Embaixada e consulados gerais da China convidam para concerto online “China-Brasil: Vencendo distâncias, unidos pelo futuro”

Via Revista Intertelas

No dia 26 de setembroàs 11h , no canal da Embaixada da República Popular da China no Youtube, será transmitido o concerto on-line “China-Brasil: Vencendo distâncias, unidos pelo futuro”. Este evento inédito visa celebrar o 71º aniversário da República Popular da China. Trata-se de uma iniciativa da Embaixada da China no Brasil, em conjunto com os Consulados Gerais do país em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Através da tecnologia na nuvem, orquestras de renome de Brasil e China vão tocar em conjunto músicas chinesas e brasileiras mundialmente conhecidas. Confira programação na Revista Intertelas.

Crédito: divulgação.

5ª edição do Festival “Tesouros do Japão” traz novas atrações em sua primeira versão online

Via Revista Intertelas

A quinta edição do Festival Tesouros do Japão, terá sua estreia online nos dias 26 e 27 de setembroa partir das 18h no Canal Tesouros do Japão no YouTube, gratuitamente. A programação conta com diversos temas alusivos à cultura nipo-brasileira e entrevistas com convidados ilustres, figuras importantes que contribuem com a difusão da cultura japonesa no Rio de Janeiro e também em outros estados. O evento também terá a presença de convidados que vão falar diretamente do Japão.

Entre as exibições dos talks shows, ocorrem performances artísticas, oficinas de origami e culinária. Conforme salienta a curadora do festival Ana Brites, esta iniciativa é uma grande  homenagem aos 125 anos da Amizade Brasil-Japão e aos que 112 anos da Imigração Japonesa.

Portanto, o objetivo principal é divulgar a cultura nipo-brasileira e inspirar, através das virtudes e hábitos dos japoneses, o público brasileiro que está em casa nesse período de pandemia. Na abertura que aborda a amizade centenária de Brasil e Japão, o festival contará com a participação de convidados especiais: o Cônsul-Geral do Japão no Rio de Janeiro Tetsuya Otsuru, o presidente do Instituto Cultural Brasil Japão (ICBJ) Sohaku Bastos e o presidente da Rio Nikkei e Renmei Minnoru Matsuura.

O festival exibirá um tour virtual da exposição Tesouros do Japão que apresenta cenografia inspirada em ícones da Cultura Japonesa, templo, ponte, cerejeiras, samurai arqueiro, bonecas japonesas, obras de arte, além de apresentações e oficinas que prometem levar o visitante virtualmente a uma viagem fascinante pela Terra do Sol Nascente. De acordo com a organização do evento, este projeto é viabilizado através do Incentivo Cultural do  Imposto Sobre Serviços (ISS RJ), com o patrocínio da Administradora de Bens (BAP)Odontologia Diagnóstica (DATA X) e Escola Carolina Patrício, além do apoio institucional da Japan Foundation, do ICBJ, da Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro (RENMEI), da Associação Nikkei do RJ (RIO NIKKEI), do Grupo de Estudos sobre o Japão da Universidade Federal Fluminense (GEHJA-UFF) e a parceria com a Quickly Travel – Japan Travel Bureau (JTB)Hawk e Buzzline.

Confira a programação na íntegra

Dia 26 de setembro  – a partir das 18h 

Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.

Dia 27 de setembro  – a partir das 18h 

Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.
Crédito: Festival Tesouros do Japão.

LEA da USP oferece a palestra online “As Ideias Republicanas na China Imperial do Início do Século XX”, com o sinólogo Egas Bender Moniz-Bandeira

Como atividade do Laboratório de Estudos da Ásia ( LEA ) da Universidade de São Paulo (USP), na quarta-feira, 7 de outubro, às 18h, pelo sistema Google Meet (no link https://meet.google.com/wqy-xmcw-ins ), ocorrerá a palestra online e gratuita do sinólogo Egas Bender Moniz-Bandeira (filho do historiador Moniz Bandeira e pesquisador do Instituto Max Planck de Frankfurt, na Alemanha). O tema da palestra será As ideias republicanas na China Imperial no início do século XX”. A palestra será em português. Egas Bender é autor de diversas publicações sobre a China e Leste da Ásia, sendo que um de seus artigos “O Advento do Constitucionalismo na China” está em português e pode ser lido no link: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/ballot/article/view/25571/18278

Marxismo 21 lança dossiê em homenagem aos 130 anos de Ho Chi Minh

Via Marxismo 21/Revista Intertelas

O site Marxismo 21 lançou em 13 de setembro um dossiê em homenagem ao líder e militante revolucionário Ho Chi Minh que, no último 19 de maio, completaria 130 anos. Segunda informa a editora, esta iniciativa visa “oferecer subsídios para entender a trajetória política e intelectual de Ho Chi Minh e os processos de luta do povo vietnamita, reunindo, assim, um amplo conjunto de textos de (e sobre) essa influente liderança comunista, além de outra série de publicações que abordam o pensamento de Vo Nguyen Giap e as lutas de classes no Vietnã, materiais que estão disponíveis no formato de artigos e livros em português, castelhano, inglês e francês. O dossiê conta ainda como uma seleção de filmes, documentários, músicas, palestras e debates que abordam temas relacionados à luta dos comunistas e à história vietnamita“.

