Havelis: um capítulo charmoso da arquitetura indiana

Via Beco da Índia

Um capítulo charmoso da história arquitetônica da Índia é composto pelos havelis, ou mansões tradicionais erguidas por ricos mercadores. Essas construções existem há vários séculos e são famosas por suas fachadas trabalhadas e exuberantes. Os havelis são construídos de arenito vermelho ou amarelo ricamente trabalhados com padrões complexos. A maioria dos havelis possui grandes varandas, vários andares e salas grandiosas. Eles são construídos em torno de um pátio central para escapar do calor escorchante do verão.

Patwon ki Haveli. Crédito: Wikimedia Commons.

O estado do Rajastão é conhecido por seus magníficos palácios de marajás, mas seus havelis são outro tipo de construção imperdível para os turistas. A bela cidade de Jaisalmer, por exemplo, encrustada no meio do Deserto de Thar, próxima da fronteira da Índia com o Paquistão, possui um famoso conjunto de Havelis : o Patwon Ji ki Haveli, que demorou 50 anos para ser construído.

Paredes pintadas do Patwon ki Haveli em Jaisalmer. Crédito: Wikimedia Commons.

Trata-se de um um conjunto de cinco havelis. O primeiro deles e o mais famoso é o  Kothari’s Patwa Haveli. Foi construído em 1805 por Guman Chand Patwa, um rico comerciante de jóias. Toda a sua família trabalhava com joias e fios de ouro e prata usados em bordados de roupas sofisticadas. Jaisalmer ficava no caminho da famosa Rota da Seda e enriqueceu muito durante o auge dessas antigas caravanas comerciais.

Detalhe do balcão do principal haveli de Jaisalmer. Crédito: Wikimedia Commons.

O comerciante mandou erguer o agrupamento de cinco havelis para seus cinco filhos. O Patwon Ji Ki é conhecido por suas paredes ornamentadas com pinturas e balcões em arenito amarelo trabalhado chamados “jharokhas”. Hoje, os havelis são administrados pelo Departamento de Arte e Artesanato do governo estadual do Rajastão e pelo Instituto de Pesquisa Arqueológica da Índia. O Patwon Ji ki Haveli,  com 60 balcões, foi o primeiro haveli construído em Jaisalmer e o segundo no Rajastão.

O sabor da comida indiana em três filmes leves

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Para quem gosta de gastronomia – e gastronomia indiana – aqui vão três dicas de filmes que falam da paixão pela comida, especialmente pelos curries, de amizades, amores, solidão e esperança. Em “A lancheira do Amor” (The Lunchboxduas almas solitárias acabam conhecendo uma a outra, sem encontrarem-se pessoalmente, mas por bilhetes, devido ao desvio de uma marmita. Uma história tocante de amor e comida indiana caseira, um filme sobre solidão, mágoas e esperanças. Os famosos dabbawalas de Mumbai  transportam lancheiras com almoços preparados pelas donas de casas para seus maridos nos escritórios. Esses transportadores, que possuem um complexo sistema para não entregarem a marmita à pessoa errada, são  uma verdadeira instituição da cidade.

Eles levam e trazem as lancheiras de volta para as casas. Mas mesmo o sistema mais perfeito tem uma brecha…  A dona de casa solitária envia, pelos dabbawalas, deliciosos pratos para o marido, que a ignora. Certo dia a lancheira acaba nas mãos de um viúvo, também solitário, que trabalha no mesmo escritório do marido dela.  Com o excelente ator indiano Irrfan Khan, falecido recentemente, Nimrat Kaur e Nawazuddin Siddiqui, é uma produção conjunta da Índia, dos Estados Unidos, da Alemanha e da França, de 2013, dirigido por Ritesh Batra.

“A 100 passos de um sonho”  (The Hundred-Foot Journey) é uma batalha entre dois restaurantes em um vilarejo francês. Um pertencente a uma família indiana, o Maison Mumbai.  O outro, um francês pertencente a uma dona respeitada, mas autoritária: Madame Mallory (Helen Mirren). Seu restaurante tem estrelas no famoso guia Michelin e fica a 100 pés de distância (daí o nome do filme), ou 30 metros. Um conflito que é alimentado, no lado francês, pela xenofobia. Comédia dramática Americana de 2014, o filme é baseado em um romance de Richard Morais, com o mesmo título, lançada em 2010. Com os atores Helen MirrenOm PuriManish Dayal e Charlotte Le Bon, o filme foi produzido por Steven Spielberg e Oprah Winfrey.

