna, diria “Promover o ganha-ganha a todos”, devidamente conectados.

Samguk Yusa: Yonsei's First National Treasure
Livro “Samguk Yusa”, onde se encontra o trecho original da tradução “Promover o ganha-ganha a todos” . Foto: site da Yonsei University.

Yun Jung Im

Jogos sul-coreanos popularizam-se em meio à pandemia

ViaKorepost/ Fonte originalKorea Herald

Os jogos para celular da Coreia do Sul ganharam enorme popularidade nos mercados estrangeiros, em parte devido à pandemia de coronavírus que confinou as pessoas a suas casas, conforme mostram dados da indústria. O consumo global de jogos para dispositivos móveis aumentou 20% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o ano anterior, mostraram dados da empresa de análise de aplicativos App Annie. Os downloads globais de aplicativos também aumentaram 15% em relação ao ano anterior no período citado.

Dados separados da Nielsen mostraram que o tempo médio gasto com jogos nos Estados Unidos, França e Reino Unido aumentou 45%, 38% e 29%, respectivamente, após o surto de COVID-19. Com2uS Corp., uma publicadora de médio porte de jogos online, afirmou que a receita com o jogo para celular Summoners War: Sky Arena atingiu um recorde em abril.

Jogo Summoners War: Sky Arena. Crédito: Combo Infinito.

O jogo, lançado em 2014, registrou vendas acumuladas de mais de 2 trilhões de won (US$ 1,6 bilhão) em 230 países, afirmaram funcionários da empresa, com mais de 90% das vendas vindo do exterior. Nos EUA, o jogo chegou ao 14º lugar na App Store da Apple e permaneceu entre os três primeiros nos principais países europeus, como França e Alemanha, após o lançamento.

“Foram realizados vários eventos e atualizações em abril, mas um aumento sem precedentes da receita no mês mostra que o surto de COVID-19 claramente teve um impacto”, disse um funcionário da empresa que pediu para não ser identificado. KartRider Rush, um jogo de corrida da grande empresa de jogos Nexon Co., também ganhou popularidade sem precedentes nos mercados norte-americano e europeu.

Jogo KartRider Rush. Crédito: The Korea Herald.

O jogo, baseado no popular KartRider gratuito da Nexon para PC, alcançou o 14º lugar na Google Play Store, informou a empresa. O jogo para celular ultrapassou 4,5 milhões de downloads desde o seu lançamento no início de março, e o jogo viu seu primeiro 1 milhão de downloads apenas uma semana depois de chegar à App Store. “O KartRider Rush era relativamente desconhecido no mercado norte-americano, mas recebemos respostas inesperadas principalmente após a pandemia de coronavírus”, declarou um funcionário da empresa que pediu para não ser identificado.

Filme indiano sobre um vírus mortal foi lançado seis meses antes da pandemia da Covid 19

Via Beco da Índia

Em tempos de pandemia de Coronavirus, muita gente procurou assistir o filme “Contágio” (2011), do americano Steven Soderbergh. Mas há um outro filme, lançado seis meses antes do primeiro caso da Covid 19, que também parece ser uma premonição: “Vírus”. Foi um grande sucesso na Índia, que agora voltou a chamar a atenção do público.

Trata-se de um thriller médico no idioma malaiala, falado no estado de Kerala, onde vivem 35 milhões de pessoas, no Sul da Índia. O filme é  baseado em eventos reais: a epidemia do vírus Nipah em maio de 2018 nos distritos de Kozhikode e Malappuram, em Kerala. O estado indiano adotou medidas enérgicas e teve sucesso: evitou a disseminação da doença. Nipah é uma doença transmitida de animais para humanos, tendo os morcegos como hospedeiros.

Crédito: OPM Records

Um meme que circulou nas redes sociais da Índia nas últimas semanas dizia: “todos os teatros permanecerão fechados até que a vida real pare de se parecer com a de filmes”. No filme, um homem, Zakariya, é infectado por um víruos então desconhecido e é levado para a Faculdade de Medicina governamental com febre, vômito e dor de cabeça. Ele morre algumas horas depois, mas havia contaminado 18 pessoas e destas 16 morrem.

