Por International Uranium Film Festival

Rio de Janeiro / Berlim – Nos dias 6 e 9 de agosto, farão 75 anos que os EUA lançaram bombas atômicas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.  As explosões radioativas mataram diretamente um número estimado de 140 mil mulheres, crianças e homens dos 350 mil habitantes de Hiroshima. Dos 263 mil habitantes de Nagasaki, cerca de 80 mil morreram no blitz e inferno da bomba atômica. Milhares dos sobrevientes de Hiroshima e Nagasaki, reconhecidos como Hibakusha, morreram nos anos seguintes de doenças provocadas pela radiação. 

O International Uranium Film Festival lembra este momento crucial na história da humanidade, através do seu troféu dado aos melhores filmes e personalidades, heróis da Era Atômica que lutam por um mundo sem os riscos nucleares. O troféu é uma obra de arte criada pelo artista de reciclagens Getúlio Damado. Getúlio Damado e seu filho Victor Damado vivem no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro e trabalham no seu atelier a céu aberto, há décadas, e fazem arte com o lixo das ruas de Santa Teresa.

Sr.Takashi Morita (Hibakusha) no Uranium Film Festival 2019, na Cinemateca do famoso Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Crédito: Norbert Suchanek.

Em 6 de agosto de 1945, exatamente às 8:15 da manhã, a bomba atômica explodiu sobre o centro da cidade de Hiroshima. Foi o momento em que todos os relógios de Hiroshima pararam devido aos efeitos eletromagnéticos da explosão nuclear. Três dias depois, em 9 de agosto, os relógios em Nagasaki pararam exatamente às 11:02 da manhã. É por isso que o artista Damado usa relógios quebrados para a cabeça do troféu do Uranium Film Festival.

No último ano, em 2019, os Hibakusha (sobreviventes da bomba atômica e da radioatividade) Takashi Morita (96 anos) e Kunihiko Bonkohara (79 anos) receberam o troféu da 9ª edição do International Uranium Film Festival do Rio de Janeiro, na Cinemateca do MAM Rio (veja a reportagem realizada pela Revista Intertelas, parceira do MidiÁsia). O troféu também foi concedido ao cineasta mineiro Marcello Marques por seu documentário “Cidade Radioativa”.

Neste ano de 2020, celebramos os 10 anos do Uranium Film Festival e temos dois grandes candidatos ao troféu: o cineasta polonês Lech Majewski, concorrendo ao melhor longa-metragem de ficção com “Valley of the Gods”, estrelado por John Malkovich. Outra forte candidata na categoria de melhor documentário é a italiana Lisa Camillo, com seu filme “Balentes. The Brave Ones”

O troféu do International Uranium Film Festival. Crédito: Norbert Suchanek.

Mas a decisão final vai ser feita no festival, em outubro, em Berlim. De 15 a 18 de outubro, o festival vai exibir no Cinema do Kulturbrauerei, em Prenzlauer Berg, 14 filmes atômicos de dez países, com a presença de vários cineastas, como Lech Majeweski (Polônia e Hollywood), Lisa Camillo (Itália e Austrália), Alessandro Tesei (Itália), Claus Biegert (Alemanha), Dragoș Turea (Moldavia) e Markus Kaiser-Mühlecker (Austria).

O horror das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, os milhares de testes de bombas atômicas e acidentes nucleares como Chernobyl ou Fukushima e suas conseqüências catastróficas ou os terríveis efeitos do uso de munição de urânio na guerra contra o Iraque não devem ser esquecidos“, disse a diretora do festival, Márcia Gomes de Oliveira

Os artistas brasileiros Getúlio Damado e Victor Damado em seu estúdio ao ar livre em Santa Teresa. Foto de Norbert Suchanek. Crédito: Norbert Suchanek.

Agradecemos à Cinemateca do MAM Rio, à Associação Hibakusha Brasil pela Paz e aos parceiros do Uranium Film Festival em Berlim: Koalition zur Ächtung von Uranwaffen (ICBUW), Juristenvereinigung gegen Kernwaffen (IALANA), Internationalen Ärzte für die Verhütung des Atomkrieges (IPPNW), Sayonara Nukes Berlin e Friedensglockengesellschaft Berlin. Em 2020, o Parlamentar Klaus Mindrup permanece o padrinho do Festival.

Apoie o Uranium Film Festival, o festival de cinema que mantém viva a força e luta das vítimas das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, das vítimas dos milhares de testes atômicos e de acidentes nucleares pelo mundo afora. O Uranium Film Festival só é possível com doações e parceiros!


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