CEA-UFF e IEÁSIA – UFPE prorrogam novamente inscrições para o curso de Atualização em Estudos Asiáticos – Módulo I

Via Revista Intertelas

Centro de Estudos Asiáticos da Universidade Federal Fluminense (CEA-UFF) informa que as inscrições para o “Curso de Atualização em Estudos Asiáticos – Módulo I” foram prorrogadas novamente até 21 de abril, quarta-feira,  e podem ser feitas pelo formulário disponibilizado online (clique aqui para acessar). Lembrando que a iniciativa é gratuita e online, não tendo qualquer restrição ao público participante. A aula inaugural ocorreu na semana passada, 15 de abril, mas ainda dá tempo de participar! Entre 15/04 e 01/07, o CEA-UFF e o Instituto de Estudos da Ásia da Universidade Federal de Pernambuco (IEÁSIA – UFPE) promoverão o curso online de atualização em “Estudos Asiáticos”, com carga horária de 36h, distribuídas ao longo de 12 aulas.

Em razão do alto número de interessados, o curso vai ser transmitido pelo YouTube da UFPE . As aulas necessitam de aprovação dos professores para serem disponibilizadas, posteriormente. Por isso, não há garantia que irão permanecer no canal. Para os que desejam a emissão de certificado é necessário frequentar, no mínimo, 70% do curso (8 aulas). A verificação da presença ocorrerá em cada aula, com formulário de chamada que será disponibilizado pela equipe organizadora na sessão de comentários. Verifique atentamente a programação abaixo e garanta sua vaga!

Crédito: CEA-UFF.
Crédito: CEA-UFF.
Crédito: CEA-UFF.

Seul incluirá proteção às pessoas LGBT, deficientes e multiculturais no plano de direitos estudantis

Via Koreapost

Apesar da forte oposição de alguns grupos conservadores, o Escritório Metropolitano de Educação de Seul, pela primeira vez na história, estipulou a proteção aos direitos das minorias sexuais no plano de direitos dos estudantes. De acordo com o Regulamento de Direitos Humanos do Estudante Metropolitano de Seul, o plano deverá ser estabelecido e implementado em até três anos.

Sob a visão de garantir os direitos humanos na vida cotidiana nas escolas em Seul, a implementação consistirá em 5 objetivos, 10 orientações e 20 tarefas/obrigações. Ainda, o escritório de educação de Seul protegerá os alunos de minorias, incluindo minorias sexuais, enquanto fortalece a educação sobre direitos humanos. Também será criado, em 11 agências de suporte à educação, um grupo de apoio para alunos com deficiência, com o objetivo de ajudar as instalações estabelecidas para garantir o direito à aprendizagem de alunos deficientes.

Para proteger os alunos de famílias multiculturais, o escritório administrará um centro de apoio à educação multicultural. Será fornecido uma variedade de medidas de apoio, incluindo educação personalizada da língua coreana, consultoria sobre plano de carreira e serviços de consultoria psicológica/emocional.

Crédito: http://yonah.org/

Com relação à proteção de estudantes de minorias sexuais, o escritório apoiará consultas sobre casos de violação de direitos humanos, incluindo discriminação e ódio, enquanto fortalece o monitoramento da igualdade sexual em materiais educacionais. Ainda, para aumentar a conscientização sobre minorias, serão realizados cursos em educação em direitos humanos para alunos e professores, ao mesmo tempo que serão elaborados e distribuídos, guias preventivos contra o preconceito.

Recentemente, alguns grupos cristãos conservadores opuseram-se fortemente ao esboço do plano que inclui a proteção de minorias sexuais e educação para a igualdade sexual. Mesmo assim, o escritório confirmou o plano sem omitir tal conteúdo. Consequentemente, a oposição de tais grupos e as disputas subsequentes provavelmente continuarão a existir.

Minorias sexuais e ativistas falam em uma entrevista coletiva em frente ao prédio da comissão nacional de direitos humanos em seul em 13 de novembro de 2019. Crédito: yonhap

O escritório também tomou medidas para proteger os direitos humanos dos estudantes atletas – será conduzido consultas com os indivíduos regularmente e a punição para incidentes envolvendo violência ou abuso serão endurecidas. Com os direitos de aprendizagem e os tempos de descanso, os alunos atletas terão a garantia de aprimorar suas habilidades acadêmicas básicas.

Além disso, com a idade de voto reduzida para 18 anos, os alunos do último ano do ensino médio agora podem votar. Neste contexto, a educação sobre as eleições também será reforçada e será dado apoio para encorajar os alunos a discutir e debater questões sociais.

Por que tantos dramas coreanos são baseados em romances chineses?

Via Revista Intertelas/The Korean Times

Dong Sun Hwa
Articulista do Korean Times

Tradução do inglês para o português: Alessandra Scangarelli Brites – Intertelas

Shin Hye Sun, à esquerda, e Kim Jung Hyun, os atores principais do drama da tvN, “Mr. Queen”. Crédito: tvN/Korea Times.

Quando foi revelado que o drama da tvN“The Golden Hairpin”, e “Until the Morning Comes” da JTBC estavam em preparação para o final deste ano, várias pessoas na Coreia ergueram suas sobrancelhas em vez de recebê-los com grande expectativa. A razão era simples – os antecedentes chineses das produções irritavam as pessoas.

Os dois próximos programas de TV são interpretações coreanas de romances chineses populares, que devem ter elencos repletos de estrelas. Embora os remakes não sejam novidade para as produtoras de drama, um número crescente de espectadores aqui, hoje em dia, está expressando seu descontentamento com as obras originárias da China, em grande parte devido ao conflito cultural em curso entre Seul e Pequim sobre as “origens” dos ativos tradicionais coreanos, incluindo kimchi e hanbok.

O ultraje anti-China que se seguiu espalhou-se para a cena do entretenimento local. Recentemente, o drama de fantasia histórica de grande orçamento da SBS“Joseon Exorcist”, foi encerrado após a exibição de apenas dois episódios, já que os espectadores o boicotaram por “distorcer a história e desnecessariamente apresentar acessórios chineses”. Algumas semanas atrás, “Vincenzo” e “True Beauty” da tvN também foram envolvidos em controvérsias sobre “colocação excessiva de produtos chineses”.

