Pesquisadoras do MidiÁsia debatem o pop sul-coreano e sua expansão global no seminário “Plataformização da Cultura”

No dia 1 de agosto, às 16h, ocorre a quarta live do seminário “Plataformização da Cultura”, que vai debater o pop sul-coreano e sua expansão global. O evento é uma realização do Curso de Especialização em Produção de Conteúdo Audiovisual para Multiplataformas (EAM/UFSCar) e do Grupo de Estudos sobre Mídias Interativas em Imagem e Som (GEMInIS), ambos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com o apoio e a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX/UFSCar).

Participam desta iniciativa as pesquisadoras do Grupo de Pesquisa em Mídia e Cultura Asiática Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (MidiÁsia-UFF) Daniela Mazur, doutoranda em Comunicação pela UFF e atual coordenadora do projeto acadêmico Série Clube (UFF); e Krystal Cortez, doutora em Comunicação pela UFF, coordenadora do MidiÁsia e atualmente realiza estágio de pós-doutorado no PPGCOM/UFF. A mediação será de Melina Meimaridis, doutoranda em Comunicação pela UFF e atualmente pesquisadora associada ao TeleVisões (UFF) e ao Série Clube (UFF).

O debate será transmitido no Facebook da Especialização em Produção de Conteúdo Audiovisual para Multiplataformas. Para o recebimento do certificado, o credenciamento deve ser feito na sala de conferências online, no momento da transmissão, pelo seguinte link: https://bit.ly/30JuITp.

Crédito: Facebook do Curso de Especialização em Produção de Conteúdo Audiovisual para Multiplataformas.

Como destacam os organizadores do evento, o seminário pretende promover e incentivar debates online entre pesquisadores, artistas e profissionais da cultura, visando um maior entendimento das atuais transformações nas indústrias de entretenimento. Busca-se discutir a importância da criação de políticas públicas para as plataformas culturais; o marco regulatório do vídeo sob demanda; novas perspectivas estéticas e estilísticas, e a inovação nos sistemas de produção, distribuição, circulação e recepção de conteúdos.

O regime de distanciamento social potencializou as práticas culturais emergentes das lives, reconfigurando a interação entre o público e os artistas. Tal fenômeno foi possibilitado pela plataformização das indústrias culturais: um fenômeno recente na história do país. Surgem assim, na arena cultural, manifestações artísticas, criativas e inovadoras em plataformas de entretenimento: filmes, séries, shows musicais ao vivo, esquetes humorísticos e performances teatrais. Essas atividades geram novos modelos de negócios ao oferecer serviços de distribuição online com implicações diretas nos arranjos produtivos das indústrias culturais“, enfatizam os coordenadores da iniciativa.

Para mais informações, assistir a debates anteriores e acompanhar a programação, acesse a página no Facebook do Curso de Especialização em Produção de Conteúdo Audiovisual para Multiplataformas.

NHK World disponibiliza série documental sobre o trabalho de Hayao Miyazaki

A emissora pública do Japão NHK disponibilizou em sua plataforma de conteúdo uma série documental de 4 episódios, narrada em inglês, com legendas em português, que traz detalhes sobre o processo criativo de um dos mais celebrados cineastas japoneses Hayao Miyazaki. Nesta produção, o público poderá acompanhar um pouco do dia-a-dia do realizador em seu estúdio, suas inspirações e um pouco da sua jornada longa e difícil, conforme salientado no Facebook do Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro, que compartilhou o conteúdo. De acordo com a NHK, Miyazaki é retratado como um artesão apaixonado, um inovador corajoso e um pai confrontando seu filho. A série ficará disponível até 2026. Para assistir aos quatro episódios, acesse o link abaixo.

Para assistir aos quatro episódios da série documental com legendas em português, clique na foto. Crédito: NHK.

Editora C33 promove palestra “O período Edo em xilogravuras: Hokusai e As Cem Vistas do Monte Fuji”

Dia 5 de agosto, às 18h30, acontece a palestra “O período Edo em xilogravuras: Hokusai e As Cem Vistas do Monte Fuji”, promovido pela Editora C33 que convida estudantes e pesquisadores de cultura japonesa a participarem da inciativa. O evento abordará os seguintes pontos: – Panorama do período Edo, do movimento artístico ukiyo-e do seu representante mais famoso, Katsushika Hokusai. – Análise das oito primeiras xilogravuras da série As Cem Vistas do Monte Fuji, de 1834.

