PRINT/UFF convida para realização do evento “Índia/Brasil: Vidas Trans em (Re)existência”

Nesta quarta-feira, dia 12 de maio, às 19h30, ocorre o evento online “Índia/Brasil: Vidas Trans em (Re)existência”. Nesta ocasião, também acontece a estreia brasileira de “Ek Aasha”, filme indiano, legendado em português por Sara Wagner York, Regiane Ramos e Joel Windle. Na sequência, o público poderá acompanhar uma conversa com o diretor Mayur Katariya.

Crédito: http://letras.uff.br/

Em seguida, na sexta-feira, dia 14 de maio, às 20h30, todos estão convidados para participar de um bate-papo sobre cinema, culturas trans, pandemia e muito mais, com Anne Mota, estrela do filme “Alice Junior”, Disha Yadev, estrela de “Ek Aasha”, o realizador da obra Mayur Katariya, e Sara Wagner York, ativista e professora trans. O encontro tem o apoio do Grupo de Trabalho de Ações Afirmativas do PosLing-UFF, além de grupos de pesquisa da UFF, UERJ, UFOP e UEMS. O evento será transmitido pelo canal Trans Education Brazil no YouTube (clique aqui para acessar) com tradução para Libras, e sem necessidade de inscrição.

Quando Bollywood inspira-se em Dostoiévski

Via Beco da Índia

O sangrento e doloroso processo de divisão da Índia após a sua independência, que resultou na criação do Paquistão e saparou famílias, amigos e amantes, é uma fonte inesgotável de roteiros cinematográficos indianos. Em Chhalia (Malandro), de 1960, um filme clássico de Bollywood encenado e produzido pelo astro Raj Kapoor (1924- 1988),  e dirigido por Manmohan Desai (1937- 1994), o drama indiano é inspirado em uma novela russa de 1848: Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski.

Os filmes de Manmohan Desai são no estilo masala (ou seja, que mistura vários gêneros, como são em geral os filmes de Bollywood), e focam em histórias de famílias que se separam e se reúnem. Durante os anos 50 e 60, a Índia e a então União Soviética tinham uma relação muito estreita, inclusive culturalmente. Os filmes indianos, especialmente os de Raj Kapoor, faziam muito sucesso entre os soviéticos.

Na novela russa, o cenário é a majestosa e fantasmagórica São Petersburgo, na beira do Rio Nievá, durante o verão das noites brancas, quando o sol praticamente não se põe. O sonho do amor de um homem por uma moça  dura apenas quatro dias. Não foi apenas o cinema indiano que bebeu na fonte de Noites Brancas: Luchino Visconti também filmou a novela de Dostoiévsky com seu olhar neorealista, três anos antes de Chhalia.

O filme Chhalia (1960), com Raj Kapoor no papel principal, é inspirado em Noites Bracas de Fiódor Dostoiévski. Crédito: Beco da Índia.

Na trama indiana, o sonho também acaba em frustração, mas o cenário é bem mais conturbado do que as calmas águas dos afluentes do Nievá na cidade construída por Pedro, o Grande. As primeiras cenas do filme indiano são em Lahore, cidade que foi um importante polo cultural da Índia pré-partição, hoje situada no Paquistão.

Kewal e Shanti, recém-casados, tem a sua noite de núpcias interrompida devido ao caos que tomou conta da cidade, com os sangrentos conflitos religiosos entre muçulmanos e hindus e tamém sikhs. Era véspera da Partição, quando milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas.

Hindus e sikhs que moraram no futuro Paquistão se dirigiam para a Índia de trem, a cavalo, em carros de boi, ou mesmo a pé. E muçulmanos da Índia fugiam para o Paquistão com o que conseguiam levar nas malas. Foi a maior migração forçada da história: 10 milhões de deslocados. E pior ainda, entre 1 a 2 milhões de mortos. Foi um momento da história em que “o sangue é mais barato do que água”, como lamenta a personagem Shanti no filme.

A atriz Nutam Samarth, que faz o papel de Shanti em Chhalia. Crédito: divulgação.