Para que o material selecionado estivesse disponível ao público, o Marxismo21 contou com o auxílio de Davisson de SouzaFrancisco PrandiRenato Nucci Jr. e Sérgio Braga, membros do Conselho Consultivo, pela sugestão de materiais que foram integrados a este dossiêConfira o restante do texto e link para acessar ao material publicado pelo Marxismo 21 abaixo.

Ho Chi Minh (1890-1969) participou ativamente da luta anticolonial contra os franceses e a invasão japonesa e contra o imperialismo estadunidense, destacando-se como importante liderança no processo de independência do povo vietnamita, obtida em 1945. Além disso, teve participação destacada  na luta contra os franceses na Batalha de Dien Bien Phu, que resultou na divisão do Vietnã (Norte e Sul) e no confronto bélico com os EUA iniciado em 1967, cujo desfecho foi a vitória dos comunistas na guerra e a reunificação do Vietnã em 1975, seis anos após a morte de Ho Chi Minh, vítima de um ataque cardíaco.

Na história de lutas do povo vietnamita, não é possível deixar de fazer referência ao relevante papel desempenhado pelo general Vo Nguyen Giap (1911-2013), companheiro de luta de Ho Chi Minh e grande estrategista militar, que comandou o heroico exército vietnamita na Batalha de Dien Bien Phu (1954) e na guerra do Vietnã (1967-1975). Um dos aspectos a ser relevados na trajetória de Ho Chi Minh é sua militância, corajosa e persistente, na luta pela autodeterminação do povo vietnamita e demais povos colonizados.

Crédito: Marxismo 21.

Ao longo de sua vida, o dirigente comunista vietnamita viveu em vários países, experiência que lhe permitiu entre outras coisas conhecer e denunciar o racismo nos EUA; participou de vários congressos da Internacional Comunista, nos quais ficou reconhecido como importante liderança das lutas anticoloniais. Ho Chi Min também contribuiu muito para a construção de organizações operárias e populares tanto na França (PCF) como na região de abrangência do Vietnã, tendo fundado o  Partido Comunista da Indochina em 1930, que mais tarde seria batizado de Partido dos Trabalhadores do Vietnã e, finalmente, passaria a se constituir como Partido Comunista do Vietnã em 1976.

No momento em que até mesmo certas correntes autoproclamadas progressistas procuram engrossar as fileiras do anticomunismo, denunciando a tradição marxista por supostamente ignorar ou dar pouca relevância ao tratamento de temas fundamentais como o anti-colonialismo, o antirracismo e a relação entre questão nacional e luta socialista, a recuperação do legado de Ho Chi Minh e da história das lutas e resistências do povo vietnamita, muitas delas dirigidas pelos comunistas, torna-se oportuna para demonstrar o caráter infundado de grande parte dessas críticas e para interpelar os socialistas a resgatarem e a conhecerem a fundo as histórias das lutas anticolonial e anti-imperialista com vistas à construção do socialismo no século 21. Para ter acesso ao dossiê, acesse o site do Marxismo 21.

GEHJA oferece curso online sobre história do Japão antigo e clássico

De outubro de 2020 a fevereiro de 2021, o Grupo de Estudos Japoneses da Universidade Federal Fluminense (GEHJA-UFF) vai realizar curso sobre a história do Japão antigo. As aulas ocorrem de 6 de outubro de 2020 a 23 de fevereiro de 2021, sempre às terças-feiras, das 18h30 às 20h. O objetivo é abordar desde a chegada dos primeiros povos ao arquipélago até os adventos do período feudal inicial, estudando as sociedades pré-históricas, a formação do Império Yamato, a fundação das bases das religiões, a burocracia imperial, o surgimento do período clássico com a introdução da escrita, as eras das cortes aristocráticas, berço da literatura e a cultura antiga japonesa.