Já “O Sabor da Magia” (The Mistress of Spices) conta a história de uma mulher misteriosa, clarividente e mágica, Tilo (encenada pela belíssima Aishwarya Rai) é dona de uma loja de especiarias, imigrante indiana que vive nos EUA. Ela transforma seus ingredientes em poções curativas do corpo e da alma, como sândalo para acabar com as dores da memória ou semente de cominho para proteger contra invejosos. No entanto, Tilo perderá essa capacidade se experimentar qualquer uma de suas receitas, ou se ela se apaixonar. O filme, de 2005,  baseia-se no livro Mistress of Spices (A Senhora das Especiarias), de Chitra Bnerjee Divakaruni.

10 filmes e séries mais assistidos na Índia em 2020

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Casamentos arranjados, crimes, amor na Índia do século 21, mulheres rompendo barreiras e entrando nas Forças Armadas. Esses foram alguns dos temas de filmes e seriados da Netflix que mais prenderam a atenção dos indianos em 2020.

O ano em que muita gente ficou em isolamento em casa devido à Pandemia do Novo Coronavírus, os serviços de transmissão de filmes e séries alcançou recordes de audiência. Na Índia não foi diferente. A Netflix India divulgou as obras mais assistidas em 2020 pelos indianos. Aqui vai uma lista de 10 séries e filmes indianos que capturaram a atenção do país.

Indian Matchmaking
Essa série de não ficção, produzida por Smiriti Mundhra, foi um sucesso, mas causou polêmica na mídia por não questionar em nenhum momento, segundo os críticos, os preconceitos arraigados (de casta, características físicas e sobre relações de gênero) da sociedade indiana que emergem com força à superfície quando se trata de casamento. A série mostra, sem alimentar fantasias, como funciona a complexa indústria dos casamentos arranjados na Índia, que são até hoje a modalidade masi comum nas uniões.

O público externo acostumou a ver os glamourosos casamentos indianos em filmes, com  muitas danças, roupas exuberantes e comilança. A série acompanha o trabalha de Sima Taparia, uma arranjadora de casamentos de Mumbai, munida de seus currículos para tentar casar pretendentes indianos, combinando suas personalidades e desejos e também os de suas famílias. 

Veja aqui o trailer, com legendas em inglês

Masaba Masaba
O nome dessa série biográfica refere-se a Masaba Gupta, uma famosa estilista indiana, filha da atriz Neena Gupta, também famosa, e do jogador de críquete jamaicano Vivian Richards. É uma verão ficcional da vida delas na moda e no cinema. As próprias Masaba e Neena atuam na série.

Veja o trailer, com legendas em inglês

She
Bhumika, uma policial indiana do grupo de combate a drogas mergulha no submuno do crime para desbaratar uma gangue. A série foi escrita por Imtiaz Ali e tem como atriz principal Aaditi Pohankar ( no papel de Bhumika),  e os atores Vijay Varma e Kishore.

Veja aqui o trailer da primeira temporada, com legendas em português

Fabulous Lives of Bollywood WivesEssa série de não ficção é uma versão indiana do “Keeping up with the Kardashians”. Quem se interessar por saber o quão fútil pode ser o mundo bollywoodiano, totalmente descocnectado da realidade indiana, pode espiar essa produção, mas não precisa assistir tudo. A série foca nas vidas pessoal e profissional de 4 mulheres,amigas há 20 anos, que tem em comum o fato de serem esposas de atores de Bollywood: Neelam Kothari, Maheep, Kapoor, Bhavna Pandey e Seema Khan.

Veja o trailer, com legendas em inglês

Bad Boy Billionaires
O documentário em vários episódios, conta a vida de 4 magnatas inescrupulosos: Vijay Mallya, Nirav Modi, Subrata Roy e Ramalinga Raju. Eles protagonizaram escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro que renderam manchetes na mídias internacional. 

Veja o trailer aqui

Raat Akeli Hai
A tradução do título seria “A Noite é solitária”. Esse filme, falado em Hindi, é um thriller sobre um policial destacado para investigar o assassinato de um chefe de família. O filme é dirigido por Honey Trehan, com os excelentes atores Nawazuddin Siddiqui e Radhika Apte.