Na fuga para a Índia, Shanti é deixada para trás por Kewal. Cinco anos depois, ela consegue ir para Delhi, a capital indiana, e  procura o marido, com um filho no colo. Mas Kewal e sua família a rejeitam porque o filho tem o nome muçulmano e isso os fizeram desconfiar de que o menino não era filho do hindu. Mas a verdade é que  Anwar, o bondoso homem muçulmano  que ajudou Shanti, o fez porque ele próprio tinha o seu trauma da Partição: ao salvar a hindu Shanti, ele pensava na sua irmã muçulmana que ele havia perdido no processo de divisão da Índia.

Assim, o menino é de fato filho de Kewal e Shanti não havia se envolvido com o muçulmano. Aí surge pela primeira vez no filme uma analogia ao épico Ramaiana, no qual Sita, mulher do príncipe Rama, também é rejeitada por ele após ter sido raptada pelo demônio Ravana. Voltaremos ao Ramaiana no final.

Chhalia é o personagem de Raj Kapoor, um malandro bonitão, pobre e boa praça que canta (sim, é um filme musical): “Eu saúdo a todos, muçulmanos, hindus, sikhs e cristãos. Eu sou o príncipe dos pobres, não ligo para castas ou para religião. Nem sei à qual casta ou religião pertenço”. A mensagem da Índia secularista e socialista do então primeiro-ministro Jawaharlal Nehru está sempre presente nos filmes de Kapoor.

Quando Chhalia vê Shanti chorando na rua, observa que ela deixou cair no chão uma carta. Ele a lê: era uma carta de despedida da vida. Chhalia a convida para o seu barraco de madeira. E o inevitável acontece: Chhalia se apaixona por Shanti. “Eu escorreguei no amor sem ter bebido”, canta ele na chuva.

Crédito: divulgação.

A atriz principal que faz o papel de Shanti é um ícone na Índia: Nutam Samarth (1936- 1991), filha de um diretor e de uma atriz, ela é tia da estrela bollywoodiana Kajol, que brilhou principalmente nos anos 90 ao lado do mega astro Shah Rukh Khan. Tudo em família como costuma ser na Índia. Nutam Samarth começou a atuar com apenas 14 anos de idade e acabou transformando-se em uma referência para outras atrizes que se seguirem após ela.

Como nos filmes dirigidos por Desai, as famílias acabam se reunindo e Chhalia é responsável por esse final glorioso: ele mesmo amarra o reencontro de Shanti e Kewan durante o grande festival do Dussera. Quando o demônio Ravana, de dez cabeças (do épico Ramaiana)  é queimado neste festival de rua, como manda a tradição,  Kewan percebe que suas dúvidas sobre Shanti foram dissipadas, uma referência ao destino de Sita, que teve que se submeter ao teste do fogo para provar a sua pureza.

Raj Kapoor , em Chhalia. Crédito: divulgação.

No filme, Shanti é recebida de volta.  A Índia dos anos 60 fez uma releitura do épico milenar. No Ramaiana, Sita não é aceita de volta ao coração de sua família nem mesmo após ter saído ilesa da prova de fogo. Se fosse refilmado na Bollywood do século 21, com várias personagens femininas cada vez mais fortes e independentes, a história de Chhalia e Shanti provavelmente seria outra e a mulher provavelmente não correria atrás do marido o filme inteiro.

10 filmes e séries mais assistidos na Índia em 2020

Via Beco da Índia

Casamentos arranjados, crimes, amor na Índia do século 21, mulheres rompendo barreiras e entrando nas Forças Armadas. Esses foram alguns dos temas de filmes e seriados da Netflix que mais prenderam a atenção dos indianos em 2020.

O ano em que muita gente ficou em isolamento em casa devido à Pandemia do Novo Coronavírus, os serviços de transmissão de filmes e séries alcançou recordes de audiência. Na Índia não foi diferente. A Netflix India divulgou as obras mais assistidas em 2020 pelos indianos. Aqui vai uma lista de 10 séries e filmes indianos que capturaram a atenção do país.

Indian Matchmaking
Essa série de não ficção, produzida por Smiriti Mundhra, foi um sucesso, mas causou polêmica na mídia por não questionar em nenhum momento, segundo os críticos, os preconceitos arraigados (de casta, características físicas e sobre relações de gênero) da sociedade indiana que emergem com força à superfície quando se trata de casamento. A série mostra, sem alimentar fantasias, como funciona a complexa indústria dos casamentos arranjados na Índia, que são até hoje a modalidade masi comum nas uniões.