Entre as infectadas está uma enfermeira, Akhila, que tomou conta do rapaz. Ela acaba com problemas respiratórios, pede para ser intumbada, mas não resiste e morre sem conseguir se despedir do marido. O filme mostra justamente o drama das famílias que não podem visitar seus parentes doentes, nem para se despedir, como tem acontecido agora com a pandemia. O luto ocorre em silêncio e solidão.

 O filme, dirigido por Aashiq Abu,  mostra que uma equipe liderada pelo Ministério da Saúde detecta a disseminação do Nipah utilizando circuito de TV, entrevistas com pessoas e arquivos médicos sobre pacientes. Como aconteceu em alguns lugares agora na pandemia do Coronavírus, o filme já mostrava o estigma social em torno do pessoal médico e dos familiares de mortos.  Pânico, preconceito, que tomam conta da sociedade com a epidemia.

Shows online de K-pop já são um sucesso e ameaçam substituir as turnês presenciais

Via Koreapost / Fonte Original: Korea Herald

Quando a epidemia do coronavírus se abateu primeiro sobre a Coreia do Sul, muitos esperavam que a indústria do K-pop fosse a que sofreria o maior golpe. Turnês mundiais foram adiadas, lançamentos a muito esperados foram retardados e showcases cancelados. De acordo com a Associação das Gravadoras da Coreia, um total de 211 concertos foram cancelados entre fevereiro e abril, acarretando perdas financeiras de quase 63,32 bilhões de wons (51,6 milhões de dólares ou quase 280 bilhões de reais).

Mas como em qualquer crise, artistas e suas companhias encontraram um jeito de se adaptar e não apenas inventar formas de driblar as dificuldades, mas até mesmo encontrar novas fontes de renda. A SM Entertainment se uniu ao buscador Naver no último mês de abril e lançou um serviço de transmissão de shows chamado Beyond Live, anunciando que “é o começo de um novo jeito de fazer shows”.

Ainda que shows já tenham sido transmitidos ao vivo anteriormente (um exemplo disso foi o show do BTS “Wembley”, disponibilizado ano passado para assinantes através do V Live, que pertence ao Naver) o Beyond Live vai além da transmissão dos shows e oferece conteúdos feitos especificamente para o ambiente virtual.

Por exemplo, o AR (sigla em inglês para Realidade Aumentada) e a tecnologia 3D permitem que tigres holográficos apareçam no palco ou que um avião voe por cima das cabeças dos artistas. Os artistas interagem com os fãs em tempo real nos intervalos das apresentações, enquanto fãs acenam lightsticks virtuais como se estivessem em uma arena.

Crédito: Qnewshub.

O show que estreou essa parceria foi do grupo Super M, em 26 de abril, durou duas horas e foi assistido por 75 mil pessoas em 109 países, de acordo com a SM. Como cada ingresso custava 33 mil wons a venda de ingressos arrecadou estimados 2,5 bilhões de wons.

Considerando que um estádio de médio porte pode acomodar em geral até 10 mil pessoas, os concertos virtuais, que não tem esse tipo de limitação, tem potencial para crescer como um novo modelo de negócios para as empresas de entretenimento.

TVXQ, até agora record de público entre as apresentações do Beyond Live com 580 mil espectadores. Crédito: Barks.

Shows de outros grupos também foram anunciados: TVXQ, cujo show se deu na madrugada último dia 24 (horário de Brasília), e por enquanto detém o recorde de audiência entres as transmissões do Beyond Live, com 580.000 espectadores, bem como Super Júnior, cujo show se deu no dia 31 de maio. NCT 127, cujo show aconteceu no último dia 16 de maio, aproveitou a transmissão ao vivo do show para lançar suas mais novas músicas “Punch” e “Make Your Day”, que fazem parte do seu novo álbum e não seriam ouvidas antes do dia 19 (horário da Coreia).