Veja o trailer, com legendas em inglês

Ludo
De um video que revala uma cena de sexo a uma mala de dinheiro , quatro diferentes histórias se cruzam nesse filme que ao mesmo tempo é uma comédia e um policial, com os atores Abhishek Bachchan, Aditya Roy Kapur e Rajkummar Rao, dirigido por Anurag Basu. O nome do filme refere-se ao jogo, que se correlaciona com a vida dos personagens.

Veja o trailer dublado em português

Gunjan Saxena: a menina da guerra de Kargil
O filme dramático mais popular do ano na Índia,  drama mais popular do ano, conta uma história real de uma oficial da Força Aérea da Índia que dirigiu um caça durante uma guerra contra o Paquistão. Gujan Saxena entrou para a Força Aérea em 1994 e dirigiu um helicóptero de guerra durante o conflito. Ela teria sido a primeira mulher indiana a pilotar durante uma guerra.

O trailer de Gujan Saxena pode ser assistido aqui, com legendas em inglês

Miss India
Esse filme, falado na língua Telugu ( do estado indiano de Andhra Pradesh) , dirigido por Narendra Nath, conta a história de Manasa Samyuktha ( atriz Keerthy Suresh), de uma típica família de classe média indiana que sonha em se tornar uma mulher de negócios.

Veja o trailer, com legendas em inglês

Love Aaj Kal
O amor nos dias de hoje. Essa seria a tradução do título desde filme dirigido por Imtiaz Ali. Uma história de amor de uma década passada pode fornecer algum ensinamento para um casal moderno quando os objetivos de carreira os empurram para direções diferentes.

Veja o trailer com legendas em inglês

Conheça uma joia rara do cinema de Satyajit Ray: ‘Dois’ é uma bela fábula sobre um duelo simbólico de meninos

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Dois meninos vivem em mundos opostos. Um, no segundo andar de uma imensa e confortável casa, toma coca-cola e usa um boné com orelhas de Mickey Mouse. Ele procura matar o tédio com a montanha de brinquedos que possui, os mais modernos e caros.

 O outro menino, descalço, lá embaixo, do lado de fora, no meio do mato, ao lado de seu casebre de madeira, brinca com o pouco que tem. Eles não se conhecem. Até que o menino rico ouve, do alto de sua janela, o som de uma flautinha que o menino pobre tocava. O rico reage e vai buscar a sua flauta sofisticada. Aí começa a disputa desigual. Cada um procura exibir o que tem nesse duelo repleto de simbologia.

Esta é uma fábula em preto e branco, um silencioso curta-metragem de 12 minutos do diretor bengalês Satyajit Ray“Two: A Film Fable” (Dois: Um filme fábula), de 1964. O duelo prossegue. O pobre desaparece e surge com um tamborzinho de madeira. O rico responde mostrando seu macaquinho movido a pilha que toca uma percussão. O pobre some. Volta com uma máscara no rosto, um arco e flecha. O rico reage. Exibe sua coleção de máscaras e armas diversas: espada, revolver, metralhadora.

Crédito: YouTube.

Diante do sentimento de vitória, o rico comemora na geladeira, de onde tira seu prêmio: uma suculenta maçã. Mas quando volta, vê da janela uma pipa sendo empinada. Era o menino pobre que exibia toda a sua liberdade de pipa, flanando ao vento.

O rico, preso em sua casa, não pensa duas vezes: com sua espingarda de chumbinho, vai para a janela e atinge em cheio a pipa. Sorri triunfante e volta para seus brinquedos de pilha barulhentos. Mas eis que novamente o som da flautinha do garoto pobre entra pela janela e abafa a cacofonia irritante dos brinquedos de pilha.

Satyajit Ray. Crédito: Wikipedia.

Este não é um filme conhecido do mais famoso diretor indiano, aclamado no Festival de Cannes por sua “Trilogia de Apu”, nos anos 50. Mas mesmo não estando no pedestal das obras badaladas de Ray, o curta é tido por alguns especialistas como um tesouro escondido.