O público externo acostumou a ver os glamourosos casamentos indianos em filmes, com  muitas danças, roupas exuberantes e comilança. A série acompanha o trabalha de Sima Taparia, uma arranjadora de casamentos de Mumbai, munida de seus currículos para tentar casar pretendentes indianos, combinando suas personalidades e desejos e também os de suas famílias. 

Veja aqui o trailer, com legendas em inglês

Masaba Masaba
O nome dessa série biográfica refere-se a Masaba Gupta, uma famosa estilista indiana, filha da atriz Neena Gupta, também famosa, e do jogador de críquete jamaicano Vivian Richards. É uma verão ficcional da vida delas na moda e no cinema. As próprias Masaba e Neena atuam na série.

Veja o trailer, com legendas em inglês

She
Bhumika, uma policial indiana do grupo de combate a drogas mergulha no submuno do crime para desbaratar uma gangue. A série foi escrita por Imtiaz Ali e tem como atriz principal Aaditi Pohankar ( no papel de Bhumika),  e os atores Vijay Varma e Kishore.

Veja aqui o trailer da primeira temporada, com legendas em português

Fabulous Lives of Bollywood WivesEssa série de não ficção é uma versão indiana do “Keeping up with the Kardashians”. Quem se interessar por saber o quão fútil pode ser o mundo bollywoodiano, totalmente descocnectado da realidade indiana, pode espiar essa produção, mas não precisa assistir tudo. A série foca nas vidas pessoal e profissional de 4 mulheres,amigas há 20 anos, que tem em comum o fato de serem esposas de atores de Bollywood: Neelam Kothari, Maheep, Kapoor, Bhavna Pandey e Seema Khan.

Veja o trailer, com legendas em inglês

Bad Boy Billionaires
O documentário em vários episódios, conta a vida de 4 magnatas inescrupulosos: Vijay Mallya, Nirav Modi, Subrata Roy e Ramalinga Raju. Eles protagonizaram escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro que renderam manchetes na mídias internacional. 

Veja o trailer aqui

Raat Akeli Hai
A tradução do título seria “A Noite é solitária”. Esse filme, falado em Hindi, é um thriller sobre um policial destacado para investigar o assassinato de um chefe de família. O filme é dirigido por Honey Trehan, com os excelentes atores Nawazuddin Siddiqui e Radhika Apte.

Veja o trailer, com legendas em inglês

Ludo
De um video que revala uma cena de sexo a uma mala de dinheiro , quatro diferentes histórias se cruzam nesse filme que ao mesmo tempo é uma comédia e um policial, com os atores Abhishek Bachchan, Aditya Roy Kapur e Rajkummar Rao, dirigido por Anurag Basu. O nome do filme refere-se ao jogo, que se correlaciona com a vida dos personagens.

Veja o trailer dublado em português

Gunjan Saxena: a menina da guerra de Kargil
O filme dramático mais popular do ano na Índia,  drama mais popular do ano, conta uma história real de uma oficial da Força Aérea da Índia que dirigiu um caça durante uma guerra contra o Paquistão. Gujan Saxena entrou para a Força Aérea em 1994 e dirigiu um helicóptero de guerra durante o conflito. Ela teria sido a primeira mulher indiana a pilotar durante uma guerra.

O trailer de Gujan Saxena pode ser assistido aqui, com legendas em inglês

Miss India
Esse filme, falado na língua Telugu ( do estado indiano de Andhra Pradesh) , dirigido por Narendra Nath, conta a história de Manasa Samyuktha ( atriz Keerthy Suresh), de uma típica família de classe média indiana que sonha em se tornar uma mulher de negócios.

Veja o trailer, com legendas em inglês

Love Aaj Kal
O amor nos dias de hoje. Essa seria a tradução do título desde filme dirigido por Imtiaz Ali. Uma história de amor de uma década passada pode fornecer algum ensinamento para um casal moderno quando os objetivos de carreira os empurram para direções diferentes.

Veja o trailer com legendas em inglês

Qual foi o filme que deu o pontapé inicial no cinema masala musical de Bollywood?