Crédito: Facebook Editora C33

A palestra será ministrada por Diogo Kaupatez, mestre em arte e cultura japonesa pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH – USP).

As inscrições devem ser realizadas pelo seguinte formulário: https://forms.gle/WMkm7ecMjcQKVvDH6

AnimaMídia está com inscrições abertas para seu primeiro seminário online

Nos dias 6 e 7 de agosto, das 15h às 17h, será realizado o I Seminário Online AnimaMídia. O tema central será “Problemas e problemáticas em torno dos desenhos animados”, que objetiva apresentar as pesquisas temáticas realizadas pelos integrantes do grupo. Entre elas, algumas têm como foco de estudo os animes japoneses e outras produções asiáticas.

Crédito: Facebook AnimaMídia.

AnimaMídia é um grupo de estudos certificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) que reúne docentes e discentes interessados em entender/contextualizar/problematizar o universo dos desenhos animados em suas mais variadas formas de exibição e circulação. A inscrição para o evento é gratuita e os participantes receberão certificado.

Para fazer parte desta iniciativa, acesse o seguinte link: https://www.even3.com.br/animamidia/

Programação do seminário

6 DE AGOSTO
ABERTURA – Professora Drª Ariane Holzbach
15h -16h – Wagner Dornelles e Jackeline Costa – desenhos animados e questões em torno da raça
16h-17h – Pedro Alves e Guilherme Moraes – cultura nerd e terror nas animações

Mediação: Arthur Felipe Fiel

7 DE AGOSTO
ABERTURA – Professora Drª Ariane Holzbach
15h-16h – Luís Sôlha e Rodrigo Quinan – desenhos animados não ocidentais
16h-17h – Cheila Pacetti e Julia Alves Santana – sexualidade e gênero nos desenhos animados

Mediação: Priscila Mana

Ouvindo os sons do vento com Haruki Murakami

Por Mateus Nascimento

Ouça a canção do vento, de 1979, é o primeiro texto de Haruki Murakami (ou Murakami Haruki dependendo do quão imerso nos estudos japoneses você esteja), o grande autor japonês pop!

Ler este livro é fundamental para se conhecer um Murakami das primeiras ideias literárias, antes de ser o sucesso de vendagem que é hoje. De certa forma, é ter em suas mãos as primeiras experimentações do autor no campo da escrita, mesclando imagens mais contemporâneas e ocidentais (especialmente americanas), mas também outras mais clássicas, do repertório da literatura japonesa.

Ele é um dos escritores japoneses mais conhecidos justamente porque seus livros abordam desde a própria cultura japonesa até as questões mais centrais de nosso tempo, às vezes misturando as duas coisas em histórias qualificadas como pertencentes ao realismo fantástico.

Haruki Murakami. Créditos: The Star

Nascido em Quioto pouco tempo após a Segunda Guerra Mundial, em 1949, Murakami é filho de um sacerdote budista com a filha de um comerciante de Osaka, com os quais aprendeu literatura japonesa. Frequentou a Universidade de Waseda, em Tóquio, dedicando-se sobretudo aos estudos teatrais. Antes de terminar o curso, abriu um bar de jazz chamado Peter Cat, à frente do qual se manteve entre 1974 e 1982, e se casou jovem. O casal não tem filhos.

Com esse breve histórico, parece que Murakami quis ser diferente do padrão. Sua vida mostra alguém que quis ser um outsider ou crítico do estilo de vida capitalista do Japão, muito marcado pelos conceitos de produtividade, meritocracia, que compõem aquela imagem do japonês como pessoa sempre ocupada, disciplinada, educada, etc., que nós ocidentais conhecemos na mídia.

Normalmente, muitos comentadores o associam à corrente de autores do realismo fantástico, por conta da junção de elementos folclóricos, ficcionais a imagens que podemos encontrar na realidade: música clássica, música pop americana, imagens da pop art e cenas fantásticas que se inspiram em lendas japonesas ou em lendas ocidentais. Toda a mistura aparece somada a gatinhos, cervejas e bastante cenários típicos de um Japão em constante aceleração, marcado pelas dores do individualismo extremo que reina ali, apesar de quase todas as atividades dos sujeitos serem atravessadas por conceitos e formas que privilegiam o coletivo e a coletividade.

Capa do livro Ouça a canção do vento. Créditos: foto do autor.

Por sua vez, Ouça a Canção do Vento é um romance curto, mais próximo de uma novela o que de um romance, e acompanha um narrador sem nome ao longo de poucos dias de suas férias de verão da faculdade, em agosto de 1970. O livro virou filme em 1981, dirigido por Kazuki Ōmori – Hear the Wind Sing – e logo popularizou o texto murakamiano no próprio país.