O curso será ministrado pelo professor, historiador formado pela UFF, pós-graduado em história militar pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), coordenador geral do Grupo de Estudos Japoneses da UFF e da Academia Nipo Brasileira de Estudos sobre História & Cultura Japonesa do Instituto Cultural Brasil e Japão (ANBEHCJ -ICBJ) Douglas Almeida. As vagas das aulas coletivas são bastante limitadas, sendo apenas 09 vagas disponíveis na turma. Para conhecer a ementa, o valor do investimento, a forma de inscrição e demais informações é só enviar um e-mail para: gehja.ceia.uff@gmail.com

Filmes sul-coreanos ressignificam estereótipos da mulher idosa

Por Park Ji Won – Via Koreapost/Korea Times

As mulheres mais velhas nos filmes são frequentemente retratadas de maneiras estereotipadas – elas sacrificam-se pelas suas famílias ou permanecem passivas, vitimizadas e assexuadas. Seus desejos e ambições raramente são abordados em filmes e, portanto, poucas obras cinematográficas têm uma mulher mais velha no papel principal.

Mas esse padrão está mudando. Filmes sul-coreanos lançados recentemente retratam mulheres idosas como figuras independentes, que falam por si mesmas. Tanto os filmes, quanto o documentário lançados recentemente centram-se nas histórias de mulheres idosas.

Um dos filmes é “Oh! My Gran” (“Oh! Munhee” em coreano) – uma história sobre a busca pelo motorista responsável pelo acidente que deixou a neta da protagonista, Bo-mi, ferida. O filme retrata a investigação realizada por Oh, a personagem principal que passou a ser a única testemunha do acidente, mas que está sofrendo de Alzheimer, e Du-won – seu filho e pai de Bo-mi – com abundantes cenas de ação e comoventes momentos em família. A condição médica de Oh adiciona mais drama ao filme. Mas o principal ingrediente que atrai o público não é a tragédia de sua doença, mas sim o tratamento cômico e sensível do problema.

Oh! My Gran” (2020), de Jeong Se Gyo. Crédito: CGV Arthouse/Korea Times

Mesmo não sendo um filme de ação do tipo James Bond, é bem raro mostrar uma personagem feminina mais velha em performances de ação ativa, como em perseguições de carro e até mesmo escalar uma árvore, que é a primeira cena de ação da atriz de 78 anos em toda a sua carreira. A personagem feminina é vocal e muito dedicada em encontrar pistas para o caso – o que resulta na descoberta das principais evidências do crime. “Journey to Kailash” é um documentário que mostra a jornada de Lee Chun Suk, uma mãe de 84 anos, e Jung Hyung Min, seu filho e o diretor – foram três meses; 20 mil Km; da Mongólia à Montanha Kailash (China).

Cena de “Journery to Kailash” (2020), de Jung Hyung Min. Crédito: Hancinema.

Eles terminam a viagem via rota terrestre e foi a primeira viagem de Lee ao exterior. Mesmo quando ela precisou rastejar montanha acima, ela nunca desistiu e alcançou o topo. “Eu estava curioso sobre como minha mãe vê o mundo … Gostaria de mostrar a todas as mães do mundo que minha mãe nunca desistiu da viagem, apesar das dificuldades da vida“, disse Chung à Yonhap.

An Old Lady” (“Age 69” em coreano), retrata uma mulher de 69 anos tentando encontrar justiça depois de ser estuprada por um auxiliar de enfermagem de 29 anos. Ela é constantemente desafiada pelo preconceito de que uma idosa não pode ser vítima de estupro.

Cena de “A old lady” (2020), de Kyunghyang Shinmun. Crédito: Hancinema.

Mostra como uma mulher sofre com a indiferença da sociedade, mas que nunca desiste de se expressar porque ainda está “viva”. “Personagens de mulheres idosas são muito agressivas ou insultadas sexualmente nos filmes. Mas eu quero mostrar um indivíduo além de todos esses preconceitos“, disse Lim Sun Ae, a diretora, ao Kyunghyang Shinmun.

Hallyu Rio, em formato digital, ocorre em outubro deste ano

No dia 17 de outubro acontece o Hallyu Digital Festival. A programação do evento poderá ser acompanhada pelo YouTube da Global Culture Produções. O evento é gratuito e já tem confirmado as seguintes atrações: aula de coreano, concurso cover de dança, concurso cover de canto, quiz de perguntas sobre a Coreia do Sul e entrevistas com pessoas que moram na Coreia. O público também vai poder entrar em um grupo de bate papo fechado do evento dentro do WhatsApp.

Crédito: Facebook Hallyu Rio Festival.

