Filme indiano sobre um vírus mortal foi lançado seis meses antes da pandemia da Covid 19

Via Beco da Índia

Em tempos de pandemia de Coronavirus, muita gente procurou assistir o filme “Contágio” (2011), do americano Steven Soderbergh. Mas há um outro filme, lançado seis meses antes do primeiro caso da Covid 19, que também parece ser uma premonição: “Vírus”. Foi um grande sucesso na Índia, que agora voltou a chamar a atenção do público.

Trata-se de um thriller médico no idioma malaiala, falado no estado de Kerala, onde vivem 35 milhões de pessoas, no Sul da Índia. O filme é  baseado em eventos reais: a epidemia do vírus Nipah em maio de 2018 nos distritos de Kozhikode e Malappuram, em Kerala. O estado indiano adotou medidas enérgicas e teve sucesso: evitou a disseminação da doença. Nipah é uma doença transmitida de animais para humanos, tendo os morcegos como hospedeiros.

Crédito: OPM Records

Um meme que circulou nas redes sociais da Índia nas últimas semanas dizia: “todos os teatros permanecerão fechados até que a vida real pare de se parecer com a de filmes”. No filme, um homem, Zakariya, é infectado por um víruos então desconhecido e é levado para a Faculdade de Medicina governamental com febre, vômito e dor de cabeça. Ele morre algumas horas depois, mas havia contaminado 18 pessoas e destas 16 morrem.

Entre as infectadas está uma enfermeira, Akhila, que tomou conta do rapaz. Ela acaba com problemas respiratórios, pede para ser intumbada, mas não resiste e morre sem conseguir se despedir do marido. O filme mostra justamente o drama das famílias que não podem visitar seus parentes doentes, nem para se despedir, como tem acontecido agora com a pandemia. O luto ocorre em silêncio e solidão.

 O filme, dirigido por Aashiq Abu,  mostra que uma equipe liderada pelo Ministério da Saúde detecta a disseminação do Nipah utilizando circuito de TV, entrevistas com pessoas e arquivos médicos sobre pacientes. Como aconteceu em alguns lugares agora na pandemia do Coronavírus, o filme já mostrava o estigma social em torno do pessoal médico e dos familiares de mortos.  Pânico, preconceito, que tomam conta da sociedade com a epidemia.

Como uma rádio comunitária ajuda vítimas de eventos causados pelas mudanças climáticas no sul da Índia

Via Beco da Índia

Ciclones, enchentes e até tsunamis. O Sul da Índia é um alvo frequente dos efeitos perversos das mudanças climáticas e recentemente sofreu sérios golpes. Como educar as pessoas, especialmete as crianças,  a se precaverem diante dessas sitações dramáticas que acontecem de forma cada vez mais frequente?

A rádio Kalanjiam Samuga Vanoli, localizada no vilarejo de Vizhuthamavadi, a 320 quilômetros de Chennai, a capital do estado indiano de Tamil Nadu, tem sido fundamental para informar as pessoas e prevenir maiores desastres, informa uma matéria publicada no site  do One Earth. Um belo exemplo de como a união de comunidades pode ser decisivo em momentos de crise.

Vizhuthamavadi. Crédito: INDIA.MONGABAY.COM

A rádio cobre cerca de de 20 quilômetros, alcançando oito vilarejos. Segundo Aparna Shukla, a diretora da rádio (que conta com o apoio da Fundação DHAN), as pessoas da região, boa parte pobres,  não necessariamente compreendem a questão das mudanças climáticas.  

O tsunami do Oceano Índico, em 2004, teve sérias consequência na costa do estado de Tamil Nadu, com muitos mortos. O Ciclone Gaja, por exemplo, atingiu em cheio o estado, em novembro de 2018,  e a rádio ajudou muito com alertas e mensagens, além de oferecer serviços de reabilitação após o evento.

Crédito: Newsrack.in

Um grupo de repórteres locais, batizado de “Voz dos Vulneráveis”, faz cobertura sobre questões relacionadas ao  meio ambiente e às mudanças climáticas que geralmente não não muito explorados na mídia em geral. Hoje, há 25 jornalistas comunitários, a maioria mulheres entre 15 e 25 anos.  O rádio acabou levando à criação de uma newsletter chamada Coastal Watch com matérias sobre a comundade de agricultores e pescadores.

Vinod Pavarala, especialista em radio comunitária da Universidade de Hyderabad, e ligado às Organizaçoes das Nações Unidas (ONU), explica que a filosofia básica  da rádio comunitária é empoderar os marginalizados., com informações credíveis  em tempos de crises. Em um dos programas, a rádio divulgou um belo poema de um voluntário, na língua Tamil, sobre o choque dos pescadores diante desses eventos extremos:

Nós levamos nosssos barcos até as ondas incessantes\ Sem nenhum descanso, para pescar\ Nosso corpo está  fatigado, mas estamos animados\ Nós voltamos para a costa para encontrar nossos parentes\ Mas não havia nem pessoas, nem cabanas\Onde você os levou?”