“Two” seria um prelúdio para outro filme de Satyajit Ray, lançado cinco anos depois, sobre a Guerra do Vietnã: “Goopy Gyne Bagha Byne”. Alguns dizem que “Two” é uma mensagem anti-guerra nos anos da invasão americana no Vietnã. Isso porque após toda a artilharia do garoto rico, a flautinha do pobre toca mais alto do que os brinquedos sofisticados, exatamente como a resiliência dos vietnamitas naquele conflito desigual contra a superpotência.

A fábula dos dois meninos estaria carregada de mensagem política: o garoto que simboliza o capitalismo norte-americano, com suas orelhas de Mickey Mouse e a coca-cola acaba vencido pelo menino pobre, que nada tem além de sua criatividade, como o próprio Vietnã. Quanto à sua forma, o certo é que o curta é um tributo de Ray à era dourada do cinema mudo que ele tanto gostava. O curioso é que o filme foi feito para ser exibido na programação cultural do Public Broadcasting Service (PBS), a TV pública americana,  e foi bancado pela empresa Esso.  

Qual foi o filme que deu o pontapé inicial no cinema masala musical de Bollywood?

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A estreia de Alam Ara, em 1931, em Bombaim (atual Mumbai), causou comoção, os ingressos acabaram e a polícia foi chamada para conter a multidão na porta do cinema

Qual foi o primeiro filme sonoro na terra dos musicais? Alam Ara, lançado em 1931, dirigido por Ardeshir Irani, abriu o caminho para os filmes masala musicais de Bollywood, como é conhecida mundialmente a indústria de cinema na língua Hindi.  A estreia de Alam Ara foi no cinema Majestic, de Mumbai, na época chamada de Bombaim (ou Bombay em inglês). O filme fez tanto sucesso que a polícia foi acionada para controlar multidão diante do cinema. Os ingressos se esgotavam rapidamente, segundo o historiador de cinema B.D. Gaga, autor do livro “Art of Cinema”.  

A língua do filme era Hindustani (mistura do Hindi com o Urdu). Ao contrário dos primeiros filmes mudos indianos, que recontavam histórias da mitologia, a trama de Alam Ara foi uma adaptação de uma popular peça do autor Joseph David, da comunidade indiana de judeus Bhagdadi.

Crédito: Wikipedia.

Mas infelizmente não restou uma cópia do filme. Quando se comemorou os 80 anos de lançamento de Alama Ara, a Google postou uma homenagem à obra com um doodle. Alam Ara conta uma história de amor entre um príncipe do reino fictício de Kumarpur e uma garota cigana. O Sultão Saleem Khan tem duas esposas: Dilbahar Begum  e Navbahar Begum, que disputam espaço e poder. Um dia, um faquir faz uma premonição que acirra a briga: ele diz que Navbahar vai ser a mãe do herdeiro do trono. Dilbahar procura ter um caso com o ministro-chefe do rei, mas ele não a corresponde.

Ela, em vingança, o aprisiona e manda a esposa grávida para o exílio. Nasce a menina Alam Ara, que é criada por nômades. Já moça, ao retornar para o palácio de Kumarpur, Alam Ara apaixona-se pelo jovem príncipe Jahangir Khan. No final, os dois conseguem se casar.

Shyam Benegal, um dos diretores mais famosos do cinema indiano, explicou a a Mihir Bose, autor do livro “Bollywood” (Roli Books, 2006) que havia uma época, nos anos 30, em que os filmes de Bollywood eram como os de Hollywood. Mas com a chegada do som, Bollywood adotou um caminho totalmente diferente, provocando um divórcio entre as duas culturas.

Anos depois, o diretor Ardeshir Irani fez história novamente ao realizar o primeiro filme colorido da história do cinema indiano : Kisan Kanya. Assim, o filme Alam Ara foi um divisor de águas, com algo em torno de 30 músicas. Depois disso, segundo Benegal, os filmes de seu país passaram a ter 16 ou 17 músicas cada, refletindo o modo como os indianos pensam esse tipo de arte, sem as divisões rígidas  entre comédia, drama e musical, como ocorre no Ocidente. Uma outra curiosidade sobre o primeiro filme falado da Índia:  um dos atores de Alam Ara foi Prithviraj Kapoor, o patriarca do clã Kapoor, a família mais importante de Bollywood, hoje representada por Kareena Kapoor.

