A Viagem de Chihiro vai virar Peça de Teatro

Via Consulado Geral do Japão no Rio

Um dos animês de maior sucesso mundial “A Viagem de Chihiro” vai virar peça de teatro, com a adaptação escrita e dirigida por John Caird, encenador inglês, escritor de peças, musicais, óperas e diretor associado honorário da Royal Shakespeare Company. Caird é grande fã do trabalho de Miyazaki.

Crédito: divulgação.

Chihiro, a personagem principal, será interpretada pelas atrizes Kanna Hashimoto e Mone Kamishiraishi. A obra original é uma animação dos Estúdios Ghibli, dirigida por Hayao Miyazaki. A história conta a aventura da pequena Chihiro que se perde dos pais e acaba indo parar no mundo dos deuses. A produção, segundo muitos especialistas, é um referencial do folclore japonês.

Portal Minuto Otaku, plataforma especializada em cultura pop asiática, leva inovação e interatividade ao público brasileiro

Via Revista Intertelas

O Minuto Otaku (clique aqui) é a primeira plataforma brasileira que une conteúdos jornalísticos, cursos educativos e uma comunidade interativa sobre cultura pop asiática. O conteúdo produzido pelos colaboradores do portal, alguns deles integrantes de programas de mestrado e doutorado de todo o país, engloba temas variados, como psicologia, cultura, curiosidades, games, meio ambiente e educação. Dessa forma, são elaborados artigos, reviews, podcasts, vídeos e lives aprofundando as discussões sobre o universo otaku. O portal também conta com um catálogo completo de informações sobre os melhores títulos de animes, mangás, doramas e live-actions

Há uma parte do Minuto Otaku voltada para a divulgação de eventos externos e virtuais, sejam eles produzidos pela plataforma ou através de parcerias de divulgação. Também são disponibilizados cursos de formação livre gratuitos e pagos, que podem ser realizados por usuários cadastrados. Outra opção de compra é a loja virtual, que vende produtos artesanais e produzidos de forma independente voltados para o público otaku.

O Minuto Otaku possui uma comunidade interativa onde os usuários podem criar seus perfis com recursos de biblioteca, amigos, grupos, fóruns e gamificação. A proposta é criar um ambiente saudável, livre de discursos de ódio e fake news, permitindo apenas o cadastro de usuários maiores de 18 anos. Segundo Jorge Massarollo, um dos fundadores do projeto, ‘’o portal é a realização do sonho de unir em um único local, a paixão pela cultura-pop oriental, o fascínio pela ciência e a experiência do aprendizado”.

Crédito: Minuto Otaku, divulgação.

Já para a também idealizadora da iniciativa Lorena Mattana “a plataforma veio para unir diversos mundos e culturas. É um portal formado por embaixadores apaixonados que cresceram junto aos seus personagens favoritos, utilizando seu conhecimento para produzir conteúdos de altíssima qualidade aos fãs brasileiros”. Por fim, conforme Rafael Sartori, que coordenador do grupo fundador,‘’desenvolver o Minuto Otaku foi um desafio gratificante de unir paixão dos fãs, sustentabilidade financeira e recursos tecnológicos em uma plataforma diferenciada”.

O portal teve o subsídio do ZionLab, projeto de Satori, site especializado na criação de sites, lojas virtuais, marketplaces e aplicativos. O Minuto Otaku conta ainda com 15 embaixadores que auxiliam na promoção e produção de seu conteúdo.  

As fanfics homoafetivas dos fãs de K-POP estão indo longe demais?

Via Koreapost / Korea JoongAng Daily

Por favor, punam os usuários RPS que desvalorizam a imagem de idols menores de idade como se fossem seus brinquedinhos sexuais“. Uma petição endereçada a Blue House (sede do governo coreano) com esse título, havia conquistado cerca de 212 mil assinaturas até janeiro, quando foi publicada na internet.

RPS, sigla para Real Person Slash, é um subgênero dentro das fanfics que é categorizada com qualquer tipo de conteúdo que fantasia uma relação homoafetiva entre pessoas, mesmo que não tenha relação com a verdadeira orientação sexual ou relações que elas tenham na vida real. Um exemplo entre as produções do gênero é uma história centrada no par entre Kames T. Kirk e Spock, do filme “Star Trek: The Motion Picture” (1979), também conhecido por Kirk/Spock ou Spirk.