Via Beco da Índia

A estreia de Alam Ara, em 1931, em Bombaim (atual Mumbai), causou comoção, os ingressos acabaram e a polícia foi chamada para conter a multidão na porta do cinema

Qual foi o primeiro filme sonoro na terra dos musicais? Alam Ara, lançado em 1931, dirigido por Ardeshir Irani, abriu o caminho para os filmes masala musicais de Bollywood, como é conhecida mundialmente a indústria de cinema na língua Hindi.  A estreia de Alam Ara foi no cinema Majestic, de Mumbai, na época chamada de Bombaim (ou Bombay em inglês). O filme fez tanto sucesso que a polícia foi acionada para controlar multidão diante do cinema. Os ingressos se esgotavam rapidamente, segundo o historiador de cinema B.D. Gaga, autor do livro “Art of Cinema”.  

A língua do filme era Hindustani (mistura do Hindi com o Urdu). Ao contrário dos primeiros filmes mudos indianos, que recontavam histórias da mitologia, a trama de Alam Ara foi uma adaptação de uma popular peça do autor Joseph David, da comunidade indiana de judeus Bhagdadi.

Crédito: Wikipedia.

Mas infelizmente não restou uma cópia do filme. Quando se comemorou os 80 anos de lançamento de Alama Ara, a Google postou uma homenagem à obra com um doodle. Alam Ara conta uma história de amor entre um príncipe do reino fictício de Kumarpur e uma garota cigana. O Sultão Saleem Khan tem duas esposas: Dilbahar Begum  e Navbahar Begum, que disputam espaço e poder. Um dia, um faquir faz uma premonição que acirra a briga: ele diz que Navbahar vai ser a mãe do herdeiro do trono. Dilbahar procura ter um caso com o ministro-chefe do rei, mas ele não a corresponde.

Ela, em vingança, o aprisiona e manda a esposa grávida para o exílio. Nasce a menina Alam Ara, que é criada por nômades. Já moça, ao retornar para o palácio de Kumarpur, Alam Ara apaixona-se pelo jovem príncipe Jahangir Khan. No final, os dois conseguem se casar.

Shyam Benegal, um dos diretores mais famosos do cinema indiano, explicou a a Mihir Bose, autor do livro “Bollywood” (Roli Books, 2006) que havia uma época, nos anos 30, em que os filmes de Bollywood eram como os de Hollywood. Mas com a chegada do som, Bollywood adotou um caminho totalmente diferente, provocando um divórcio entre as duas culturas.

Anos depois, o diretor Ardeshir Irani fez história novamente ao realizar o primeiro filme colorido da história do cinema indiano : Kisan Kanya. Assim, o filme Alam Ara foi um divisor de águas, com algo em torno de 30 músicas. Depois disso, segundo Benegal, os filmes de seu país passaram a ter 16 ou 17 músicas cada, refletindo o modo como os indianos pensam esse tipo de arte, sem as divisões rígidas  entre comédia, drama e musical, como ocorre no Ocidente. Uma outra curiosidade sobre o primeiro filme falado da Índia:  um dos atores de Alam Ara foi Prithviraj Kapoor, o patriarca do clã Kapoor, a família mais importante de Bollywood, hoje representada por Kareena Kapoor.

A superprodução do cinema indiano inspirada nos épicos que conquistou audiências estrangeiras

Via Beco da Índia

O grande épico Mahabhárata inspirou uma das maiores superproduções da história do cinema indiano: “Baahubali”, um sucesso estrondoso que custou US$ 70 milhões e ultrapassou as fronteiras da Índia, ganhando audiências externas, como a russa, onde o filme foi dublado e transmitido para a TV Russa nesse ano.

A trama passa no antigo reino de Mahishmati, na Índia, e é sobre dois irmãos guerreiros que disputam o poder, como ocorre no Mahabhárata. No Brasil, o Mahabhárata é mais conhecido pelo seu capítulo Bhagava Gita, um diálogo no campo de batalha sobre a importância do dharma (o dever de cada um), uma alegoria sobre as lutas morais e éticas da vida humana.

Assim como no épico, o personagem principal do filme segue o seu dharma.  O Mahabhárata conta a sangrenta guerra por poder entre os Pandavas e Kauravas. Produtos culturais (como séries de TV, novelas, livros e filmes) que inspiram-se nos épicos (além do Mahabhárata há o Ramayana), são sucesso imediato na Índia.