A superprodução do cinema indiano inspirada nos épicos que conquistou audiências estrangeiras

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O grande épico Mahabhárata inspirou uma das maiores superproduções da história do cinema indiano: “Baahubali”, um sucesso estrondoso que custou US$ 70 milhões e ultrapassou as fronteiras da Índia, ganhando audiências externas, como a russa, onde o filme foi dublado e transmitido para a TV Russa nesse ano.

A trama passa no antigo reino de Mahishmati, na Índia, e é sobre dois irmãos guerreiros que disputam o poder, como ocorre no Mahabhárata. No Brasil, o Mahabhárata é mais conhecido pelo seu capítulo Bhagava Gita, um diálogo no campo de batalha sobre a importância do dharma (o dever de cada um), uma alegoria sobre as lutas morais e éticas da vida humana.

Assim como no épico, o personagem principal do filme segue o seu dharma.  O Mahabhárata conta a sangrenta guerra por poder entre os Pandavas e Kauravas. Produtos culturais (como séries de TV, novelas, livros e filmes) que inspiram-se nos épicos (além do Mahabhárata há o Ramayana), são sucesso imediato na Índia.

Crédito: YouTube.

“Baahubali, o começo” foi filmado originalmente em duas línguas do Sul da Índia: telugu e tâmil, com atores populares nessas duas indústrias cinematográficas. Logo em seguida foi dublado em Malaialam, também do Sul da Índia, e em Hindi (a principal língua do país, falada por 40% da população principalmente no norte). O lançamento ocorreu há cinco anos e seu diretor é S. S Rajamouli.

Ele explicou que em um país multilíngue como a Índia, seria impossível recuperar o custo do filme se ele fosse lançado somente em uma língua. A sua sequência chama-se “Baahubali, a conclusão”. Neste ano, os dois filmes foram dublado em russo e exibidos na TV daquele país. Prabhas, que faz o papel do protagonista dos filmes, tornou-se o segundo ator indiano a ganhar a o coração da audiência russa.

Há 60 anos, Raj Kapoor, uma grande estrela de Bolywood, conquistou os russos, juntamente com a atriz indiana Nargis, que contracenou com ele em vários filmes.  Filmes indianos dublados em russo eram assistidos pela audiência na época da antiga URSS e havia até mesmo uma publicação local dedicada ao cinema indiano, chamada “Prem”.

 

MidiÁsia entrevista editora-chefe do site Beco da Índia

No dia 31 de agosto, segunda-feira, o Grupo de Pesquisa em Mídia e Cultura Asiática Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (MidiÁsia-UFF) vai realizar, às 18h, live com a editora-chefe do site Beco da Índia, parceiro do grupo, Florência Costa. O tema do evento vai abordar a trajetória do site especializado na divulgação da cultura indiana no Brasil, a importância do país e sua atuação no cenário internacional, a promoção de seu soft power e cultura milenar no mundo e o histórico das relações entre Brasil, Índia e outros parceiros do grupo BRICS.

Para mediar e entrevistar a convidada estarão presentes a jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), especialista em Politíca Internacional pela mesma universidade, mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), editora-chefe da Revista Intertelas, também parceiro do MidiÁsia-UFF e pesquisadora do MidiÁsia Alessandra Scangarelli Brites e a doutora e mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (PPGCOM|UFF), jornalista e especialista em Epistemologias do Sul pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO|Argentina), fundadora do Asian Club (Estudos de Mídia|UFF) e coordenadora Adjunta do MidiÁsia-UFF Krystal Urbano. A live ocorre através do Facebook do MidiÁsia e estará aberta ao público em geral.

Crédito: MidiÁsia.

Gilberto Gil: a viagem emocionante à Índia do mais famoso Filho de Gandhy, seu encontro com Amma e o sonho de uma ópera sobre o amor de Krishna

Via Beco da Índia

Gilberto Gil, um amante da Índia, gravou naquele país cenas para o documentário ‘Disposições Amoráveis’

Na sexta-feira 26 de junho, o Brasil foi presenteado com uma live de Gilberto Gil, mas quem deveria receber presente era o compositor, cantor e ex-ministro da Cultura por ter completado naquele dia 78 anos de idade. Como uma homenagem a esse artista que é um símbolo do Brasil e um apaixonado pela Índia, o Beco da Índia, parceiro do MidiÁsia, lembra aqui alguns dos projetos de Gil relacionados a esse país.