Desde 2015, a equipe do evento Hallyu Rio traz para o público carioca, fã da cultura sul-coreana,o melhor da experiência Hallyu no Rio de Janeiro, com atrações que foram desde concursos de cover K-pop a experiências de vestir hanbok, experimentar comida típica coreana, entre outros. Este ano, devido à pandemia Covid-19, decidiu-se pela criação de um evento digital. Para outras informações, acesse a página https://hallyurio.com/

Estão abertas as inscrições para o III Encontro da Rede Brasileira de Estudos da China

Estão abertas as inscrições para o III Encontro da Rede Brasileira de Estudos da China com o tema “O Sul Global no contexto da Disputa Hegemônica China-EUA”. O evento ocorrerá nos dias 14, 15 e 16 de outubro de 2020 e está sendo a organizado e sediado pelo Instituto de Estudos da Ásia da Universidade Federal de Pernambuco (IEASIA/UFPE). Em 2020, o Encontro Nacional da RB China ocorreria de maneira presencial na cidade de Recife, porém, devido à pandemia de Covid-19, passará ao formato virtual.

Crédito: IEASIA/UFPE .

Além de acadêmicos(as) das principais universidades brasileiras, também participarão do encontro pesquisadores da China Foreign Affairs University, Shanghai Jiao Tong University e do Shanghai Institute for Foreign Policy Studies. O evento será completamente online e gratuito, e a programação completa e outras informações sobre a transmissão serão divulgadas em breve. As inscrições podem ser feitas através do link https://bit.ly/3bX1QML. Para dúvidas e maiores informações, contatar pelo e-mail: ieasia.ufpe@gmail.com.

MidiÁsia entrevista Douglas Passos, produtor do Hallyu Rio, maior evento de cultura sul-coreana no RJ

Por Daniela Mazur

Sem dúvidas, o Rio de Janeiro é um polo cultural brasileiro de grande reconhecimento, mas quando o assunto é cultura pop sul-coreana, o estado ainda está se estruturando para ser um espaço pulsante desse consumo. A Hallyu, ou Onda Coreana, possui uma grande comunidade de fãs cariocas, que se organiza em favor de se expandir e atrair eventos culturais e shows de K-pop para a cidade, mas sem grandes apoios institucionais. Apesar disso, nos últimos anos festas noturnas, exposições, competições de covers e eventos especializados na Hallyu começaram a se destacar por aqui, assim como surgiram cursos de coreano especializados em diferentes partes do estado, tamanha a demanda dos fãs. O coordenador do curso Escola de Coreano e produtor de eventos Douglas Passos está envolvido diretamente no processo de ascensão carioca dessa cena cultural e é o grande responsável pelo maior evento de cultura sul-coreana no estado, o Hallyu Rio, e da comunidade Meet Kpop Rio. Com a quarta edição do Hallyu Rio marcada para ainda este ano, desta vez em formato online por causa da pandemia de COVID-19, Douglas conversa com o MidiÁsia sobre a construção da cena K-popper no Rio de Janeiro, as dificuldades de legitimação da cultura pop sul-coreana no estado e a importância de pensar o consumo brasileiro da Hallyu para além de São Paulo, que é atualmente o grande epicentro dessa experiência cultural no país.

O entrevistado Douglas Passos. Fonte: Acervo pessoal.

Como foi o seu processo pessoal de conhecer e compreender a Hallyu? Em que momento percebeu que este setor de consumo cultural precisava de atenção profissional e começou a organizar seus próprios eventos relacionados?

Douglas Passos (DP): Entrei no mundo da Hallyu como fã, então, quando me percebi assim, quis buscar locais e formas de me conectar mais com essa cultura, conhecer pessoas, enfim, saber mais sobre esse entretenimento. O meio principal da época era a internet, especialmente grupos de Facebook, que foi por onde eu conheci esse mundo. Contudo, faltavam espaços físicos ou eventos onde a gente pudesse ir aqui no Rio, que é onde eu cresci e moro. Então, nesse momento em que eu percebi que não haviam locais suficientes ou até mesmo agradáveis para podermos ir, resolvi reunir alguns amigos que conheci pela internet, que compartilhavam comigo dos mesmos gostos. A ideia surgiu de uma página que promovia encontros de fãs de K-pop, mas no Rio de Janeiro não havia nenhuma comoção para realiza-lo, então eu me voluntariei a juntar essas pessoas. Convoquei amigos, que convocaram outros, e, com a ajuda dessa página, a gente divulgou o evento do Rio de Janeiro. Assim, realizamos o primeiro encontro K-pop do Rio, do qual eu fui o organizador. Nesse primeiro momento, então, foi uma questão muito pessoal, eu queria esse espaço e por ele não existir, resolvi participar e ajudar de alguma forma a fazer isso acontecer. Desde o primeiro evento percebi que tinha um público bem consistente interessado no assunto no Rio de Janeiro e que eu poderia repetir a dose, uma vez que a primeira tinha sido um sucesso.

Encontro na Quinta da Boa Vista em 2015 realizado pelo Meet Kpop, grupo de encontro de k-poppers organizado pelo Douglas. Crédito: Amanda Cotrim e página Meet Kpop.