Narrado em primeira pessoa com capítulos curtos, esse narrador, cujo nome não sabemos em nenhum momento da história, passa grande parte do seu tempo com seu melhor amigo, o Rato, e com J., barman e dono do J’s Bar, onde os três passam as noites bebendo e conversando.

Entre uma aparição e outra de California Girls do grupo Beach Boys ou de Return to the Sender de Elvis Presley, ao passo que a vida boêmia de Kobe se apresenta, o narrador resgata uma moça desacordada no bar e em torno desse relacionacionamento gira a história, com algumas pausas nas quais ele busca lembrar-se de relacionamentos passados e experiências da sua vida. Apesar de conhecermos pouco todos os personagens – o Rato um pouco mais pois é mencionado o fato dele ser filho de empresários – ficamos sabendo que o narrador está vivendo tudo isto por estar de férias da faculdade, entre os dias 8 e 26 de agosto de 1970.

Certamente esses personagens sugerem um apontamento murakamiano sobre os deslocados no interior da cultura do Japão, que consequentemente desenvolvem a solidão e medo de serem inadequados, o que se correlaciona com o nosso tempo atual. É curioso o fato de que Murakami tenha escrito sobre esses dramas na década de 1980 e alguns dos textos dessa fase ainda serem tão atuais.

Perceba: personagens sem nome, no meio de uma sociedade que valoriza bastante o coletivo; a quase onipresença do álcool em todos os momentos das histórias; as mortes e a crise profissional que assombra boa parte dos protagonistas, temas quase incabíveis no Japão que nos é continuamente apresentado como o país do futuro, da dedicação pessoal e do sucesso. 

Para ele, por exemplo, é ausente do mundo atual um conceito de heroísmo, muito presente no elogio do sucesso formulado pela cultura da meritocracia. Também estariam ausente as fórmulas prontas. A situação atual é o que é e nada mais e suas obras falam desse cotidiano da contemporaneidade, que mais nos oprime e desloca e mata psicossocialmente. Com vocês, Haruki Murakami.

Ficha Técnica:

Título: Ouça a canção do vento / Autor: Haruki Murakami / Tradutora: Rita Kohl / Editora Alfaguara, 2016.

“Isso não é arte” de Kobayashi Issa

Por Roberto Schmitt-Prym e Andrei Cunha (Editora Bestiário)

Kobayashi Issa (1763–1827) é um daqueles grandes da literatura que pagaram um preço alto por darem prazer ao seu público: como Mario Quintana, Alexandre Dumas, Anton Tchekhov, Jacques Prévert, ou ainda seus conterrâneos Miyazawa Kenji e Murakami Haruki, o impacto de Issa é tão acessível, mesmo para quem “não gosta de literatura”, que suscita desconfiança em críticos mais sisudos — o tipo que imagina que, para ser arte, precisa dar trabalho ao leitor.

Estátua de Kobayashi Issa em Kashiwabara. Créditos: Green shinto

Isso não é arte? É um clichê dizer que é muito difícil ser simples, que a leveza do artista esconde um fazer cheio de gravidade. Os haicais de Issa abrigam muitos níveis interpretativos, tanto como representantes da sua cultura, quanto como peças discretas que funcionam em diversos contextos. Ele é herdeiro de uma tradição japonesa, literalmente milenar, de desprezo pela distinção entre o confessional e a ficção: seus comoventes diários e poemas são, ao mesmo tempo, “baseados em fatos reais” e sínteses daquilo que Ricardo Silvestrin chama, em sua Introdução, de “um eu que se dissolve, um eu mínimo, no limite do não-eu”.

Por outro lado, mesmo sem o melodrama pessoal, extirpados de seus habitat linguístico, social, moral, os poemas continuam vivos, desafiando o equívoco, bastante comum, de que Issa não merece ser mencionado com os outros dois da tríade — Bashô e Buson —, por não ser “suficientemente sério, suficientemente profundo”.

Imagem do livro “Isso não é arte”. Créditos: Mateus Nascimento.