No entanto, há uma razão por trás da inclinação dos produtores coreanos para o conteúdo chinês, de acordo com especialistas. Na verdade, recentemente houve muitas novelas baseadas em romances ou dramas chineses, incluindo “Mr. Queen” da tvN e “A Love So Beautiful” da Kakao TV. “A China tem um enorme mercado de romances online; mais de dois milhões de romances são criados em um ano e o número de leitores ultrapassou 300 milhões em 2016. Dado esse enorme mercado, muitas vezes acredita-se que uma obra chinesa de sucesso tenha qualidade garantida em termos de narrativa“, disse Choi Min Sung, professor de Conteúdo Cultural Coreano-Chinês da Universidade Hanshin, ao The Korea Times. “Assim, as produtoras de teatro coreanas pensam que refazer essas obras pode reduzir os riscos da produção em certos graus e ajudá-las a obter mais críticas positivas do público”.

Mas o crítico de dramas Yun Suk Jin, também professor de Língua e Literatura Coreana na Universidade Nacional de Chungnam, acredita que é o dinheiro chinês – e não a qualidade das histórias chinesas – que atrai os produtores. “No geral, a qualidade do conteúdo chinês ainda não é tão alta quanto a do conteúdo coreano“, disse Yoon. “Portanto, parece que a tendência atual é mais atribuível aos investimentos chineses, que se infiltraram no mercado de dramas coreano já há um bom tempo. Em comparação com o passado, os investidores chineses hoje parecem exigir mais dos produtores coreanos, colocando-os sob o controle do dinheiro chinês“.

Observando que o tamanho do mercado chinês é o maior da Ásia, o professor também explicou por que os produtores de dramas coreanos não podem fechar os olhos aos telespectadores chineses. “Para atingir melhor o mercado chinês, os produtores coreanos procuram por obras populares chinesas que possam ser usadas como fontes originais“, disse ele. “Usar essas fontes torna mais fácil para eles atrair espectadores no país vizinho e promover suas criações lá“.

Em relação às recentes disputas relacionadas à China no cenário dos dramas, os especialistas apontaram que os criadores e produtores devem ser mais sensíveis e evitar ações míopes. “Se os produtores de séries de TV forem movidos apenas por seus lucros, eles enfrentarão mais conflitos e controvérsias“, disse Yoon. “Eles têm que lembrar que os dramas coreanos têm uma identidade com os produtos coreanos“. Choi ecoou esse sentimento, dizendo que os criadores deveriam estar mais cientes da singularidade da cultura coreana e então tentar adicionar os valores universais do Leste Asiático às suas criações.

Mas, mais trabalho precisa ser feito para aprimorar e trazer um futuro melhor para as novelas coreanas, dizem os especialistas. “Os produtores de drama coreanos hoje em dia não parecem imersos em pesquisa e desenvolvimento – eles não estão muito interessados ​​em caçar talentos nem em desenvolver novos roteiros. A maioria deles está ocupada procurando produtos acabados que possam ser usados ​​imediatamente para produção“, Yoon disse.

Prevendo a noção de que mais séries de TV coreanas baseadas em novelas ou dramas chineses estarão disponíveis no futuro, Choi ressaltou: “Devemos continuar levando o mercado chinês em consideração para nosso próprio crescimento“. Ele também abordou a polêmica sobre a Terminal High Altitude Area Defense (THAAD). Desde 2016, a China impôs restrições “não oficiais” ao hallyu, a onda global da cultura coreana.

Esses regulamentos são considerados parte da retaliação de Pequim contra Seul, provocada por uma disputa sobre a implantação do THAAD, um sistema de defesa antimísseis dos EUA, em solo coreano. A China opõe-se à sua implantação “para sua segurança nacional”, mas a Coreia ainda instalou o sistema em Seongju, província de Gyeongsang do Norte, em 2017. Como resultado, séries de TV, filmes e shows coreanos foram praticamente proibidos no país vizinho. “Embora a questão do THAAD tenha prejudicado o relacionamento entre Seul e Pequim por vários anos, a China será novamente um parceiro comercial crucial no campo da cultura assim que a situação melhorar no futuro“, disse Choi.

Seletiva Brasileira do Kpop World Festival 2021 recebe inscrições!

Via Koreaonbrazil

O Comitê KOREA ON em parceria com a Embaixada da República da Coreia torna público o Edital da Seletiva Brasileira do Kpop World Festival 2021. A edição deste ano renova a realização online do concurso, em respeito ao distanciamento social e reforça os cuidados para o combate do Covid-19.

A novidade é que covers solos e em dupla poderão inscrever-se e participar deste que é o maior concurso cover de Kpop do mundo, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores da Coreia e pela emissora KBS. Os interessados devem ler atentamente o edital que prevê a dinâmica do concurso e as regras de participação, para então realizarem a inscrição, que este ano será feita através do preenchimento do seguinte formulário online.

Crédito: https://koreaonbrazil.com/

A final da Seletiva Brasileira do Kpop World Festival 2021 acontece dia 11 de julho como parte da programação do Festival da República da Coreia, e poderá ser acompanhada no conforto de casa com exibição em live. O Comitê KOREA ON se coloca à disposição para auxiliar os interessados no concurso com informações e retirada de dúvidas que porventura não tenha sido contempladas por intermédio do edital, exclusivamente através do e-mail contato.kon@gmail.com intitulado com o assunto [DÚVIDA KWF 2021]. Confira o Edital da Seletiva Brasileira do KWF 2021 AQUI!

Concurso Internacional de Resenhas de Literatura Coreana recebe inscrições até dia 14 de maio

Via Embaixada da República da Coreia

A Associação Nacional de Escritores-ANE, em parceria com a Embaixada da República da Coreia no Brasil, lança o “Concurso Internacional de Resenhas de Literatura Coreana”, com a obra “Por favor, cuide da mamãe”, de Kyung-sook Shin. O concurso faz parte da programação oficial do Festival República da Coreia 2021 e tem inscrições até o dia 14 de maio. Leiam essa história e submetam seu trabalho. Os trabalhos devem ser em língua portuguesa e estrangeiros, sobretudo de países lusófonos, são incentivados a participar. O edital com todas as informações está disponível no site da ANE: https://anenet.com.br/concurso-internacional-de-resenhas…/

Crédito: Embaixada da República da Coreia.