NCT 127 em seu show no Beyond Live, com uso das tecnologias AR e 3D.  Crédito: Insider.

Essas transmissões ao vivo de shows foram adotadas por causa da disseminação do atual vírus, mas eu acredito que elas vão continuar mesmo depois que a epidemia acabe” disse Jeonggi Hwang, líder da agência de entretenimento JG Star Entertainment.

Empresas maiores devem desenvolver suas próprias plataformas, enquanto companhias pequenas e médias podem fazer parcerias com plataformas de transmissão ao vivo que já existem ou até as novas que surgirem. Se alguém verificar nas lojas de aplicativos, perceberá que há muitos apps de transmissão surgindo nesses últimos tempos. Uma vez que não é fácil para os artistas se apresentarem em determinados países, as companhias esperam colher os frutos se elas estabelecerem, o quanto antes, as bases para a transmissão de concertos domésticos para fãs internacionais”.

Big Hit Entertainment, lar de artistas queridos como BTS e TXT, talvez seja a agência do K-pop com mais experiência no uso das redes sociais. Enquanto a empresa sabiamente usa plataformas populares como Twitter, YouTube e TikTok, ela também distribui conteúdos exclusivos em sua própria plataforma por assinatura, o Weverse.

Insider. Crédito: SM Entertainment.

Em março, foi lançada uma série de vídeos ensinado o idioma coreano chamada “Learn Korean With BTS” (Aprenda Coreano com o BTS), e agora em maio foi disponibilizado um documentário intitulado “Break the Silence”, que faz uma retrospectiva da turnê “Love Yourself World Tour” (2018-2019).

Para se desculpar do adiamento da turnê “Map of the Soul Tour”, a companhia disponibilizou, por dois dias e de graça, cenas de shows já realizados no canal da banda no YouTube, o BangtanTV.

Além disso, foi anunciado no último dia 07 o lançamento de um show online, o “Bang Bang Con The Live”, a ser realizado no próximo dia 14 de junho através do pay-per-view do Weverse. A Big Hit disse que vai oferecer “uma experiência de poder observar o show do BTS por vários ângulos, a partir da casa de cada Army (nome do fandom da banda)”.

As transmissões já atraíram mais de 50 milhões de pessoas, sendo o pico de 2,24 milhões. Muitos fãs acendiam seus lightsticks virtuais para mostrar seu apoio, bem como manifestavam sua alegria de poderem passar o final de semana junto com a banda e fãs de várias as partes do mundo, ainda que fosse de forma virtual.

Apesar de todas as inovações criadas para reagir ao prolongado clima de incertezas atual, muitos observadores da indústria ainda estão céticos sobre se esses shows online poderão substituir os show ao vivo à longo prazo.

Um dos elementos mais importantes para um show é a atmosfera, especialmente para apresentações em grupo. Mas mesmo com a tecnologia AR, eu não podia sentir muita emoção real. Não era muito diferente de assistir clipes no YouTube” disse o crítico de música Minjae Jung.

Ele prediz que shows online e outras novas tecnologias correlatas podem desempenhar a função de apimentar shows presenciais assim que as turnês sejam retomadas.

Talvez as bandas possam transmitir as últimas partes do show ou realizar transmissões ao vivo junto com shows presenciais para alcançar tanto fãs que não podem participar quanto locais que os artistas não possam ir”.

Índia lança primeira mini-série online filmada com equipe cumprindo o distanciamento social obrigatório

Via Beco da Índia

A Índia sempre foi conhecida por ser o país que abriga a maior indústria cinematográfica do mundo. Com o bloqueio social obrigatório determinado pelo governo, nada de filmagens, nada de ir às salas de cinema. Mas os indianos, com sua criatividade, arranjaram um jeitinho de permitir que, de certa forma, o show continue: realizaram uma mini-série online seguindo as regras do Lockdown.