Esse primeiro encontro, em 2013, reuniu em torno de 50 pessoas, que foi o maior até então. As pessoas se juntaram para socializar, ouvir música, conversar sobre K-pop, mas em um espaço público. Essas 50 pessoas falaram com outras, que se mostraram também interessadas, foi assim que percebi a demanda grande que tínhamos por aqui. Fãs do Rio de Janeiro que queriam e procuravam espaços de convivência, mas faltava uma liderança para organizar esses eventos. Com isso, um mês depois, realizamos o segundo encontro que teve o dobro de pessoas. Foi dessa forma que percebi que esse público estava crescendo e esses fãs se encontravam em locais diferentes no Rio, em grupos menores e isolados, demandando um espaço único para socializar e alimentar essa comunidade para que ela pudesse crescer, porque o potencial já existia para isso.

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Palco do Hallyu Rio 2018 com os participantes do concursos cover de dança e canto. Fonte: Sou Méier.

Como você enxerga o consumo da Hallyu no Rio de Janeiro em comparação ao resto do Brasil?

DP: Eu vejo que o Rio de Janeiro é um estado que cresceu muito em relação a isso e o principal fator de crescimento foram os próprios fãs, fomentando eventos, atividades, comunidades na internet. O Rio nunca teve muitas organizações oficiais viradas para a cultura da Coreia do Sul, até mesmo para o entretenimento em geral, foram poucas as vezes que tivemos alguma ajuda de centros culturais, da embaixada ou de outra instituição do tipo. Sempre foi um estado meio invisível em relação a isso, então o consumo da Hallyu foi crescendo graças a própria comunidade, muito foi feito dentro da lógica fã-para-fã. Esse é um fato interessante porque mostra a dedicação dessas pessoas, que, mesmo sem um espaço oficial ou contato com a comunidade coreana aqui do Rio de Janeiro para trocar informações em geral, os fãs se esforçam em buscar outras fontes através de pesquisas. A comunidade carioca de K-poppers é parecida com as de outros estados, como Fortaleza, Espírito Santo e Curitiba, que possuem grandes comunidades de fãs de K-pop, mas não têm muito respaldo oficial para esse consumo, diferente de São Paulo, que sempre teve apoio intenso do Centro Cultural Coreano e outras entidades culturais do tipo.

Apresentação cover no Hallyu Rio 2019. Crédito: Bruno Antonucci.

Em meio a sua vivência da cena, como o Rio de Janeiro se estruturou como um espaço focal da experiência brasileira da Onda Coreana? Entre erros e acertos, podemos considerar o Rio um campo em ascensão para a Coreia do Sul em termos culturais?

DP: A Onda Coreana cresceu no Rio de Janeiro a partir do fã-para-fã, onde muitos deles procuraram fomentar, divulgar e atrair novos fãs para a comunidade, tanto em espaços públicos, quanto na própria internet, esta última especialmente com sites e grupos virados apenas para o Rio de Janeiro. E, de dez anos pra cá, que foi quando a Onda realmente se expandiu, diversos shows de K-pop, atividades coreanas e eventos foram realizados no estado, porque os fãs conseguiram mostrar o grande potencial e número de interessados que existe aqui. Muitas das vezes de forma não-oficial, se utilizando apenas de páginas na internet ou de pequenas pesquisas locais, especialmente com votos e concursos para criar esse burburinho. Os primeiros shows realizados aqui no estado provaram o interesse do público, já que, mesmo quando eram apresentações de grupos muito pouco conhecidos no K-pop (alguns destes que às vezes não tinham grande reconhecimento nem mesmo na Coreia do Sul),realizavam apresentações aqui no Rio com um público bem bacana. É um esforço direto da comunidade carioca para esquentar esse circuito.

Público do Hallyu Rio 2019 durante uma atividade sobre dramas sul-coreanos. Crédito: Bruno Antonucci.

A cada atividade, a cada show, a cada recorde de público em eventos que era batido, os produtores de evento, tanto da Coreia quanto de outros estados brasileiros, começaram a ficar mais atentos ao Rio. Até mesmo o Centro Cultural Coreano no Brasil e a própria Embaixada da Coreia começaram a reconhecer o Rio de Janeiro como um estado em potencial para eventos culturais sul-coreanos. Contudo, ainda estamos em um processo de ascensão, eu diria que o Rio de Janeiro ainda não é um polo para quem ama cultura coreana, a gente ainda não tem atividades consolidadas a esse ponto. Obviamente, hoje temos muito mais eventos do que tínhamos antes, mas eu acredito que ainda não sejam o suficiente em comparação a extensão da cultura sul-coreana em si.