Programação da Semana Espacial Brasil-Japão segue com atividades até 11 de abril

Via Revista Intertelas

Em comemoração ao Dia Mundial da Astronomia, celebrado em 08 de abril, a Japan House São Paulo, o Consulado Geral do Japão em São Paulo e a Embaixada do Japão no Brasil, realizam até dia 11 de abril de 2021, a Semana Espacial Brasil-Japão. Com o objetivo de informar e despertar o interesse pela astronomia, o evento, totalmente online, apresenta uma série de atividades sobre o assunto, como workshops, palestras, lives e vídeos. Os conteúdos evidenciam as atuações da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), a cultura dos animes e mangás com o espaço, o futuro da exploração espacial, observação de atividades dos cosmos, entre outros.

Crédito: Japan House São paulo.

Destacando a colaboração de empresas japonesas para o desenvolvimento do segmento, no dia 09 de abril, às 19h, no YouTube, acontece o ‘Universo Conectado: Espaço, Ciência e Tecnologia’, um debate entre o astrônomo Fernando Roig e Fernanda Mendes, consultora da NEC, multinacional japonesa de tecnologia, que contribuiu diretamente para o desenvolvimento projeto Hayabusa2. Com mediação de Eric Klug, presidente da JHSP, o evento destaca a Hayabusa2, sonda espacial da JAXA, a importância da exploração espacial e da tecnologia necessária a projetos deste porte, além do impacto em nosso cotidiano. No mesmo dia, será publicado um vídeo da Mitsubishi Electric sobre as contribuições da empresa no âmbito da exploração espacial. Para conferir o restante da programação, acesse o site da Japan House de São Paulo.

A música pop tailandesa e vietnamita estão surgindo na Ásia – esses são os artistas a serem observados

Via Revista Intertelas

Por: Rebecca Souw
Colaboradora da South China Morning Post

Tradução inglês para português: Alessandra Scangarelli Brites, editora da Intertelas

A música pop tailandesa e vietnamita – T-POP e V-POP – que antes eram mantidas nos limites territoriais de seus respectivos países, hoje, estão tendo sucesso na Ásia e em outros lugares. A música e o entretenimento são fundamentais para a cultura tailandesa e, no T-POP, as realizações de artistas como Tata YoungBird ThongchaiDa Endorphine e Palmy abriram caminho para artistas mais jovens. Os músicos tailandeses têm estilos vocais, musicais e um senso de moda distintos. Tal autenticidade fez com que muitos fossem descobertos fora da Tailândia.

Phum Viphurit cresceu na Nova Zelândia e mudou-se para Bangkok aos 18 anos. Phum, que escreve canções em inglês, alcançou fama internacional como cantor e compositor indie pop tailandês com seu single de 2018, “Lover Boy”. Desde então, ele teve várias colaborações, notadamente com o grupo de hip-hop chinês “Higher Brothers” da gravadora 88rising e a banda de indie rock coreana “Se So Neon” na música “So! YoON!”.

A artista tailandesa-alemã Jannine Weigel, que tem mais de 3,7 milhões de seguidores no YouTube e cerca de 750.000 no TikTok, é um influenciadora com uma personalidade alegre. Ela foi a primeira artista a assinar com a RedRecords, uma joint venture entre a Universal Music Group e a companhia aérea de baixo custo AirAsia, com base na Malásia.

Kenny Ong, diretor da Astro Radio and Rocketfuel Entertainment da Malásia e ex-diretor administrativo do Universal Music Group na Malásia, estava por trás da fundação da RedRecords e da assinatura de Weigel. “Ela já era conhecida por sua música especialmente no Vietnã”, diz ele. “Sua popularidade crescente na Indonésia e na Malásia tornou nossa escolha clara, pois estávamos procurando por uma artista que é bem recebida nos países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean)”.

Weigel grava em tailandês e inglês, e recentemente lançou “Passcode” – uma faixa produzida pelo produtor musical indicado ao Grammy Tommy Brown, que trabalhou com artistas como Ariana GrandeTravis Scott e The Weeknd. Ela também atuou em séries de televisão e filmes tailandeses. Com sua educação no exterior, Weigel e Phum trazem uma perspectiva mais ampla e diferentes estilos musicais para o pop tailandês. Ong diz: “Há uma melhor chance de expandir para além da Tailândia se eles cantarem em inglês, incorporarem sons mais globais ou fazerem experiências com o gênero hip hop”.

Outra estrela em ascensão na Tailândia é a rapper Milli. Descoberta há dois anos no programa de talentos The Rapper 2, ela alcançou a fama com a provocativa faixa “Phak Khon”. Ela cita o rapper Nicki Minaj como uma influência, e as semelhanças entre os dois ficaram evidentes na performance extravagante de Milli no Double Happiness Winter Wonder Festival da 88rising. Além de seus solos, Milli frequentemente colabora com artistas locais de hip hop tailandês, como MaiyarapLazyLoxyBen Bizzy e Autta.

Tuan Tang, um observador da indústria da música pop asiática desde o início dos anos 2000, também foi produtor executivo dos programas Project SuperstarThe X-Factor e The Voice no Vietnã. Ele diz: “A Tailândia tem processos melhores para artistas e distribuição de música com a [empresa de entretenimento] GMM Grammy e empresas semelhantes. Então é provável que eles obtenham reconhecimento internacional muito mais rápido do que o Vietnã”.
O pop vietnamita deve seu lugar no mapa ao “Príncipe do V-pop”Son Tung M-TP. Ele foi o primeiro artista vietnamita na parada LyricFind Global da Billboard, e sua faixa de reggaeton “Hay Trao Cho Anh”, uma colaboração com o rapper americano Snoop Dogg, foi vista mais de 222 milhões de vezes no YouTube desde seu lançamento em julho de 2019.