Apesar que não ter sido algo pretendido pelo escritor original, alguns fãs especularam uma relação homoafetiva entre os dois personagens masculinos por causa de suas cenas juntos. Muitos contos fictícios começaram a ser produzidos, tendo como foco os elementos românticos e sexuais que eram anteriormente interpretados apenas como uma ‘camaradagem‘ dos personagens.

Crédito: YouTube.

Na Coreia, o termo RPS, ou de acordo com o que foi definido pela petição, parece explicitamente referir-se ao conteúdo que descreve relações extremamente eróticas entre dois homens, geralmente integrantes de grupos de K-pop. Este tipo de conteúdo, no entanto, veio a tona pela primeira vez em razão de um rapper chamado Son Simba, que se deparou com os RPS quando um de seus fãs escreveu sobre ele. Chocado com o que viu, ele reportou a situação publicamente para seus seguidores do Instagram, e uma batalha iniciou.

Os debates online sobre os RPS transformaram-se em algo fora da internet em 19 de janeiro, quando dois políticos do Partido do Poder do Povo — Ha Tae-keung e Lee Jun-seok, um ex-integrante do Conselho Supremo do partido — entrou com um pedido de investigação sobre os criadores e distribuidores de RPS na delegacia de polícia de Yeongdeungpo, no oeste de Seul. Lee inclusive foi além e admitiu publicamente ter sido vítima de RPS quando apareceu no programa televisivo “The Genius” da tvN, em 2015.

Ha iguala o crime ao mesmo nível do caso Nth Room (Enésimo Quarto), o qual chocou a nação no ano passado, quando foi descoberto que o serviço de mensagens Telegram estava sendo usado como uma ferramenta por criminosos para produzir, vender e distribuir vídeos sexualmente expositivos, alguns com menores de idade envolvidos. Outro crime sexual digital comparado aos RPS é a pornografia “falsa” (deepfake). Uma petição similar, que pedia pela punição daqueles que criavam e distribuíam pornografia deepfake ilegalmente, fazendo montagens com mulheres famosas, já reunia 380 mil assinaturas no site da Blue House em janeiro.

Deepfake realizado entre a foto original à direito, de jennifer lawrence, e a deepfake à esquerda, com o rosto de steve buscemi. Crédito: https://appinventiv.com/

Deepfake, uma união das palavras “deep leaning” e “fake”, usa tecnologias artificiais e sofisticadas para trocar alguém em um vídeo ou imagem por outra pessoa. Muitas celebridades mulheres tem passado por essa situação, tendo seus rostos editados e colocados em vídeos de pornografia.

Desde que a pornografia deepfake vem causando essa polêmica, muitos estão argumentando que os RPS são tão imorais quanto e que os idols de K-pop estão sendo usados como objetos de exploração sexual. A batalha, que inicialmente era sobre defender os direitos dos idols, se transformou em algo diferente: um lado diz que os RPS são um aspecto inofensivo da cultura pop, que sempre esteve presente nos fandoms de K-pop, enquanto outros categorizam os RPS como um crime.

É uma cultura?

Ao contrário do que alguns podem acreditar, RPS, ou fanfic como chamam, se tornou uma sub cultura da indústria do K-pop desde o início. Fãs fervorosos da primeira geração de grupos como H.O.T e G.O.D gostavam de escrever e ler histórias deste tipo sobre seus integrantes favoritos.

No início dos anos 2000s, comunidades online de fãs de grupos populares possuíam um espaço próprio para suas fanfics, onde podiam compartilhar as histórias em conjunto. Alguns desses trabalhos se tornaram tão populares que foram publicados fisicamente. O nível de erotismo variava muito, desde histórias com foco apenas na amizade até aqueles em que se imagina um par romântico, que descreve cenas íntimas de forma muito detalhada.