Gilberto Gil com Amma na Índia. Crédito Facebook: Amma.

Em setembro do ano passado, Gil fez uma emocionante viagem à Índia, acompanhado da mulher Flora. O passeio, que incluiu até uma viagem de trem no Sul do país, fez parte das filmagens para um documentário poético que terá 90 minutos: Disposições Amoráveis, da diretora Ana de Oliveira, que escreveu com Gil um livro com o mesmo título. O documentário – produzido pela Paris Entretenimento e pela Iyá Omin Produções –  será uma viagem pelas reflexões de Gil, com o tema “o amor e o futuro”.

Um dos momentos mais especiais na Índia foi a visita de Gil ao ashram de Guru Amma Mātā Amritanandamayī Devi –  a Amma -,  em Kerala (estado no sul do país). Ela é conhecida mundialmente como a mulher santa dos abraços. Gil cantou “Meditação”, “Retiros Espirituais”, “Copo Vazio” e “Filhos de Gandhy” para Amma e uma plateia de indianos e estrangeiros que visitavam o ashram.

Gil canta no ashram de Amma. Crédito: Facebook Amma.

Toda a viagem de Gil e Flora em 2019 foi concentrada no Sul. O casal visitou, inclusive as antigas cavernas budistas, hinduístas e jainistas esculpidas em rocha de Ellora (no estado de Maharashtra). Gil foi ministro da Cultura entre 2003 e 2008, ganhou dois Grammy (o Oscar da música) e recebeu em 1999 o prêmio Artistas para a Paz da UNESCO. Em 2004, Gil já havia se apresentado em Mumbai para 50 mil pessoas, durante o Forum Social Mundial, acompanhado de outros artistas asiáticos e africanos.

Em 2018, a pedido da embaixada da Índia, Gil interpretou a canção Vaishnav Jan To, o mantra devocional preferido de Mahatma Gandhi, para comemorar os 150 anos de nascimento do líder pacifista indiano. E a sua participação no bloco Filhos de Gandhy (com “y” mesmo), fundado na Bahia em 1949, dois anos após a independência da Índia e um ano depois da morte de Mahatma Gandhi? Gil é o mais famoso de seus integrantes e co-produziu um documentário chamado Filhos de Gandhy, do diretor Lula Buarque de Hollanda. Criado por estivadores comunistas que, reprimidos politicamente, decidiram homenagear os ideiais de resistência pacífica de Gandhi.

E há ainda um projeto gigantesco de Gil com o maestro italiano Aldo Brizzi que ainda não saiu do forno. Trata-se de uma ópera sobre o amor de Krishna pela camponesa Radha: “Negro Amor”, inspirada no poema “Gita Govinda” (século XII), de Jayadeva Goswani.  A esperança do público é que esse projeto consiga se concretizar. Afinal, como cantaram os brasileiros na internet, no dia do aniversário de Gil: “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”.

Beco da Índia comemora o dia da independência do país asiático com ganhadoras do prêmio Padma Shri

A independência da Índia do Império Britânico é comemorada no dia 15 de agosto. Mas as celebrações começam um pouco antes. Amanhã, dia 12/08, às 18h, o Beco da Índia, representado pela editora Florencia Costa, vai intermediar uma conversa com Lia Diskin da Associação Palas Athena de Sao Paulo, que promove a cultura da paz e o pensamento gandhiano, e Glória Arieira, da Vidya Mandir – Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, no Rio de Janeiro. As duas foram agraciadas neste ano com um dos maiores prêmios civis concedidos pelo governo da Índia, Padma Shri. O evento online será promovido pelo Centro Cultural Swami Vivekananda, dirigido pela indiana Puja Kaushik.

Crédito: Facebook Beco da Índia.

Site Beco da Índia aborda o cinema de Bollywood em sua primeira live

No dia 8 de agosto, sábado, às 14h, começa a primeira live do site Beco da Índia, parceiro do MidiÁsia, especializado na divulgação da cultura indiana. Nesta ocasião, o tema será a indústria de cinema Bollywood. Participarão da iniciativa a especialista em audiovisual Juily Malani e a editora do Beco da Índia, autora do livro “Os Indianos” (2012), publicado pela editora Contexto, Florência Costa. Acompanhe o evento pelo Instagram do Beco da Índia.

Crédito: Facebook Beco da Índia.