Outro popster vietnamita digno de nota é Erik, um ex-membro da boy band de V-pop Monstar que se tornou cantor solo, hipnotizou os fãs com sua aparência infantil, talento vocal e movimentos de dança. Ele colaborou com o grupo feminino de K-pop Momoland na balada “Love is Only You”. Enquanto isso, Min, anunciada pelo maior jornal online do Vietnã, Zing News, como uma versão vietnamita da cantora K-pop BoA, é conhecida por cantar e dançar. Tuan diz: “Son TungErik e Min podem parecer infundir K-POP em suas músicas porque eles cresceram com esses artistas. Eles são jovens e tendem a experimentar novos estilos, adaptando-se rapidamente ao público vietnamita”.

No entanto, baladas de amor tradicionais inspiradas na música folk são as favoritas no Vietnã, especialmente nas áreas rurais, diz ele. O V-POP incorpora sons vernaculares e poucos artistas gravam em inglês, tornando o gênero autenticamente vietnamita. Os videoclipes são filmados com cores fortes e retêm elementos vietnamitas, desde fantasias a adereços e valores tradicionais. Um exemplo de grupo vietnamita com um som distinto é a banda de pop rock indie Chillies, que estreou em 2018 e assinou contrato com a Warner Music Vietnam.

O V-pop continuará crescendo além do Vietnã? “Os artistas têm o que é preciso, mas como a música está tão interligada com a TV local, esse processo exigiria uma interrupção consistente [para] viajar além de nossas fronteiras”, diz Tuan. Ong diz que os artistas do sudeste asiático podem encontrar novos públicos almejando nichos de mercado, mas, por enquanto, os artistas do mercado de massa encontrarão principalmente fãs e fama em casa.

Quando Bollywood inspira-se em Dostoiévski

Via Beco da Índia

O sangrento e doloroso processo de divisão da Índia após a sua independência, que resultou na criação do Paquistão e saparou famílias, amigos e amantes, é uma fonte inesgotável de roteiros cinematográficos indianos. Em Chhalia (Malandro), de 1960, um filme clássico de Bollywood encenado e produzido pelo astro Raj Kapoor (1924- 1988),  e dirigido por Manmohan Desai (1937- 1994), o drama indiano é inspirado em uma novela russa de 1848: Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski.

Os filmes de Manmohan Desai são no estilo masala (ou seja, que mistura vários gêneros, como são em geral os filmes de Bollywood), e focam em histórias de famílias que se separam e se reúnem. Durante os anos 50 e 60, a Índia e a então União Soviética tinham uma relação muito estreita, inclusive culturalmente. Os filmes indianos, especialmente os de Raj Kapoor, faziam muito sucesso entre os soviéticos.

Na novela russa, o cenário é a majestosa e fantasmagórica São Petersburgo, na beira do Rio Nievá, durante o verão das noites brancas, quando o sol praticamente não se põe. O sonho do amor de um homem por uma moça  dura apenas quatro dias. Não foi apenas o cinema indiano que bebeu na fonte de Noites Brancas: Luchino Visconti também filmou a novela de Dostoiévsky com seu olhar neorealista, três anos antes de Chhalia.

O filme Chhalia (1960), com Raj Kapoor no papel principal, é inspirado em Noites Bracas de Fiódor Dostoiévski. Crédito: Beco da Índia.

Na trama indiana, o sonho também acaba em frustração, mas o cenário é bem mais conturbado do que as calmas águas dos afluentes do Nievá na cidade construída por Pedro, o Grande. As primeiras cenas do filme indiano são em Lahore, cidade que foi um importante polo cultural da Índia pré-partição, hoje situada no Paquistão.

Kewal e Shanti, recém-casados, tem a sua noite de núpcias interrompida devido ao caos que tomou conta da cidade, com os sangrentos conflitos religiosos entre muçulmanos e hindus e tamém sikhs. Era véspera da Partição, quando milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas.

Hindus e sikhs que moraram no futuro Paquistão se dirigiam para a Índia de trem, a cavalo, em carros de boi, ou mesmo a pé. E muçulmanos da Índia fugiam para o Paquistão com o que conseguiam levar nas malas. Foi a maior migração forçada da história: 10 milhões de deslocados. E pior ainda, entre 1 a 2 milhões de mortos. Foi um momento da história em que “o sangue é mais barato do que água”, como lamenta a personagem Shanti no filme.

A atriz Nutam Samarth, que faz o papel de Shanti em Chhalia. Crédito: divulgação.

Na fuga para a Índia, Shanti é deixada para trás por Kewal. Cinco anos depois, ela consegue ir para Delhi, a capital indiana, e  procura o marido, com um filho no colo. Mas Kewal e sua família a rejeitam porque o filho tem o nome muçulmano e isso os fizeram desconfiar de que o menino não era filho do hindu. Mas a verdade é que  Anwar, o bondoso homem muçulmano  que ajudou Shanti, o fez porque ele próprio tinha o seu trauma da Partição: ao salvar a hindu Shanti, ele pensava na sua irmã muçulmana que ele havia perdido no processo de divisão da Índia.

Assim, o menino é de fato filho de Kewal e Shanti não havia se envolvido com o muçulmano. Aí surge pela primeira vez no filme uma analogia ao épico Ramaiana, no qual Sita, mulher do príncipe Rama, também é rejeitada por ele após ter sido raptada pelo demônio Ravana. Voltaremos ao Ramaiana no final.

Chhalia é o personagem de Raj Kapoor, um malandro bonitão, pobre e boa praça que canta (sim, é um filme musical): “Eu saúdo a todos, muçulmanos, hindus, sikhs e cristãos. Eu sou o príncipe dos pobres, não ligo para castas ou para religião. Nem sei à qual casta ou religião pertenço”. A mensagem da Índia secularista e socialista do então primeiro-ministro Jawaharlal Nehru está sempre presente nos filmes de Kapoor.

Quando Chhalia vê Shanti chorando na rua, observa que ela deixou cair no chão uma carta. Ele a lê: era uma carta de despedida da vida. Chhalia a convida para o seu barraco de madeira. E o inevitável acontece: Chhalia se apaixona por Shanti. “Eu escorreguei no amor sem ter bebido”, canta ele na chuva.

Crédito: divulgação.

A atriz principal que faz o papel de Shanti é um ícone na Índia: Nutam Samarth (1936- 1991), filha de um diretor e de uma atriz, ela é tia da estrela bollywoodiana Kajol, que brilhou principalmente nos anos 90 ao lado do mega astro Shah Rukh Khan. Tudo em família como costuma ser na Índia. Nutam Samarth começou a atuar com apenas 14 anos de idade e acabou transformando-se em uma referência para outras atrizes que se seguirem após ela.