Embora nunca reconhecido publicamente, a indústria do K-pop parece admitir que os RPS eram algo muito próprio dos fandoms. Agências de K-pop até mesmo usavam esse conteúdo como uma forma de estratégia de marketing para promover seus grupos. Em 2006, a SM Entertainment realizou seu primeiro concurso de fanfic para a boy band TVXQ. “Nós queremos passar tempo interagindo com nossos fãs e encorajando criatividade saudável entre eles”, explicou a agência. “Esperamos estimular uma cultura de fãs de forma positiva”.

Integrantes do tvxq. Crédito: twitter

“Especialmente nos anos 90s, o conceitos de ‘preatty boys’ (homens bonitões) primeiro veio a tona e depois se tornou uma tendência”, explicou o cítico de cultura pop Mimyo em relação ao porquê os fãs gostam de criar fantasias com relações homoafetivas entre idols. “Os fãs gostam desse conceito porque são capazes de escapar de suas realidades e conforme isso de tornou parte de uma cultura, as fanfics homoafetivas se tornaram populares”.

O professor Jang Min-gi do Departamento de Mídia e Comunicação da Universidade Kyungman, o qual pesquisa a cultura fandom, também sugeriu a ideia de homossexualidade como uma forma de amor verdadeiro. “É algo que aparece com frequência nas pesquisas no psicológico feminino que consomem conteúdo de narrativas homoafetivas de idols masculinos, que elas simpatizam muito com o processo de superar taboos ou construções sociais, encontrando amor em apenas ser você mesmo”, avaliou Jang.

“Mesmo que o gênero de alguém não seja relevante — eles inclusive preferem esse estilo para escapar de suas realidades, não para se lembrarem delas. Por um momento, narrativas heterossexuais podem levar a tantas complicações relacionadas à vida real como gravidez indesejada, abuso, estupro ou molka (filmagem ilegal) — eles querem se esquecer disso e no lugar usam histórias homossexuais como narrativas principais”.

É crime?

Desde que os RPS ganharam atenção do público pela primeira vez, uma onde de críticos de cultura e experts se apresentaram para retaliar as alegações de que ela é tão famosa quanto a Nth Room. “Não vejo problema em dizer que pode haver problemas éticos [com RPS] e podemos precisar examinar o assunto novamente, independente do fato de que foi um fator importante da cultura de fandom e forneceu uma estímulo que impulsionou essa comunidade ”, escreveu o colunista e crítico cultural Wi Geun-woo em sua conta no Instagram em 14 de janeiro.

“Eu acredito que a maioria atual que argumenta que RPS [é um crime] incluindo Ha, não está colocando essa discussão na mesa para melhorar a cultura K-pop, mas querem equipará-la a crimes contra vítimas femininas cometidos por homens e sua cultura de objetificar sexualmente as mulheres ”, escreveu ele. “Em outras palavras, eles não querem resolver problemas como RPS e Nth Room. [Ao invez disso], eles querem colocá-los juntos para que possam evitar a responsabilidade sobre a solidariedade masculina no caso Nth Room.

Jang acha que essas chamadas vítimas do RPS e os defensores da punição não sabem realmente o significado da exploração sexual. “Nenhum idol de K-pop feminino ou pessoa real quer admitir publicamente que suas fotos estão espalhadas nas salas de chat ou que seus rostos são manipulados em pornografia deepfake”, disse ela.

“O próprio fato de que eles [personagens RPS] podem sair por aí falando que são as vítimas significa que não é um problema sério para eles. Se eles realmente foram humilhados ou explorados sexualmente ou se essa prática [RPS] deve ser definida como um crime sexual, então é muito importante que eles superem seu constrangimento — embora possa ser atormentador e difícil — e se apresentem para dizer que eles são as vítimas … A narrativa por si só não pode dizer que são vítimas e que vão processar. Podemos dizer que eles não sabem realmente o que significa RPS, ou mesmo a definição de RPS que eles definiram”.

Ilustração de dois rapazes representando as relações homoafetivas das polêmicas rps. Crédito: korea joongang daily

A questão permanece – o RPS é punível pela legislação criminal atual? De acordo com a advogada Kim Young-mi, porta-voz da Ordem dos Advogados da Coreia, depende do grau de descrição erótica da história para ela poder ser rotulada como crime sexual. “Mas simplesmente descrever ou escrever que eles tiveram um relacionamento sexual não pode ser aceito como obsceno – precisa ser descrito de forma muito direta e obscena”, disse Lee. O advogado Lee Eun-ui, especialista em casos de crimes sexuais, afirma que certos RPS podem ser processados ​​de acordo com o Artigo 13 da Lei sobre Casos Especiais de Punição de Crimes Sexuais.