Crédito: YouTube.

“Baahubali, o começo” foi filmado originalmente em duas línguas do Sul da Índia: telugu e tâmil, com atores populares nessas duas indústrias cinematográficas. Logo em seguida foi dublado em Malaialam, também do Sul da Índia, e em Hindi (a principal língua do país, falada por 40% da população principalmente no norte). O lançamento ocorreu há cinco anos e seu diretor é S. S Rajamouli.

Ele explicou que em um país multilíngue como a Índia, seria impossível recuperar o custo do filme se ele fosse lançado somente em uma língua. A sua sequência chama-se “Baahubali, a conclusão”. Neste ano, os dois filmes foram dublado em russo e exibidos na TV daquele país. Prabhas, que faz o papel do protagonista dos filmes, tornou-se o segundo ator indiano a ganhar a o coração da audiência russa.

Há 60 anos, Raj Kapoor, uma grande estrela de Bolywood, conquistou os russos, juntamente com a atriz indiana Nargis, que contracenou com ele em vários filmes.  Filmes indianos dublados em russo eram assistidos pela audiência na época da antiga URSS e havia até mesmo uma publicação local dedicada ao cinema indiano, chamada “Prem”.

 

Site Beco da Índia aborda o cinema de Bollywood em sua primeira live

No dia 8 de agosto, sábado, às 14h, começa a primeira live do site Beco da Índia, parceiro do MidiÁsia, especializado na divulgação da cultura indiana. Nesta ocasião, o tema será a indústria de cinema Bollywood. Participarão da iniciativa a especialista em audiovisual Juily Malani e a editora do Beco da Índia, autora do livro “Os Indianos” (2012), publicado pela editora Contexto, Florência Costa. Acompanhe o evento pelo Instagram do Beco da Índia.

Crédito: Facebook Beco da Índia.

Filme indiano sobre um vírus mortal foi lançado seis meses antes da pandemia da Covid 19

Via Beco da Índia

Em tempos de pandemia de Coronavirus, muita gente procurou assistir o filme “Contágio” (2011), do americano Steven Soderbergh. Mas há um outro filme, lançado seis meses antes do primeiro caso da Covid 19, que também parece ser uma premonição: “Vírus”. Foi um grande sucesso na Índia, que agora voltou a chamar a atenção do público.

Trata-se de um thriller médico no idioma malaiala, falado no estado de Kerala, onde vivem 35 milhões de pessoas, no Sul da Índia. O filme é  baseado em eventos reais: a epidemia do vírus Nipah em maio de 2018 nos distritos de Kozhikode e Malappuram, em Kerala. O estado indiano adotou medidas enérgicas e teve sucesso: evitou a disseminação da doença. Nipah é uma doença transmitida de animais para humanos, tendo os morcegos como hospedeiros.

Crédito: OPM Records

Um meme que circulou nas redes sociais da Índia nas últimas semanas dizia: “todos os teatros permanecerão fechados até que a vida real pare de se parecer com a de filmes”. No filme, um homem, Zakariya, é infectado por um víruos então desconhecido e é levado para a Faculdade de Medicina governamental com febre, vômito e dor de cabeça. Ele morre algumas horas depois, mas havia contaminado 18 pessoas e destas 16 morrem.

Entre as infectadas está uma enfermeira, Akhila, que tomou conta do rapaz. Ela acaba com problemas respiratórios, pede para ser intumbada, mas não resiste e morre sem conseguir se despedir do marido. O filme mostra justamente o drama das famílias que não podem visitar seus parentes doentes, nem para se despedir, como tem acontecido agora com a pandemia. O luto ocorre em silêncio e solidão.

 O filme, dirigido por Aashiq Abu,  mostra que uma equipe liderada pelo Ministério da Saúde detecta a disseminação do Nipah utilizando circuito de TV, entrevistas com pessoas e arquivos médicos sobre pacientes. Como aconteceu em alguns lugares agora na pandemia do Coronavírus, o filme já mostrava o estigma social em torno do pessoal médico e dos familiares de mortos.  Pânico, preconceito, que tomam conta da sociedade com a epidemia.