Assim como há quem ache simples ser simples, vai ter gente que vai dizer que o trabalho de Silvestrin foi pequeno. Afinal, que mistério pode haver em repetir, em português do Brasil, as frases diretas e descomplicadas de um poeta de fácil comunicação? O sentimentalismo dos haicais de Issa, que ele herdou da tradição do waka da Antiguidade, mais do que do haicai da Idade Média, já é tão pungente, que bastaria, seguindo esse raciocínio, repetir a mesma história em nossa língua. De novo, há aí engano. Silvestrin consegue fazer um trabalho difícil sem permitir que ele pareça difícil: os poemas — que ele escolheu claramente por afinidade, por ressonância — se apresentam a cada folha deste precioso livro como que recém-chegados a um mundo que é uma fusão de brevidade nipônica com uma sensibilidade linguística nossa, e isso é para poucos.

Eis aí a mágica, que nem todos veem: ser arte tão leve que desafia a mesma ideia do que seja arte.

Ficha técnica:

Título: ISSO NÃO É ARTE. Autor: Kobayashi Issa. Tradução: Ricardo Silvestrin. Publicação: Bestiário/Class, 2019.

Os 100 Adeus: entre términos e retornos

Por Mayara Araujo

Não é nenhuma novidade constatar que relacionamentos podem ser conturbados e repleto de reviravoltas. A verdade é que a sensação de êxtase do início de um amor novo passa e essa excitação vai se tornando gradativamente mais serena, até o momento em que se torna meio insossa. O tempo passa, as pessoas se transformam em outras pessoas e o brilho nos olhos que guardávamos para um alguém querido vai perdendo o impacto, na medida em que também mudamos. Ainda assim, existem casais que sobrevivem a monotonia do nosso cotidiano e reaprendem a se apaixonar de tempos em tempos. É justamente sobre tais percalços que Os 100 Adeus, comédia romântica dirigida e roteirizada por Lawrence Cheng, nos conta.

Sam (Ekin Cheng) e Barbara (Chrissie Chau) são mais um desses casais que estão juntos há tempo o suficiente para compartilhar espaço no mesmo banheiro. Eles compartilharam muito nesse tempo: um cômodo, uma casa, uma vida. Com isso, o relacionamento dos dois parece estar desgastado: as piadas de Sam não são mais tão engraçadas – se tornaram imaturas; o humor ácido de Barbara não é mais um charme – agora é meramente chato. 

Esses pequenos detalhes do dia a dia são o principal motivo de tantos términos: 99, até aqui. Foram 99 vezes que o trem saiu do trilho e os dois tiveram que se esforçar para que ele retomasse o seu devido lugar. Um pedido de desculpas por parte de Sam, uma tentativa de melhor compreensão por parte de Barbara. Nesses 99 términos eles se tornaram mais fortes, mas também mais cansados.

Crédito: Fixable.com

Depois do 99º término, Sam e Barbara decidem abrir um pequeno negócio juntos: uma cafeteria chamada “Le Je Taie”, na qual os clientes poderiam desfrutar de uma “autêntica” refeição francesa – mesmo que para atender os seus primeiros clientes eles tivessem que ligar para a cafeteria concorrente e realizar o mesmo pedido que o cliente havia feito, mas para entregar para a viagem. Em suas inocências, o que eles não haviam percebido, no entanto, é que o próprio nome do estabelecimento havia sido grafado errado. E isso não poderia ser um bom presságio.

“Sorte nos negócios e azar no amor”, esse poderia ter sido o slogan reservado para a pequena Le Je Taie. Foi justamente ali, servindo pratos, mantendo os negócios ativos e observando os clientes que vêm e vão, que eles puderam contemplar o desfecho de diversos relacionamentos. A cafeteria se tornou palco para casais que se desentendiam, brigas que corriam soltas e rompimentos definitivos de pessoas que juraram seu amor um pelo outro.

Nesses rompimentos públicos, muitos casais deixam para trás pertences de valor afetivo. Talvez por esquecimento ou talvez porque queiram esquecê-los. A partir dessa constatação que Sam tem a ideia de alugar um pequeno espaço dentro do café para que os clientes possam se desfazer de tais itens. Assim, alianças, pelúcias, fotografias são temporariamente deixadas para trás, dentro do estabelecimento, para que os corações possam ser curados.

Crédito: Netlflix.com

É a partir dessa estante do término que o Le Je Taie se transforma em um negócio de sucesso. Pouco importa o sabor da comida ou a qualidade do café, desde que tais itens possam ser deixados para trás. Pouco a pouco, a estante do término vai sendo preenchida de memórias de relacionamentos passados alheios e, em paralelo, o ego de Sam vai se tornando inflado. Depois de anos sendo considerado imaturo por sua parceira, ele finalmente surgiu com uma ideia que vingou e, agora, se sente preparado para dar o próximo passo.