O tema escolhido é um dos favoritos do país: casamento.  “A Viral Wedding” (“Um casamento que viralizou”) é uma série com nove episódios, cujo primeiro capítulo foi ao ar no dia 9 de maio. A série foi realizada inteiramente  sem o encontro pessoal entre qualquer uma das pessoas que que qualquer pessoa que participou do projeto tenha se encontrado. Há até um aviso para o público em cada início de episódio: “nenhum humano foi prejudicado” na realização dessa série”.

Crédito: YouTube.

A trama é sobre uma influenciadora de mídia social, Nisha, que é surpreendida pelo lockdown enaunto preparava seu casamento com o namorado Rishab. Na manhã do dia 24 de março eles conversavam pela manhã sobre detalhes das cerimônias, que na Índia são muitas e elaboradas. Mas à noitinha, cai um meteoro em suas cabeças: o primeir-ministro indiano anuncia o bloquei social obrigatório, devido à pandemia do Coronavírus.

No primeiro momento, a moça entra em pânico. Mas ela não desiste e planeja um casamento online, em uma imitação da realidade: a mídia indiana tem noticiado vários casamentos onlines. Mas há vários contratempos, como o teste positivo para Coronavírus do pai da noiva no meio de toda a preparação da festança online.

Cada episódio tem entre 7 a 10 minutos cada. Muitas chamadas pelo pelo aplicativo Zoom e vídeos pelo WhatsApp foram necessárias para cumprir a difícil tarefa nas sessões de leitura e workshops de atuação. Os atores se filmaram com suas câmeras do Iphone e GoPros, dentro de suas casas, segurando seus aparelhos nas mãos ou colocando-os em tripés.  

O trabalho de pós-produção, com mixagem de som, design etc,  foi intenso, com o programa editado em computadores normais. O que não há em termos de tecnologia de ponta, sobra em força de vontade. A experiência fez os diretores e produtores perceberem que muita coisa pode ser feita sem encontros pessoais, como contaram em entrevistas a várias mídias da Índia. O resultado será uma memória muito interessante desse momento difícil e único pela qual o mundo passa, com quarentenas e lockdowns em vários países. A série é disponibilizada pela plataforma de streaming indiana Eros Now.

Os diretores e produtores são Raj Nidimoru e Krishna DK, indo-americanos que trabalham para Bollywood e na produção de séries da internet para a Amazon Prime Web. A série foi dirigida remotamente por Shreya Dhanwanthary e editado por Mahesh Bhojwani.

O papel de Nisha é desempenhado pela própria Shreya Dhanwanthary e o de Rishab, pelo ator Amol Parashar. Essa mistura de emoção, com humor e realidade deu certo e trouxe um pouco de nom humor no meio da loucura global com o distanciamento social.

Aqui está o link para o primeiro episódio, lançado em 9 de maio:

Novas normas sociais surgem na Coreia, na Era do Covid – 19

Via Koreapost/ Fonte Original Korea Herald

As mudanças podem ter chegado para ficar, exigindo que as pessoas se adaptem à nova realidade. Com a diminuição de novos casos de infecção por COVID-19 na Coreia do Sul, o governo começou a aplicar um aviso de distanciamento social relaxado a partir de 20 de abril. Apesar da orientação facilitada, muitos coreanos ainda estão seguindo “regras” que surgiram após a propagação do vírus.

“Enquanto fazemos nossa palestra usando o ‘Zoom’, temos que usar fones de ouvido”, disse Kim Ki Wook, estudante de pós-graduação. Ele explicou que, se os participantes da conferência ao vivo on-line não usarem fones de ouvido, o som do alto-falante do computador poderá causar feedback para todos que estiverem ouvindo. “No começo, as pessoas não conheciam essa ‘etiqueta’ e era difícil prosseguir com a palestra devido ao barulho”, explicou Kim.