Apresentação de cover de canto. Crédito: Bruno Antonucci.

Acho que ainda faltam espaços ligados a isso, talvez um calendário mais organizado de eventos oficiais, não que os que já acontecem não possam ser considerados oficiais, porém é necessário algo mais estruturado na cultura. O Rio de Janeiro possui apenas um evento voltado totalmente para a cultura sul-coreana, que é o Hallyu Rio. Podemos também ver o aumento de cursos de coreano na cidade e no estado como um todo, coisa que a alguns anos atrás nem existia. Então, em resumo, acredito que o Rio de Janeiro já tem alguns espaços para o consumo da cultura coreana, mas ainda precisa melhorar. E, como produtor de evento, não tenho dúvidas que, para esse tipo de evento, o Rio de Janeiro é um lugar que vale a pena ser explorado.

O Meet Kpop Rio virou um espaço online reconhecido na cena carioca de cultura pop sul-coreana, como foi a concepção e desenvolvimento desse projeto?

DP: O Meet Kpop Rio nasceu com o objetivo de juntar pessoas com um mesmo interesse e cresceu graças aos fãs. Eu sempre fui muito fã e dessa forma tentei me conectar com outros fãs, algo natural, além disso foi graças ao K-pop que descobri minha vocação profissional que é a de trabalhar com cultura, pessoas e eventos, o que ajudou nesse processo. Então, o Meet Kpop surgiu dessa união de interesses. Aproveitamos das trocas com os fãs e nos focamos em aumentar essa comunidade aqui no Rio de Janeiro, assim o Meet Kpop se formou,como um espaço online de troca com os fãs cariocas e também um lugar para organização de eventos físicos virados para essas mesmas pessoas. Hoje são mais de 14 mil fãs na página, além de grupos no Facebook.

FlashMob Viva Coreia realizado pela Meet Kpop RJ em parceria com o Centro Cultural Coreano para as Olimpíadas Rio 2016. Crédito: Meet Kpop.

Quais são as demandas, obstáculos e recompensas de produzir um evento que tenta dar conta de tantas vertentes da cultura pop sul-coreana, especialmente sendo o único de grande porte no Rio de Janeiro? Como se configura o público que participa do Hallyu Rio?

DP: Pra começar, aqui no Rio de Janeiro nós temos poucos lugares oficiais para pesquisar informações sobre a Coreia do Sul. Então, fazer um evento sobre a cultura sul-coreana sem ter nunca ido até o país ou até mesmo sem ser um coreano-brasileiro, como é o meu caso, foi uma tarefa bem difícil. Elaborar um evento sobre uma cultura que não é a nossa demandou muita responsabilidade, por isso convidamos pessoas que tinham grande conhecimento a respeito da cultura sul-coreana e fizemos muitas pesquisas, tanto através de trocas em reuniões, quanto através de contatos com o Centro Cultural Coreano e a Embaixada da Coreia, até mesmo para confirmar informações a fim de não pisarmos em falso. Sempre tivemos essa grande preocupação, mesmo em meio a dificuldade de conseguir informações concretas. E, sendo o único evento sobre cultura sul-coreana no Rio de Janeiro, o público sempre nos confirma o grande interesse existente em nosso estado na Onda Coreana e na cultura da Coreia do Sul. Então, pra gente é um prazer pesquisar e disponibilizar a essas pessoas mais conhecimentos sobre uma cultura que os fãs amam tanto.

Apresentação de Taekwondo pelo Grupo Crescer no Hallyu Rio. Crédito: Bruno Antonucci.

O público do Hallyu Rio muitas da vezes nunca vivenciou a cultura sul-coreana para além do entretenimento, já que, aqui no Brasil, para você experienciar uma parte da Coreia do Sul você precisa ir até São Paulo, onde há restaurantes e centros culturais, ou, para quem pode, ir para a própria Coreia. Por isso, o público do evento é carente e sedento por esses conteúdos. Então, a gente (eu, Monica Velozo e Sergio Menezes, criadores e produtores do evento) tenta trazer um pedacinho da Coreia do Sul especialmente através das vertentes que temos menos contato aqui no estado, como as roupas tradicionais (hanboks) e a culinária, já que aqui no Rio temos poucos restaurantes de comida coreana, até hoje são apenas dois e ficam localizados em locais distante e de acesso restrito para boa parte desse público.  

O Hallyu Rio já estaria em sua quarta edição presencial este ano se não tivesse acontecido a pandemia de COVID-19. Desde 2015, quando aconteceu o primeiro evento, quanto e como o evento e seu público mudaram? Existem também mudanças no reconhecimento e credibilidade do Hallyu Rio no cenário cultural do Rio de Janeiro?