Como nos filmes dirigidos por Desai, as famílias acabam se reunindo e Chhalia é responsável por esse final glorioso: ele mesmo amarra o reencontro de Shanti e Kewan durante o grande festival do Dussera. Quando o demônio Ravana, de dez cabeças (do épico Ramaiana)  é queimado neste festival de rua, como manda a tradição,  Kewan percebe que suas dúvidas sobre Shanti foram dissipadas, uma referência ao destino de Sita, que teve que se submeter ao teste do fogo para provar a sua pureza.

Raj Kapoor , em Chhalia. Crédito: divulgação.

No filme, Shanti é recebida de volta.  A Índia dos anos 60 fez uma releitura do épico milenar. No Ramaiana, Sita não é aceita de volta ao coração de sua família nem mesmo após ter saído ilesa da prova de fogo. Se fosse refilmado na Bollywood do século 21, com várias personagens femininas cada vez mais fortes e independentes, a história de Chhalia e Shanti provavelmente seria outra e a mulher provavelmente não correria atrás do marido o filme inteiro.

“Um destino forjado pelo céu: A História de Hong Gildong”, o ensaio vencedor do VI Concurso de Literatura Coreana

Capa do livro “A História de Hong Gildong”, de Heo Gyun, com tradução e notas de Yun Jung Im (Estação Liberdade, 2020). Fonte da imagem: Editora Estação Liberdade.

Um destino forjado pelo céu: A História de Hong Gildong

Por Claudia Bitti Leal Vieira

Resumo: A presente resenha da obra A História de Hong Gildong (Heo Gyun, trad. Yun Jung Im, Editora Estação Liberdade, 2020) objetiva descrevê-la para um público não familiarizado com a produção cultural sul-coreana, refletindo criticamente sobre o enredo. Ademais, busca contextualizar sua importância cultural e histórica na Coreia, bem como discorrer, brevemente, acerca das controvérsias que cercam o texto. Ressalta-se o status de clássico da obra, bem como a importância de sua leitura para os que desejam conhecer mais a fundo a cultura coreana.

Um dos aspectos mais interessantes da chamada “Onda Coreana” ou “Hallyu” – a crescente popularidade dos produtos culturais coreanos em diversas regiões do mundo – é a difusão da literatura coreana. Antes praticamente desconhecida no Ocidente, na última década a produção literária da Coreia tornou-se parte inescapável do panorama cultural contemporâneo. Publicações recentes figuram nas listas de mais vendidos e ganham prêmios literários; autores coreanos são aclamados nos mais distintos gêneros, desde a ficção literária à literatura infantil, passando por horror e ficção científica.

Diante do sucesso da produção literária contemporânea sul-coreana, é natural que tenha surgido um interesse de editoras estrangeiras também pela literatura clássica do país. Isso é boa notícia para quem deseja conhecer outras facetas do país asiático. Afinal, nem só de modernidade vive a Coreia: é uma terra de longa história e antigas tradições.

Em 2016, o selo Penguin Classics publicou A História de Hong Gildong em inglês, com tradução e introdução do historiador Minsoo Kang; a primeira vez que uma obra coreana era incluída na lista de clássicos mais famosa do mundo. A tradução da Penguin é a da versão manuscrita (pilsaKim Donguk 89, a mais longa entre as 34 versões sobreviventes do clássico, que se diferenciam em tamanho, estilo e detalhes como nomes das personagens.

O estadista Heo Gyun (1569-1618), tradicionalmente considerado o autor de “A História de Hong Gildong”. Fonte da imagem: BBS News.

Agora, A História de Hong Gildong chega a prateleiras brasileiras graças à editora Estação Liberdade, com tradução e introdução de Yun Jung Im, professora do Departamento de Letras Orientais da Universidade de São Paulo. A versão é a wanpan 36, texto impresso produzido em Wanju (atual Jeonju), com 36 folhas.

Que Hong Gildong tenha sido o primeiro clássico coreano a “ganhar o mundo” não é surpreendente. Considerada a mais importante obra clássica de ficção em prosa da Coreia, tradicionalmente é atribuída ao nobre estadista Heo Gyun (1569-1618) e caracterizada como um texto antifeudalista, de matizes revolucionárias. O livro teria sido também o primeiro escrito em hangeul, o alfabeto coreano, criado pelo rei Sejong, o Grande e mais acessível para a população que os ideogramas chineses. Recentes pesquisas, porém, rejeitam essas premissas. A principal diferença entre as versões da Estação Liberdade e da Penguin Classics, aliás, reside nas posições que os respectivos tradutores adotam. Yun Jung Im defende o campo tradicionalista com detalhadas anotações sobre a obra e o autor, reafirmando a importância da obra como artefato literário de meados da dinastia Joseon, escrito por um ministro idealista e igualitário. Já Minsoo Kang está entre os pesquisadores que afirmam que é mais provável que A História de Hong Gildong tenha sido escrita no final do século XIX (portanto, alguns séculos mais tarde do que geralmente aceito), por um autor desconhecido ou anônimo, não como texto político ou ideológico, mas como entretenimento para as massas. Ademais, teria sido escrito em hangeul, mas não seria pioneiro. Além de defender suas conclusões resumidamente na introdução para a Penguin, publicou o livro Invincible and Righteous Outlaw: the Korean Hero Hong Gildong (2018, University of Hawaii Press).

The Story of Hong Gildong | Amazon.com.br
Versão em inglês lançada pela Penguin Classics e traduzida por Minsoo Kang. Fonte da imagem: Amazon.

É fato que existem estudiosos respeitados em ambos os lados da contenda literária. O leitor só tem a ganhar se desejar se aprofundar na estimulante controvérsia histórica, que envolve até mesmo a biografia de Heo Gyun e a trama palaciana que levou à sua execução (um complô digno de Game of Thrones), e quem teria sido o verdadeiro Hong Gildong. De qualquer modo, nada disso diminui a estatura do clássico, e é inegável que grande parte de sua relevância reside também na persistência de seu enredo e personagens no imaginário coletivo coreano.