Com o apoio de alguns amigos próximos e sem nenhum comunicado à Barbara, Sam decide procurar lojas no bairro para alugar, no intuito de desenvolver filiais do Le Je Taie. Acontece que ao descobrir, Barbara não só se sente traída, como não deposita nem um pouco de confiança na ideia de Sam. “Quanto tempo isso vai durar?”, questiona. De fato, Sam não se responsabiliza enfaticamente sobre a administração dos negócios e se inspira meramente na efemeridade de ter tido uma boa ideia. Com isso, pela centésima vez, Barbara decide deixá-lo.

Dessa vez, diferentemente do que ocorreu até aqui, Sam não pretende correr atrás de sua parceria para pedir desculpas. Afinal, ele também se sente traído com a falta de confiança que Barbara sente nele. Por outro lado, Barbara parece certa sobre o vindouro pedido de desculpas. E se surpreende, ao demorar para chegar. Pela primeira vez, os dois parecem precisar de tempo para organizar seus próprios sentimentos um pelo outro. 

Crédito: hk01.com

De forma agridoce, o filme se encerra com um reencontro mais do que sereno, no qual nos segundos finais podemos observar que nossos protagonistas deram as mãos. O futuro do relacionamento, entretanto, continua parecendo incerto, visto que não houve uma evolução real de ambos os personagens.

Como comédia romântica, Os 100 Adeus não tem nada de engraçado. Não existem reviravoltas emocionantes e causa até certa estranheza ao espectador o relacionamento dos protagonistas. Não há fortes motivos ou identificação o suficiente para se torcer pelo separação ou união final dos dois. Mas nos deixa a dramática reflexão acerca de nossos próprios relacionamentos amorosos e uma certa inveja da ideia de se ter um lugar equivalente a tal estante do abandono.

Ficha Técnica:

País: China (HK) | Direção: Lawrence Cheng | Roteirista: Lawrence Cheng | Elenco: Chrissie Chau, Ekin Cheng, Ivana Wong | Duração: 105 min | Ano: 2014.

Silenced: Abandono daqueles que gritam em silêncio

Por Hsu Ya Ya*

Uma escola para deficientes auditivos e intelectuais entre 7 e 22 anos. O medo refletido através dos olhos das crianças. Roxo, a cor que deveria estar estampado nos desenhos está presente nos rostos em forma de hematomas. Parece roteiro de filme de terror, não? Não deixa de ser um filme, mas o gênero não é de terror. Silenced é baseado em fatos reais que aconteceram na Coreia do Sul entre os anos 2000 a 2004, quando o caso foi exposto por um professor ao grupo de direitos humanos da cidade de Gwangju.

Em 2009, a autora Gong Ji Young lançou o livro “The Crucible”, baseado no caso “Gwangju Inhwa School”, mas a história só causou impacto na sociedade sul-coreana quando o filme foi lançado, em 2011.

Kang In Ho (Gong Yoo) é um professor de artes que fora indicado para dar aula em uma escola para deficientes auditivos na cidade de Minju a fim de ensinar e conseguir dinheiro para a sua família que passava por momentos difíceis, após o suicídio de sua esposa e a doença da filha. Logo no primeiro dia de trabalho, Kang      nota o ambiente sombrio que permeia entre os corredores da escola e os olhares distantes de seus alunos.

Crédito: viki.com

Durante a sua primeira aula, Min Su (Baek Seung Hwan) chega a aula com diversos hematomas no rosto, e quando In Ho questiona o professor Park Bo Hyun (Kim Min Sang), este relata que os machucados foram ocasionados pela sua “deficiência”, além da recente perda do seu irmão mais novo. Curioso a respeito das crianças, o professor de artes busca o histórico escolar do Min Su, Yeon Doo (Kim Hyun Soo) e Yoo Ri (Jung In Seo), reparando que essas crianças são órfãs ou foram abandonadas pelos pais.

A reviravolta começa quando In Ho encontra Yeon Doo sendo torturada pela irmã do diretor do instituto, que fora socorrida e encaminhada ao hospital com a ajuda da ativista dos direitos humanos Seo Yoo Jin (Jung Yu Mi). Ao passar a noite acompanhando a menina, a ativista recebe através de uma carta, o relato de estupros que vem acontecendo dentro da escola feito pelo diretor, o seu irmão e o professor Park. Com isso, In Ho e Yoon Jin começam a luta pelo direito dessas crianças, enquanto as autoridades locais e a própria população fechava os olhos diante do caso.

