Por Sérgio Menezes*

Satoshi Hiroshi Miura, ou Daichi Miura para os fãs, é um dos artistas mais completos que já vi em toda a minha vida. Um artista completo, que começou sua jornada aos nove anos de idade, em 1997, no grupo Folder, e desde aquela época já se mostrava um artista nato, bem diferenciado, e chamando a atenção dentro do grupo.

O grupo era da escola de atores de Okinawa, com cinco meninas e dois meninos, sendo Daichi o vocalista principal do grupo e chamado de “O menor Soulman do Japão” pelo público que acompanhava o grupo. No seu repertório havia músicas originais, mas também algumas músicas dos Jackson Five, como” “ABC” e “I Want You Back”. Daichi também era muito reconhecido como um dançarino extremamente talentoso e dedicado, e quando sua voz começou a mudar, ele se afastou dos palcos e de seu grupo que, no ano 2000, tornou-se o grupo Folder 5, com as cinco meninas. Depois de um hiato de cinco anos na carreira, em 2005 Daichi começou sua carreira solo. Lançou o single “Keep it Going’ On” e, em 2006, o primeiro Álbum, “D-ROCK with U”, gravando seu primeiro DVD logo em seguida.

Crédito: universo japonês.

O primeiro contato que tive com sua música foi entre 2008 e 2009, com o single “Inside your head”, que, além de um videoclipe completo no Youtube, tinha vídeos tutoriais exclusivos do próprio Daichi, com os dançarinos, ensinando a coreografia. Como um artista completo e preocupado com stages, sempre mostrando muita dança, Daichi formou com os quatro dançarinos o grupo S**T Kingz, ainda em atividade. O grupo consiste nos quatro melhores dançarinos japoneses mais conhecidos mundialmente, os quais, além de performances incríveis, já ganharam duas vezes o campeonato Body Rock, nos EUA, um dos campeonatos de danças urbanas mais respeitados do mundo. Um feito inédito, já que o evento recebe grupos de 30 a 50 integrantes.

A trajetória de Daichi Miura também revela um Collab com BoA, uma cantora e dançarina coreana extraordinária que quebrou todos os recordes e tem uma história marcante na indústria do entretenimento asiático. Hoje, é uma das acionistas da SM Entertainment, a maior empresa da Coreia do Sul. O single “Collab Possibility” foi lançado em 2010 e conta com mais de 9 milhões de views no Youtube. De lá pra cá, sua sequência de singles não parou mais. Singles como “The Answer” (2010), “Right now” (2012), “Go for it” (2013), “Unlock” (2015), “Cry & Fight” e “(RE)PLAY” (2016), “Excite” (2017) e “Blizzard” (2018) mostram uma carreira consistente e repleta de músicas marcantes. “Colorless” é seu último single, lançado em 2020, um pouco antes da pandemia do novo coronavírus.

Crédito: Arama! Japan

Daichi tem um ritmo de treinamento intenso e chegou a ir a Los Angeles para treinar em um dos estúdios mais famosos de Hip Hop dos Estados Unidos, chamado Moviment Lifestyle. Lá, ele contratou o coreógrafo Keone Madrid, conhecido, entre outras, por coreografias do BTS, BIGBANG e mais artistas da música – tanto asiática quanto americana. Desta parceria nasceu a coreografia do Single “Right Now’, mas as coreografias de Daichi sempre são assinadas por ele próprio em conjunto com seus coreógrafos, o que dá às suas produções não só originalidade, como o seu toque final.

Em (RE)PLAY não foi diferente, mas ele chamou um time de peso de dançarinos consagrados e mostrou uma versatilidade a mais, mesclando estilos de danças urbanas diversos, como Popping, Locking, Break e Hip Hop. Outras de suas performances, como a de “Cry & Fight” ao vivo, mostram não só a dança, mas um potencial vocal diferenciado, sem perder o fôlego e sem desafinar. Buscando sempre se reinventar e alcançar novos mercados, cantou também dois singles que se tornaram temas de animês, sendo esses “Excite”, em “Kamen Rider Ex-Aid”, e “Blizzard”, em “Dragon Ball Super Broly”.

Videoclipe de Blizzard

A Avex, empresa que gerencia a carreira de Daichi, liberou nessa quarentena um show completo, mas, infelizmente, o vídeo já foi privado. Daichi ainda está criando apresentações em casa com seus músicos e dançarinos e fazendo performances muito interessantes, valendo-se de uma edição por vezes inventiva e atrativa, nunca parando completamente de performar, ainda que não em um palco propriamente dito.

Ademais, o que poderemos esperar no próximo ano do “Soulman” é uma incógnita. A única garantia é que será algo de qualidade, como tudo o que ele se propõe.

*Sérgio Menezes é dançarino e coreógrafo há 13 anos e produtor de eventos há 7 anos na cidade do Rio de Janeiro.


Mateus Nascimento

Historiador, doutorando em História pela UFF, com mestrado e graduação na mesma área, todos no âmbito no Instituto de História (IHT) da Universidade Federal Fluminense. É pesquisador do MidiÁsia (Grupo de Pesquisa em Mídia e Cultura Asiática Contemporânea) e do CEA (Centro de Estudos Asiáticos), ambos na UFF, além de pesquisador associado do Instituto Cultural Brasil-Japão e colunista na Revista Intertelas. Ao longo de sua formação, tem se dedicado a estudar as histórias e culturas da Ásia, com interesse especial na cultura japonesa, na cultura nipo-brasileira, e nos fluxos culturais contemporâneos entre Ásia e Brasil.

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