Situada durante a dinastia Joseon (1392-1897), a história de Hong Gildong começa com sua concepção. O ministro Hong Mun tem um sonho auspicioso e busca conceber um filho com sua esposa, mas, como ela se recusa a deitar-se com ele, o frustrado ministro então satisfaz seu desejo com uma jovem criada, Chun Sim (nota-se certa ambiguidade textual ou talvez ironia autoral quanto à caracterização do nobre ministro: elogiado como “um verdadeiro herói moral de seu tempo”, uma de suas primeiras atitudes na história é violar a criada). Consciente do seu limitado horizonte de possibilidades como membro de classe inferior, Chun Sim se submete. O ministro Hong, impressionado com a discrição da serva, a eleva para o posto de sua concubina, e ela se torna mãe do menino Hong Gildong. 

Ilustração de Shin Dong-wu, autor dos quadrinhos “Hong Gildong, o Herói”, cuja publicação se iniciou em 1965. O visual criado pelo artista para a personagem, com o colete azul, pequeno chapéu amarelo, mangas arregaçadas e uma espada na cintura, tornou-se icônico. Fonte da imagem: Asian American Writers’ Workshop.

Apesar de naturalmente talentoso, o menino Gildong, por ser filho de uma concubina e, consequentemente, ter status secundário na sociedade, cresce se lamentando por saber que nunca poderá se dedicar aos dois caminhos de prestígio abertos aos varões de nascimento nobre (yangban): o serviço público ou o militar. Sua outra grande tristeza é a de nunca poder chamar a seu próprio pai de Pai, nem a seu irmão (legítimo) de Irmão, pelo costume da época.

Os muitos dotes de Gildong despertam a inveja da concubina sênior, Chonang, que não tem filhos. Ela conspira para causar a morte do jovem. Em uma das passagens mais interessantes do livro, uma adivinha a serviço de Chonang se dirige ao ministro Hong e finge que viu em Gildong a face de um rei, alertando que se o menino fracassar em suas ambições, será a causa de grandes infortúnios. Naquela época, a traição ao rei poderia ser punida com o extermínio de três gerações da família. Como, oficialmente, Gildong nunca poderia exercer suas ambições, o ministro pensa exatamente como sua concubina esperava, e considera que o melhor seria que seu filho morresse, para evitar uma tragédia maior na família. Mais uma vez notamos certa ironia autoral em relação ao ministro, tão elogiado como capaz e erudito, caindo facilmente em uma artimanha combinada por mulheres das mais baixas origens. Ainda melhor, a profecia fajuta acerta, pois a eventual rebeldia de Gildong, derivada dos obstáculos a suas ambições legítimas, de fato traz sofrimentos para a família (ainda que de forma temporária), e afinal ele se torna, incrivelmente, um rei.

Pôster do filme de animação “A História de Hong Gildong”, de Shin Dong-heon (1967), com roteiro de seu irmão Shin Dong-wu. Este foi o primeiro longa-metragem de animação da Coreia. Fonte da imagem: Asian American Writers’ Workshop.

Como Laio em Édipo Rei, o ministro, temeroso, busca impedir a concretização da profecia, e acaba por criar melhores condições para que ela venha a fruição. Sem coragem de ordenar a morte do filho ilegítimo, obriga o jovem Gildong a viver isolado em um anexo e o proíbe de sair da propriedade. Com tanto tempo livre e nenhuma distração, o menino se dedica a estudos esotéricos e às artes marciais, chegando a dominar poderes sobrenaturais e controlar os elementos. Tão mágico quanto Harry Potter, mais poderoso que o Super-Homem (pois, ao contrário deste, Gildong não possui uma fraqueza), e com a mente militar de um César, Hong Gildong se torna invencível. Logo se vê por que Hong Gildong hoje é visto como um símbolo da masculinidade perfeita na Coreia.

Após Chonang contratar um assassino, com a concordância da esposa do ministro e de seu filho legítimo, Gildong derrota os conspiradores. Seu pai lhe concede a graça de chamá-lo de Pai, mas Gildong, consciente da precariedade de sua situação, deixa a casa paterna. Em sua nova vida, torna-se o líder de um bando de foras da lei, lamentando, ainda, o fato de não poder ter uma carreira legítima e honrada servindo ao rei. Daqui advêm as comparações com Robin Hood, pois o bando de Gildong rouba de ricos para dar aos pobres, e pune oficiais corruptos que infernizam a vida da população humilde. Adaptações modernas da história costumam aumentar ou sanitizar as ações de Gildong com seu bando, e mesmo a tardia versão wanpan 36 busca justificar o saque de um tempo budista, ocasião em que os monges são enganados e amarrados, com uma adição ao texto, uma longa passagem antibudista, possível referência à repressão do budismo durante o período Joseon, quando prevaleceu o neo-confucionismo. Nas versões pilsa e gyeongpan da história, não há qualquer justificativa para o crime; as ações de Hong Gildong são menos evidentemente “puras”.

Muitos são os feitos de Gildong, de forma que logo sua reputação chega aos ouvidos do rei. A família de Gildong inevitavelmente sofre com a punição real: o ministro Hong, idoso, é preso, e a família tem a grande vergonha de ser relacionada a um fora da lei. Porém, o rei age com benevolência e lhes oferece uma chance, desde que o irmão legítimo de Gildong o prenda. Gildong se deixa capturar, apenas para demonstrar espetacularmente que força humana nenhuma pode detê-lo. Suplica ao rei que o nomeie ministro da guerra, mas quando, milagrosamente, alcança esta grande ambição, imediatamente rejeita o convite e anuncia que partirá do reino para sempre. O que explica a repentina mudança de ideia do jovem herói? Talvez fosse apenas um desejo de provar que poderia conseguir o cargo; talvez o mero posto de ministro fosse realmente pouco para quem tem o poder de invocar divindades para cumprir seu comando.

Imagem do filme norte-coreano “Hong Kil-dong” (1986). O filme foi distribuído em países comunistas, como Cuba e Angola. Nele, Hong Kil-dong (de branco) luta contra ninjas japoneses invasores.