DP: De 2015 a 2020 mudou bastante coisa. Aqui no Rio sempre tivemos uma grande dificuldade de encontrar espaços para eventos, especialmente os de K-pop, porque é comum as casas de show pedirem informações sobre o conteúdo do evento e a gente depende que eles confiem no potencial do evento dar certo. Além da questão da precificação, já que, quanto mais duvidoso o público de um evento é, mais caro pode ser o aluguel daquele espaço. Então, de 2015 pra cá, a gente conseguiu provar a força da Onda Coreana no Rio e do próprio evento Hallyu Rio, como o público é forte e crescente, então isso repercutiu junto às casas de show, facilitando que conseguíssemos espaços para a realização desses eventos. Tanto que, hoje, nós realizamos o Hallyu Rio em um dos maiores espaços culturais do Rio de Janeiro, que é o Imperator, uma casa completa em relação a espetáculos e isso foi graças ao portfólio do Hallyu Rio, que comprova grande crescimento de público. Nossa primeira edição contou com público de 500 pessoas, já a última, realizada em 2019, contou com mil. Nosso público dobrou, então precisamos de um espaço duas vezes maior para comportar todos esses fãs.

Covers e produção do Hallyu Rio 2019. Crédito: Bruno Antonucci.

E o público do evento muda sempre, é bastante cíclico, seguem as tendências do K-pop. Normalmente os fãs começam interessados apenas nos K-dramas e no K-pop, depois passam por um processo de amadurecimento para a expansão de seus interesses para todo o universo cultural da Coreia do Sul. Então, é comum um K-popper começar interessado apenas na música, mas com o aumento no interesse cultural, começar a assistir os programas televisivos, estudar o idioma, provar a culinária do país. Então, o Hallyu Rio acaba abraçando interessados na Onda Coreana que estão em diferentes estágios: desde os que estão aficionados apenas no K-pop, quanto aqueles que já estão mergulhados em todo o contexto da cultura sul-coreana que recebemos aqui no Brasil. Há muitas pessoas também que vão ao evento com o objetivo de aprender sobre como fazer intercâmbio estudantil na Coreia ou até mesmo como conseguir entrar no mercado de trabalho do país. Como o Hallyu Rio é um evento anual, a gente percebe como de um ano para o outro as tendências de interesse vão mudando e como a Onda Coreana está sempre conquistando novos adeptos, porque o público se renova, com novos rostos participando em cada edição.

Sobre a credibilidade do evento no cenário cultural do Rio de Janeiro, hoje é inegável o fato que os produtores de evento e as próprias casas de show já têm consciência da força do K-pop no nosso estado e em todo o país. Festas noturnas, por exemplo, atualmente buscam DJs especializados em música pop sul-coreana, porque sabem que existe essa demanda muito forte do público jovem. Sem dúvidas, o reconhecimento dessa cena e da força da Hallyu é bem expressiva e bem vista hoje em dia.  

Espaço no evento Hallyu Rio para provar a vestimenta tradicional coreana, o hanbok. Crédito: Bruno Antonucci.

Os concursos de cover de dança e canto são expoentes entre os fãs de K-pop no Rio de Janeiro, como se estrutura esse recorte de fãs por aqui? Os covers continuam sendo a grande base dos eventos de K-pop?

DP: O K-pop continua sendo a grande força da Onda Coreana e essa vertente carrega muita coisa com ela, como o estilo e as coreografias. Os fãs tentam interagir com o K-pop de todas as forças possíveis e a dança é a que mais os conecta com essa música. Além disso é uma arte, atraindo até mesmo pessoas de fora do fandom, que se atraem pela qualidade dessas coreografias e expressões. O que acaba, é claro, sendo um chamariz para a Onda Coreana. Os covers agregam muitos fãs brasileiros e até por isso que os concursos de cover nos eventos sobre cultura sul-coreana aqui no Rio acabam sendo pontos altos e importantes para o público.  

Você é coordenador da Escola de Coreano, como você tem percebido a demanda pelo idioma sul-coreano no estado?

DP: O interesse desses alunos começa normalmente pelo consumo de K-pop e K-dramas e a partir disso surge o interesse em estudar o idioma. A faixa etária abrange desde os mais jovens, com 13 anos, até os mais velhos, que na terceira idade se interessam nos dramas coreanos e querem aprender esse novo idioma. Em geral, os alunos mais jovens querem aprender o coreano para expandir seus conhecimentos para poder consumir melhor a Hallyu, até mesmo para tentar fazer um intercâmbio na Coreia do Sul ou tentar trabalhar em uma empresa sul-coreana no Brasil. A Onda Coreana intensificou o interesse pelo idioma no estado, sem dúvidas.