Distanciamento social em refeitório. Crédito: Yonhap/Korea Herald

Kim também compartilhou sua experiência de encontrar os seus colegas em plataformas de transmissão ao vivo on-line para se conhecerem melhor. “O novo semestre começou, mas nunca nos conhecemos. Em nossa classe, costumamos dar feedback um ao outro sobre nossa tarefa; portanto, todos pensávamos que precisávamos de tempo para nos conhecer. Durante esta reunião, tivemos que ter certeza de ouvir a pessoa que está falando e não falar ao mesmo tempo”, afirmou.

Os funcionários de escritório que ainda precisam se deslocar para o trabalho estão aderindo a novas regras sociais. “Um aviso no elevador diz para usar máscaras e evitar conversas”, disse Cho Seo Jin, funcionário de um escritório em Mokdong, em Seul.

“Vi um homem falando ao telefone sem máscara há algumas semanas. Ninguém disse nada a ele, mas notei que todos pareciam desconfortáveis. Ao usar o desinfetante em spray na entrada do nosso escritório, também asseguro que não haja ninguém por perto antes de pulverizar em meu casaco”, acrescentou Cho. Ele disse que não havia algum tipo de penalidade para quem não seguir as regras, mas, como são consideradas boas maneiras, ele e muitos de seus colegas sentem uma obrigação social de segui-las.

O uso de máscaras tornou-se obrigatório na Coreia do Sul. Crédito: Yonhap/Korea Herald

“Nossa equipe de RH nos acompanha de perto e regularmente. Disseram-nos para usar máscaras e sentar na distância de um assento um do outro durante as reuniões. Agora, a maioria das pessoas segue. No início, muitas pessoas tiravam as máscaras durante as reuniões, mas nossa equipe de RH rapidamente mostra uma tela de smartphone com a frase ‘Por favor, use sua máscara’ na janela da sala de reuniões”, disse um funcionário da empresa de TI local sob condição de anonimato.

“Nossa equipe geralmente saía junto para jantar pelo menos uma vez a cada 2 meses. Mas desde fevereiro não fazemos isso, pois nossa empresa proibiu reuniões de grupo após o horário de trabalho”, disse Yang Ji Ae, funcionário de um escritório em Gangnam, Seul. “Ainda almoçamos juntos como uma equipe. Mas hoje em dia ninguém pergunta aos outros se eles querem compartilhar a comida.”

Yang também pede que entregadores deixem a comida que trazem na frente da porta após tocar a campainha. “Faço isso para minimizar o contato. Eu acho que isso é bom para o entregador e para mim”, disse Yang. Como a maioria das etiquetas visa minimizar o contato e manter distância, muitos especialistas as veem como eficazes na prevenção da propagação do novo coronavírus.

“Penso muito no público após a nova etiqueta. É claro que algum crédito deve ser destinado ao governo e à equipe médica, mas o papel do público também foi importante”, disse Kim Woo Joo, professor de doenças infecciosas no Hospital Guro da Universidade da Coreia“Acho que isso foi possível devido à experiência que as pessoas tiveram de passar com outros vírus como o Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) e a gripe suína”.

Fila para testagem Covid-19. Crédito: Yonhap/Korea Herald

“A nova etiqueta, como apertar botões com as costas das mãos, é ótima, pois os dedos e as palmas das mãos podem transmitir e espalhar o vírus com mais facilidade”, disse Kim Dong Hyun, presidente da Sociedade Coreana de Epidemiologia e especialista em medicina preventiva da Hallym Medical School. Os especialistas também enfatizaram que, juntamente com os indivíduos que seguem novas normas sociais, também é crucial que a sociedade como um todo faça alguns ajustes para uma pandemia futura.

“Pode haver uma segunda onda do vírus neste inverno. Alguns especialistas ainda dizem que o padrão da pandemia pode ser repetido até 2024. Portanto, a nova maneira de viver, como as palestras ou reuniões on-line, provavelmente se tornará algo normal para muitos. Como sociedade, devemos estar prontos para isso”, disse o professor Kim Dong Hyun.