De acordo com o artigo, “uma pessoa que envia a outra pessoa quaisquer palavras, sons, escritos, imagens, imagens ou outras coisas que possam causar uma sensação de vergonha ou aversão sexual por telefone, correio, computador ou outro meio de comunicação, com a intenção de despertar ou satisfazer seus próprios impulsos sexuais ou de outra pessoa, será punido com prisão com trabalho por não mais de dois anos ou com uma multa não superior a cinco milhões de won [$ 4.520]”.

“Então [RPS] pode ser fundamentado como um ato obsceno, mas quando entra em conflito com a liberdade de expressão, há uma possibilidade maior de o tribunal ficar do lado deste último do que do destinatário”, disse Lee. “Mas se a parte diretamente envolvida, em suma a pessoa que foi sexualmente objetificada, argumentar que sua reputação foi prejudicada e ela foi insultada nos termos do Artigo 13, o tribunal pode decidir em favor dos direitos pessoais do indivíduo [em vez da liberdade de expressão ] e [RPS] seriam julgados como um crime e um ato ilegal”.

Integrantes do bts. Crédito: pop line

“Sim, as celebridades ganham fama e riqueza com a atenção e o amor do público”, disse Lee. “Mas estamos consumindo seu talento e carisma. Vê-los como um objeto de provocação é uma questão totalmente diferente … E eu acredito que pode haver um método diferente de restrição em relação aos idols e celebridades, porque eles ganham a vida com a atenção do público, então é claro que é extremamente difícil tomar medidas decisivas contra o assunto. Antes de podermos legislar leis, precisamos discutir por que precisamos criar essa regra. E para que isso aconteça, precisamos de dinheiro para fornecer uma esfera ativa de discussão sobre se é ou não certo colocar indivíduos existentes como os personagens principais de [RPS] e obscenidade”.

“Em vez disso, no entanto, é sempre sobre o mostrar e debater”, Lee continuou. “Não apenas sobre RPS, mas para todas as outras controvérsias sociais que as pessoas ficam entusiasmadas – seu propósito [dos políticos] é ‘mostrar’ que estão lidando com o problema em questão, em vez de realmente localizar a raiz do problema. Depois que tudo foi filmado e exposto, no final das contas não conseguimos atingir o alvoou criar uma mudança que valha a pena”.


Último dia para realizar inscrições no Seminário CEA-UFF

Hoje é o último dia para realizar a inscrição no “Seminário CEA-UFF: 3 Anos Pesquisando a Ásia desde o Brasil”. Neste mês, o CEA-UFF está completando três anos de existência e o evento visa marcar a data com uma programação que inicia neste 3/03 e vai até dia 5/03. A iniciativa ocorrerá pela plataforma Google Meet, será gratuita, online e emitirá certificado de participação. O cronograma completo e o formulário de inscrições estão disponíveis em: https://linktr.ee/ceauff .

Crédito: Facebook CEA-UFF.

A turbulenta vida e obra de Ryūnosuke Akutagawa, aclamado escritor japonês

Via Revista Intertelas

Ryūnosuke Akutagawa, o filho do dragão como seu primeiro nome sugere, é um dos escritores japoneses mais conhecidos no mundo. Nasceu em 1892, filho de um casal supostamente rodeado de má sorte. O pai estava na casa dos 42 anos e a mãe com exatamente 33. As idades, como costume da época, não eram vistas como favoráveis para ter filhos ou qualquer desgaste mais exigente. Contudo, os infortúnios cercavam. Eles já haviam perdido uma filha antes, para a doença conhecida como meningite e a mãe do bebê é quem sofreu mais. Ela desenvolveu esquizofrenia numa condição severa. Ao nascer Akutagawa teve pouco convívio com seus pais e é encaminhado para uma família amiga do pai, para que fosse protegido de todo o contexto.