Apesar do filme ser baseado em fatos reais, alguns acontecimentos foram alterados, seja na questão da quantidade de acusados envolvidos no caso, ou as vítimas que sofreram tais abusos. Um número questionável até as últimas notícias sobre o ocorrido na vida real, mas nada se compara ao impacto da narrativa do início ao fim, com cenas fortes e tocantes sofridas pelas crianças, a indiferença dos professores que presenciavam as agressões físicas, a descrença da população para o caso.

Crédito: YouTube

A primeira impressão que se tem é que o filme parece ser de suspense ou terror pela sensação que passa ao espectador, através da ambientação do local malcuidado, pouca iluminação, olhares sem vidas e a tortura psicológica a quem assiste pelas cenas chocantes de abusos.

Silenced passa a sensação de impotência para quem assiste, mas levanta diversos questionamentos sobre o papel do ser humano diante de casos obscuros que permeiam a nossa sociedade, a conduta que devemos ter como cidadãos, em contrapartida, o poder na mão daqueles que têm mais dinheiro, o silenciamento das vítimas oprimidas pela sociedade, as brechas dentro da legislação, o papel do jornalismo a fim de expor casos que seriam acobertados por aqueles que têm poder e a importância de defender os direitos humanos.

Crédito: Tumblr

Ficha Técnica:

País: Coreia do Sul | Direção: Hwang Dong Hyuk | Roteirista: Hwang Dong Hyuk baseado no livro “The Crucible” da autora Gong Ji Young | Elenco: Gong Yoo, Jung Yu Mi, Kim Hyun Soo, Jung In Seo, Baek Seung Hwan | Duração: 125min | Ano: 2011

*Hsu Ya Ya é graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pesquisadora no grupo Comunicação, Arte e Literacia Midiática, membro do Observatório da Qualidade no Audiovisual e bolsista de treinamento profissional no projeto #Observatório: Produção de vídeos de divulgação científica)

NEA e Projeto Orientalismo da UERJ oferecem curso online gratuito de “Chinês Clássico”

Entre agosto e setembro deste ano, o curso de “Chinês Clássico” será oferecido online e gratuitamente aos alunos de graduação, pós-graduação e professores de cursos de filosofia, história e ciências humanas em geral, advindos de universidades brasileiras e interessados na China do ponto de vista histórico, teórico, filosófico e cultural. A iniciativa tem organização do Projeto Orientalismo e do Núcleo de Estudos da Antiguidade, ambos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Serão 15 aulas que começam a ser ministradas no dia 7 de agosto, terça-feira, às 16h.

Segundo informações publicadas pelos coordenadores do curso, nenhum conhecimento prévio de chinês é necessário. O aluno que passar na avaliação final (tradução de um pequeno trecho em chinês clássico estipulado pelo ministrante diferentemente para cada aluno participante) receberá um comprovante de participação e conclusão de curso. O ministrante é Bony Schachter (PhD) que estudou chinês moderno e clássico, japonês, sânscrito, tibetano, história e religião chinesas na Universidade Normal de Nanjing 南京師範大學, em Fudan 復旦大學 e na Universidade Chinesa de Hong Kong 香港中文大學.

Clique na figura para outras informações. Crédito: Projeto Orientalismo.

O conhecimento do chinês clássico é condição sine qua non para o estudo histórico da cultura chinesa. O objetivo do curso é fornecer ao aluno brasileiro acesso ao conhecimento sistemático desta forma de expressão culta. O curso funcionará como uma porta de entrada ao mundo da sinologia/estudos chineses, incentivando a formação de futuros sinólogos lusófonos“, salienta o informe do curso. Para outras informações e realizar a sua inscrição, envie um e-mail ao seguinte endereço eletrônico: chinesclassico2020@gmail.com

CEA-UFF está com inscrições abertas para o seminário “Brasil e China depois da pandemia”

O Centro de Estudos Asiáticos da Universidade Federal Fluminense (CEA-UFF), no próximo dia 29 de julho, quarta-feira, das 18h às 21h, realizará o seminário “Brasil e China depois da pandemia”. O evento contará com a presença do professor Dr. Paulo Visentini da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a professora Dra. Camila Moreno da Universidade Humboldt/Berlim e professor Dr. Elias Jabbour da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Crédito: Facebook CEA-UFF.

O evento será realizado na plataforma Google Meetings e um e-mail com o link será enviado um dia antes do evento. As inscrições devem ser realizadas até o dia 27 de julho por meio deste link: https://linktr.ee/ceauff