Os eventos de K-pop nos últimos anos têm se distanciado dos bairros da Zona Sul e se aproximado especialmente da Baixada Fluminense, Zona Norte e São Gonçalo. Como você enxerga esse deslocamento e o próprio consumo da Hallyu nesses espaços? Você acredita que o subúrbio é um espaço plural que abraçou o K-pop aqui no estado?

DP: Esse distanciamento da Zona Sul tem acontecido aqui no Rio de Janeiro de forma natural, uma vez que os eventos vão ao encontro dos fãs e suas demandas. Antes os eventos eram realizados em bairros mais “reconhecidos” no Rio de Janeiro, como os da Zona Sul, por uma simples falta de pesquisa sobre onde a maioria desses fãs se encontravam aqui na cidade. Então, com o levantamento desse público, percebemos que ele se encontrava no subúrbio do que na Zona Sul. Por esse motivo, os eventos começaram a se enraizar nesses espaços, que claramente abraçaram o K-pop no Rio de Janeiro.

Você acredita que o consumo carioca da cultura pop sul-coreana esteja se desligando dos espaços da cultura pop japonesa, como, por exemplo, os eventos de anime?

DP: O grande divisor de águas para o desligamento mais concreto entre os consumos cariocas de cultura pop sul-coreana e o de japonesa foi exatamente a criação do Hallyu Rio. Antes dele não existia nenhum grande evento de cultura pop sul-coreana que não fosse interligado à cultura pop japonesa, porque antes existia uma descrença dos produtores, e até mesmo do público, se um evento só de cultura pop sul-coreana se sustentaria aqui no Rio de Janeiro. O Hallyu Rio, então, veio para comprovar esse potencial e consolidou essa divisão. É claro que ainda existem vários outros eventos pelo estado que continuam mesclando esses dois universos, especialmente eventos de anime que possuem espaços especiais para a Hallyu, já que os produtores desses eventos percebem o potencial lucrativo dessa fusão. Contudo, hoje, os kpoppers cariocas não são mais dependentes desses espaços, já que o Hallyu Rio, o Meet Kpop e outros eventos de cultura sul-coreana são realizados periodicamente por aqui.

Quais serão os próximos passos para que a cena do K-pop no Rio de Janeiro possa se aproximar desse epicentro cultural no país, que é o estado de São Paulo? Existe diferença de apoios da embaixada e consulado da Coreia do Sul no Brasil em relação aos eventos de cultura sul-coreana no Rio de Janeiro em relação a outros estados?

DP: A diferença é enorme. Desde a primeira edição do Hallyu Rio, em 2015, que a gente busca contato e apoio com centros culturais do governo da Coreia aqui no Brasil, mas ainda é um processo muito difícil. Sem um órgão oficial da Coreia do Sul no Rio de Janeiro, fica difícil provar a eles a força do público carioca. É claro que já realizamos diferentes eventos ligados à Embaixada e ao Centro Cultural Coreano aqui, mas ainda não temos uma intermediação mais fixa para esses assuntos. Acredito que o Rio de Janeiro tem grande potencial de sediar espaços oficiais de cultura sul-coreana, assim como eventos de grande porte, o que falta é atenção desses órgãos. A verdade é que todos os outros estados, excetuando apenas São Paulo, passam pelos mesmos problemas que a gente. A cidade paulista recebe a grande parte e atenção desses eventos oficiais por causa da concentração de coreanos-brasileiros no estado e dos próprios espaços culturais especializados em Coreia do Sul, assim como Brasília, que também tem destaque, uma vez que a embaixada da Coreia do Sul se encontra lá. Os outros estados, como o Rio de Janeiro, ficam à mercê dos produtores locais, que dependem de conquistar reconhecimento a fim de serem ouvidos por essas organizações coreanas aqui no país. Então, os próximos passos estão em fortalecer a comunidade carioca para apresentar ao resto do país o potencial do Rio de Janeiro como um polo de consumo da Hallyu, só assim a gente poderá criar um espaço deslocado de São Paulo.

Encontro Kpop realizado pelo Meet Kpop e pelo Shopping Nova América em 2019. Crédito: Meet Kpop.

Pesquisador do CEA-UFF, Edelson Parnov, debate a revolução das mulheres na China em programa da rádio Showtime de SP

Na próxima quinta-feira, dia 17 de setembro, às 9h, na Rádio Showtime, de São Paulo, o pesquisador do Centro de Estudos Asiáticos da Universidade Federal Fluminense (CEA-UFF), Edelson Costa Parnov, doutorando em história social pela Universidade de São Paulo (USP), vai falar sobre a revolução das mulheres na China. Para acompanhar o programa, sintonize na rádio pelo site www.radioshowtime.com.br ou pelos aplicativos.

Crédito: Rádio Showtime.