Contudo, apesar de todos esses percalços, merece destaque o fato de seus antepassados terem trabalhado com o alto escalão do governo Tokugawa (1600-1868), atuando como profissionais de cerimônia do chá. Isso precisa ser dito, pois é uma pista que mostra como nosso autor conhece o Japão tradicional e usa esse conhecimento para entender as transformações pós abertura Meiji – aquele momento de maior integração entre os nipônicos e os universos ocidentais, iniciado em 1868.

Akutagawa traduz em suas palavras elogios e críticas aos costumes e às inovações com as quais lidava. Na juventude foi um brilhante participante dos estudos literários. Pôde estudar os textos tradicionais chineses e japoneses, ao mesmo tempo que manuseou os textos ocidentais que chegavam ao Japão, com destaque para as obras francesas. Enfim, pode traduzir suas leituras em obras bastante conhecidas localmente. Seus textos falam do choque Japão-mundo, de si mesmo nessa conjuntura e um pouco de sua percepção sobre o Japão tradicional e as incursões ocidentais.

O escritor Ryūnosuke Akutagawa. Crédito: https://www.theguardian.com/

Escreveu contos sob a benção de Natsume Sôseki, e rivalizou com Junichiro Tanizaki. Ficamos sabendo das suas criações. Os 36 contos escritos entre 1914 e 1927, durante o período Taishō, os quais saíram em revistas literárias criadas por ele ou em sua coluna no jornal Ōsaka mainichi shimbun (jornal que lhe empregou e financiou bastante da sua escrita e suas viagens pela China e Coreia). Apesar da frutífera vida literária, as pressões da vida, uma dívida herdada que lhe consumia e desestruturação familiar o levaram ao suicídio, em 24 de julho de 1927, aos 35 anos. A situação é trágica, mas também simbólica. A data da morte é a mesma do dia do aniversário do desafeto, Tanizaki.

Talvez por esse aspecto poético e produtivo de sua vida tenha alcançado a importância que tem na cena literária japonesa moderna e mesmo após sua vida, pois dá nome a um dos principais prêmios literários japoneses, o prêmio Akutagawa, existente até os dias de hoje. Não só no campo da literatura, sua influência pode ser sentida no cinema, por exemplo com a obra de Akira Kurosawa que ganhou prêmio fora do Japão, ao adaptar para as telas as histórias de Rashômon 羅生門 e Yabu no naka 藪の中. (Alguns comentadores sugerem que este filme foi um divisor de águas na carreira do próprio Kurosawa).

“Rashômon e outros contos”, de Ryūnosuke Akutagawa. Crédito: https://www.goodreads.com/book/show/42113490
“Kappa e o levante do imaginário”, de Ryūnosuke Akutagawa. Crédito: https://www.amazon.co.jp

Rashômon, conta a história de um samurai recém demitido que se encontra em vias de enlouquecer por conta da pobreza e precisa arranjar saídas para a falta de recursos e a fome. Ele vagueia na antiga cidade de Kyoto, capital do Japão, durante o período Heian. Ali passa pelo portão principal da cidade e percebemos o quanto toda a riqueza e opulência daquela que já foi a cidade satélite da corte ficaram para trás no tempo. Buscando uma solução para seus dramas, o samurai decide que roubar artigos dos corpos de falecidos ali abandonados poderia ser uma saída. No prosseguimento da ideia, encontra-se com uma velha de aparência simiesca (achei interessante essa construção da personagem) que vagueava entre os corpos roubando-lhes os cabelos, fio a fio.

Yabu no naka, por sua vez, conta uma história de uma violação sexual seguida de morte, sofrida por um casal que viajava para as montanhas. O par foi surpreendida por Tajōmaro, um ladrão famoso das terras de Yamashina, que além de ludibriar o casal, mata o homem, deixando a mulher viva. Conhecemos os passos da investigação do caso pelos relatos de todos os participantes, inclusive o próprio defunto reaparece em invocação por uma médium e desmente a coisa toda. Fica a recomendação de leitura!

Os contos estão em:

> Akutagawa. Rashômon e outros contos. São Paulo: Hedra, 2008. 204 p.

Ryunosuke Akutagawa. Kappa e o levante do imaginário. São Paulo: Estação Liberdade, 2010. (*Neste volume Yabu no naka foi traduzido por No matagal).