Juntamente com seu bando, vai viver em uma ilha. No caminho, luta contra monstros e assim conquista não só uma bela esposa, como duas concubinas, que eram reféns das criaturas. Após alguns anos de prosperidade, o talvez já não tão benevolente Gildong decide exercitar seu poderio militar para subjugar um outro reino, próspero e pacífico. A vitória do mais forte, Hong argumenta com lógica quase darwiniana em carta exigindo a rendição do rei legítimo, é nada menos que “o mando do céu”. Não deixa de ser irônico que a história de Hong Gildong hoje simbolize tão fortemente a rebelião dos oprimidos contra os fortes em um país que já foi colonizado como a Coreia, quando a história louva a tomada de um reino independente. E assim, Hong Gildong, de menino de status secundário, torna-se rei. Décadas depois, já em idade avançada, transfere a regência para seu filho legítimo mais velho, e ascende aos céus com sua esposa, tornando-se uma divindade.

A História de Hong Gildong possui forte apelo simbólico e grande popularidade na Coreia (aqui nos referimos às duas Coreias, pois a história data de muito antes da divisão da península), principalmente pelo seu tema de talento pessoal que eleva a grandes posições um indivíduo oprimido por uma sociedade que lhe desfavorece. A ideia de um jovem herói que pune opressores e auxilia os humildes também é muito atraente para um povo que foi dominado em diferentes eras. É a parte da história que mais recebe destaque nas muitas “reencarnações” em filmes, séries de televisão, quadrinhos, etc, e os “vilões” podem ser facilmente modificados de funcionários públicos corruptos ou nobres opressores para japoneses colonizadores e mesmo grandes empresários corruptos, dependendo do zeitgeist.

Material promocional do drama “Hong Gildong, the Hero” (KBS, 2008). Adaptação feita com o público Hallyu em mente, o drama inclui deliberadamente elementos modernos (de penteados estilosos e óculos escuros a K-pop) como forma de atualização da história. Fonte da imagem: Viki.

É interessante verificar, entretanto, que o Hong Gildong textual é um herói com mais zonas cinzentas do que a versão simplificada que é mais conhecida. Que ele considera as leis de Joseon injustas no tocante a ele próprio, por obstaculizarem sua devoção filial e ascensão social, é certo. Embora muitos atribuam à personagem zelo reformista ou revolucionário, essa leitura não é evidente, uma vez que em nenhum momento ele peleja para transformar o sistema, as leis, no que se aplicam à sociedade em geral. Sua temporada causando caos no reino com seu bando pode ser interpretada como uma forma de chamar a atenção do rei para suas habilidades. Sua atitude em invadir e colonizar um reino pacífico, com governantes justos, é frequentemente vista como a criação de uma utopia, mas, longe de criar uma sociedade em novos moldes, sem discriminação de status, Hong simplesmente replica a sociedade hierárquica de Joseon, desta vez com ele no topo. As diferentes leituras a que o texto dá azo até os dias de hoje são parte do que o faz um clássico.

Conhecer a literatura clássica de um país é uma das melhores formas de entrar em contato com o núcleo de sua cultura compartilhada. Se um clássico é “um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”, nas palavras de Italo Calvino, nada mais apto para descrever A história de Hong Gildong, que atravessou os séculos na Coreia divertindo e inspirando. Enquanto houver a aspiração por uma sociedade mais justa e o sonho de um herói que aja com bravura para proteger os oprimidos, a lenda de Hong Gildong permanecerá viva.

Ensaio por Claudia Vieira

O MidiÁsia agradece a disponibilidade da autora em conceder o texto para publicação, assim como a professora Yun Jung Im que confiou no nosso site para ser um espaço de extensão do VI Concurso de Literatura Coreana.

Para saber mais sobre a autora do ensaio e o VI Concurso de Literatura Coreana, acesse aqui a notícia no MidiÁsia.

Aa 5 cantoras solo mais ousadas e revolucionárias do K-POP

Via Koreapost

A energia e as diferentes possibilidades do Kpop são dois fatores que o tornam tão cativante no mundo inteiro. As vezes, o Kpop pode ser estereotipado com alguns desses elementos: música cativante, movimentos de dança sincronizados, roupas da moda e todas as coisas típicas que frequentemente associamos a ele.

Mas isso não significa algo negativo, pois também é uma das razões pelas quais amamos o K-pop. No entanto, há vários artistas que decidem romper com o padrão, seja através de seu gênero musical, mensagem, imagem ou personalidade. Aqui estão algumas das melhores artistas solo femininas que atreveram-se a ser diferentes.

1. CL – Empoderadora e independente

CL é inegavelmente uma artista que, mesmo quando no 2NE1 ou considerada como um “ídolo do K-pop”, nunca realmente se encaixou em estereótipos. O 2NE1 foi um dos grupos inovadores de K-pop que causou uma forte impressão. CL incorporou uma mulher forte e independente que os fãs podem admirar. Ela criou seu próprio caminho e estabeleceu altos padrões para todos os outros seguirem.

Em seu último retorno como artista solo, CL lançou uma faixa de hip hop que revela seu lado poderoso e uma mensagem sobre auto-aceitação com a letra: “Haters sempre tem algo a dizer/ Eu sou diferente e você está errado/ Você sabe que não pode me matar”. Também é importante notar que ela fez referência a “mugunghwa” nas letras e no simbolismo no final.

É um tipo de flor de hibisco (Rosa de Saron), conhecida como a flor nacional da Coreia, que literalmente significa “flor eterna que nunca desaparece”. A mugunghwa também se refere a uma classe de trens, na parte onde ela canta “Mugunghwa kkoci pieot seumnida”, que é um jogo semelhante à luz vermelha/luz verde. Em um dos versos, ela canta: “Este é o meu lugar, entendeu?” CL é uma mulher que tem certeza de si mesma, sua música, e seu próprio caminho. Em uma entrevista à Billboard, ela disse: “Eu sei exatamente para onde estou indo, o que quero fazer“.

2. Baek Yerin – Eclética e artística

Baek Yerin apareceu pela primeira vez em uma dupla chamada 15& with Jamie, e ficou conhecida por músicas pop e baladas. Mas logo ela iniciou sua carreira solo, aventurando-se em conceitos sonhadores, canções suaves e calmantes com seu álbum “Every letter I sent you”.