“A menos que exista uma vacina (para COVID-19), é importante se ajustar à situação e ter uma nova etiqueta. Por exemplo, acho que empresas como o Starbucks remover alguns assentos e mesas para manter as pessoas afastadas é uma ótima ideia”, disse o professor Kim Woo Joo.

“O refeitório do nosso hospital também possui placas de acrílico instaladas entre cada assento, como uma biblioteca, para impedir fisicamente que as gotículas se espalhem.” Olhando para o futuro, alguns especialistas disseram que em breve as pessoas se acostumarão às normas sociais e que isso logo tornará nossa sociedade mais individualizada.

“Por enquanto, a maioria das pessoas está no estágio em que deseja voltar ao modo como costumava viver e encontrar as pessoas pessoalmente. Mas se o vírus persistir por muito tempo, como até o final deste ano, as pessoas em breve se acostumarão com o novo estilo de vida e pensarão que sair para o trabalho ou ter uma reunião off-line é uma perda de tempo”, diz Kwak Geum Joo, professor de psicologia da Universidade Nacional de Seul. “Mas se essa mudança for inevitável, é importante se ajustar gradualmente à situação. Por exemplo, aprender a se concentrar no trabalho fora do escritório pode ser útil.”


Ministério da cultura da Coreia fará concerto de K-pop para streaming mundial

Via Korea Times

Segundo Lee Gyu Lee, do jornal Korea Times, o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo e a Ministério da Cultura, Esportes e Turismo e Agência de Conteúdo Criativo da Coreia (KOCCA) organizarão o concerto “Viagem ao K-POP”, que será transmitido on-line globalmente. O evento de três dias – de 19 a 21 de maio – foi idealizado para ajudar as pessoas que sofrem com a pandemia de coronavírus. O objetivo é enviar a mensagem “Vamos superar”.

Apresentado por Sandeul do B1A4, o show contará com 12 artistas, incluindo iKON, Oh My Girl, APRIL e Kim Jae Hwan. O presidente da agência de conteúdo, Kim Young Jun, disse que o show oferecerá uma mensagem esperançosa e encorajadora para os fãs de K-pop que passam por momentos difíceis.

Os artistas de k-pop Kim Jae Hwan, à esquerda, Oh My Girl, no topo, e o iKON se apresentarão no show ao vivo “Trip to K-POP”. Crédito: Arquivo do Korea Times.

Como o distanciamento social tornou-se crucial em meio ao COVID-19, espero que essas performances ofereçam uma oportunidade para as pessoas desfrutarem de atividades culturais, mantendo distância“, disse ele. O concerto será realizado às 19h. por três dias e corra por cerca de 80 minutos. A transmissão ao vivo estará disponível no Vlive e no YouTube do Naver.

Live da vice-coordenadora da Gradução de Estudos de Mídia da UFF debate o futuro do audiovisual após a pandemia

Amanhã, quarta-feira, 13 de maio, às 18h, a vice-coordenadora do curso de graduação em Estudos de Mídia e docente da pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense Ariane Holzbach fará uma live, abordando o tema “O que será do audiovisual após a pandemia?”.


Na ocasião, o debate também vai contar com a presença do professor e pesquisador curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina José Cláudio Castanheira. Ele que também é lider do Grupo de Estudos em Imagens, Sons e Tecnologias (GEIST) e realiza pesquisas nas áreas de cultura digital, música, estudos do som e cinema.

Crédito: Facebook Estudos de Mídia.

Segundo Holzbach: “este é um projeto que objetiva refletir sobre os papeis e a relação das mídias com o momento único que estamos vivendo. As lives duram uma hora e são ótimas oportunidades para interagirmos nesta situação de distanciamento/isolamento“.

Para acompanhar a live, acesse o perfil no Instagram de Holzbach: @ari_diniz.

Mais informações é possível encontrar na página do Estudos de Mídia no Facebook.