O som reflexivo, mal-humorado e às vezes agridoce era perfeito para seus vocais suaves e delicados. Mesmo assim, sua música não se encaixava no molde das poderosas baladas vocais, sons da moda ou canções viciantes. Ela estava contando sua história em seu próprio mundo privado. Mas à medida que crescia como artista, Yerin começou a explorar diferentes gêneros para expandir seu alcance. Em seu último álbum tellusaboutyourself, ela incorpora o pop elétrico, sintetizadores e gêneros do house, onde agora está mais ousada e experimental do que antes.

Baek Yerin é definitivamente uma artista que descasca muitas camadas para revelar significados profundos através de sua imagem, vídeo e músicas de sua autoria. A faixa “0414” é baseada em seus verdadeiros sentimentos, como mencionado em entrevista: “Embora eu sempre tenha medo de conhecer novas pessoas, eu conheci uma pessoa e minhas preocupações, contudo, se realizaram. Então, aqui eu reclamo, ‘por que isso só acontece comigo?’”

3. Ha: Tfelt – honesta e arrojada

Vindo do Wonder Girls, um dos grupos de K-pop mais famosos, esperava-se que a estreia solo de Yeeun apresentasse canções pop e cativantes. Mas, ela se transformou completamente com um novo nome artístico, Ha:tfelt, com canções honestas sobre sua dor, desgostos, crescimento e rudes despertares.

Embora não seja surpresa quando cantores de K-pop cantam sobre sentimentos, as letras de Ha:tfelt são profundas. Junto com seu primeiro álbum solo, ela também lançou um livro sobre suas lutas pessoais. Ela disse em uma entrevista: “Para mim, foi para fins terapêuticos. Estou fazendo terapia há cerca de um ano e o terapeuta recomendou que eu começasse a escrever. Não tinha certeza se eu poderia escrever ou se escrever era adequado para mim, mas quando eu comecei, tudo simplesmente derramou. Foi o começo de desembaraçar as emoções complicadas que eu tinha dentro de mim.”

Ha:tfelt já foi um traço de seu antigo eu, como uma integrante altamente fechada e produzida de um grupo feminino. Ela não tem mais medo de se abrir sobre seus anos turbulentos e inspira outros a superar os deles. Internautas e críticos acharam difícil combinar sua mensagem com sua imagem anterior, mas logo ela ganhou reconhecimento e aceitação. Seu novo som incorporou diferentes influências: rock, balada, latim, house e electro-pop. Ela diz que não importa o gênero, foi a música que a ajudou a sobreviver.

4. Jessi – sexy e orgulhosa

Com sua imagem sexy sem desculpas, Jessi está se apropriando de seu estilo e sexualidade, sem deixar a mídia ou outras pessoas objetificá-la. Os internautas e o público em geral podem ser altamente críticos de artistas com a tal “imagem ruim”, especialmente aos artistas que têm tatuagens, falam de forma áspera, ou simplesmente aqueles que não se encaixam nos padrões de uma “estrela perfeita”. Jessi vai além disso, deixando sua personalidade brilhar através de sua música.

Seu gênero não pode simplesmente ser colocado na categoria rap ou hip hop porque ela abraça sua educação multicultural, trazendo perfeitamente suas influências ousadas e francas de Nova York e raízes coreanas criativas em seu trabalho. Desde o início, ela vem inspirando seu público a se tornar confiante e ter auto respeito. Em seu último single What Type of X, ela canta: “Eu sou um tipo diferente de monstro/ Mas está tudo bem / Eu não tenho que ser a única / Ser a única só para você.” Ela é uma unni forte e merece toda a atenção que ela tem recebido!

5. Lim Kim – ousada e revolucionária

Provavelmente todos se lembram de Lim Kim como uma jovem bonita, uma voz única que cantava alegremente em um vídeo colorido sobre estar na casa dos 20 anos. Ela teve uma pausa de 4 anos e voltou mais forte, mais sábia e mais sem desculpas do que nunca.

Ela transcende a “Caixa do K-pop” de acordo com a Billboard, abraçando sua identidade, etnia, pensamentos sobre si mesma e o mundo através de Generasian. Lim Kim volta à rica história dos sons tradicionais coreanos e lhe dá seu próprio toque moderno, sem se apropriar ou reduzi-lo em uma música excessivamente produzida.

É um som impactante, que não pode ser encaixotado em qualquer gênero, combinando letras inglesas e coreanas para fazer sua história ser ouvida em todo o mundo. Alguns especialistas em música identificam sua música como folk-rock, indie pop, ou simplesmente dance, mas isso acaba desafiando seu propósito: “Eu preciso mudar este jogo/ Não se identifique no olhar masculino/ Estou levantando a voz para ser ouvida/ Construindo meu mundo”, ela canta em “Sal-Ki”. “Descolonizar da fraqueza/ Dominar o seu sistema.”

Lim Kim não só queria se libertar do rígido sistema K-pop, mas também das expectativas da indústria e categorizar as mulheres em particular. Ela disse em entrevista: “Eu não estava realmente sentindo que não posso fazer algo porque sou uma mulher. Mas, depois que debutei e comecei minha carreira, eles meio que me colocaram nessa caixa que se chama “Mulher”. Havia tantos estereótipos que as cantoras precisam estar no sistema do K-pop. Você tem que ser bonita ou tem que ser fofa. Você tem que estar sempre bonita se você for uma cantora. Então, essa foi a primeira vez que percebi, “Oh, eu sou uma cantora, eu sou uma mulher.”

Ela enfatiza isso na letra de “Mago”, “As mulheres nascem fortes/ Nós aumentamos nosso poder / Ascensão”. Um de seus objetivos finais além de ultrapassar os limites dos gêneros, imagem arquitetada e gênero, é conectar-se com sua identidade como coreana e redefinir a percepção do mundo sobre como um asiático é ou deveria ser. Neste ambiente social altamente precário onde alguns asiáticos vivem hoje em dia, com ódio, racismo e até ataques brutais direcionados aos de ascendência asiática, talvez a música de Lim Kim seja uma resposta e um grito de guerra: “Vivemos sonhos, realizando sonhos/ Sinta-me, me veja, rainha/ Eu nunca vou me curvar a você / Este é o fenômeno asiático / Fêmea amarela contra-ataca.”